Atrações do Zoológico
no Café Especulativo
“A Guardiã da Memória é uma obra que permite leituras em várias
camadas. Inclusive, sobre questões de
gênero/sexualidade e questões filosóficas sobre existência e transitoriedade.”
(Hidemberg Alves da Frota)
“Quando li A Guardiã da Memória, o que me capturou foi a riqueza
criativa daquele universo ficcional.
Agora, ouvindo o Gerson, sinto que era somente a ponta de um iceberg.”
(Flávio de Mello)
“Esse lance de não dar spoiler está muito chato!”
(Romy Schinzare)
“Quanto do seu senso de humor você colocou na consciência artificial
que comanda a Nave?”
(Leonardo Bussadori)
202608081010P7 – 24.137 D.V.
Ontem à noite
participei de mais uma live no canal Café Especulativo, mantido por meu amigo
Edgar Smaniotto no YouTube. Só que essa
live foi muito especial, pois foi a primeira vez em que tive a oportunidade de
falar sobre um de meus universos ficcionais e não um U.F. qualquer, mas meu
U.F. favorito, o Tramas de Ahapooka.
O convite do
Edgar surgiu em virtude do lançamento da edição impressa do meu romance Atrações
do Zoológico (Mundo-sem-Volta 1) pela Edições Cosmos, capitaneada por
Marcus Chiado Garrett e Leonardo Bussadori, editora que já havia lançado meu
romance de ficção científica teológica Novas do Purgatório no ano
passado.
Além da minha
participação e da presença da equipe titular do Café Especulativo – Edgar,
Carlos Relva e Paulo Elache – o canal convidou Leonardo como representante da
Cosmos.
Aos
interessados, segue o link da live: https://www.youtube.com/watch?v=GVOTJFB5zoA&t=9997s
***
Conforme o
combinado com o Edgar, conectei-me ao Streamyard do canal às 20h50, dez minutos
antes do horário marcado para o início da transmissão pelo Youtube. Edgar e Paulo já estavam presentes. Carlos entrou exatamente na mesma hora que
eu. Leonardo chegou uns minutinhos mais
tarde.
Combinamos
entre nós que eu mostraria as capas dos romances Atrações do Zoológico e
A Boneca do Destino (Hemus, 1975) do Clifford D. Simak, que eu pretendia
citar no início da live, enquanto Paulo Elache mostraria as capas da décima
quinta edição da revista Isaac Asimov Magazine de Ficção Científica (Record,
1991), da noveleta A Filha do Predador (Amazon KDP, 2023), dos romances A
Guardiã da Memória e Octopusgarden (Draco, 2011 e 2017,
respectivamente) e do que mais ele quisesse mostrar.
***
Às 21h03
entramos em campo lá no YouTube. Quando
chegamos oficialmente, os amigos Hidemberg Alves da Frota, Marcelo Piropo
Garnet, Luiz Felipe Vasques, Carlos Rocha, Dioberto Souza e Flávio de Mello já
estavam presentes no chat do canal.
Findas as
apresentações iniciais, Edgar me passou a palavra. Iniciei os trabalhos falando sobre a gênese
do universo ficcional Tramas de Ahapooka,
começando pela inspiração insuflada pelo romance Boneca do Destino do
Simak, que li pela primeira vez no dia do meu décimo quinto aniversário. Nessa narrativa, o Velho Mestre propôs a
existência de um planeta misterioso que atraía naves estelares que, uma vez aterradas
em sua superfície, não conseguiam mais decolar.
Daí surgiu a sementinha da ideia para criar um mundo-zoológico para
abrigar criaturas racionais.
Em seguida,
falei das tentativas frustradas de escrever uma narrativa extensa sobre uma
expedição estelar ao Mundo-sem-Volta.
Após cento e muitas laudas datilografadas em espaço um, senti que ainda
faltava muita coisa para concluir aquele romance interminável.
