terça-feira, 8 de novembro de 2016

Max Mallmann
(1968-2016)

201611051450P7 — 20.574 D.V.

“Veni cum papa!”
(Desiderius Dolens, protagonista de O Centésimo em Roma.)


Conheci Max Mallmann na tarde de 08 de novembro de 1997, sábado, primeiro dia da quinta e última InteriorCon, convenção de literatura fantástica organizada por Roberto de Sousa Causo em Sumaré, cidadezinha do interior de São Paulo.
No primeiro papo, Max me presenteou com um exemplar autografado do seu Mundo Bizarro, romance fix-up de ficção científica disfarçado de fantasia, que havia publicado no ano anterior.  Àquela época, o autor assinava seus trabalhos como Max Mallmann Souto-Pereira.
Após o jantar num restaurante local com a presença de Bruce Sterling, convidado internacional da InteriorCon, regressei à escola onde se dava o evento e encontrei o escritor André Carneiro proferindo a palestra que constituía sua participação principal na convenção.  Extenuado naquele dia de agenda cheia, desde a viagem de carro do Rio de Janeiro até o interior de São Paulo, resolvi abrir mão da palestra do decano, última atividade oficial da noite, saindo para aguardar seu término do lado de fora da escola.  Ali encontrei, em situação idêntica e disposição de espírito similar, o novo amigo gaúcho Max Mallmann.  Sábia decisão.  Pois, a partir daquele segundo bate-papo — onde pudemos conversar sobre processos de criação literária e a liberdade do autor para escrever sobre as narrativas que deseja contar — estabelecemos nossa amizade.
Finda a palestra, eu e Max coletamos os amigos Carlos Orsi Martinho, Marcelo Simão Branco e Leonardo Nahoum, para ir até um barzinho.  Conduzidos por nosso “guia nativo” William Mündel, encontramos um sítio adequado para bater papo até cerca de três da manhã.  Max nos contou então de seus sonhos de escrever e publicar seus livros por uma grande editora e se tornar roteirista da Rede Globo.  Sonhos que lograria concretizar ao longo da década seguinte.
Na manhã de domingo, a primeira atividade oficial da InteriorCon foi a palestra “Ficção Científica e História”, proferida por Max Mallmann.  Apesar do título, os temas abordados foram o mercado editorial para a literatura fantástica no Rio Grande do Sul e a mecânica do seu processo criativo.  Por insistência dos presentes, falou um pouco sobre suas próprias obras.  Além de Mundo Bizarro, à época ele já havia escrito o romance de ficção científica Confissão do Minotauro, publicado uma década antes, quando Max possuía apenas dezenove anos.[1]  Depois do almoço, ele ainda participaria de um painel denominado “Contato Imediato com o Fandom”, em companhia dos escritores Daniel Fresnot, Guilherme Kujawski, Sergio Kulpas e Ataíde Tartari.

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Menos de dois anos mais tarde, contratado pela Rede Globo, Max se mudaria para a cidade do Rio de Janeiro em companhia da esposa, a escritora e poeta, Adriana Lunardi.  Ingressou-se de forma harmônica à comunidade carioca de FC&F, a ponto de se tornar o representante oficial do CLFC-RJ na década de 2000.
Em novembro de 2000, dava-se o lançamento de sua novela de fantasia Síndrome de Quimera, primeiro livro dos quatro que publicaria pela prestigiosa editora Rocco.  Alguns poucos já conheciam a primeira metade dessa novela que acabou abiscoitando o Prêmio Argos 2001 na categoria Melhor Ficção Longa, além de ter sido indicada como finalista do Prêmio Jabuti na categoria Melhor Romance, feito até então inédito para um texto de literatura fantástica.  Pois, já em 1998, Max havia submetido aquela metade inicial ao crivo da Oficina Literária Virtual, esforço que desenvolvemos com a participação de outros autores do fantástico lusófono, como João Barreiros; Roberto Causo; Hidemberg Alves da Frota; António de Macedo; Lúcio Manfredi; Carlos Orsi Martinho; Simone Saueressig; Luís Filipe Silva; dentre outros.  Mesmo ignorantes quanto ao fim da história, muitos de nós então intuímos estarmos diante de uma obra instigante e aguardávamos ansiosos pela publicação da mesma.
Max tornou-se merecidamente o centro das atenções na reunião mensal do CLFC-RJ, em novembro de 2000 na pizzaria Parmê do Largo do Machado, ao falar da Síndrome de Quimera.  Quatro dias antes do seu lançamento oficial na livraria Argumento do Leblon, a novela virou o assunto principal daquela tarde-noite regada por vinho, chope e pizzas.

