Nossos Universos Ficcionais
no Esquenta da Acaso Cultural
“Em que hora você dorme, Gerson?”
(Guilherme Rezk)
202608162359P1 – 24.145 D.V.
Participei
hoje à tarde do primeiro Esquenta da Rio Neon no segundo andar da Acaso
Cultural, centro de cultura simpático e acolhedor situado na Rua Vicente de
Sousa, nº 16, a duas quadras da estação de metrô de Botafogo.
A primeira
parte desse Esquenta se centrou em torno da leitura do conto “O Grande Mar de
Aadmir”, recém-publicado na coletânea Novos Desertos (Acaso Cultural,
2026), de Leonardo Nahoum, e na segunda parte a autora Carol Façanha e eu
discorremos sobre nossas carreiras, publicações e universos ficcionais.
***
Saí de casa
às 13h15, após uma última conferida na apresentação em PowerPoint que preparei
para o evento e na colinha do que eu desejava falar sobre o conto e a coletânea
do Leo Nahoum. Quinze minutos de UBER
mais tarde, chegava à Acaso Cultural.
Brevíssima leitura de bordo: parte de um conto da coletânea Sonhos de
Vidro em Sombras de Concreto (Acaso Cultural, 2022), do Pedro Sasse.
Velho gato
escaldado que sou, planejei chegar cedo para conferir se o arquivo da
apresentação abriria direitinho no notebook da Acaso. E, como paranoia pouca é bobagem, levei uma
cópia desse arquivo num pendrive. Just
in case.😉[1]
Como gestor
da instituição, Pedro já estava presente.
Aproveitei o ensejo e lhe pedi que complementasse o autógrafo da Sonhos
de Vidro..., cujo exemplar recebi ao participar da campanha de apoio da Novos
Desertos na Catarse.
Uns
minutinhos mais tarde, Leo chegou armado com um tripé oblonguíssimo para
espetar o banner da Novos Desertos que trouxe consigo. Pouco mais tarde, chegou Nelson Job,
escritor, professor e agitador cultural que eu já não encontrava pessoalmente
desde o lançamento da antologia Intempol (Ano-Luz, 2000) na Casa da
Matriz, mais de um quarto de século atrás.
Nelson me presenteou com um exemplar de seu romance recente Pulsares
(Mondru, 2025). Infelizmente, não tive
um exemplar do meu romance recém-lançado Mundo-sem-Volta 1: Atrações do
Zoológico (Edições Cosmos, 2026) para retribuir.[2] Fico na dívida.
Nelson
indagou se eu também estava participando da antologia Vampiros, edição
especial da Revista Literatura Fantástica, organizada por Jean Gabriel
Álamo para a sua Álamo Publicações. Quando
confirmei que participarei com a noveleta de vampirismo científico e história
oculta “Caminho da Verdade”[3],
perguntou se eu sabia quando a antologia seria lançada. Respondi que não sabia, mas que torcia para
que o lançamento se desse em breve. O
que eu realmente sei é que, com mais de quatro mil páginas, a antologia muito provavelmente
não será publicada como livro físico, mas apenas como e-book.
Como
participante do Esquenta desta tarde, tive prioridade em escolher um dos livros
disponíveis na Feira de Trocas que rolaria depois da parte oficial do
evento. Escolhi o romance A Nova
América (Parágrafo, 2022), do Pedro.
Em seu lugar, deixei um exemplar da minha coletânea Histórias de
ficção científica por Carla Cristina Pereira (Draco, 2012) e outro, da
antologia Não Mais (Histórias Incompletas, 2022), da qual participo com a
noveleta “Apagão”, ambientada no universo ficcional Terra Brasilis. Leo pegou
o livro da Carla para si.
Outros amigos
e conhecidos foram chegando aos poucos, com destaque para as autoras de
literatura fantástica Carol Façanha e Luiza Rosa; o bom amigo das lides do
Clube de Leitores de Ficção Científica Eric David Hart; e os confrades do
Escribas da Cinelândia, Marcos de Queiroz e Guilherme Rezk.
Demos início
aos trabalhos no horário combinado das 14h00.
***
A primeira
atividade dessa sessão de estreia do Esquenta Neon Rio foi a leitura do conto
“O Grande Mar de Aadmir” pelo próprio autor, Leonardo Nahoum.