Então, falei
da primeira narrativa lançada dentro desse universo ficcional, que também
constituiu minha estreia profissional. “Alienígenas Mitológicos”, a noveleta
publicada na edição brasileira da Asimov’s em julho de 1991; um texto
ficcional escrito sob a forma de um artigo de divulgação científica, com
referências bibliográficas e tudo. Falei
também da noveleta de ficção científica infantojuvenil “A Filha do Predador”,
vencedora do Prêmio Nautilus em 1997 e posteriormente publicado número
inaugural da revista SciFi News Contos sob o pseudônimo de Daniel
Alvarez.[1] A protagonista e narradora dessa noveleta é a
pré-adolescente Clara, filha do predador humano Aeneas.[2]
Mencionei
também a escrita e a publicação dos romances A Guardiã da Memória e Octopusgarden
ambientados no U.F. Tramas de Ahapooka,
detentores do Prêmio Argos na categoria Melhor Romance em 2012 e 2018,
respectivamente. A Guardiã da Memória
é uma narrativa erótica e uma história de amor que se passa quase inteiramente
a bordo de um navio alienígena descomunal, onde Clara (agora adulta) interage
com Genteel, um hemicentauro da espécie dos renatos que enfrenta os últimos
meses de sua primeira vida. A maior
parte de Octopusgarden não é ambientada em Ahapooka, mas sim em um
planeta oceânico que a humanidade do Sistema Gigante de Olduvaii dá de presente
aos dolfinos, uma espécie de golfinhos que eles promoveram à racionalidade.
A Guardiã da Memória (2011)
Octopusgarden (2017)
Após abordar
brevemente essas outras ficções publicadas no Tramas
de Ahapooka, falei da minha experiência de trabalho como consultor
técnico no departamento de universo ficcional da Hoplon Infotainment, empresa
responsável pelo jogo social massivo Taikodom,
onde, depois de estabelecer a especificação técnica (Bíblia) daquele U.F.,
dentre outras atribuições, fui incumbido de escrever uma trilogia ambientada no
Taikodom. A trilogia foi concluída depois de três anos
de trabalho árduo. Contudo, o D.U.F.
acabou fechado e os livros nunca foram publicados. De positivo, além da grana, aprendi a
escrever trilogias. Quando me
desvinculei da Hoplon em 2010, foquei esses novos conhecimentos no Tramas de Ahapooka, pegando aquele velho
calhamaço de folhas datilografadas. Após
um processo maciço de reescrita, aquela pilha de folhas amareladas se
transformou no Atrações do Zoológico, primeiro romance da trilogia Mundo-sem-Volta, cuja escrita foi
concluída em dezembro de 2010. Os dois
romances seguintes precisaram ser escritos do zero. Concluí o segundo, Magos Humanos, em
maio de 2014 e o terceiro, Párias da Periferia, em agosto de 2017.
***
Findo esse
preâmbulo inicial, expliquei a natureza de Ahapooka até onde os protagonistas
desse primeiro romance sabiam no começo da narrativa e mencionei en passant
os malogros das duas expedições olduvaicas anteriores, conduzidas até seu
destino a bordo das naves Lungfish e Startide, respectivamente.[3] Tais fracassos motivaram as mudanças
estratégicas que culminaram nos conceitos de um novo tipo de nave estelar e um
novo tipo de tripulação.
Em Ahapooka
em si, expliquei as diferenças entre as culturas monoespecíficas e as
poliespecíficas e apresentei as diferentes designações do planeta que postulei nos
diversos vernáculos: “Skirmish” (ânglico olduvaico); “Ahapooka” (looson); “Zoo”
(ânglico da Banda Oriental do Grande Continente); e, naturalmente,
“Mundo-sem-Volta” (Intercosmo). Também
citei o mantra “Rhea se lembra”, ao mencionar a Nação Humana do extremo norte
da Banda Ocidental. Nesse ponto, lá do
chat, Hidemberg nos lembrou de ter lido “A Filha do Predador” para sua irmã
mais nova quando ela tinha seis anos.
Falei sobre a
hiperconsciência que comanda a nave estelar da Terceira Expedição de Olduvaii e
sobre seus tripulantes: o artificial Spartacus e a orgânica Europa. Essa última nasce a bordo da Nave no último
terço da viagem rumo ao Sistema Lobster, que abriga os mundos bióticos Ahapooka
e Anhangah (Enigma, em ânglico).
