terça-feira, 15 de novembro de 2011

Antologia SUPER-HERÓIS
Guidelines



O.k., nem todo mundo curte os filmes e quadrinhos de super-heróis.  Porém, se você gosta de escrever literatura fantástica e não se inclui nessa minoria, gostaríamos de convidá-lo a submeter um conto para apreciação na antologia que estamos organizando para a Editora Draco, cujo título provisório (imaginativo) é Super-Heróis.

Nossa proposta é organizar uma antologia de contos bem escritos que abordem as aventuras de super-heróis de forma criativa, original e preferencialmente com tempero lusófono.  Tanto faz se seu herói é humano ou alienígena, se possui superpoderes ou não, se é um bom sujeito ou nem tanto — embora, em princípio, prefiramos que nossos autores deixem os vilões do tipo sociopata mascarado para uma eventual Super-Heróis II: Supervilões.  Tampouco importa se você mostrará a gênese do seu herói ou se ele cairá de paraquedas no meio de uma grande aventura.  O importante é que seu(s) protagonistas sejam psicologicamente bem delineados e que suas aventuras / desventuras constituam uma leitura instigante e divertida.

Fanfiction?  No que se pese ser difícil reinventar a roda, no quesito originalidade, não desejamos receber fanfictions.  Nada contra trabalhos escritos por fãs para homenagear seus heróis favoritos no âmbito amador dos blogues e e-zines.  Contudo, no âmbito profissional, a história é outra.  Daí, no intuito de evitar a possibilidade de nos tornarmos (autores, antologistas e editores, não necessariamente neste ordem) réus em processos judiciais movidos pelos detentores legítimos dos direitos autorais sobre super-heróis criados por terceiros, incentivamos com empenho os autores que pretendem participar deste projeto a criar seus próprios heróis em vez de “tomar emprestado” personagens da Marvel, DC ou outras empresas.  Para evitar riscos desse gênero, rejeitaremos pronta e inapelavelmente sem apreciação do mérito literário qualquer trabalho que nos pareça fanfiction.

Tamanho: Desejamos apreciar trabalhos entre 3.000 e 12.000 palavras.  Isto não significa que submissões fora deste intervalo serão sumariamente rejeitadas.  Se o conto analisado possuir qualidade literária e se enquadrar na temática proposta, essa qualidade será considerada em nossa apreciação, mesmo que o texto seja menor ou maior do que o limite proposto.  No entanto, a bem da sinceridade, deixamos claro que apreciaremos com maior simpatia trabalhos dentro do intervalo referido.

Filosofia de trabalho: Analogamente, gostaríamos de receber trabalhos criativos e originais cujos enredos mostrassem heróis ou super-heróis inseridos direta ou indiretamente na cultura brasileira e/ou portuguesa, mostrando o impacto social da existência e das proezas desses personagens e de seus superpoderes nessa cultura.  Não se trata de uma exigência estrita.  Trabalhos que nada tenham a ver com o Brasil ou com Portugal serão apreciados com a atenção devida e poderão ser eventualmente aceitos.  Porém, cumpre frisar nossa predileção por contos lusófonos de corpo (i.e, escritos por autores portugueses e brasileiros) e espírito (enredo, personagens, ambientação lusófonos).

Deadline: 31 de março de 2012.

Data de lançamento (provável): Fantasticon 2012.

Eis aqui a oportunidade ímpar do autor lusófono de literatura fantástica criar seu próprio super-herói e imortalizá-lo nas páginas impressas da Super-Heróis.

As submissões devem ser enviadas apenas em versão eletrônica, formato rich text file (.RTF), para os e-mails lfvasques@gmail.com e glodir@unisys.com.br, com cópia de segurança para o e-mail ericksama@gmail.com.  Confirmaremos a recepção de todos os trabalhos recebidos.

Dúvidas?  Não hesite em contatar os seus antologistas de plantão.

Gostaria de discutir sua trama ou linha de enredo conosco?  Não se acanhe.  A casa é sua!  Estamos aqui para isto.

Aguardamos ansiosamente a submissão do seu trabalho.



Luiz Felipe Vasques & Gerson Lodi-Ribeiro (antologistas)

Erick Sama (editor).

Setembro de 2011.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Relatos Fragmentários
Da
Fantasticon 2011


               201108121534P6 — 18.662 D.V.



     “Graças a essa palestra, descobri o nome da minha fantasia sexual: xenofilia!”
    [jovem presente na plateia, no fim de minha palestra sobre sexo com alienígenas]


Hoje foi nosso primeiro e único dia de participação na Fantasticon 2011, pois no domingo, dia do encerramento, embarcaremos cedo para o Rio por conta do Dia dos Pais.

Saímos do hotel às 11:30h e tomamos o metrô da estação Paraíso até a estação Vila Mariana, de onde caminhamos a pé para a Biblioteca Municipal Viriato Corrêa, sede da Fantasticon 2011.  Ainda no metrô, liguei o celular e mandei um torpedo para o Erick Sama, para confirmar a presença dele no almoço conosco.

A primeira pessoa com que encontramos à porta da Viriato Corrêa foi o editor da Tarja, Richard Dieguez, em companhia da filhinha de ano e meio.  Ao ingressar na biblioteca procuramos logo o Sílvio Alexandre para confirmar nossa chegada, receber o kit de participante e guardar nossas pastas no almoxarifado da instituição.

Enquanto batíamos um papo com Estevão Ribeiro, que também veio do Rio para a Fantasticon, Erick apareceu para nos dar carona até a panquequeria onde havíamos combinado almoçar.  Conosco também seguiram a autora carioca Ana Lúcia Merege e Janaina Chervezan, esposa do Erick.  O Casal 20 da Draco revelou ainda estar sob efeito do jet lag devido ao regresso anteontem de sua estada de quase um mês no Japão.  Assim que saltamos do carro, enquanto aguardávamos o manobrista da panquequeria, pus minhas mãos ávidas em meu exemplar da Dieselpunk.  Livrão!  A maior antologia das cinco que já organizei, superando até mesmo a Como Era Gostosa a Minha Alienígena! (Ano-Luz, 2002).

Mal chegamos ao restaurante e aparece nosso amigo mineiro, Flávio “Garfield” Medeiros, diretamente de Belo Horizonte.  Pouco mais tarde chegariam Edgar “Garapa” Refinetti; o casal Hugo & Renata Vera; Larissa Caruso; e Marcelo Galvão.

O almoço transcorreu animado com altos papos sobre lançamentos presentes e futuro do mercado editorial do fantástico brasileiro.  Pedi mais uma vez perdão ao Flávio por não ter incluído sua bela noveleta de história alternativa na antologia Dieselpunk (Draco, 2011), que seria lançada durante a Fantasticon.  Foi triste rejeitar uma história tão boa, mais interessante e mais bem escrita do que alguns trabalhos aceitos para a antologia, tão somente pelo fato de não se enquadrar inteiramente na temática proposta.  De todo modo, ainda pretendo publicar esse trabalho de alta qualidade em algum projeto futuro.