Leo leu seu
conto (pelo tamanho, desconfio que possa ser uma noveleta) com voz firme e
impostada por quase uma hora. Pedro
falou conosco que, se o autor se cansasse, outro leitor poderia assumir. Sentado à mesa ao lado do autor, voluntariei-me
para essa ajuda eventual. Porém, Leo
aguentou firme sem fraquejar até o ponto final e foi melhor assim. Porque acho que leitor algum consegue imprimir
uma entonação tão boa às vozes dos personagens quanto o próprio autor.
Leitura
concluída, falei brevemente sobre o conto em si, uma história apresentada por
um narrador alienígena não humanoide de uma espécie desprovida do sentido da
visão, que se orienta em seu ambiente através do olfato e da audição. Declarei que, na minha opinião, “O Grande Mar
de Aadmir” é a melhor história de narrador alienígena já escrita em português. Confessei minha inveja pelo fato de Leo ter
conseguido escrever um conto mais simakiano do que eu, que tenho Clifford D.
Simak como meu autor predileto. Lembrei
que esse conto foi originalmente publicado na antologia amadora Verde...
Verde..., lançada pelos associados ao grupo carioca do CLFC em 1989. Afirmei que por serem ambientadas no mesmo
universo ficcional, os contos dessa coletânea podem ser lidos em conjunto como
um romance fix-up. Aproveitei
para tecer uns comentários breves sobre alguns dos outros trabalhos da
coletânea, com ênfase ao diálogo entre duas crianças de culturas humanas muito
diferentes no belo e pungente “O Farol das Esquinas de Marte”; e ao
“Controlador”, noveleta cujo enredo e temática dialogam com o universo de
pós-humanos poderosíssimos delineado por Michael Moorcock na série Dancers at the End of Time. Enfim, falei da importância histórica da
Acaso Cultural ter resgatado essa
coletânea, escrita originalmente entre o fim da década de 1980 e o início da de
1990, tornando-a acessível aos leitores da terceira década do século XXI.[4]
Após essas
considerações, Leo respondeu às perguntas de uma plateia impressionada e
entusiasmada. Em uma das respostas,
declarou que, à época em que os contos da Novos Desertos foram escritos,
sua maior influência literária era Ray Bradbury. Faz sentido.
Pois alguns dos trabalhos da coletânea realmente têm um quê daquele
autor estadunidense.
Quando
Leonardo terminou, perguntei à Carol se ela preferia falar antes ou
depois. Ela preferiu falar
primeiro. Como eu, também trouxe uma
apresentação em PowerPoint.
Um problema
que pairou em minha mente (e, de repente, na da Carol também), foi o do
cronômetro. Porque, em princípio, nosso
evento como um todo deveria se estender das 14h00 às 16h00. Então, imaginei, deveria ser uma hora para a
leitura do conto do Leo e, daí, meia hora para a apresentação da Carol e outra
meia hora para a minha. No entanto, a
leitura, mais minha fala sobre o conto e as perguntas da galera consumiram,
grosso modo, uma hora e vinte minutos.
Felizmente, no papel de salvador da periferia galáctica, Pedro declarou
que não havia pressa alguma, que nós dois poderíamos fazer nossas apresentações
com calma e que depois ainda seria concedido tempo bastante para as perguntas
da plateia.
Isso posto, Carol
começou sua apresentação num ritmo ágil e veloz com um pitch bem
elaborado, com sete minutos de duração (ela afirmou; eu não conferi, mas confio
nela) sobre uma narrativa fantástica a ser veiculada como série de animação num
canal de streaming. Pela qualidade
elevada da proposta, intuo que se trata de uma mera cabeça-de-ponte para um
projeto multimídia mais amplo.
Em seguida,
falou de seus livros já publicados, que não são poucos. Um deles foi o romance A Ilha das Nuvens
Cadentes (Flyve, 2025), uma trama criativa inovadora, inspirada na
mitologia grega, em que mortais podem assumir os atributos e as
responsabilidades dos deuses do panteão olímpico. Senti-me um bocado curioso sobre esse
romance.[5]
Ainda na
apresentação, também abordou um conceito interessantíssimo “Da vítima ao
Monstro”, em que protagonistas femininas vítimas de bullying e agressões,
sexuais ou não, convertem-se em monstros vingadores. Quem dera se essa moda pegasse no Brasil do
Mundo Real™...