***
Ao fim dessa
fala inicial, quando eram decorridos cinquenta minutos da live, Edgar trouxe à
baila algumas questões do público presente no chat.
Hidemberg
indaga se o pseudônimo Daniel Alvarez seria uma homenagem ao físico Luís Walter
Alvarez, autor da hipótese de que a extinção em massa do fim do Cretáceo foi
provocada pelo impacto de um asteroide contra a Terra. Expliquei o emprego do pseudônimo
originalmente pertencente a um personagem de “A Ética da Traição”. Porém, aqui entre nós, o sobrenome do
pseudônimo do tal personagem, esse sim, foi uma homenagem ao físico citado e a
seu filho e coautor no artigo clássico que propôs a hipótese, o geólogo Walter
Alvarez. Hidemberg também perguntou se
eu faço anotações sobre o detalhamento dos meus universos ficcionais e, em
especial, o Tramas de Ahapooka. Confessei que elaborei até um mapa detalhado
do Grande Continente. Em seguida, ele
perguntou sobre Rhea e eu falei um pouco a respeito da Nação Humana,
esclarecendo que Rhea é em verdade bem mais antiga do que Tannhöuser, o Planeta
dos Sábios, sede da civilização olduvaica.
Dioberto
Souza indagou se haveria seres com percepção extrassensorial em Ahapooka. Respondi monossilabicamente a fim de evitar
spoilers.
Fábio de
Mello apresentou o comentário que fiz questão de colocar em epígrafe. Expliquei que tanto o detalhamento quanto a
complexidade se dão pelo fato de esse universo ter sido criado não para contar
a história da “Filha do Predador” ou a história dos dolfinos em Octopusgarden,
mas sim a história de Europa, Spartacus e seus amigos e aliados na exploração
do Mundo-sem-Volta.
Dioberto
perguntou em que data se passava a narrativa.
Respondi o melhor possível sem spoilers, fornecendo as datas de algumas
ocorrências pretéritas: chegada das primeiras naves de colonização a Olduvaii;
Clara ter conhecido Genteel cerca de meio milênio após a aterragem da nave da
terceira expedição em Ahapooka etc.
Quando deu
uma hora do início da live, Edgar passou a palavra ao Leonardo Bussadori. Leo falou sobre sua experiência no mercado
editorial, sobretudo, como editor de arte da legendária revista Planeta. Explicou que agora, com sua própria editora,
a Cosmos, pretende resgatar os tempos áureos da editora Hemus e da redação da Planeta. Revelou ter entrado em contato com meu
trabalho quando atuou na revista Histórias Extraordinárias e no esforço
conjunto que desenvolvemos na elaboração do universo Guanabara Metamórfica.
Defendeu a qualidade das narrativas da literatura fantástica nacional,
inclusive, para adaptação noutras mídias, citando especificamente os canais de
streaming. Também revelou ter herdado
boa parte do acervo bibliográfico da Planeta.
***
Quinze
minutos mais tarde, meu universo volta à berlinda, agora com perguntas orientadas
a partir dos participantes fixos do Café Especulativo.
A pedido de
Paulo Elache, teci uma comparação rápida entre os pseudônimos de Daniel Alvarez
e Carla Cristina Pereira.
Recém-chegada
à live, Romy Schinzare indagou sobre as diferenças entre nós e os humanos do
futuro remoto do Tramas de Ahapooka. Expliquei que eles são muito mais longevos e,
em média, mais inteligentes do que nós.
Esclareci que os rheanos são mais durões e mais pragmáticos do que os
olduvaicos.
Hidemberg
indagou se, ao criar Rhea, eu teria me inspirado nas diferenças entre Atenas e
Esparta. Opinei que Rhea está muito mais
para Atenas do que para Esparta. Até
porque, tal como Atenas, Rhea apoia a maior parte de sua força militar no
poderio naval. Aproveitei para
esclarecer que a questão principal em Ahapooka é a dicotomia entre
monoespecificidade e poliespecificidade.
Paulo Elache
me pediu para explicar as diferenças entre os astronautas centauroides que
visitam a Terra primitiva em “Alienígenas Mitológicos” e o Genteel que se
apaixona por Clara em A Guardiã da Memória. Essa questão me deu a oportunidade de
estabelecer a diferença entre centauros (como as figuras clássicas da mitologia
greco-romana) e os hemicentauros (como os renatos e os Magos Negros), que
possuem quatro patas articuladas, mas tentáculos em lugar de braços.