Por falar em projetos futuros, Flávio falou de seu projeto de montar um romance fix-up com noveletas escritas em seu U.F. de ficção alternativa que propõe a sobrevivência da civilização asteca como vassala do Império Britânico, linha alternativa que já gerou noveletas publicadas nas antologias Steampunk (Tarja, 2009) e Vaporpunk (Draco, 2010).  Flávio me convidou a prefaciar esse romance, convite aceito com imediato entusiasmo.

Almoço na Panquequeria.

Aliás, elogiamos o romance do Flávio, Casas de Vampiros (Tarja, 2010), que adota uma abordagem original para a temática dos vampiros e oferece uma explicação científica para a origem desses monstros.  Estranhamos que o livro tenha recebido tão pouca divulgação e esteja sendo tão pouco comentado.

Sondei o Hugo Vera sob a possibilidade de participar da antologia Space-Opera II, mas ele e Erick afirmaram que, para segunda investida sobre o tema, pretendem renovar a tripulação da nave estelar.  À guisa de prêmio de consolação, acenaram com o convite para prefaciar a antologia, convite aceito com imediata resignação.

Pedi um fettuchini à parisiense e Cláudia um salmão com legumes.  Contamos para os amigos o episódio das barrigas das sardinhas pelo qual passamos durante um jantar com figuras ilustres da ficção científica portuguesa, em nossa estada em Lisboa em julho de 1997.

Durante o almoço em si, debatemos as qualidades intrínsecas e as falhas de consistência dos romances Crônicas de Gelo e Fogo, do George R.R. Martin e da série baseada no primeiro romance.  Além disso, discutimos a qualidade literária dos textos de Cirilo Lemos, autor de “Auto do Extermínio” na Dieselpunk.

Antologia de História Alternativa.


De volta à Viriato Corrêa, eu, Cláudia e Janaína estabelecemos um perímetro defensivo sobre a última vaga do estacionamento, enquanto Erick trazia seu carro às pressas para ocupá-la.  Operação concluída com êxito.  Enquanto cumpríamos essa nobre missão, estabelecemos contato com tropas aliadas, ali representadas pelos autores da Dieselpunk, Tibor Moricz (“Grande G”) e Carlos Orsi Martinho (“A Fúria do Escorpião Azul”), esse último, acompanhado pela bela e inteligente esposa Renata Corte.  Os dois autores estenderam mãos igualmente ávidas para receber seus exemplares da antologia das mãos do publisher da Draco.

Nobre missão de segurar a vaga...


Enfim adentramos no saguão principal da biblioteca, então apinhado de fãs, autores, editores das mais diversas manifestações do fantástico lusófono.  Tentamos comprar livros nos estandes da Moonshadows, mas estava impraticável.  Terei que contatar a sempre simpática Michelle para encomendar o que quero por e-mail.  Só logrei adquirir o Livro dos Gatos do Estevão Ribeiro e, mesmo assim, apenas graças aos bons préstimos de minha amiga Ana Cristina Rodrigues, esposa do autor.  A maior lástima foi ter deixado para trás os romances do grande autor português de ficção científica João Barreiros e da autora paulistana de fantasia Camila Fernandes.

Autógrafo de Xochiquetzal, para Gi Ramos.

Único livro que consegui comprar na Fantasticon! :-(

Após dezenas de e-mails trocados nos últimos meses, por conta da submissão de contos à Dieselpunk, logrei conhecer pessoalmente Sid Castro, autor da noveleta “Cobra de Fogo” selecionada para a antologia.

Também conheci pessoalmente a autora Alícia Azevedo, que está organizando, junto com Daniel Borba, a antologia 2013: Ano Um, para a qual devo submeter um conto de FC pós-apocalíptica em breve.

Outra grata surpresa foi reencontrar com meus grandes amigos e antigos parceiros da equipe da gerência de universo ficcional do Taikodom, Roctavio de Castro e Giseli Ramos.  Tive oportunidade de papear bastante com os dois.  Não tanto quanto queria, mas o suficiente para matar parte das saudades dos tempos em que trabalhávamos juntos.

Trio da antiga equipe do U.F. Taikodom: Giseli Ramos, Roctavio de Castro e eu.

Também conversei com os velhos amigos e ex-sócios dos tempos de Ano-Luz, Marcello Simão Branco e César R.T. Silva.  Marcello perguntou pelos filhos e se surpreendeu que Erich agora trabalha como assistente de câmera na Rede Globo.  É, o tempo passa...

Em meio aos bate-papos animados com Alfredo Suppia, Carlos Alberto Machado[1], Roctavio de Castro e a sessão de autógrafos da antologia Space-Opera (Draco, 2011)[2], acabei não logrando assistir a palestra “Literatura Fantástica: a Experiência Mexicana”, proferida por Miguel Ángel Fernandez, único convidado internacional da Fantasticon 2011.  A fala de Fernandez recebeu tradução simultânea da autora brasileira de fantasia vampírica, Martha Argel.  O palestrante mexicano também é o organizador de Visiones Periféricas, antologia de ficção científica premiada em seu país.

Autógrafos Space-Opera 1: com Sílvio Alexandre, Senhor Fantástico.

Autógrafos Space-Opera 2: com Flávio Medeiros e Antonio Luiz da Costa.

Aliás, o comparecimento a uma convenção de fantástico brasileiro do porte da Fantasticon — que vem se tornando mais robusta a cada ano que se passa — constitui uma maratona que mistura doses iguais de prazer e tortura.  Pois é impossível, sobretudo quando só é possível comparecer num único dia, estar em todos os lugares ao mesmo tempo: assistir a todas as palestras e mesas-redondas, conversar com todos os amigos, autores, editores e fãs, comprar todos os livros interessantes.  Cumpre fazer uma série de escolhas de Sofia, entre um bate-papo revelador com um grande amigo que você não vê há anos e assistir uma palestra de um autor brilhante que fala ali pela primeira vez.  Ao fim do dia, você sai da Viriato Corrêa exausto, feliz, culpado & insatisfeito, não necessariamente nesta ordem.J

Cláudia & Eu.

Pelo menos consegui assistir a concorrida mesa-redonda “História, Matéria-Prima da Literatura Fantástica”, compartilhada com o auditório repleto pelos escritores Ana Cristina Rodrigues, Christopher Kastensmidt, Max Mallmann e Roberto de Sousa Causo.  Kastensmidt é um autor norte-americano radicado em Porto Alegre.  A mesa-redonda tratou da presença crescente da história alternativa, da fantasia histórica e do steampunk na literatura fantástica brasileira.  Max Mallmann discorreu sobre o trabalho de pesquisa que propiciou seu belo romance histórico ambientado em Roma Antiga, Centésimo em Roma, abordando, inclusive, o emprego impagável de um Homo floresiensis como personagem.