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Em plena cerimônia de entrega do Prêmio Argos 2003, no SESC-Tijuca, Max Mallmann foi ungido e então aclamado por unanimidade como representante oficial do CLFC no Rio de Janeiro.  Compareceu ao evento de pé quebrado, bota ortopédica e par de muletas, após ter sido vítima da violência urbana carioca: uma dupla de trombadinhas lhe aplicou uma trombadona na Rua Barão da Torre, em Ipanema.  Max caiu de mau jeito e acabou quebrando o pé.  O pior foi que, apesar de existir elevador do SESC, o coitado foi obrigado a subir vários lances de escada até a Casa Rosa, sítio onde se desenrolou a cerimônia do Argos.  Naquela ocasião, Max nos mostrou um exemplar de seu novo romance, Zigurate, então prestes a ser lançado pela Rocco.  Considerei-o à época um candidato fortíssimo ao Argos 2004 na categoria Melhor Romance.  Infelizmente, a premiação foi descontinuada pela nova diretoria do CLFC e o romance não recebeu o reconhecimento merecido dos sócios da agremiação.
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Ao longo destas duas décadas de amizade e convivência, Max sempre prestigiou os amigos e a comunidade de FC&F carioca e brasileira com sua presença, seu senso de humor irônico e sua índole afável e conciliadora.  Houvesse o costume de batizarmos as verves da ironia como se fossem gládios famosos, aquela brandida com precisão cirúrgica por Max, com sua lâmina afiada e sua extremidade aguçada, tal como a espada de Arya Stark, devia ser chamada “Agulha”.
Max constituiu presença constante em convenções como as Fantasticons paulistanas e as Odisseias de Porto Alegre, bem como nos eventos oficiais do CLFC-RJ e das reuniões mais informais da comunidade carioca de literatura fantástica nos restaurantes e barzinhos da cidade ou, ainda, nos queijos & vinhos e demais bebemorações de caráter etílico que se desenrolavam nas residências dos amigos.  Sempre bem-humorado, invariavelmente divertido e acessível, sempre disposto e capaz de alegrar os amigos com suas tiradas espirituosas, suas colocações sutis e seus comentários mordazes sobre política, costumes, literatura e outros bichos mais.
Por tudo isto, mais do que por qualquer outra coisa, Max Mallmann fará falta e deixará saudades entre seus amigos cariocas e brasileiros, que granjeou tanto na comunidade literária quanto na de roteiristas do Rio de Janeiro.
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Na reunião carioca de agosto de 2008, no Manuel & Joaquim do Largo do Machado, Max nos apresentou ao roteiro do seriado Ilha de Ferro, recém-submetido à Rede Globo.  Então atuante, no núcleo de roteiristas do humorístico semanal A Grande Família, Max foi convidado a submeter um roteiro para uma nova minissérie ou seriado, junto com outros roteiristas da Globo.  Dos vinte e cinco roteiros gerados a partir daquele processo de seleção, dez passaram pelo primeiro crivo, dentre eles o do nosso amigo.  Ilha de Ferro fala das peripécias de um grupo de profissionais que trabalha numa das plataformas off-shore da Petrobras.  Ambiente que, até onde eu saiba, jamais foi explorado numa narrativa mais extensa do que um longa-metragem.  O ex-presidente do CLFC, Eduardo Torres, que é engenheiro químico da Petrobras, atuou como consultor e colocou o autor em contato com outros engenheiros que já haviam trabalhado em plataformas.  Após ficar de molho por quase uma década, o projeto recebeu enfim o sinal verde da direção da Globo.  Por ironia do destino, essa aprovação se deu numa época em que Max já havia sido diagnosticado com uma forma rara de câncer muscular.  Infelizmente, embora tenha escrito os roteiros dos episódios da primeira temporada, o autor não viveria para concretizar o sonho de ver um produto solo com sua assinatura nas telas da emissora.
Como roteirista da Globo desde 1999, Max integrou o time de redatores de Malhação (1999-2001), da novela Coração de Estudante (2002) e das séries Carga Pesada (2004) e Grande Família (2005-2014), sendo, portanto, corresponsável pela criação dessa que constituiu uma das séries mais divertidas e saudosas da teledramaturgia brasileira.  Quando me encontrava com o Max num barzinho ou num queijos & vinhos, quase sempre conversávamos sobre as nuances dos enredos dos episódios da Grande Família, série de que eu era e ainda me considero um grande fã.
No que concerne à Ilha de Ferro, as notícias não poderiam ser mais alvissareiras.  Segundo a crítica televisiva Patrícia Kogut, em nota de sua coluna em 21 de setembro último:
“A série Ilha de Ferro, da Globo, terá 12 episódios.  Max Mallmann e Adriana Lunardi criam a trama, sobre petroleiros numa plataforma fictícia de produção de petróleo.  Os personagens viverão a tensão de trabalhar num local perigoso, com risco de explosões, e também conflitos de poder e histórias de amor.”
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Em 15 de abril de 2010, Max lançou O Centésimo em Roma, romance histórico instigante e original que considero seu melhor livro.  O evento se deu na livraria Travessa da Visconde de Pirajá e o autor inovou ao utilizar, no lugar de autógrafos, carimbos com ditos sacanas espirituosos em latim.
O intervalo de sete anos entre a publicação de Zigurate e esse romance deveu-se provavelmente ao trabalho de pesquisa caudaloso que o autor empreendeu, lendo e digerindo quase uma centena de livros sobre Roma Antiga ao se preparar para a empreitada.