A partir de
uma pergunta da plateia, Carol falou sobre sua tese de doutorado em Literatura
Inglesa que, naturalmente, versou sobre narrativas fantásticas.
Ao término de
sua apresentação, a autora respondeu com presteza cerca de uma dezena de
perguntas da plateia.
***
Como último
evento desse Esquenta inaugural, comecei enfim a apresentação “Universos
ficcionais de um velho dinossauro da ficção científica brasileira”.
Antes de
falar dos meus universos ficcionais, lembrei os primórdios, quando fiz parte de
um grupo de amigos e conhecidos que publicava ficção curta nos fanzines
(imagino que tenha soado como pincelada de uma genuína aula de pré-história da
FCB aos mais jovens). Em seguida, após
esclarecer que a maioria dos meus escritos está inserida em U.F. extensos,
apresentei seis desses doze ou treze universos.
Quatro de ficção científica convencional e dois no subgênero da história
alternativa.
Comecei pelo
space opera Aeternum Sidus Bellum,
citando sem grandes detalhes a coletânea e os três romances.[6] Daí, abordei o Humanosfera, detalhando um pouco a pegada new space opera
e antepondo o fim da civilização global terrestre ao florescimento das diversas
facções da humanidade espacial, em seguida, falando brevemente do romance
curto, do romance e da trilogia.[7] Nesse instante, ao contemplar a capa do
terceiro romance dessa trilogia – que tenta retratar algo da interação
romântica candente entre a almirante da estirpe espacial Natasha Morgan e a senatora
neorromana plebeia Camilla Alba – Carol não resistiu e perguntou se havia
relacionamentos sáficos nesse U.F.
Confirmei o insight dela e prossegui com um sorrisinho no canto
dos lábios.
Daí, abordei en
passant o U.F. Imortais Efêmeros,
enfatizando tão só a novela Quando os Humanos Foram Embora, em virtude
de sua proposta original do primeiro contato estabelecido pela humanidade
daquele futuro remoto com inteligências que evoluíram no fundo do oceano
interno de um satélite tipo-Europa.
Por causa de
sua complexidade, tentei detalhar melhor o quarto e último U.F. de ficção
científica convencional, Tramas de
Ahapooka. Falei das noveletas
publicadas em revistas profissionais: “Alienígenas Mitológicos” na edição
brasileira da Asimov’s em 1991 e a infantojuvenil “A Filha do Predador”
na Sci-Fi News Contos dez anos mais tarde. Então falei dos romances eróticos publicados
pela Draco: A Guardiã da Memória (2011) e Octopusgarden
(2017). Enfim, abordei os romances da
trilogia Mundo-sem-Volta, afirmando
considerá-los minha obra magna: Atrações do Zoológico; Magos Humanos;
e Párias da Periferia. Citei
também o “quarto” romance da trilogia, Lady Europa de Rhea. Esses quatro romances que mostram as
aventuras de Europa, Spartacus e da Nave em Ahapooka saíram em e-book pela
Amazon KDP em 2025 e Atrações do Zoológico acabou de sair como livro
impresso na Edições Cosmos.
Em seguida,
passei às duas linhas históricas alternativas, só que, antes disso, delineei os
conceitos de história alternativa, ponto de divergência e linha alternativa.
Primeiro
falei da LHA Pax Paraguaya,
estabelecida quando escrevi a noveleta “A Ética da Traição”. Detalhei a história de publicação desse que é
meu trabalho mais conhecido e republicado em vários países e idiomas. Daí, mencionei que todas as narrativas dessa
LHA estão reunidas na coletânea Fantasmas num Velho Cronovisor (Amazon
KDP, 2023).
Enfim, falei
da minha LHA mais complexa, a Três Brasis. Primeiro mostrei a divergência, suas
consequências de curto prazo e de longo prazo.
Então, enfatizei que, para além de história alternativa, a maioria dos
trabalhos publicados nessa LHA constituem narrativas de vampirismo científico,
sem me preocupar muito em conceituar esse termo de maneira explícita. Apresentei o romance fix-up Aventuras do
Vampiro de Nova Holanda (Draco, 2014).
