quarta-feira, 19 de agosto de 2026

 

Nossos Universos Ficcionais

no Esquenta da Acaso Cultural

 

 

“Em que hora você dorme, Gerson?”

(Guilherme Rezk)

 

202608162359P1 – 24.145 D.V.

 

Participei hoje à tarde do primeiro Esquenta da Rio Neon no segundo andar da Acaso Cultural, centro de cultura simpático e acolhedor situado na Rua Vicente de Sousa, nº 16, a duas quadras da estação de metrô de Botafogo.

A primeira parte desse Esquenta se centrou em torno da leitura do conto “O Grande Mar de Aadmir”, recém-publicado na coletânea Novos Desertos (Acaso Cultural, 2026), de Leonardo Nahoum, e na segunda parte a autora Carol Façanha e eu discorremos sobre nossas carreiras, publicações e universos ficcionais.

***

 

Saí de casa às 13h15, após uma última conferida na apresentação em PowerPoint que preparei para o evento e na colinha do que eu desejava falar sobre o conto e a coletânea do Leo Nahoum.  Quinze minutos de UBER mais tarde, chegava à Acaso Cultural.  Brevíssima leitura de bordo: parte de um conto da coletânea Sonhos de Vidro em Sombras de Concreto (Acaso Cultural, 2022), do Pedro Sasse.

Velho gato escaldado que sou, planejei chegar cedo para conferir se o arquivo da apresentação abriria direitinho no notebook da Acaso.  E, como paranoia pouca é bobagem, levei uma cópia desse arquivo num pendrive.  Just in case.😉[1]

Como gestor da instituição, Pedro já estava presente.  Aproveitei o ensejo e lhe pedi que complementasse o autógrafo da Sonhos de Vidro..., cujo exemplar recebi ao participar da campanha de apoio da Novos Desertos na Catarse.

Uns minutinhos mais tarde, Leo chegou armado com um tripé oblonguíssimo para espetar o banner da Novos Desertos que trouxe consigo.  Pouco mais tarde, chegou Nelson Job, escritor, professor e agitador cultural que eu já não encontrava pessoalmente desde o lançamento da antologia Intempol (Ano-Luz, 2000) na Casa da Matriz, mais de um quarto de século atrás.  Nelson me presenteou com um exemplar de seu romance recente Pulsares (Mondru, 2025).  Infelizmente, não tive um exemplar do meu romance recém-lançado Mundo-sem-Volta 1: Atrações do Zoológico (Edições Cosmos, 2026) para retribuir.[2]  Fico na dívida.

Nelson indagou se eu também estava participando da antologia Vampiros, edição especial da Revista Literatura Fantástica, organizada por Jean Gabriel Álamo para a sua Álamo Publicações.  Quando confirmei que participarei com a noveleta de vampirismo científico e história oculta “Caminho da Verdade”[3], perguntou se eu sabia quando a antologia seria lançada.  Respondi que não sabia, mas que torcia para que o lançamento se desse em breve.  O que eu realmente sei é que, com mais de quatro mil páginas, a antologia muito provavelmente não será publicada como livro físico, mas apenas como e-book.

Como participante do Esquenta desta tarde, tive prioridade em escolher um dos livros disponíveis na Feira de Trocas que rolaria depois da parte oficial do evento.  Escolhi o romance A Nova América (Parágrafo, 2022), do Pedro.  Em seu lugar, deixei um exemplar da minha coletânea Histórias de ficção científica por Carla Cristina Pereira (Draco, 2012) e outro, da antologia Não Mais (Histórias Incompletas, 2022), da qual participo com a noveleta “Apagão”, ambientada no universo ficcional Terra Brasilis.  Leo pegou o livro da Carla para si.

Outros amigos e conhecidos foram chegando aos poucos, com destaque para as autoras de literatura fantástica Carol Façanha e Luiza Rosa; o bom amigo das lides do Clube de Leitores de Ficção Científica Eric David Hart; e os confrades do Escribas da Cinelândia, Marcos de Queiroz e Guilherme Rezk.

Demos início aos trabalhos no horário combinado das 14h00.

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A primeira atividade dessa sessão de estreia do Esquenta Neon Rio foi a leitura do conto “O Grande Mar de Aadmir” pelo próprio autor, Leonardo Nahoum.