Não julgo O Centésimo em Roma e sua continuação As Mil Mortes de César, lançado quatro anos mais tarde, apenas romances históricos brilhantes, mas, simplesmente, os dois melhores romances históricos já escritos no Brasil e, possivelmente, os dois romances históricos mais bem escritos e mais divertidos dentre os ambientados em Roma Antiga.
Max estava escrevendo um terceiro romance nesse mesmo universo ficcional protagonizado por Desiderius Dolens, o Carniceiro de Bonna.  A escrita ainda estava no início quando a morte intempestiva bateu à sua porta.
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Em outubro de 2015, Max surpreendeu seus amigos mais próximos quando nos convidou para seu jantar de aniversário no bar Belmonte do Jardim Botânico.  Porque, ao chegar ao local, deparamo-nos com sua calva reluzente, arauta de notícias funestas.  Havia contraído uma forma rara de câncer nos tecidos musculares, mais especificamente no músculo da coxa.  Embora a moléstia já houvesse produzido metástase, a equipe de oncologistas que acompanhava o tratamento mostrava-se otimista.
A notícia nos pegou de surpresa e todos à mesa se sentiram bastante abalados diante das perspectivas ruins.  Uma exceção notável foi o próprio aniversariante, que se exibiu confiante e otimista.
Dois meses mais tarde, por ocasião da cerimônia de entrega do Prêmio Argos 2015 na cúpula do Planetário da Gávea e no banquete comemorativo que se seguiu, Max comunicava aos amigos que o tratamento à base de quimioterapia fora bem-sucedido e que os médicos haviam declarado que ele se encontrava oficialmente no período de remissão.  Poucos sabiam, mas Max exercia o papel de mecenas anônimo dessa premiação.
Cerca de vinte dias atrás, recebi um telefonema insólito de um amigo comum, informando que Patrícia Mallmann, irmã caçula do Max, estava planejando uma festa-surpresa para comemorar o aniversário dele no hospital Copa D’Or.
— Ué, mas o Max está internado?
— Está, sim.  Mas, não é nada sério.  Foi submetido a uma pequena intervenção cirúrgica, mas passa bem.  Já saiu da UTI e está no quarto.  A Patrícia falou que seria legal comemorar o aniversário com ele.
— É mesmo?  Então, tá.
Naquela tarde ensolarada de terça-feira, 18 de outubro, saí do trabalho mais cedo e, meio acabrunhado, tomei o metrô na direção Copacabana.  Pelo visto, o câncer voltara.
Ao entrar no quarto do hospital, deparei-me com um Max Mallmann fisicamente debilitado, mas falante e bem-humorado, não obstante por vezes precisar usar uma máscara de oxigênio para conversar conosco.  Presenteei-o com um exemplar do meu Vita Vinum Est: História do Vinho no Mundo Romano, livro que ele me incentivou a escrever, ao afirmar diversas vezes que o utilizaria como subsídio para ambientar as narrativas de Desiderius Dolens.  Além da Adriana e da Patrícia, estiveram presentes a mãe de Max e outra irmã que eu ainda não conhecia, Roberta Mallmann, ambas vindas do Rio Grande do Sul para o aniversário.  Do pessoal da FC&F carioca, compareceram Ana Cristina Rodrigues, Eduardo Torres, Luiz Felipe Vasques e eu.  Muitos amigos da Globo também estiveram presentes.  Ao todo, calculo que éramos quase trinta pessoas.  Para controlar essa autêntica multidão, em termos de ambiente hospitalar, Adriana pediu que permanecêssemos no quarto apenas três de cada vez.  Apesar do bom humor e da fleugma do Max, havia certo clima de despedida no ar.  Descemos os quatro no mesmo elevador e sentamos numa mesa do Cafeína aberto no térreo do hospital para rememorar nossa amizade com o Max.  À época, não sabíamos que ele já estava com um pulmão inoperante e o outro funcionando com apenas metade da capacidade.
Mesmo assim, quando recebi uma mensagem de WhatsApp ontem às oito da manhã para avisar do falecimento do nosso amigo, no primeiro instante precisei me esforçar um bocado para acreditar.  Infelizmente, era verdade: Max Mallmann faleceu aos 48 anos, em pleno auge da carreira como escritor e roteirista, na madrugada de ontem, sexta-feira, dia 04 de novembro de 2016.
Ontem à noite, triste e saudoso, afoguei meu desânimo numa garrafa de Clos Apalta 2008, o mesmo tinto chileno magnífico que bebi com o Max, Edu Torres e Flávio Medeiros num dos últimos eventos em que reunimos os amigos aqui em casa.
Mais concorrido do que a família pretendia, o velório se deu nesta manhã, na Ordem do Carmo.  Estiveram presentes a família, com exceção de Renata Mallmann, irmã mais nova que Max, e mais velha que Roberta e Patrícia, residente nos EUA (ela conversou conosco e com muitos outros presentes à cerimônia via Skype), e muitos, muitos amigos dos milhares que esse sujeito amável, inteligente e simpático congregou ao longo da vida.  Na maioria daqueles que compareceram para lhe prestar a última homenagem, notava-se certo sentimento de revolta e perplexidade: por que um cara tão bacana quanto o Max teve que morrer tão jovem quando há tanta gente ruim vendendo saúde por aí?
Por volta das 13h00, quando os funcionários do cemitério já estavam prestes a levar o féretro para o crematório, A mãe do Max pediu uma salva de palmas para o filho.  Os presentes aplaudiram por quase dois minutos emocionantes.  Como nova última homenagem, Patrícia pediu nova salva de palmas para o irmão e nós aplaudimos por noventa segundos seguidos.
Enfim, o féretro que permanecera fechado durante todo o breve velório foi levado pelos funcionários e nós nos despedimos, tristes e chorosos.