Citei a inspiração arqueológica a posteriori que descobri no sítio
mochica Huaca de la Luna em janeiro de 2000 e que decidi incorporar a esse
U.F. Em seguida, detalhei o romance de
passado alternativo Consciências de Ébano (2022) e o romance de presente
alternativo Palmares Solariana (2023).
Falei ainda das narrativas dessa linha alternativa em que os
filhos-da-noite não aparecem: a novela A Traição de Palmares (2023) e a
noveleta “Pátrias de Chuteiras” (1998).
Encerrada a
apresentação, passei as referências e meus contatos à galera.
Respondi umas
dez ou doze perguntas da plateia.
Luiza Rosa
indagou sobre as cronologias internas das obras que abordei. Respondi que procurei citar na apresentação os
trabalhos dentro das cronologias internas de seus respectivos U.F., mas me
coloquei à disposição para maiores detalhamentos.
Guilherme
Rezk me arremessou a pergunta-clichê sobre processo criativo. Respondi que não existe uma receitinha de
bolo simples que funcione para todos os casos e preparos, pois cada narrativa costuma
exigir uma estratégia distinta. Foi o
que pude avançar, dada a exiguidade do tempo para perguntas &
respostas. De todo modo, confessei que
meu primeiro rascunho é sempre manuscrito.
Só a partir do segundo é que surgem as versões digitalizadas.
Quando comentei que o U.F. Humanosfera foi gerado a partir da destaikodonização do U.F. inativo Taikodom, Álvaro Filippe teceu comentários saudosos em relação àquele universo que estabeleci para a Hoplon Infotainment entre 2004 e 2010.
Alguém me indagou se eu já havia cogitado a escrever um crossover, misturando personagens e ambientes de dois ou mais universos ficcionais distintos. Achei não a pergunta, mas a situação engraçada, porque uma questão bem parecida com essa me havia sido feita numa live de que participei no canal Café Especulativo na semana passada, sobre o lançamento da edição física de Atrações do Zoológico. Respondi lá na Acaso de forma similar à réplica da live: embora tanto Asimov quanto Heinlein tenham publicado crossovers de seus U.F. ao fim de suas carreiras literárias, considero isso um sinal inequívoco de senilidade. Só dessa vez fui mais longe: autorizei todo e qualquer dos presentes à inauguração do Esquenta a me abater a tiros se algum dia eu anunciar que pretendo publicar um crossover. Creiam, será um gesto supremo de amizade. Uma eutanásia piedosa, por assim dizer, a fim de evitar um mal maior.😊
Ao fim das
perguntas, Juliana Cunha veio comentar comigo que trabalha na Wikipédia, pelo
fato de eu ter citado como uma das referências, aos interessados pelos meus
escritos, meu verbete na Enciclopédia Livre.
Eu e os demais nos surpreendemos.
Porque todo mundo conhece a Wikipédia e muitos usam essa enciclopédia
online, mas nenhum de nós já havia travado contato com alguém que trabalhasse
lá!
***
Finda a parte
formal do Esquenta, Pedro nos convidou para passarmos a uma outra sala daquele
mesmo andar, onde foi servido café (infelizmente, sem bolo). Aproveitei aquele momento informal para
conversar mais um pouco com o Leo, o Eric Hart e com meu confrade do Escribas,
Marcos de Queiroz, que me mostrou um exemplar de seu último lançamento, o
romance de ficção científica, com temática de inteligência artificial, G.I.N.A.
(Flyve, 2026), cuja chamada de capa é “a jornada de uma robô-menina para se
tornar uma menina humana”.
Quase no
apagar das luzes, Álvaro me fez uma pergunta que ninguém me fazia há uns bons
trinta e poucos anos: se o hífen que emprego em meu nome é de verdade ou se faz
parte de meu nome artístico. Expliquei
que adotei esse hífen em fins da década de 1980, época em que cogitei seguir a
carreira científica na Astronomia. Como
imaginei que houvesse mais artigos publicados por pesquisadores com sobrenome
“Ribeiro” do que com o “Lodi”, adotei o hífen para que minhas publicações
acadêmicas saíssem sob o nome “Lodi-Ribeiro, Gerson”. De lá para cá, como comecei a publicar
profissionalmente como “Gerson Lodi-Ribeiro”, resolvi deixar como estava. Afinal de contas, não se mexe em time que
está ganhando ou, pelo menos, empatando.