Mesa-Redonda História na Literatura Fantástica:
Max Mallmann, Ana Cristina Rodrigues, Christopher Kastensmidt e Roberto de Sousa Causo.


Ao término da mesa-redonda, fui contatado por Clarissa, membro da equipe da biblioteca, para que lhe passasse o pen-drive com o arquivo em PowerPoint com minha palestra “Alien Sex — Guia de Sexo Terrestre para a Alienígena Solteira”.  Para minha alegria, ao contrário do que se deu no ano passado, desta feita o sistema de datashow da Viriato Corrêa funcionou direitinho.  Telão ativado, proferi minha fala de uma das extremidades do auditório, de pé e microfone sem fio em punho.

Romance de FC Erótica: Sexo com Alienígenas.


Com auxílio desse tema genuinamente palpitante, logrei obter uma boa interação com a plateia de cerca de cinquenta ou sessenta pessoas.  Preparei uma apresentação recheada de brincadeiras que caíram no gosto do público presente.  Os autores abordados foram dos clássicos André Carneiro, Dinah Silveira de Queiroz, Fausto Cunha, Fritz Leiber, Harlan Ellison, Larry Niven, Philip José Farmer, Robert Silverberg e Ursula K. Le Guin, até os modernos Adriana Simon, David Brin, Eleanor Arnason, Fábio Fernandes, Gardner Dozois, Gerson Lodi-Ribeiro, Harry Harrison, James Tiptree, Jr., Michael Bishop, Octavia Butler e Robert Sawyer.  Os tipos de envolvimento entre humanos e extra-humanos foram do platonismo mais casto até o explícito X-Rated com paradas em todas as estações intermediárias.  Os parceiros extra-humanos foram ora alienígenas propriamente ditos, ora terrígenas, isto é, criaturas racionais que evoluíram na biosfera terrestre.  As mídias abordadas foram sobretudo a literária e a audiovisual, com pinceladas ocasionais nas HQs.  Os tópicos prediletos do público foram as brincadeiras com Kirk & Spock; os híbridos resultantes dos acasalamentos de tigres e leões; as consequências da concretização da paixão entre Lois Lane e o Super-Homem pelas ópticas de Larry Niven e Fábio Fernandes; o magnífico romance de ficção científica antropológica Ring of Swords, da Eleanor Arnason; e as belas trilogias Xenogenesis, da Octavia E. Butler e The Neanderthal Parallax, do Robert J. Sawyer.  Apesar das preocupações cronométricas do Sílvio Alexandre, ainda houve tempo para anunciar as antologias Erotica Phantastica (para a qual incitei os autores a escrever e submeter seus contos para apreciação) e Solarpunk.

Alien Sex: "Eles Herdarão a Terra", de Dinah Silveira de Queiroz.

Alien Sex: "Última Estrela", de Fausto Cunha.

Alien Sex: "Man of Steel, Woman of Kleenex", de Larry Niven &
"Paixão Segundo S.H.", de Fábio Fernandes.

Alien Sex: Plateia divertida.

 Ao fim da palestra fui brindado com o comentário entusiasmado de uma ouvinte:

— Beleza!  Graças ao que ele falou, descobri o nome da minha fantasia sexual: xenofilia.  Vivo sonhando com ETs fortões e sensuais me agarrando...

Por outro lado, não houve tempo para perguntas da plateia, pois eu estava escalado para dar autógrafos individuais.  Portanto, finda a palestra, fui conduzido ao salão de eventos da biblioteca e me sentei ao lado do autor Marcelo Paschoalin e, entre um autógrafo e outro, papeamos sobre agruras & aventuras de se escrever uma antologia de literatura fantástica no Brasil.  Autografei Xochiquetzal: uma Princesa Asteca entre os Incas para Giseli Ramos, Guardiã da Memória para Roctavio de Castro, além de alguns Vaporpunk e uma pá de Dieselpunk, dentre os quais um exemplar para o autor Josué de Oliveira, que tive oportunidade de conhecer pessoalmente nesta Fantasticon.

Autógrafo para Flávio Medeiros sob olhar de Rafael "Lupo".

Após as sessões individuais de autógrafos, os organizadores da Fantasticon julgaram por bem encerrar os trabalhos neste que foi o segundo dia de convenção na temporada de 2011.

Apesar das experiências pouco agradáveis do ano passado, nossa vasta comitiva acabou trombando com aquele mesmo restaurante fraquinho, fraquinho em que comemos e bebemos na noite de sábado da Fantasticon 2010, estabelecimento que passava bem longe da minha ideia de fechar com chave de ouro esta experiência paulistana memorável centrada na melhor convenção de arte fantástica que já tive oportunidade de comparecer.

Quando chegamos ao tal boteco, já haviam por lá cerca de doze ou quinze participantes da Fantasticon.  Conosco vieram mais uns dez e, pouco mais tarde, chegaram mais cerca de vinte pessoas.  Senti que a situação fugia do controle quando percebi que, independentemente do número de mesas e cadeiras que os garçons colocavam na calçada, cada vez mais distantes do estabelecimento propriamente dito, havia cada vez mais pessoas de pé à espera de um lugar.  Ao notar que não conseguiria sentar junto com meus amigos mais chegados e, se duvidar, nem sequer junto com a Cláudia, lancei a proposta de procurar outro estabelecimento ou, miseravelmente, outra mesa, instalada no interior do boteco.  A segunda ideia soou mais exequível ao casal Carlos Orsi & Renata Martinho, ao Flávio Medeiros, ao Roctavio de Castro e à Giseli Ramos.  Portanto, migramos para quatro mesas juntadas no interior do estabelecimento, onde recebemos a adesão posterior do pesquisador de ficção científica cinematográfica Alfredo Suppia e do antologista mexicano Miguel Ángel Fernandez.  Ao longo da noitada, recebemos aparições esporádicas de Erick Sama, Janaína Chervezan, Ana Cris, Estevão Ribeiro e Max Mallmann em nossa cadeira do amigo querido visitante, deixada vaga para receber os amigos que preferiram permanecer a longa mesa original.

Birosca 1: eu, Ana Cris, Roctavio de Castro, Alfredo Suppia e Miguel Ángel Fernandez.

Birosca 2: Fernandez, Cláudia Lodi, Gi Ramos, Flávio, Renata & Carlos Martinho,
Erick Sama & Janaína Chervezan, eu, Max Mallmann, Roctavio e Alfredo.


Em meio a espetinhos de queijo coalho, churrasquinhos, linguiças apimentadas, corações de frango, capivodkas, cocas zero e muita cerveja, tivemos uma das confraternizações mais animadas dos últimos tempos.