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Vários amigos insistiram em afirmar que Max Mallmann se foi no auge de sua vida e carreira.  Não creio.  Pois, não fosse essa partida intempestiva, com sua capacidade e talento, ele decerto galgaria píncaros mais elevados.  O fato é que deixará muitas saudades e uma comunidade carioca de literatura fantástica menos inteligente, menos bem-humorada e menos alegre.  Como diria Billy Joel, “só os bons morrem jovens”.

Jardim Botânico, Rio de Janeiro, 05 de novembro de 2016 (sábado).


2000 - Churrasco Natalino do CLFC-RJ na Stylus.


2003 - Queijos & Vinhos com Libby Ginway.



2005 - Queijos & Vinhos.



2006 - Planejando a Dominação Global no Belmonte da Lapa.


2008 - ITAÚ Invisibilidades II: Mesa FC Pós-Moderna.


2008 - Confraternização no Manuel & Joaquim.


2009 - Reunião no Cabidinho.


2009 - Reunião no Estação Gourmet.


2010 - Bazinga! (sabre de luz por cortesia de Clinton Davison).


2010 - Lançamento de O Centésimo em Roma na Travessa de Ipanema.


2010 - Comemoração do Centésimo no Estação Gourmet.


2010 - Jantar na Fantasticon.


2010 - Queijos & Vinhos Natalino.



2011 - Reunião no Estação Gourmet.


2011 - Mesa-Redonda na Fantasticon.


2012 - Queijos & Vinhos com Flávio Medeiros.


2012 - Lançamento da coletânea da "Carla Cristina" na Blooks.


2013 - Lançamento da antologia Espada & Magia na Travessa de Ipanema.


2013 - Odisseia Fantástica, almoço no Bistrô do Museu.


2013 - Odisseia Fantástica: Leitura de O Centésimo em Roma.


2014 - Reunião no Estação Gourmet com Raul Avelar.


2014 - Mesa-redonda na Odisseia Fantástica.


2015 - Aniversário do Max no Belmonte, Jardim Botânico.


2015 - Jantar do Argos no Espaço Culinare (ex-Estação Gourmet).



2015 - Argos: Cerimônia de Premiação.
















Microrresenhas dos Livros de Max Mallmann:

1) Confissão do Minotauro (Instituto Estadual do Livro, 1987).
ð Romance de ficção científica.  Observador histórico com tendências suicidas embarca numa imensa fortaleza espacial dos Mundos Periféricos, entidade interestelar sob a égide humana, prestes a ser atacada pelos respiradores de amônia da Confederação Phin.  A fortaleza espacial é tripulada por milhões de indivíduos pertencentes a diversas espécies inteligentes respiradoras de oxigênio e governada por um megacomputador neurótico com dupla personalidade.  Max Mallmann juvenil apresenta uma FC hard inteligente e relativamente adulta.

2) Mundo Bizarro (Mercado Aberto, 1996).
ð Ficção científica com roupagem de fantasia.  Aventuras políticas, militares, amorosas e diplomáticas de Krysio V, novo monarca do Reino de Gavorya, no planeta Ruydia, auxiliado em suas maquinações maquiavélicas por Zé Carlos, um humano da Terra que caiu em Ruydia após cruzar uma fenda dimensional com seu automóvel.  O romance é antes um fix-up de duas noveletas e uma novela.  Divertido e de leitura compulsiva.

3) Síndrome de Quimera (Rocco, 2000).
ð Novela de fantasia.  Homem com cascavel enrodilhada no coração associa-se com um amigo, que é capaz de retirar o cérebro quando estressado, a fim de abrir café-livraria em Porto Alegre, reunindo como clientela outras criaturas exóticas e anomalias genéticas.  O enredo se complica quando aparecem Falena, uma jovem de olhos luminescentes e o pai do protagonista, um rato gigante de 300 kg que costuma se alimentar de carne humana.

4) Zigurate (Rocco, 2003).
ð Romance de ficção científica.  Em seus últimos meses de vida, doutoranda francesa portadora de moléstia incurável tropeça, em meio à pesquisa de sua tese, na existência de um casal de imortais que compartilha a Terra com a humanidade desde antes do alvorecer da história.  Desesperada para desvendar o mistério antes de morrer, ela parte de Paris para Edimburgo em busca do homem imortal.  Paralelamente, depois que um gênio do marketing eleitoral norte-americano morre no Rio, após receber felação de uma puta local, o assistente dele se vê envolvido com a mulher imortal, que trabalha na agência encarregada da campanha política de um candidato, dublê de deputado federal e traficante de armas, primeiro ao Senado e depois à Presidência.  Quase toda a ação se concentra no Rio de Janeiro e em torno da mulher imortal, ao passo que quase todas as revelações sobre a origem obscura dos imortais se concentram em Paris e Edimburgo, em torno da pesquisadora moribunda.

5) O Centésimo em Roma (Rocco, 2010).
ð Tour-de-force de Max Mallmann.  Melhor romance histórico já escrito no Brasil.  Um dos melhores romances históricos jamais ambientados em Roma.  Centurião Desiderius Dolens, vulgo Carniceiro de Bonna, regressa à Roma vindo da Germânia no fatídico ano dos quatro imperadores (68 A.D.) e recebe o comando de uma guarnição das coortes urbanicianas, posto aquém de suas ambições de ascender ao patriciato.  Divertido e original.