Leo leu seu conto (pelo tamanho, desconfio que possa ser uma noveleta) com voz firme e impostada por quase uma hora.  Pedro falou conosco que, se o autor se cansasse, outro leitor poderia assumir.  Sentado à mesa ao lado do autor, voluntariei-me para essa ajuda eventual.  Porém, Leo aguentou firme sem fraquejar até o ponto final e foi melhor assim.  Porque acho que leitor algum consegue imprimir uma entonação tão boa às vozes dos personagens quanto o próprio autor.

Leitura concluída, falei brevemente sobre o conto em si, uma história apresentada por um narrador alienígena não humanoide de uma espécie desprovida do sentido da visão, que se orienta em seu ambiente através do olfato e da audição.  Declarei que, na minha opinião, “O Grande Mar de Aadmir” é a melhor história de narrador alienígena já escrita em português.  Confessei minha inveja pelo fato de Leo ter conseguido escrever um conto mais simakiano do que eu, que tenho Clifford D. Simak como meu autor predileto.  Lembrei que esse conto foi originalmente publicado na antologia amadora Verde... Verde..., lançada pelos associados ao grupo carioca do CLFC em 1989.  Afirmei que por serem ambientadas no mesmo universo ficcional, os contos dessa coletânea podem ser lidos em conjunto como um romance fix-up.  Aproveitei para tecer uns comentários breves sobre alguns dos outros trabalhos da coletânea, com ênfase ao diálogo entre duas crianças de culturas humanas muito diferentes no belo e pungente “O Farol das Esquinas de Marte”; e ao “Controlador”, noveleta cujo enredo e temática dialogam com o universo de pós-humanos poderosíssimos delineado por Michael Moorcock na série Dancers at the End of Time.  Enfim, falei da importância histórica da Acaso  Cultural ter resgatado essa coletânea, escrita originalmente entre o fim da década de 1980 e o início da de 1990, tornando-a acessível aos leitores da terceira década do século XXI.[4]

Após essas considerações, Leo respondeu às perguntas de uma plateia impressionada e entusiasmada.  Em uma das respostas, declarou que, à época em que os contos da Novos Desertos foram escritos, sua maior influência literária era Ray Bradbury.  Faz sentido.  Pois alguns dos trabalhos da coletânea realmente têm um quê daquele autor estadunidense.


Leitura do conto "O Grande Mar de Aadmir".


***

 

Quando Leonardo terminou, perguntei à Carol se ela preferia falar antes ou depois.  Ela preferiu falar primeiro.  Como eu, também trouxe uma apresentação em PowerPoint.

Um problema que pairou em minha mente (e, de repente, na da Carol também), foi o do cronômetro.  Porque, em princípio, nosso evento como um todo deveria se estender das 14h00 às 16h00.  Então, imaginei, deveria ser uma hora para a leitura do conto do Leo e, daí, meia hora para a apresentação da Carol e outra meia hora para a minha.  No entanto, a leitura, mais minha fala sobre o conto e as perguntas da galera consumiram, grosso modo, uma hora e vinte minutos.  Felizmente, no papel de salvador da periferia galáctica, Pedro declarou que não havia pressa alguma, que nós dois poderíamos fazer nossas apresentações com calma e que depois ainda seria concedido tempo bastante para as perguntas da plateia.

Isso posto, Carol começou sua apresentação num ritmo ágil e veloz com um pitch bem elaborado, com sete minutos de duração (ela afirmou; eu não conferi, mas confio nela) sobre uma narrativa fantástica a ser veiculada como série de animação num canal de streaming.  Pela qualidade elevada da proposta, intuo que se trata de uma mera cabeça-de-ponte para um projeto multimídia mais amplo.

Em seguida, falou de seus livros já publicados, que não são poucos.  Um deles foi o romance A Ilha das Nuvens Cadentes (Flyve, 2025), uma trama criativa inovadora, inspirada na mitologia grega, em que mortais podem assumir os atributos e as responsabilidades dos deuses do panteão olímpico.  Senti-me um bocado curioso sobre esse romance.[5]

Ainda na apresentação, também abordou um conceito interessantíssimo “Da vítima ao Monstro”, em que protagonistas femininas vítimas de bullying e agressões, sexuais ou não, convertem-se em monstros vingadores.  Quem dera se essa moda pegasse no Brasil do Mundo Real™...