Nos aftershocks da minha palestra lá na birosca, para alegrar Ana Cris, que se lamentava por ter perdido minha palestra por ter sido escalada para autografar livros no mesmo horário, contei-lhe a cena tórrida de abertura do romance erótico Blown, do Philip José Farmer.  Carlos Orsi Martinho lembrou que os dois romances pornográficos (The Image of the Beast e Blown) foram publicados pela Playboy Books.  Também recordou que Farmer escreveu um terceiro romance naquele mesmo universo ficcional, só que despido(!) de elementos eróticos.

Roctavio elogiou mais uma vez a monografia Vinho no Mundo Romano que escrevi para a pós-graduação em Vinho & Cultura na Universidade Cândido Mendes.  Comentou que o texto está tão bom que nem parece uma monografia acadêmica...J

Aproveitando o mote de Fernandez ter me pedido para explicar as diferenças entre steampunk e dieselpunk, descrevi para ele, o Roctavio e o Suppia, o enredo da novela “Unidade em Chamas”, de Jorge Candeias, publicada na Vaporpunk (Draco, 2010), com ênfase na questão patriótica e racial desse trabalho que considero um clássico da história alternativa lusófona.

Alfredo Suppia nos falou dos planos futuros para seu periódico acadêmico digital, Zanzalá, e da possibilidade de trazer a convenção anual de 2015 da Science Fiction Research Association para o Brasil.  Preferencialmente para São Paulo ou Rio de Janeiro.

Quando Max Mallmann visitou nossa mesa contei para os amigos sobre a ocasião, no dia seguinte do lançamento de seu Centésimo em Roma, disparei SMS para os amigos da Praia das Conchas, em Cabo Frio, em plena Região dos Lagos, Rio de Janeiro, para comentar que já estava degustando o romance em companhia de um copo de capivodka geladinha.  Nem é preciso falar da quantidade de réplicas iradas & invejosas que torpedearam meu celular nos minutos e horas seguintes...

Se durante o almoço, Flávio “Garfield” Medeiros já havia confessado sua fraqueza por ovos de Páscoa, nessa confraternização pós-Fantasticon, revelou ser um viciado em memorabilia de ficção científica, horror e fantasia.  Falou que durante sua lua de mel em Nova York, chegou a sofrer ameaça de anulação de casamento em virtude da insistência em trazer para o Brasil um boneco do Darth Vader em tamanho natural.  Felizmente, a situação se resolveu quando nosso herói se apaixonou por um Yoda capaz de falar cerca de quinhentas frases em inglês.  Após hesitar durante toda a estada na metrópole norte-americana, no dia do regresso, ele despertou decidido e, numa atitude macho-mineira, virou-se para a esposa e afirmou:

— Eu vou comprar o Yoda!

Ao que a mulher amada replicou:

— É.  Eu também gostei do Yoda.

E os três pombinhos foram felizes para sempre.

*     *     *

Outro lance impagável do Garfield nesta noite memorável foi sua súbita e abrupta conversão no mais novo torcedor fanático do Botafogo.

Falei que estávamos numa birosca, é fato.  Mas tratava-se de uma birosca chique.  Tanto é que havia uma televisão de plasma enorme bem atrás de nossa mesa.  No telão passava ao vivo a grande peleja futebolística Botafogo x América Mineiro, um dos lanterninhas do Brasileirão.  Flávio afirmou que torceria pelo América, segundo time do coração de todo mineiro.  Além do mais, pontificou, o Botafogo possui uniforme bastante parecido com o do Atlético Mineiro, arquirrival do Cruzeiro, time pelo qual nosso amigo mineiro morre de paixão.  Pelo visto, Garfield é pé-quente, pois, com pouco mais de dez minutos de jogo, o América abriu 2 x 0 no placar.  Alarmado, decidi cooptar os poderes de Garfield para uma causa nobre:

— Amigo, Garfield, lembra daquele projeto de antologia?  Aquele que eu te falei que sua noveleta de história alternativa já estava praticamente incluída?

— Claro, Véio!

— Pois é.  A combinação só continua valendo se o Botafogo ganhar essa partida...

— Pô, mas assim não vale!  Teu time já está perdendo de 2 x 0...

— Pois é.  E de quem é a culpa?

Garfield engoliu em seco.  Pensou e pensou.  Concentrou-se, conjurando seus poderes para o bem.  Começou a torcer para o Botafogo.  No início, timidamente.  Depois foi se empolgado.  Minutos mais tarde, estava aos brados:

— Fogo!

— É Fogão. — Cláudia esclareceu, divertida.

— Fogão!

Ainda no primeiro tempo, o Botafogo diminuiu para 2 x 1.

Na etapa final, o Fogão veio com tudo.  Meteu três gols no América!  Depois de gritar o tempo inteiro, Garfield estava rouco, mas seus olhos brilhavam de contentamento.  Placar final: Botafogo 4 x 2 América Mineiro.

Impressionado, o gerente do barzinho murmurou ao meu ouvido:

— Puxa, esse amigo de vocês é botafoguense fanático, heim?

— Não é que ele seja botafoguense. — Expliquei. — Mas, você não sabe do que um escritor é capaz para ver seu texto publicado...

Ante o ar céptico do gerente, arrematei:

— Isto mesmo!  Até isto que você está pensando!

Ao que Max Mallmann confirmou:

— É.  Dependendo da tiragem...

*     *     *



Após a noitada memorável, despedimo-nos pesarosos dos amigos, pelo fato de que para nós a Fantasticon 2011 acabava ali, amanhã cedo embarcaremos para o Rio por conta do Dia dos Pais.  Abraços, beijos e juras de amor e amizade eterna trocados, dividimos um táxi com o casal Carlos Orsi e Renata Corte Martinho, já que eles estão hospedados no Mercure, cerca de cinquenta metros do Formule 1.  Aproveitamos e papeamos sobre o que andamos fazendo em nossas vidas profissionais e nós os lembramos de que eles não aparecem no Rio há tempos.

Ao que eu saiba, esta Fantasticon 2011 teve uma presença recorde de cariocas nativos ou radicados: eu & Cláudia, Ana Cris & Estevão, Ricardo França, Rafael Lupo, Max Mallmann e Ana Merege, fora aqueles que meus neurônios esgotados falharam em registrar.

Formule 1 Paraíso, São Paulo, 13 de agosto de 2011 (sábado).