Dioberto
indagou se existem alienígenas aquáticos em Ahapooka, questão que me levou a
falar sobre as paracrustáceas, às quais os humanos nativos em ambas as bandas
do Grande Continente se referem como “marítimas”. Lembrei-lhes que Clara e Genteel passam a
maior parte do A Guardiã da Memória a bordo de uma vasta nau
multipropósito das marítimas.
A partir de
uma pergunta do Paulo, falei um pouquinho sobre o Pequeno Continente ou
Antípodas. Também citei as mochilas a
jato empregadas pelo casal olduvaico da terceira expedição e os turbocópteros
de carga dos wingfalls.
Quando Leo
apresentou a pergunta colocada em epígrafe, respondi que a hiperconsciência que
governa a Nave da terceira expedição não é sarcástica e ranzinza à toa. Afinal, essas são facetas proeminentes da
minha personalidade. Esclareci que a
Nave não possui a menor noção de privacidade e que bisbilhota as mentes de sua
tripulação ambulante o tempo todo.
Paulo indagou
sobre as referências ao fim da noveleta “Alienígenas Mitológicos”. Confirmei que se trataram de homenagens a
membros destacados do subfandom carioca da década de 1980.
Edgar
questionou se todos os humanos daquele futuro remoto ignoram a existência e a
localização da Terra. Recorri a meu
direito de permanecer calado a fim de evitar spoilers.
Carlos
perguntou se existe alguma espécie alienígena autóctone de Ahapooka. Expliquei que várias espécies alegam serem
nativas do Mundo-sem-Volta, mas não existem evidências científicas inatacáveis a
esse respeito. Apesar de certos
estudiosos advogarem que os insetoides oriundos da Grande Floresta da Banda
Oriental são autóctones, outros tantos rejeitam essa hipótese.
Carlos me
pediu alguns esclarecimentos adicionais sobre culturas monoespecíficas e
poliespecíficas. Expliquei à medida do
possível. Tal questão se tornará clara
aos leitores já a partir do primeiro romance da trilogia.
Aproveitei o
ensejo para falar um pouco sobre minha nova novela, “A Neta da Estadista”,
continuação direta de “A Filha do Predador”.
Carlos
solicitou a cronologia interna desse universo ficcional, para estabelecer uma
ordem de leitura para quem está chegando agora ao Tramas de Ahapooka.
Forneci a relação seguinte:
1)
“Alienígenas
Mitológicos”.
2)
Octopusgarden.
3)
Atrações do
Zoológico (Mundo-sem-Volta 1).
4)
Magos Humanos
(Mundo-sem-Volta 2).
5)
Párias da
Periferia (Mundo-sem-Volta 3).
6)
Lady Europa de
Rhea.
7)
A Filha do
Predador.
8)
A Neta da
Estadista.
9)
A Guardiã da
Memória.
Por enquanto,
é isso.
***
Paulo
comentou que a relação sexoafetiva da Clara com o Genteel o fez lembrar de um
conto do Robert Silverberg, “Thesme e o Ghayrog”, incluindo na coletânea As
Crônicas de Majipoor, em que uma humana se envolve sexualmente com um
humanoide reptiliano. Com uma piscada
sacana, repliquei que, ao contrário dos ghayrogs, os renatos são
hemicentauros. Portanto, não
humanoides. Não possuem pênis, mas
dispõem de seis tentáculos bastante habilidosos. Daí, adentramos no conceito de “rishatra” concebido
pelo autor estadunidense Larry Niven, para justificar as cópulas entre
humanoides de espécies diferentes em seus romances na série Ringworld.
Carlos se
questionou sobre as motivações que levam expedicionários humanos e alienígenas a
viajar até o Sistema Lobster e aterrar num planeta do qual, com toda a
probabilidade, jamais conseguirão escapar.
Advoguei que, embora os riscos sejam enormes, os lucros eventuais também
são descomunais. Declarei que há sempre
naves novas chegando a Ahapooka.