A partir de uma pergunta da plateia, Carol falou sobre sua tese de doutorado em Literatura Inglesa que, naturalmente, versou sobre narrativas fantásticas.

Ao término de sua apresentação, a autora respondeu com presteza cerca de uma dezena de perguntas da plateia.

Apresentação de Carol Façanha.

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Como último evento desse Esquenta inaugural, comecei enfim a apresentação “Universos ficcionais de um velho dinossauro da ficção científica brasileira”.

Antes de falar dos meus universos ficcionais, lembrei os primórdios, quando fiz parte de um grupo de amigos e conhecidos que publicava ficção curta nos fanzines (imagino que tenha soado como pincelada de uma genuína aula de pré-história da FCB aos mais jovens).  Em seguida, após esclarecer que a maioria dos meus escritos está inserida em U.F. extensos, apresentei seis desses doze ou treze universos.  Quatro de ficção científica convencional e dois no subgênero da história alternativa.

Comecei pelo space opera Aeternum Sidus Bellum, citando sem grandes detalhes a coletânea e os três romances.[6]  Daí, abordei o Humanosfera, detalhando um pouco a pegada new space opera e antepondo o fim da civilização global terrestre ao florescimento das diversas facções da humanidade espacial, em seguida, falando brevemente do romance curto, do romance e da trilogia.[7]  Nesse instante, ao contemplar a capa do terceiro romance dessa trilogia – que tenta retratar algo da interação romântica candente entre a almirante da estirpe espacial Natasha Morgan e a senatora neorromana plebeia Camilla Alba – Carol não resistiu e perguntou se havia relacionamentos sáficos nesse U.F.  Confirmei o insight dela e prossegui com um sorrisinho no canto dos lábios.

Daí, abordei en passant o U.F. Imortais Efêmeros, enfatizando tão só a novela Quando os Humanos Foram Embora, em virtude de sua proposta original do primeiro contato estabelecido pela humanidade daquele futuro remoto com inteligências que evoluíram no fundo do oceano interno de um satélite tipo-Europa.

Por causa de sua complexidade, tentei detalhar melhor o quarto e último U.F. de ficção científica convencional, Tramas de Ahapooka.  Falei das noveletas publicadas em revistas profissionais: “Alienígenas Mitológicos” na edição brasileira da Asimov’s em 1991 e a infantojuvenil “A Filha do Predador” na Sci-Fi News Contos dez anos mais tarde.  Então falei dos romances eróticos publicados pela Draco: A Guardiã da Memória (2011) e Octopusgarden (2017).  Enfim, abordei os romances da trilogia Mundo-sem-Volta, afirmando considerá-los minha obra magna: Atrações do Zoológico; Magos Humanos; e Párias da Periferia.  Citei também o “quarto” romance da trilogia, Lady Europa de Rhea.  Esses quatro romances que mostram as aventuras de Europa, Spartacus e da Nave em Ahapooka saíram em e-book pela Amazon KDP em 2025 e Atrações do Zoológico acabou de sair como livro impresso na Edições Cosmos.

Em seguida, passei às duas linhas históricas alternativas, só que, antes disso, delineei os conceitos de história alternativa, ponto de divergência e linha alternativa.

Primeiro falei da LHA Pax Paraguaya, estabelecida quando escrevi a noveleta “A Ética da Traição”.  Detalhei a história de publicação desse que é meu trabalho mais conhecido e republicado em vários países e idiomas.  Daí, mencionei que todas as narrativas dessa LHA estão reunidas na coletânea Fantasmas num Velho Cronovisor (Amazon KDP, 2023).

Enfim, falei da minha LHA mais complexa, a Três Brasis.  Primeiro mostrei a divergência, suas consequências de curto prazo e de longo prazo.  Então, enfatizei que, para além de história alternativa, a maioria dos trabalhos publicados nessa LHA constituem narrativas de vampirismo científico, sem me preocupar muito em conceituar esse termo de maneira explícita.  Apresentei o romance fix-up Aventuras do Vampiro de Nova Holanda (Draco, 2014).  Citei a inspiração arqueológica a posteriori que descobri no sítio mochica Huaca de la Luna em janeiro de 2000 e que decidi incorporar a esse U.F.  Em seguida, detalhei o romance de passado alternativo Consciências de Ébano (2022) e o romance de presente alternativo Palmares Solariana (2023).  Falei ainda das narrativas dessa linha alternativa em que os filhos-da-noite não aparecem: a novela A Traição de Palmares (2023) e a noveleta “Pátrias de Chuteiras” (1998).