Participantes:
Adriano Siqueira
Alexandre Heredia
Alícia Azevedo
Alfredo Suppia (Zanzalá)
Aliah
Ana Carolina Silveira
Ana Cristina Rodrigues
Ana Lúcia Merege
Antonio Luiz da Costa
Bruna Caroline
Camila Fernandes
Cândido Ruiz (Conselho Steampunk)
Carlos Alberto Machado
Carlos Orsi Martinho
Carol Chiovatto
César R.T. Silva (Anuário)
Christopher Kastensmidt
Cláudia Quevedo Lodi
Cláudio Villa
Cristina Lasaitis
Douglas MCT
Edgar “Garapa” Refinetti
Erick Sama (Draco)
Eric Novello
Estevão Ribeiro
Flávio “Garfield” Medeiros
Gerson Lodi-Ribeiro
Ghad Arddhu
Gianpaollo Celli (Tarja)
Giseli Ramos
Giulia Moon
Gumercindo Rocha Dorea
Hugo Vera
Janaína Chervezan (Draco)
José Roberto Vieira
Josué de Oliveira
Larissa Caruso
Lucas Rocha
Marcello Simão Branco (Anuário)
Marcelo D. Amado
Marcelo Galvão
Marcelo Paschoalin
Márcia Olivieri
Martha Argel
Max Mallmann
Michele (Moonshadows)
Miguel Ángel Fernández (MÉXICO)
Nelson de Oliveira
Rafael Lupo Monteiro
Renata Corte Martinho
Renata Vera
Ricardo França
Richard Dieguez (Tarja)
Rober Pinheiro
Roberto de Souza Causo
Roctavio de Castro
Sergio Roberto Lins da Costa
Sid Castro
Sílvio Alexandre
Tibor Moricz




[1].  Falei com o Carlos sobre a novela “Pinocchio” do Walter Jon Williams que li na antologia The Starry Rift, organizada pelo Jonathan Strahan.  Carlos Machado está interessado em FC que retratem a sala de aula do futuro.  Daí, eu lhe ter recomendado essa novela.
[2].  Onde tive a rara oportunidade de reencontrei Sergio Lins da Costa, um velho amigo do CLFC paulistano que eu já não via há muitos anos.

domingo, 12 de junho de 2011

ERICK saMA IN RIO

            2011.06082359P4

 “Olha, você até escreve bem, mas não tão bem quanto
suas críticas aos trabalhos alheios fazem os incautos supor...”


Após diversas promessas vãs, eis que meu amigo, o publisher da Draco, Erick Sama, apareceu aqui no Rio para tomarmos um vinho, ainda que tenha sido uma visita-relâmpago, daquela que não costuma contar ponto.

Erick veio ao Rio representando a Editora Globo numa convenção de literatura infantojuvenil que está rolando ao longo desta semana no Centro de Convenções Sul-América, na Cidade Nova, bem perto da Prefeitura.

Quando encerrou sua participação por volta das 14:00h, Erick me passou um SMS e eu peguei um táxi para buscá-lo.  Depois de alguns desencontros quanto à portaria do complexo pela qual ele deveria sair, com o motorista do táxi dando um show de paciência e fairplay, enquanto eu e Erick tentávamos achar um ao outro via saraivadas de torpedos sucessivas.  Afinal, acabamos nos encontrando junto ao ponto de táxi do complexo e seguimos de táxi até o restaurante tijucano Turino, especializado em cozinha italiana.

No caminho, Erick falou que conheceu hoje Flávia Cortez, autora de um dos contos da Meu Amor é um Anjo (Draco, 2011), antologia organizada por Eric Novello e Janaína Chervezan.  Aproveitamos o ensejo para fechar enfim o título da antologia erótica fantástica que organizarei para a Draco: Erotica Phantastica, com destaque para a primeira palavra, que virá em corpo maior do que a última.

À porta do estabelecimento encontramos Octavio Aragão, que havia combinado encontrar conosco para o almoço.  Como ambos já haviam almoçado, dividimos uma garrafa de Pata Negra Gran Reserva, várias águas minerais e eu aproveitei para almoçar um penne com filet-mignon.

Octavio Aragão e GL-R: colocando o papo em dia.


Ao longo da degustação daquele saboroso tinto espanhol da região de Valdepeñas, conversamos sobre lançamentos e atitudes editoriais recentes.  Falamos um bocado dos efeitos positivos e negativos da autopropaganda internética empregada amiúde por novos autores brasileiros da FC&F, aos quais alguns se referem em conjunto pelo termo toffleriano “Terceira Onda”.  O problema é que, com o excesso de autopromoção, normalmente se gera um excesso de expectativa, que acaba resultando em decepção para o leitor incauto.

Octavio contou alguns detalhes do desenvolvimento de seu romance A Mão que Pune, continuação do seu aclamado A Mão que Cria (Mercuryo, 2006).  Em troca, descrevi alguns trechos brilhantes em três ou quatro noveletas aprovadas para publicação na Dieselpunk, antologia que organizei para a Draco e que deverá ser lançada em agosto próximo, na Fantasticon 2011.

Erick "Sama" Cardoso, Octavio Aragão e GL-R.


Ao fim do repasto, como eu regressaria ao trabalho na Secretaria de Fazenda, Octavio devia buscar o filho no colégio e Erick precisava deixar alguns exemplares adicionais da Meu Amor é um Anjo para o lançamento carioca na Blooks, caminhamos até a estação Saenz Peña do metrô.

Saltei na estação Estácio para continuar minha jornada de trabalho na Prefeitura, satisfeito em ter almoçado com bons amigos e trocar insights valiosos sobre o estado da arte do fandom da literatura fantástica brasileira.

Uma pena que Erick Sama não tenha podido passar mais tempo no Rio, para organizarmos um queijos & vinhos para ele ou, miseravelmente, uma reunião no Estação Gourmet com autores e fãs cariocas que sentem curiosidade em conhecê-lo pessoalmente.  Bem, ficará para a próxima oportunidade.  E que seja em breve!

Jardim Botânico, Rio de Janeiro, 08 de junho de 2011 (quarta-feira).



segunda-feira, 6 de junho de 2011

Lançamento Paulistano
da
Space-Opera


               2011.06051525P1
         “Enfim, a vingança do Capitão Barbosa!”




Acordei às 04:00h de sábado para pegar o ônibus das 06:00h da Expresso Brasileiro na ponte rodoviária Rio-São Paulo.  Viagem tranquila, prazerosamente aproveitada para uma última revisada nas noveletas da Dieselpunk, antologia que estou organizando para a Editora Draco e que deverá ser lançada em agosto na Fantasticon 2011, bem como para reescrever Octopusgarden, romance escrito no universo ficcional Ahapooka como homenagem às temáticas de David Brin no Uplift Universe, que funcionará como prequel de A Guardiã da Memória (Draco, 2011).

Como tudo que é bom dura pouco, acabou que a viagem de seis horas terminou meia hora antes com a chegada no Terminal Tietê às 11:30h.  Do desembarque, direto para a estação de metrô da própria rodoviária, baldeação com mudança de linha na estação Paraíso e, enfim, emersão na estação Consolação, em plena Avenida Paulista, colado no Conjunto Nacional, para almoçar no restaurante Súbito, programa planejado por Hugo Vera, antologista emérito da Space-Opera
Convite paulistano.