Expliquei a dinâmica dos predadores, das tribos bárbaras e dos citadinos
na Grande Planície Vermelha.
Paulo indagou
sobre outros universos ficcionais em que tenho trabalhado ultimamente. Comentei sobre a linha de história natural
alternativa Guanabara Metamórfica
e o universo dos viajantes do tempo Contingências
Retrotemporais. Esclareci meu
postulado para o surgimento de um novo universo ficcional: o U.F. surge quando
o autor escreve a segunda narrativa em uma mesma ambientação.
Revelei que,
nos romances da trilogia Mundo-sem-Volta,
compartilho alguns segredos com os leitores.
Conhecimentos que a maioria dos personagens ignora.
Daí,
decorridas mais de duas horas de live, o bate-papo derivou um pouco para outros
assuntos. Falamos do vício renitente na
série alemã Perry Rhodan. Edgar comparou minhas narrativas no U.F. Aeternum Sidus Bellum às histórias
contidas em Perry Rhodan. Faz sentido.
Afinal de contas, na época que comecei a delinear aquele universo, era
um adolescente cheio de Perry Rhodan
na cabeça...
Voltando ao Mundo-sem-Volta, Dioberto indagou se os
descendentes dos alienígenas aprisionados em Ahapooka mantêm o mesmo nível
intelectual/tecnológico, progridem ou sofrem regressão e/ou involução. Respondi que no Grande Continente já foram
registradas ocorrências dos três casos.
Enquanto os wingfalls passaram por um florescimento científico e
cultural sem precedentes desde que aterraram na Banda Oriental há setenta ou
oitenta milênios, os centauroides kironianos, detentores de uma civilização
cósmica sofisticada e pacífica em seus sistemas estelares, transformaram-se nos
bárbaros daakis, uma tribo aguerrida e cruel.
Enfim, há culturas radicadas, humanas e alienígenas, que lutam para
manter seus valores e conhecimentos ancestrais intactos.
Flávio
perguntou se a(s) entidade(s) que concebeu(ram) Ahapooka será(ão) abordada(s)
em algum dos romances. Prometi que a
natureza e o propósito do Mundo-sem-Volta serão esclarecidos ao fim da trilogia.
Dioberto
mencionou que essa mistura de muitas civilizações alienígenas o lembrou de Valerian
e a Cidade dos Mil Planetas.
Recordei que a fonte de inspiração original veio do romance Boneca do
Destino.
Eram decorridas
duas horas e vinte minutos de live quando Leonardo Bussadori se despediu de nós
e da plateia do chat. À guisa de
pergunta de despedida, Carlos indagou ao Leo se havia previsão de lançamento
dos romances dois e três da trilogia. O publisher
se esquivou de fornecer detalhes da estratégia editorial da Cosmos. Assim que Leo se foi, nomeamos Paulo como
Guardião dos Spoilers.
A partir de
uma indagação de Vic Fargas, acabei revelando a existência do romance Lady
Europa de Rhea, que é uma espécie de quarto livro da trilogia Mundo-sem-Volta, pois a narrativa é
retomada do ponto exato em que Párias da Periferia se conclui.
Paulo
perguntou sobre o universo Imortais
Efêmeros. Expliquei que todas as
narrativas desse U.F., estão reunidas na coletânea homônima, com exceção da novela
Quando os Humanos Foram Embora[4],
que mereceu um livro solo, aliás, com um belo prefácio escrito pelo amigo Edgar
Smaniotto.
Quando Paulo
comentou sobre meu universo Humanosfera,
confessei que ele se originou das ideias que tive quando formulei as
especificações do universo Taikodom
para a Hoplon Infotainment em 2004.
Carlos
questionou se eu já havia experimentado crossovers entre personagens e
ambientes de vários universos ficcionais diferentes. Respondi que não gosto de misturar meus U.F.,
pois cada um tem suas propriedades e especificidades distintas. Falei que tanto Isaac Asimov quanto Robert
Heinlein fizeram isso ao fim de suas carreiras literárias, mas considero isso
um sinal de senilidade. Pronto. Falei.