Encerrada a apresentação, passei as referências e meus contatos à galera.

Respondi umas dez ou doze perguntas da plateia.

Luiza Rosa indagou sobre as cronologias internas das obras que abordei.  Respondi que procurei citar na apresentação os trabalhos dentro das cronologias internas de seus respectivos U.F., mas me coloquei à disposição para maiores detalhamentos.

Guilherme Rezk me arremessou a pergunta-clichê sobre processo criativo.  Respondi que não existe uma receitinha de bolo simples que funcione para todos os casos e preparos, pois cada narrativa costuma exigir uma estratégia distinta.  Foi o que pude avançar, dada a exiguidade do tempo para perguntas & respostas.  De todo modo, confessei que meu primeiro rascunho é sempre manuscrito.  Só a partir do segundo é que surgem as versões digitalizadas.

Quando comentei que o U.F. Humanosfera foi gerado a partir da destaikodonização do U.F. inativo Taikodom, Álvaro Filippe teceu comentários saudosos em relação àquele universo que estabeleci para a Hoplon Infotainment entre 2004 e 2010.

Alguém me indagou se eu já havia cogitado a escrever um crossover, misturando personagens e ambientes de dois ou mais universos ficcionais distintos.  Achei não a pergunta, mas a situação engraçada, porque uma questão bem parecida com essa me havia sido feita numa live de que participei no canal Café Especulativo na semana passada, sobre o lançamento da edição física de Atrações do Zoológico.  Respondi lá na Acaso de forma similar à réplica da live: embora tanto Asimov quanto Heinlein tenham publicado crossovers de seus U.F. ao fim de suas carreiras literárias, considero isso um sinal inequívoco de senilidade.  Só dessa vez fui mais longe: autorizei todo e qualquer dos presentes à inauguração do Esquenta a me abater a tiros se algum dia eu anunciar que pretendo publicar um crossover.  Creiam, será um gesto supremo de amizade.  Uma eutanásia piedosa, por assim dizer, a fim de evitar um mal maior.😊

Ao fim das perguntas, Juliana Cunha veio comentar comigo que trabalha na Wikipédia, pelo fato de eu ter citado como uma das referências, aos interessados pelos meus escritos, meu verbete na Enciclopédia Livre.  Eu e os demais nos surpreendemos.  Porque todo mundo conhece a Wikipédia e muitos usam essa enciclopédia online, mas nenhum de nós já havia travado contato com alguém que trabalhasse lá!



Apresentação de GL-R.

***

 

Finda a parte formal do Esquenta, Pedro nos convidou para passarmos a uma outra sala daquele mesmo andar, onde foi servido café (infelizmente, sem bolo).  Aproveitei aquele momento informal para conversar mais um pouco com o Leo, o Eric Hart e com meu confrade do Escribas, Marcos de Queiroz, que me mostrou um exemplar de seu último lançamento, o romance de ficção científica, com temática de inteligência artificial, G.I.N.A. (Flyve, 2026), cuja chamada de capa é “a jornada de uma robô-menina para se tornar uma menina humana”.



Luiza Rosa e Carol Façanha.

Plateia durante a leitura.

Bate-papo com Leo no cafezinho.


Quase no apagar das luzes, Álvaro me fez uma pergunta que ninguém me fazia há uns bons trinta e poucos anos: se o hífen que emprego em meu nome é de verdade ou se faz parte de meu nome artístico.  Expliquei que adotei esse hífen em fins da década de 1980, época em que cogitei seguir a carreira científica na Astronomia.  Como imaginei que houvesse mais artigos publicados por pesquisadores com sobrenome “Ribeiro” do que com o “Lodi”, adotei o hífen para que minhas publicações acadêmicas saíssem sob o nome “Lodi-Ribeiro, Gerson”.  De lá para cá, como comecei a publicar profissionalmente como “Gerson Lodi-Ribeiro”, resolvi deixar como estava.  Afinal de contas, não se mexe em time que está ganhando ou, pelo menos, empatando.  Ao ouvir minha explicação, Leo externou uma indignação branda e bem-humorada pelo fato de eu nunca lhe haver revelado esse fato.