5) As Mil Mortes de César (Rocco, 2014).
ð Continuação de O Centésimo em Roma.  Quase tão bom quanto o romance anterior.  Desiderius Dolens prossegue em suas aventuras, envolvendo-se cada vez mais profunda e inexoravelmente na guerra civil entre os candidatos ao posto de imperador, Vitélio e Vespasiano.  Mallmann magistral.

7) Tomai e Bebei (Aquário Editorial, 2015).
ð Noveleta de horror.  Em fins do século XIX, padre beberrão do interior se depara com um crime bizarro após a chegada de um bispo misterioso e seu criado anão numa noite de tempestade.  Max Mallmann torna o clichê surrado numa narrativa palatável com clima de horror clássico.





[1].  Embora Max tenha mais tarde tentado renegar esse filho primogênito, atribuindo suas pretensas falhas aos arroubos criativos juvenis (em seu autógrafo, pontificou “Para Gerson, com vergonha de minhas tosquices de juventude.  Um abraço do Max”), não creio que haja motivos para se envergonhar desse romance de ficção científica hard elaborado com estilo inteligente e maduro, sobretudo, quando se considera a idade do autor à época de sua escrita e publicação.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Dinossauros na Bienal 2016

Lançamento da Dinossauros na Bienal do Livro 2016

201609032359P7 — 20.512 D.V.

“— Se essa moda pega, como vou fazer com meu universo Reinos Eternos? — Beraldo, preocupado.
Ainda bem que publiquei o Guardiã da Memória quatro anos atrás. — GL-R, aliviado. — Eu não ia ficar bem de Clara e, quanto a um centauro... bem, é melhor nem pensar nessas coisas.”
(conversa sobre a perspectiva de que todos os autores da Draco tenham que montar cosplays sobre seus respectivos romances)


Compareci hoje no estande da Draco na Bienal do Livro 2016, em São Paulo, numa espécie de passagem-relâmpago para o lançamento da antologia Dinossauros, que organizei para a editora em meados de 2014 para publicação no segundo semestre deste ano.
Acordei quase duas horas antes do amanhecer para me preparar com calma para a viagem bate e volta à capital paulista.  No início da manhã desse dia ensolarado de inverno carioca, chamei um Uber e cheguei ao aeroporto Santos Dumont sem incidentes.  Como já havia feito o check-in, imprimido o bilhete de embarque de véspera e não precisava despachar bagagem, passei direto para a área de embarque.  Com tempo de sobra, sentei perto do portão correto e aproveitei para responder mensagens no celular e ler alguns capítulos do romance O Cair da Noite (Record, 1990), de Robert Silverberg, baseado na noveleta clássica homônima de Isaac Asimov.  Leitura inspirada pela análise do romance Esplendor (Draco, 2016) na sessão do Vórtice Fantástico no sábado passado.  Aliás, o romance de Silverberg me acompanharia nos táxis, salas de espera e aeronaves ao longo do dia.
O voo da Gol G-1007 decolou no horário e chegou a São Paulo às 09h00, quinze minutos antes do previsto.  No aeroporto de Congonhas, caminhei até o guichê de táxis comuns e, com o excesso de autoconfiança proverbial que me é peculiar e que ainda será a minha ruína, limitei-me a afirmar para a atendente que precisava de um táxi para me levar à Bienal.  Dito e feito.
Vinte minutos mais tarde, desembarcava do táxi no Parque Ibirapuera lépido e fagueiro, confiante de que me encontrava no lugar certo, pois, afinal, várias placas, faixas e setas esclareciam que ali se desenrolava a Bienal.  Credencial a mão, rumei para a entrada e fui gentilmente desiludido pela equipe de recepção: ali se dava a Bienal das Artes...  A Bienal do Livro se abriga no Parque Anhembi, muitos quilômetros dali.  Felizmente, os seguranças do local se apiedaram de minha ignorância carioca e solicitaram novo táxi para mim.  Outros trinta minutos de viagem e, agora sim, chegava à Bienal correta.

Capa da antologia Dinossauros.