Ao ouvir minha explicação, Leo externou uma indignação branda e
bem-humorada pelo fato de eu nunca lhe haver revelado esse fato.
***
Quando o
pessoal começou a se evadir rumo às suas casas e/ou às baladas domingueiras,
eu, Leo e Eric dirigimo-nos ao Nonô, restaurante simpático instalado no andar
térreo da Acaso Cultural que, segundo eu ouvira dizer, possuiria uma carta de
vinhos de responsa.
Dividimos um
tinto chileno e uns belisquetes enquanto conversávamos sobre defeitos de pais
idosos, preocupações com os filhos, viagens ao exterior (com ênfase ao Egito e
à Grécia), convenções de ficção científica em que estivemos, romances e ficção
curta que apreciamos – com destaques para os romances de Jack McDevitt, o clássico
Masters of the Maze do Avram Davidson e o delicioso U.F. Murderbot da Martha Wells.
Bate-papo com vinho no Nonô.
Enfim, por
volta das 19h00, pedimos nossos UBER e nos despedimos.
Vinte minutos
mais tarde, cheguei em casa. Então,
descrevi as experiências memoráveis dessa tarde para Cláudia. Daí, enquanto Morfeu não dava o ar de sua
graça, assisti ao primeiro episódio da terceira temporada do Silo e o décimo primeiro episódio da
série clássica O Túnel do Tempo.
Jardim Botânico, Rio de Janeiro, 16 de agosto de 2026 (domingo).
Participantes:
Álvaro Filippe.
Carol
Façanha.
Eric David
Hart.
Gerson Lodi-Ribeiro.
Guilherme Rezk.
Juliana Cunha.
Leonardo
Nahoum.
Luiza Rosa.
Marcos de
Queiroz.
Nelson Job.
Pedro Sasse.
[1]. As precauções
se revelaram desnecessárias: o arquivo da apresentação que eu havia mandado ao
Pedro na antevéspera abriu e rodou direitinho.
[2]. Levei os dois
únicos exemplares de que dispunha aqui em casa (além daquele que mereceu um
lugar de honra na prateleira dos meus livrinhos em meu humilde bunker de dados)
para presentear Carol Façanha, que dividiria a mesa de Universos Ficcionais
comigo, e o próprio Pedro Sasse, a quem todos devemos a iniciativa inspirada
maravilhosa que é a Neon Rio.
[3]. Embora
ambientada na linha histórica alternativa Três
Brasis, não considero essa noveleta de onze mil palavras história
alternativa, porque a ação se passa quase um milênio antes do ponto de
divergência, em pleno apogeu da civilização mochica no norte do Peru.
[4]. Então um
adolescente de dezoito anos, Leo escreveu e montou essa coletânea para
concorrer ao Prêmio Caminho de Ficção Científica, concurso bienal promovido
pela Editorial Caminho, de Portugal. Em
1989, o prêmio havia sido abiscoitado por Bráulio Tavares com a coletânea Espinha
Dorsal da Memória. No certame que
Leo participou, o vencedor foi o (então) jovem autor português Luís Filipe
Silva, com a coletânea Futuro à Janela.
Anos mais tarde, Filipe se tornaria coautor, junto com João Barreiros,
do grande clássico da ficção científica lusófona, o romance Terrarium
(Caminho, 1996).
[5]. Felizmente,
poderei aplacar essa curiosidade em breve: em troca de uma cópia autografada de
Atrações do Zoológico, Carol me brindou com um exemplar, igualmente
autografado, de A Ilha das Nuvens Cadentes.
[6]. Coletânea: Os
Humanos Estão Chegando, que reúne toda a ficção curta desse U.F. Romances: Decisão em Capella
(ambientado no início da Guerra Eterna); Simbiontes (no auge da Guerra);
e Germes Mortais (infantojuvenil ambientado num futuro pós-guerra
remotíssimo).
[7]. Romance curto Pecados
Terrestres (Draco, 2022); romance com uma abordagem heterodoxa da temática
“Eram os Deuses Astronautas”, Quando Deus Morreu (Amazon KDP, 2024); e
trilogia Labirintos de Knossos: 1.
Legados; 2. Litígios; e 3. Luminares (Amazon KDP, 2025).







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