***

 

Quando o pessoal começou a se evadir rumo às suas casas e/ou às baladas domingueiras, eu, Leo e Eric dirigimo-nos ao Nonô, restaurante simpático instalado no andar térreo da Acaso Cultural que, segundo eu ouvira dizer, possuiria uma carta de vinhos de responsa.

Dividimos um tinto chileno e uns belisquetes enquanto conversávamos sobre defeitos de pais idosos, preocupações com os filhos, viagens ao exterior (com ênfase ao Egito e à Grécia), convenções de ficção científica em que estivemos, romances e ficção curta que apreciamos – com destaques para os romances de Jack McDevitt, o clássico Masters of the Maze do Avram Davidson e o delicioso U.F. Murderbot da Martha Wells.


GL-R, Leo e Eric:
Bate-papo com vinho no Nonô.



Enfim, por volta das 19h00, pedimos nossos UBER e nos despedimos.

Vinte minutos mais tarde, cheguei em casa.  Então, descrevi as experiências memoráveis dessa tarde para Cláudia.  Daí, enquanto Morfeu não dava o ar de sua graça, assisti ao primeiro episódio da terceira temporada do Silo e o décimo primeiro episódio da série clássica O Túnel do Tempo.

Jardim Botânico, Rio de Janeiro, 16 de agosto de 2026 (domingo).

 


Participantes:

Álvaro Filippe.

Carol Façanha.

Eric David Hart.

Gerson Lodi-Ribeiro.

Guilherme Rezk.

Juliana Cunha.

Leonardo Nahoum.

Luiza Rosa.

Marcos de Queiroz.

Nelson Job.

Pedro Sasse.



[1].  As precauções se revelaram desnecessárias: o arquivo da apresentação que eu havia mandado ao Pedro na antevéspera abriu e rodou direitinho.

[2].  Levei os dois únicos exemplares de que dispunha aqui em casa (além daquele que mereceu um lugar de honra na prateleira dos meus livrinhos em meu humilde bunker de dados) para presentear Carol Façanha, que dividiria a mesa de Universos Ficcionais comigo, e o próprio Pedro Sasse, a quem todos devemos a iniciativa inspirada maravilhosa que é a Neon Rio.

[3].  Embora ambientada na linha histórica alternativa Três Brasis, não considero essa noveleta de onze mil palavras história alternativa, porque a ação se passa quase um milênio antes do ponto de divergência, em pleno apogeu da civilização mochica no norte do Peru.

[4].  Então um adolescente de dezoito anos, Leo escreveu e montou essa coletânea para concorrer ao Prêmio Caminho de Ficção Científica, concurso bienal promovido pela Editorial Caminho, de Portugal.  Em 1989, o prêmio havia sido abiscoitado por Bráulio Tavares com a coletânea Espinha Dorsal da Memória.  No certame que Leo participou, o vencedor foi o (então) jovem autor português Luís Filipe Silva, com a coletânea Futuro à Janela.  Anos mais tarde, Filipe se tornaria coautor, junto com João Barreiros, do grande clássico da ficção científica lusófona, o romance Terrarium (Caminho, 1996).

[5].  Felizmente, poderei aplacar essa curiosidade em breve: em troca de uma cópia autografada de Atrações do Zoológico, Carol me brindou com um exemplar, igualmente autografado, de A Ilha das Nuvens Cadentes.

[6].  Coletânea: Os Humanos Estão Chegando, que reúne toda a ficção curta desse U.F.  Romances: Decisão em Capella (ambientado no início da Guerra Eterna); Simbiontes (no auge da Guerra); e Germes Mortais (infantojuvenil ambientado num futuro pós-guerra remotíssimo).

[7].  Romance curto Pecados Terrestres (Draco, 2022); romance com uma abordagem heterodoxa da temática “Eram os Deuses Astronautas”, Quando Deus Morreu (Amazon KDP, 2024); e trilogia Labirintos de Knossos: 1. Legados; 2. Litígios; e 3. Luminares (Amazon KDP, 2025).

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