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Apesar dos percalços, cheguei ao Anhembi às 10h00, hora em que o penúltimo dia da Bienal do Livro 2016 abria suas portas ao público.  A fila de visitantes estava colossal.  Porém, com minha credencial de autor em punho, dirigi-me orgulhosamente a uma segunda fila, apenas marginalmente enorme.  Ali, fui barrado por um segurança, que afirmou que minha credencial era de visitante e não de autor.  Constatei que essa afirmação estava de fato correta.  Embora houvesse me cadastrado como autor na antevéspera, na versão impressa da credencial constata claramente visitante.  Imbuído de paciência infinita, expliquei àquele primeiro segurança que, não obstante a informação da credencial, eu era um autor e, inclusive, iria lançar um livro hoje e que era capaz de provar.  Atrapalhado com meu problema e, sobretudo, com o fato de eu estar entupindo a fila de acesso de credenciados, o segurança empurrou o problema para a instância superior, orientando-me a prosseguir até a central de segurança do evento.  Nessa central, expliquei o problema com clareza e serenidade, e fui autorizado a ingressar no pavilhão que abriga a Bienal do Livro sem nem ao menos precisar apresentar livro(s) de minha autoria.[1]  Na catraca da entrada, o funcionário olhou para minha credencial com cara feia e tentou me barrar, mas alguém da central de segurança gesticulou para ele, autorizando-o a facultar meu acesso.
Àquela hora, 10h20, as aleias e corredores da Bienal ainda estavam relativamente transitáveis, de forma que não houve maiores dificuldades em descobrir o estande da Draco, no número 070 da Rua “N”.  Ao contrário do que se deu no ano passado no Riocentro, lá em Sampa a Bienal se instalou num único pavilhão, maior do que qualquer um dos três que abrigaram a Bienal do Livro 2015 no Rio de Janeiro, mas menor em espaço total.  Não sei o que os paulistanos têm a dizer, mas, da minha opinião de turista, julguei o acesso ao Parque Anhembi hoje bem mais fácil e civilizado do que as touradas para alcançar o Riocentro durante a Bienal do Rio no ano passado, em pleno canteiro de obras das Olimpíadas.
Desta vez, a Draco está num estande maior, com mais do que o dobro da área do estande do ano passado.  Em compensação, dividiu o espaço com a editora Jambô, especializada em livros RPG com temáticas fantásticas.  Tanto Erick “Sama” Cardoso, proprietário da Draco, quanto Paloma Ceresani da Jambô pareceram bem à vontade com o acordo, talvez porque o conjunto-interseção dos públicos-alvo das duas editoras seja relativamente robusto.  Em diversas ocasiões vi leitores selecionando livros do lado direito do estande (Jambô) e do lado esquerdo (Draco), para então se dirigirem indiscriminadamente para uma das duas caixas de pagamento, onde eram orientados a quitar os produtos de cada editora em sua respectiva caixa.
Ao chegar à Draco, encontrei o publisher Erick Sama, sua mãe Isilda Moraes, que eu já havia conhecido na Bienal do Rio, e a autora e amiga carioca Ana Lúcia Merege.  Minha primeira providência após cumprimentá-los foi pôr minhas mãos ávidas num exemplar da antologia Dinossauros, que ainda não havia visto.  Orgulhoso pela beleza dessa cria caçula e a qualidade do acabamento (a Draco se superou mais uma vez!), fiz uma coisa que não é do feitio deste velho dinossauro: postei uma foto de sua bela capa no Facebook.  Mais de cento e cinquenta curtidas em poucas horas.

GL-R e antologia Dinossauros.

Autografando a Dinossauros.


Sinto que a Draco está crescendo e evoluindo, em vários sentidos.  É a segunda Bienal do Livro seguida de que participa.  Isto, para não falar nos eventos menores, nos quais também é presença assídua.  A perseverança e abnegação do proprietário começam a render frutos suculentos.  Quem sabe não estamos vivendo o início do apogeu de uma era do Dragão?
Pouco mais tarde, chegava o casal Eduardo Massami Kasse e Estela Burdin.  Aproveitei a oportunidade para conversar bastante com o Edu a respeito de nossas ideias para escrever romances históricos com e sem elementos fantásticos.  Falei de minha ideia, ainda embrionária, de escrever um romance histórico sobre a Guerra do Paraguai mais ou menos ao estilo de Michael Shaara em The Killer Angels (Ballantine, 1974).  Edu me incentivou bastante a prosseguir com o projeto, que só deverá decolar por volta de 2018 ou 2019.

Isilda Moraes, Eduardo Kasse e Raphael Fernandes.

GL-R e Erick Sama.


Paulo Elache, amigo da velha guarda do CLFC e da Intempol, brindou-me com sua presença no estande da Draco e adquiriu seu exemplar autografado da Dinossauros e a nova coletânea de Carlos Orsi Martinho, Mistérios do Mal (Draco, 2016), que colige os melhores trabalhos de horror que o autor produziu na década de 1990.  Conversamos muito sobre os velhos tempos heroicos da FCB, as convenções, os bate-papos divertidos à mesa de barzinhos e trocamos novidades sobre vários amigos comuns da comunidade.  Elache trouxe consigo o amigo Paulo Teixeira, com quem conversamos sob podcasts que falam de literatura fantástica em geral e do PodEspecular e do Leitor Cabuloso em particular.  Teixeira adquiriu um exemplar autografado de Estranhos no Paraíso.

Paulo Elache e GL-R.


Outro amigo velha-guarda que compareceu ao estande da Draco para adquirir sua Dinossauros foi Sergio Lins da Costa, um dos sócios fundadores do CLFC.  Não via o Serginho desde uma das últimas Fantasticons, coisa de quatro ou cinco anos atrás.  Desta vez, meu amigo compareceu escoltado por sua filha e pela netinha.  Confessei às meninas que já conhecia seu pai e avô antes do nascimento da mais velha, provocando certa surpresa e uma pitada de confusão momentânea.
Dentre os autores participantes da antologia Dinossauros, Rodrigo van Kampen foi o primeiro a comparecer no estande da Draco.  Mais tarde, ao longo do dia, apareceram João Beraldo; Bruno Anselmi; Flávio Medeiros e Sid Castro.[2]  Consegui coligir autógrafos dos cinco autores presentes ao evento em meu próprio exemplar da antologia.
Além de adquirir as edições impressas dos dois livros de referência do Antonio Luiz Costa — Títulos de Nobreza e Hierarquias (Draco, 2014) e o recém-lançado Armas Brancas — e da nova coletânea do Carlos Orsi Martinho, aproveitei meu desconto de autor para comprar também o novo romance de João Marcelo Beraldo, Último Refúgio (Draco, 2016), ambientado no mesmo universo ficcional de seu romance anterior, Império de Diamante (Draco, 2015), a narrativa se passa em Myambe, o continente original da humanidade, sendo calcada nos mitos, na história e no folclore das culturas africanas.  Gostei muito desse trabalho anterior e o considero esse texto original e bem escrito um forte candidato ao Argos deste ano na categoria Melhor Romance.