Em frente ao Súbito às 12:10h, cinquenta minutos antes do horário que o Hugo anunciara por SMS, avancei até a Livraria Cultura, no interior do mesmo conjunto, para conferir os últimos lançamentos de FCB.  Não havia muita coisa que prestasse, mas, com tempo sobrando e sem lugar para sentar e revisar meus textos, acabei folheando um Xenocídio do Orson Scott Card (romance cuja resenha competente & detonante de Saint-Clair Stockler[1], que mata a cobra e mostra o pau, já me fez desistir de comprar), algumas fantasias brasileiras e os romances de vampiros emos de sempre.  Eis que, entretido em folheadas pueris, reparo com o canto dos olhos num sujeito de meia-idade como eu, em boa forma física como eu e só um pouco mais gordo do que eu, a meu lado, me encarando fixamente.  Viro para encarar e me deparo com meu grande amigo Ivo Heinz.

Por volta das 13:00h, rumamos da Cultura para o Súbito.  Como queríamos mesa para seis, subimos ao segundo andar.  Enquanto esperávamos os demais, pedimos brusquetas e duas taças do Malbec da casa.  Antes das entradas serem servidas, Clinton Davisson aparece no restaurante.

Pedi uma lasanha aos quatro queijos digna da fome de um estivador do cais do porto que eu absolutamente não sentia, ainda mais após a segunda rodada de brusquetas e outra taça de tinto da casa, dessa vez um Cabernet Sauvignon.  Daí, já parti do restaurante para a livraria meio detonado...

Ao longo do repasto, falamos sobre personalidades querelantes velhas e novas da FCB.  Clinton contou-nos que seu romance, Hegemonia: O Herdeiro de Basten (Arte e Cultura, 2007) esgotou a tiragem e que, graças às dificuldades financeiras da editora, obteve uma rescisão de contrato que lhe permitirá negociar a publicação desse e doutros títulos vindouros no mesmo universo ficcional por uma grande editora.

Quando já estávamos quase partindo do Súbito para a Martins Fontes, quase na extremidade oposta da Paulista, eis que nos aparece Fábio Fernandes, já almoçado e pronto para nos acompanhar rumo à livraria onde se daria o lançamento da Space-Opera
Almoço no Súbito - Clinton Davisson, Ivo Heinz, GL-R e Fábio Fernandes.

Ao longo da caminhada até a Martins Fontes, eu e Fábio aproveitamos para colocar nosso papo em dia.  Aproveitei o ensejo para nomeá-lo diretor da sucursal paulistana da Confraria dos Canalhas Anônimos, com direito a receber novos sócios, expedir carteiras e tudo mais.  Falamos sobre experiências editoriais e acadêmicas no país e no exterior, além das fofocas habituais sobre amigos e conhecidos comuns que, naturalmente, não podem ser citadas no espaço juridicamente restrito desta crônica.

Enfim, quando chegamos à Martins Fontes, encontramos nosso amigo Carlos Orsi Martinho e juntos subimos ao segundo piso da livraria, onde se daria o lançamento.  No espaço reservado para o evento já se encontravam presentes, pela Space-Opera em si, os antologistas Hugo Vera e Larissa Caruso, o autor Marcelo Jacinto Ribeiro, além do Sílvio Alexandre, do editor da Draco Erick Sama e sua esposa Janaína.  Renata Vera, esposa do Hugo também estava presente.  Mais tarde, ao longo do bate-papo com os autores e a sessão de autógrafos que se seguiu, chegaram os autores Antonio Luiz da Costa, Cristina Lasaitis e Eric Novello, além dos fãs eméritos Anderson Santos, Camila Fernandes, Edgar “Garapa”, Ludmila Hashimoto, Marcelo Galvão, Renato Azevedo e Rober Pinheiro, vários desses, aliás, também com trabalhos publicados.
Carlos Orsi Martinho e GL-R.

Carlos Orsi Martinho, Erick Sama, Ivo Heinz e Antonio Luiz da Costa.


Regada por refrigerantes, água mineral e um vinho branco razoável (Santa Júlia), assessorados por uma tigela de amendoins e nuts diversas, a parte formal do evento começou com Hugo e Larissa falando da gênese do projeto, organizada a partir das respostas dos autores aos convites para submeter contos e noveletas à antologia.[2]  Das doze submissões, sete foram aprovadas.  Com os contos dos antologistas, o livro totaliza nove trabalhos de ficção, além da introdução assinada por Hugo e Larissa e do ensaio de Fábio Fernandes.  Após essa fala inicial, Hugo e Larissa passaram a palavra aos outros três autores presentes, para que falássemos um pouco de nossos trabalhos.  Apresentei “No Amor e na Guerra” como um space-opera à moda antiga, até um pouco piegas, por ter uma love-story mal resolvida em seu bojo, só esqueci de mencionar que os elementos temáticos ali presentes foram posteriormente aproveitados de forma modificada no universo ficcional Taikodom — uma vez que a noveleta, escrita em meados do ano passado, surgiu de uma sinopse armazenada em meu banco de ideias desde o início da década de 2000.  Bom, conto essa história na próxima oportunidade.
Autores na Mesa de Autógrafos — Marcelo Jacinto Ribeiro, Larissa Caruso, Hugo Vera, GL-R e Clinton Davisson.

O público presente esteve bastante participativo, intervindo ao longo de nossas falas com perguntas pertinentes, comentários espirituosos e piadinhas inteligentes de duplo sentido, algumas vezes infames.  Cheguei a brincar que, se nossos amigos da plateia já estavam tão animados no lançamento de uma antologia de ficção curta no subgênero space-opera, eu não ousava imaginar como se portariam no lançamento de nossa antologia de ficção erótica fantástica que estou presentemente organizando para a Draco. 
Larissa Caruso, autora e antologista.

A partir da instigação do público presente — cerca de cinquenta pessoas ao longo do evento — e aproveitando uma participação num podcast na terça-feira passada[3], procurei conceituar o subgênero space-opera, elencando seus elementos principais e distinguindo a space-opera clássica da new space-opera, uma reformulação dos temas do subgênero sob influência da ficção científica hard, da new wave e de outros bichos mais. 
Eu e a Musa da Tarde.

Fábio Fernandes e Ivo Heinz citaram vários enredos interessantes publicados recentemente em antologias de new space-opera no mercado editorial anglo-saxão.  A meu pedido, Fábio falou de um romance excelente, já meio antigo, mas com elementos temáticos e estilísticos relativamente modernos, The Void Captain’s Tale, de Norman Spinrad, em que os saltos hiperespaciais só são possíveis graças à energia coligida nos orgasmos femininos.

A partir de uma pergunta sobre elementos brasileiros nos contos da antologia e da pronta citação da noveleta “Pendão da Esperança” do Flávio Medeiros, que reputo como melhor texto da antologia, vários beta-readers sorriram ante a lembrança do protagonista, um certo Capitão Barbosa.  A plateia incauta se sentiu intrigada com meu comentário:

— A vingança do Capitão Barbosa!
Fábio Fernandes e GL-R: Síndrome do Capitão Barbosa superada!