Informo que ovos podres e cartas-bomba eventuais serão prontamente
restituídos aos remetentes.😊
Só para não
dizer que eu nunca fiz isso, citei que em 2000 escrevi uma noveleta para o
universo Intempol, criado pelo
Octavio Aragão, “São os Deuses Crononautas?”, publicada na antologia Intempol
(Ano-Luz, 2000), em que inseri alguns personagens dos meus U.F., com destaque
para o filho-da-noite Dentes Compridos, naquela trama intempoliana.
Quase ao
apagar das luzes, Paulo se recorda do enredo da minha noveleta pós-apocalíptica
Postdomini, publicada originalmente na antologia Depois do Fim
(Draco, 2013) e republicada sob a forma de e-book na Amazon KDP.
Flávio se
confessou ansioso para ler o “quarto” livro da trilogia, Lady Europa de Rhea. Vamos ver como as coisas se desenrolam.
Paulo exibiu
a Edgar o autógrafo que lhe concedi na novela “A Predadora e o Renato”[5],
publicado na antologia que organizei em priscas eras, Como Era Gostosa a
Minha Alienígena! (Ano-Luz, 2002). O
detalhe foi que assinei como “Daniel”.😊
Ao fim e ao
cabo, acabei explicando um pouco do percalço que os olduvaicos Pandora e
Talleyrand passaram com a Penny Lane, que os fizeram perder a corrida
para se tornar da terceira expedição ao Sistema Lobster.
Quase que em
tom de despedidas, prometi aos amigos que novas histórias virão. Tanto no universo Tramas de Ahapooka como fora dele e ainda confessei o título
da narrativa que estou escrevendo no momento.
Também falei um pouco sobre meu banco de ideias.
Enfim,
despedimo-nos da plateia e uns dos outros após incríveis duas horas e cinquenta
e seis minutos de live. De todas as
lives que participei na vida, essa foi sem dúvida a mais emocionante. Pois não só falei de um universo que eu
criei, como falei durante quase três horas do universo ficcional pelo qual
nutro mais afeto. Talvez pelo fato de ser
aquele que guardo comigo há mais tempo.
Jardim Botânico, Rio de Janeiro, 08 de agosto de 2026 (sábado).
Participantes:
Carlos
Relva.
Carlos
Rocha.
Cláudia
Quevedo Lodi.
Dioberto Souza.
Edgar
Smaniotto.
Flávio de
Mello.
Gerson
Lodi-Ribeiro.
Hidemberg
Alves da Frota.
Leonardo
Bussadori.
Luiz Felipe
Vasques.
Marcelo
Piropo Garnet.
Paulo
Elache.
Renan
Augusto.
Robson
Michel.
Romy Schinzare.
Rubens
Angelo.
Vic Fargas.
[1]. Tirei esse
pseudônimo da minha noveleta “A Ética da Traição” (publicada no número 25 da Asimov’s
brasileira em janeiro de 1993). Naquela
narrativa de história alternativa, havia um espião da Confederação Germânica que
gostava de escrever ciéncia fictícia.
Como o mercado editorial de literatura fantástica era dominado por
editores, publicações e autores paraguayos, esse dublê de agente secreto e
escritor resolveu adotar o pseudônimo de “Daniel Alvarez”.
[2]. No
Mundo-sem-Volta ou Ahapooka, predadores são profissionais que retiram
equipamentos, artefatos e gêneros de alta tecnologia das naves estelares
sinistradas no Grande Continente e os distribuem a preço de neutrônio pelas
comunidades nativas.
[3]. As designações
dessas naves estelares olduvaicas constituem referências óbvias e homenagens
mais do que merecidas ao escritor estadunidense de FC David Brin, conforme
detalhei na live.
[4]. Em Quando
os Humanos Foram Embora, propus a existência de uma civilização alienígena
que evoluiu nas profundezas escuras do oceano interno de um mundo tipo Europa,
um dos quatro satélites galileanos de Júpiter, os ilianos. Nessa novela, os ilianos estabelecem seu
primeiro contato com representantes da humanidade quando uma expedição científica
iliana perfura a crosta de gelo de seu mundo, alcançando a superfície.
[5]. Mais tarde,
expandi essa novela e a publiquei como A Guardiã da Memória.
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