GL-R e João M. Beraldo.

Edu Kasse, Flávio Medeiros, Hugo Vera, GL-R e João Beraldo.

Hugo Vera, GL-R e Carlos Orsi.

GL-R, Sid Castro, Carlos Orsi, Hugo Vera, Marcelo Galvão e Flávio Medeiros.


O casal Bruno Anselmi e Carol Chiovatto também apareceu no estande da Draco, recém-chegados da pós-graduação dele no exterior, após uma ausência de um ano em Portugal e na França.  Bruno contou que a experiência foi muito proveitosa.  Também revi Cláudia Dugin, para quem autografei o prefácio da antologia Space-Opera 2, e conheci pessoalmente Vanessa Straioto, com quem já conversava via Facebook há tempos, e para quem tive o prazer de autografar um exemplar de meu romance de história alternativa Aventuras do Vampiro de Palmares (Draco, 2014).
Outra presença marcante nesta tarde de Bienal foi a de Flávio Medeiros, vindo direto de Belo Horizonte e que chegou após enfrentar cerca de noventa minutos de filas(!) até alcançar o estande da Draco.  Flávio me falou de um filme impressionante que assistiu há pouco tempo no Netflix, Ele Está de Volta (2015), narrativa fantástica em que Adolf Hitler reaparece sem maiores explicações em plena Berlim de hoje em dia e conquista rapidamente a atenção da mídia alemã e global, numa comédia crítica que levanta questões relevantes sobre a Alemanha e a Europa Ocidental contemporâneas.  Preciso assistir.
Flávio também nos descreveu, com riqueza de detalhes gustativos e salivares, sua recente viagem enogastronômica ao Uruguai, onde caiu de boca nos deliciosos churrascos dos restaurantes de Montevidéu e degustou tintos saborosos elaborados com a casta Tannat. 

Camisa de Flávio Medeiros faz sucesso.


Quem também apareceu no estande da Draco com sua indefectível camisa da antologia Space-Opera foi o antologista e autor Hugo Vera, com quem conversei bastante, matando as saudades, pois há muito tempo não o via.  Pouco mais tarde, chegava o casal Carlos Orsi & Renata Martinho, no instante exato em que Flávio Medeiros perguntava por eles e eu lhe respondia que eles haviam confirmado presença.  Aproveitei a oportunidade para pedir autógrafo em sua nova coletânea de contos de horror.
Beraldo e vários outros amigos comentaram que no sábado anterior, a Bienal do Livro não estava tão lotada quanto hoje.  Marcelo Galvão, Hugo Vera e diversos outros amigos me indagaram sobre como foi a experiência de viver durante quase um mês numa Cidade Olímpica.  Expliquei-lhes que a experiência foi válida, — pelo menos, da perspectiva de Conan o Bárbaro — porque, afinal, nós sobrevivemos.  Falei dos problemas de trânsito, locomoção e dos negócios e assuntos da cidade parados ao longo desse período.  Pelo lado positivo, destaquei que ninguém contraiu o vírus da zika, que os problemas de violência urbana foram em menor número e menos graves do que o normal (embora a imprensa lhes desse destaque maior) e que, ao fim e ao cabo, eles devolveram nossa cidade amada praticamente incólume.
Reencontrei Randolfo Medeiros, que me relatou novidades picantes sobre as aventuras de Mr. President Clinton nas plagas de Juiz de Fora.  Infelizmente, as mesmas são impróprias para menores de quarenta anos, além de passíveis de processos por injúria, calúnia e difamação, de forma que — excepcionalmente — não serão transcritas aqui.J
Também reencontrei as jovens autoras de fantasia da Draco, Melissa de Sá, Karen Álvares e Vivianne Fair.  Esta última, acompanhada pelo marido, fez um cosplay inspirado nos personagens de seus livros, desempenho que causou sensação, atraindo grande quantidade de público para o nosso estande.  Eu e Beraldo brincamos com os demais autores da casa, inventando que, de agora em diante, Erick exigirá que todos façamos cosplays de nossas narrativas ficcionais.  Beraldo emulou preocupação ante a possibilidade de encarnar os personagens de seu U.F. Império de Diamante.  Já eu suspirei aliviado ao me lembrar que já havia publicado meu Guardiã da Memória cinco anos atrás: escapei da ação lasciva dos tentáculos...

Cosplayers do U.F. de Vivianne Fair.