Hugo Vera pediu que Fábio Fernandes contextualizasse a Síndrome do Capitão Barbosa para os presentes, uma vez que já havia mencionado a questão en passant em seu prefácio.  Fábio improvisou uma análise brilhante — pontilhada de reminiscências pessoais — da síndrome referida dentro do panorama histórico da ficção científica brasileira do último quarto de século, rememorando o comentário de Bráulio Tavares num ensaio publicado em fanzine há mais de vinte anos, onde defendia a falta de plausibilidade de qualquer enredo de FC hard em que houvesse um Capitão Barbosa no comando de uma belonave estelar à la Enterprise.[4]  Preconceitos e síndromes de cachorro vira-lata à parte, o fato do melhor texto da antologia exibir um tratamento maduro, instigante e consistente do tema do primeiro contato com uma civilização alienígena[5] protagonizada justamente por um Capitão Barbosa denota o quanto a ficção científica lusófona em geral e brasileira em particular evoluíram nestes últimos vinte anos. 
Panorâmica da Martins Fontes.

Eterno Falastrão.

Sílvio Alexandre aproveitou o ensejo e o público reunido no lançamento para fazer alguns anúncios e tirar dúvidas sobre a programação da Fantasticon 2011.  Anunciou minha palestra sobre relações sexuais entre humanos e alienígenas na ficção científica (neste ponto, esclareci que só abordaria as transas interespecíficas de caráter estritamente ficcional, portanto, sem abduções ufológicas, contatos imediatos de nono grau, sondas anais robustas e outros quesitos mais adstritos à ufologia de cunho patológico-sexual do que ao fantástico literário ou cinematográfico).  Anunciou também que este anos a já tradicional mesa-redonda das editoras de literatura fantástica contará apenas com editores e publishers que não participaram em anos anteriores.  Finalmente, falou dos livros que serão lançados na convenção, dentre os quais destaco — por motivo de jabaculê institucional J — meu romance de ficção científica hard e erótica hardcore, A Guardiã da Memória (Draco, 2011) e a antologia steampunk Dieselpunk (Draco, 2011).
Antônio Luiz Costa, Janaína, Rober Pinheiro, Eric Novello, Carlos Orsi Martinho e Ivo Heinz.

Encerrada a parte formal do lançamento, partimos para a sessão de autógrafos.  Embora Erick Sama tenha levado apenas 25 exemplares da Space-Opera para o lançamento, contabilizei pelo menos trinta autógrafos, — sem contar os dois Guardiã da Memória, para Antonio Luiz da Costa e Ivo Heinz — indicando que muitos leitores trouxeram seus exemplares da antologia de casa.  A sessão consumiu mais de uma hora e meia entre autógrafos e bate-papo com os leitores.  Uma vez que a Space-Opera havia esgotado no lançamento carioca da quarta-feira passada, os antologistas tomaram como ponto de honra que o mesmo acontecesse em casa.  Afinal, ali se concentravam seus amigos, parentes e familiares.  Por outro lado, o número de exemplares à venda era maior e muitos leitores e fãs já chegaram à Martins Fontes com seu exemplar comprado debaixo do braço.  Portanto, foi com brados jubilosos que antologistas, autores e publisher comemoraram a venda do último exemplar aos 48 minutos do segundo tempo, às 18:30h, hora em que a gerência da Panquequeria, restaurante onde Hugo reservara mesa para comemorarmos o lançamento, já ligava insistentemente para confirmar se iríamos ou não aparecer no estabelecimento.  Aliás, houve até rebate falso: apareceu um segundo último exemplar, após a venda do primeiro último...  Felizmente, a antiga professora de inglês de Clinton Davisson salvou a pátria em plenos 52 minutos da etapa final, adquirindo o último exemplar verdadeiro da antologia.  Na saída da livraria, confirmei com uma funcionária que o livro havia realmente esgotado, para evitar que o astuto Erick Sama sacasse um exemplar extra da algibeira... 
— Eu não acreditei que esgotaria de novo...

  
Hugo Vera, Ivo Heinz e GL-R.


Conversei brevemente com a autora Camila Fernandes sobre minha alter ego recém-assassinada, Carla Cristina Pereira.  Ela prometeu me enviar alguns comentários sobre um ensaio mezzo-histórico, mezzo-confessional, “Os Anos em que fui Carla” que distribuí há tempos a um punhado de amigos.  Vou aguardar e cobrar.J

Comentei com Cristina Lasaitis, uma das antologistas da Fantástica Literatura Queer (Tarja, 2011), que considero um equívoco estratégico lançar o livro em dois volumes, pelo fato de que ambos cabiam num tomo único de 350 páginas.  Ela rebateu a crítica com o argumento de que a editora planeja lançar outros volumes de FC erótica queer para compor uma coleção mais extensa.  Não sei se a ideia é boa ou não.  Só sei que, como autor, antologista e ex-editor, eu não agiria assim, mas, cada cabeça uma sentença.  De qualquer modo, de acordo com informações constantes no site da editora, a compra do pacote com ambos os volumes sai mais em conta e não está caro.  Como interessado e metido a especialista em literatura erótica fantástica, estou um bocado curioso para ler os quinze trabalhos distribuídos pelos dois volumes e, portanto, não vou conseguir esperar até a Fantasticon 2011 para comprar meu exemplar. 
Hugo e Renata Vera.

 No lançamento paulistano da Space-Opera tive o prazer de conhecer pessoalmente Marcelo Jacinto Ribeiro e Larissa Caruso.  Também conheci Rober Pinheiro, mas muito en passant.  Na despedida, já que não seguiu conosco para o restaurante, Marcelo me transmitiu alguns insights sobre a prática de tiro com arco (popularmente conhecida como "arco e flecha"), atividade esportiva pela qual ele compete há tempos e pela qual me interesso (platonicamente) desde garoto.  Ao contrário de Marcelo, Larissa nos brindou com sua companhia agradável na Panquequeria.
Space-Opera's Bad Boys & Good Girls.

A lamentar, apenas a falta de tempo para conversar melhor com meus amigos Carlos Orsi Martinho e Antonio Luiz da Costa.  Quem sabe não colocamos o papo em dia na Fantasticon 2011.

Embarquei rumo ao restaurante no carro do casal Erick & Janaína.  Larissa seguiu conosco.  Contrariando nossos prognósticos, o veículo do casal anfitrião Hugo & Renata Vera chegou depois do nosso.  Como fomos os primeiros a chegar, quase tropeçamos, literalmente, com um garçom adormecido debaixo de uma mesa junto à nossa.  Por um instante, cheios de literatura fantástica na cabeça, chegamos a pensar que o sujeito não estava apenas dormindo...