Alguns autores da ala de livros da Draco, enciumados com as atenções que a editora concede à ala de HQ, exigiu que o Imperador Ming Sama determinasse um julgamento por combate, no velho estilo de Game of Thrones, para dirimir a disputa.  Raphael Fernandes foi prontamente escalado como campeão da facção dos HQ, ao passo que eu fui indicado como cavaleiro da triste figura da causa dos livros.  Ainda tentei convencer meus amigos de que eu não constituía uma boa escolha, em virtude de minha idade provecta dinossáurica, cansaço momentâneo, covardia crônica e outros que tais, mas meu grande e fiel amigo Carlos Orsi Martinho acorreu ao meu socorro ou, pelo menos, em defesa de minha causa, lembrando aos membros de nossa facção que eu era o único presente que possuía experiência militar.  Felizmente, para minha saúde, o assunto não foi adiante.
Falando sério, ao longo de toda a tarde, Ana Merege, Edu Kasse, Estela Burdin, Dana Guedes e Raphael Fernandes trabalharam incansavelmente para atender todas as demandas do estande com a eficiência draconiana que já se tornou legendária.  Empenho profissional.
Quase na hora da minha partida, o autor Tiago Toy compareceu ao estande da Draco e Erick o apresentou aos demais, mas não houve oportunidade de conversar com ele.  Outra amiga com quem não tive tempo de conversar foi Dana Guedes.
*     *      *

Por volta das 17h00, despedi-me dos amigos e caminhei para a saída da Bienal.  Nesse instante, o pavilhão estava lotadíssimo, de forma que foi necessário exercer a nobre e sutil arte milenar das fintas, dribles, negaceios e desvios abruptos a fim de cortar caminho através da turba sem esbarrar em (quase) ninguém.
Uma vez fora do pavilhão (ufa!), resfolegante, consegui pegar um táxi em menos de dez minutos na fila.  Quarenta minutos mais tarde e sessenta reais mais pobre, saltava no aeroporto de Congonhas.  Bem que os amigos paulistanos comentam que as corridas em Sampa são as mais caras do Brasil.  Passei logo para a área de embarque e sentei junto ao meu portão para desfrutar de um período de leitura tranquila, enquanto a equipe de terra da Gol não convocava o embarque do meu voo.  Durante essa permanência, constatei ter esquecido meu casaco de estimação do Jardim Botânico no estande da Draco.  Entrei em contato com o Erick e o Edu Kasse por WhatsApp.  Felizmente, ele foi encontrado.  Ana Merege o trará para o Rio quando vier para cá amanhã.
O voo G-1054 transcorreu de forma tranquila com a duração irrisória de 36 minutos.  Tanto na ida quanto na volta, a Gol serviu um sanduíche nessa viagem curta.  Tanto na ida quanto na volta, usamos um ônibus para ter acesso as aeronaves no Santos Dumont e um finger para fazê-lo em Congonhas.
Desembarcando no Rio, ainda aferrado à leitura de O Cair da Noite, peguei um táxi no aeroporto e, vinte minutos mais tarde, chegava em casa.  Bate e volta é isto aí!
Jardim Botânico, Rio de Janeiro, 03 de setembro de 2016 (sábado).


Participantes:
Ana Lúcia Merege
Bruno Anselmi Matagrano
Carlos Orsi Martinho
Carol Chiovatto
Cláudia Dugin
Dana Guedes
Eduardo Massami Kasse
Erick Cardoso
Estela Burdin
Flávio Medeiros
Gerson Lodi-Ribeiro
Hugo Vera
João Marcelo Beraldo
Isilda Moraes
Karen Álvares
Marcelo Galvão
Melissa de Sá
Paloma Ceresani
Paulo Elache
Paulo Teixeira
Randolfo Medeiros
Raphael Fernandes
Renata Martinho
Rodrigo Fernandes
Rodrigo van Kampen
Sergio Lins da Costa
Sid Castro
Tiago Toy
Vanessa Straioto
Vivianne Fair




[1].  Como paranoia pouca é bobagem, apenas por medida de segurança, levei um exemplar de meu romance Estranhos no Paraíso (Draco, 2015) na mochila.
[2].  A Dinossauros abre com meu ensaio introdutório “Dinossauros e Outros Bichos Mais...”, que é uma versão atualizada do texto que escrevi para introdução de uma outra antologia sauriana, a Dinossauria Tropicália (GRD, 1994), organizada por Roberto de Sousa Causo.
Segue abaixo a ordem de batalha dos contos e noveletas da Dinossauros:
“Garota-Dinossaura e os Especistas” (Gerson Lodi-Ribeiro);
“Bandeirantes & Dinossauros” (Sid Castro);
“Atavismo – Um Estudo” (Bruno Anselmi Matagrano);
“Civilizado” (João M. Beraldo);
“Garra e Dente” (Nuno Almeida);
“O Domo, o Roubo e o Guia” (Roberta Splinder);
“Os Filhos que Te Dei, Oxalaia” (Cirilo Lemos);
“Homossauros” (João Raphael Ramos dos Santos);
“Pampa” (Priscila Barone);
“Pérola Intocável” (Félix Alba);
“Pobre Al” (Rodrigo van Kampen);
“O Relatório Veio do Espaço” (A.Z. Cordenonsi);
“Senhora Müller Vai de Ônibus” (Simone Saueressig);
“Uma Família Feliz” (Flávio Medeiros);
“Ainda Além de Taprobana” (Antonio Luiz M.C. Costa); e
“Emissários de Nêmesis” (Gerson Lodi-Ribeiro).
Minha noveleta que abre a antologia é uma prequel da novela “Emissários de Nêmesis”, que fecha a antologia, assim como fechou a Dinossauria Tropicália, e que é republicada no Brasil após 22 anos.