Pedi um wrap (espécie de panqueca fechada) texano, recheado de carne moída com molho barbecue.  Além de gostoso, o pedido veio do tamanho exato da minha fome, nem gigantesco, nem diminuto.  Dividi uma garrafa de Salton Clássico Cabernet Sauvignon com o Erick Sama, mas a verdade é que já estava com um pouco de azia em virtude do consumo enológico do almoço e, sobretudo, do lançamento na Martins Fontes.  Já Erick, garoto novo de estômago blindado, encarou uma pizza baiana de proporções genuinamente pantagruélicas.  Imbuído do firme propósito de aniquilar o impávido colosso ou tombar tentando, não obstante o receio bastante compreensível de sua esposa, nosso publisher favorito só não lambeu o prato para não bancar o grosso e — pasmem, mortais! — ainda saiu da Panquequeria caminhando com as próprias pernas e dirigiu seu carro, como se só houvesse degustado um canapé.  Erick Draco, qual nada...  O nome do herói é Erick, a Draga Humana! 
— Erick, eu se eu fosse você não me arriscaria...


Se o bate-papo confessional e as fofocas já haviam sido um must no almoço e na caminhada do Súbito até a livraria, atingimos paroxismos de revelações bombásticas intra e extrafandom.  Huguinho retornou ao assunto saboroso — já abordado no almoço no restaurante carioca Passadiço na quarta-feira passada — do comportamento pouco profissional de certo autor da FCB, ao se recusar a corrigir as falhas de seu conto. 
O Tigre, o Dragão e o Dinossauro. Ao fundo, Anderson espantado.

Quando o telão da extremidade oposta do salão do segundo piso, sintonizado no Jornal Nacional falou da crise política causada pela greve dos bombeiros do Estado do Rio de Janeiro, Janaína lembrou-se de uma estada no Rio, quando um salva-vidas malemolente retardou o salvamento de sua prima quase afogada para criticar seu sotaque de paulista.  Foi o bastante para abrir a temporada de zoação ao carioca presente, fenômeno presente em nove de cada dez confraternizações no subfandom paulistano.J  Tentando me defender, Erick afirmou que eu não era um carioca típico.  Não é a primeira vez que ouço a afirmação de que eu seria um carioca com alma de paulista.  Aliás, em geral, ela surge em tom de elogio em Sampa e de crítica no Rio... 
Space-Opera's Good Girls.

Quando Anderson Santos e a esposa Claudmara descobriram que fui Oficial de Marinha, o papo em nosso lado da mesa enveredou por assuntos navais.  Esclareci a diferença entre “comandante” e “capitão” em português e inglês e os erros de tradução frequentes que tal diferença costuma suscitar.  Falei dos postos e patentes navais.  Erick me indagou sobre o conceito de “comodoro”.  Rememorei algumas experiências de Guarda-Marinha e Tenente, respectivamente embarcado a bordo do velho contratorpedeiro Maranhão (antigo USS Caribbean Tiger, destróier que lutou pela US Navy na Segunda Guerra Mundial) e da fragata Constituição.  Enfim, julgo ter entretido os amigos com alguns ditados e chistes navais.

Lá pelas tantas, resolvemos passar à sobremesa.  Anderson pediu uma taça de sorvete de chocolate de nome já esquecido, formato piramidal e proporções queopsianas.  Empolgados com o gigantismo da iguaria, eu, Erick e Huguinho apontamos para a taça do Anderson aos brados:

— Garçom, não sei o nome da sobremesa, mas nos traga três dessas!

Enfim, como tudo que é bom tem hora certa pra acabar, quitamos nossas contas no primeiro piso, despedi-me dos casais Hugo & Renata e Anderson & Claudmara.  Erick & Janaína me deram carona até o Terminal Rodoviário Tietê.  Ao longo do caminho, falamos de nossas próximas viagens ao exterior, nós aqui casa para a Toscana e o Vale do Loire e o Casal 20 da Draco para o Japão.  Aliás, Erick me surpreendeu ao revelar que sabe falar japonês!

Aproveitei o fato de ter chegado na rodoviária uma hora e pouco antes da partida do ônibus da Itapemirim para o Rio às 23:45h para retomar a revisão da última noveleta da Dieselpunk.

Uma vez embarcado, peguei no sono antes do busão partir e só acordei na Rodoviária Novo Rio às 05:45 deste domingo.  Táxi tomado e às 06:00h já estava em casa.

Jardim Botânico, Rio de Janeiro, 05 de junho de 2011 (domingo).


Agradecimentos especiais aos amigos que nos ajudaram a tirar fotos com a minha câmera e a do Hugo Vera. Abraços e Beijos!

Participantes:
Anderson Santos
Antonio Luiz da Costa
Camila Fernandes
Claudmara
Clinton Davisson (Autor)
Cristina Lasaitis
David Hoffmann
Edgar “Garapa”
Erick Sama (Draco)
Eric Novello
Fábio Fernandes (Prefaciador)
Gerson Lodi-Ribeiro (Autor)
Hugo Vera (Antologista & Autor)
Ivo Heinz
Janaína Costa (Draco)
Larissa Caruso (Antologista & Autora)
Leona Volpe
Ludmila Hashimoto
Marcelo Galvão
Marcelo Jacinto Ribeiro (Autor)
Renata Vera
Renato Azevedo
Rober Pinheiro
Sílvio Alexandre




[1].  http://esooutroblogue.wordpress.com/2010/06/22/xenocidio-de-orson-scott-card-sob-a-otica-de-saint-clair-stockler/
[2].  Além da introdução da dupla de antologistas e do ensaio “Onde Nenhum Brasileiro Jamais Esteve?” de Fábio Fernandes, a antologia apresenta nove trabalhos de ficção curta, entre contos e noveletas, na ordem de apresentação seguinte: “No Amor e na Guerra” (Gerson Lodi-Ribeiro); “A Esfera Dourada” (Clinton Davisson); “Mádrax” (Maria Helena Bandeira); “Tempo Instável” (Jorge Luiz Calife); “Temos que Cumprir a Cota” (Letícia Velásquez); “Seu Momento de Glória” (Marcelo Jacinto Ribeiro); “Logan Marshall” (Larissa Caruso); “Ganimedes” (Hugo Vera); e “Pendão da Esperança” (Flávio Medeiros Jr.).
[3].  Gravação via Skype para o podcast de Fábio M. Barreto, braço armado de ficção científica brasileira em Hollywood, sobre Space-Opera, o subgênero e a antologia em si, com participações minha e do Clinton Davisson.
[4].  No âmbito da história alternativa, dialoguei com essa celeuma há coisa de vinte anos, ao colocar um Comandante Barbosa em minha noveleta “A Ética da Traição” (in O Atlântico Tem Duas Margens, julho de 1992, e Isaac Asimov Magazine # 25, janeiro de 1993).  Só que ali o comandante do submarino de ataque brasileiro não chega a aparecer como personagem, sendo apenas citado pelos demais.
[5].  Reputo “Pendão da Esperança” como um dos dois melhores textos de primeiro contato da ficção científica brasileira.  O outro é, em minha opinião, “O Molusco e o Transatlântico”, do próprio Bráulio Tavares, publicado em Vinte Voltas ao Redor do Sol (Clube de Leitores de Ficção Científica, 2005).