quinta-feira, 3 de abril de 2014

A Saga do Salteador

Concluí há coisa de um ano a saga iniciada exatos treze anos atrás quando escrevi “Capitão Diabo das Geraes”, uma noveleta de história alternativa passada na linha histórica Três Brasis, publicada originalmente na antologia Phantastica Brasiliana, que organizei com Carlos Orsi Martinho para a editora Ano-Luz.

Capa e contracapa da antologia Phantastica Brasiliana (Ano-Luz, 2000).


Desejava escrever um trabalho de história alternativa no universo ficcional que havia estabelecido cinco anos antes para a novela “O Vampiro de Nova Holanda” (abril 1994)[1] e que eu já havia revisitado na noveleta “Assessor Para Assuntos Fúnebres” (agosto 1995)[2] e, naquele primeiro semestre de 1999, eu estava ouvindo bastante o CD áudio Ten Easy Pieces, do Jimmy Webb, particularmente a música “The Highwayman”, que, além de uma melodia belíssima, possui uma letra inspiradora que, como diversas outras letras desse compositor, parece falar direto aos amantes de ficção científica e fantasia.
Ou, no caso, de história alternativa.
Porque, prestando atenção na letra de “The Highwayman” (algo como “O Salteador” em português), senti que tinha tudo a ver com o personagem que atua como protagonista de “O Vampiro de Nova Holanda”, Dentes Compridos, o último dos filhos-da-noite — um exemplar de vampiro natural (em oposição aos vampiros sobrenaturais) cuja espécie evoluiu como predadora de seres humanos.
Daí, retornei ao universo dos Três Brasis para escrever uma noveleta inspirada na primeira estrofe dessa obra-prima de Jimmy Webb, cuja letra original segue abaixo:

THE HIGHWAYMAN (Jimmy Webb © 1977)

I was a highwayman
Along the coach roads I did ride
With sword and pistol by my side
Many a young maid lost her baubles to my trade
Many a soldier shed his life blood on my blade
The bastards hung me in the spring of '25
But I am still alive

I was a sailor
I was born upon the tide
And with the sea I did abide
I sailed a schooner 'round the horn to México
I went aloft to furl the mainsail in a blow
And when the yards broke off they said that I got killed
But I am living still

I was a dam builder
Across the river deep and wide
Where steel and water did collide
A place called Boulder on the wild Colorado
I slipped and fell into the wet concrete below
They buried me in that great tomb that knows no sound
But I am still around...
I'll always be around, and around, and around, and around, and around...

I'll fly a starship
Across the Universe divide
And when I reach the other side
I'll find a place to rest my spirit if I can
Perhaps I may become a highwayman again
Or I may simply be a single drop of rain
But I will remain
And I'll be back again
and again, and again, and again, and again...

*     *     *

“Capitão Diabo das Geraes” (maio 1999) se inspirou na primeira das quatro estrofes de “The Highwayman”, aquela que apelidei “Salteador”[3].
Como poucos anos antes havia assistido a telenovela Chica da Silva na finada Rede Manchete e lido o romance histórico Chica que Manda (Itatiaia, 1966), de Agripa Vasconcelos, percebi que poderia ambientar a ação nos sertões de Minas Gerais de meados do século XVIII, mais especificamente, no Distrito Defeso do Tijuco dos tempos do Real Contratador dos Diamantes João Fernandes de Oliveira e sua mulata bem-amada, Chica da Silva.  Só que num sertão mineiro diferente, pois ao norte daquela província, havia um Estado que não existiu como tal em nosso mundo, a primeira nação soberana das Américas: Palmares, que já teria conquistado sua independência há coisa de setenta ou oitenta anos e se transformado de reino em república algumas décadas antes.

Miniatura mochica de divindade hematófaga pré-colombiana. Pseudoinspiração
para a saga do último filho-da-noite. Pois a novela "O Vampiro de Nova Holanda
foi escrita em 1994 e só descobri a divindade mochica  em janeiro de 2000...


Após atuar durante décadas como espião e agente secreto de Palmares, Dentes Compridos é enviado ao Tijuco com a missão de perturbar ou interromper o fluxo de diamantes que partia do distrito defeso para a metrópole portuguesa, em represália ao apoio velado de Lisboa à rebelião de colonos iorubas, assentados décadas antes pela elite palmarina na região da Primeira República então designada como “Bahia do Norte”.
Sob a alcunha de “Capitão Diabo”, o filho-da-noite lidera um bando de salteadores, em verdade, militares do bem treinado Exército de Palmares, cujo objetivo último consiste em persuadir a Coroa Portuguesa, lá representada na figura do Real Contratador dos Diamantes, a cessar sua intervenção na guerrilha que os iorubas travavam ao sul da República em prol da liberdade religiosa — visto que esses colonos professavam seus cultos africanos, em desacordo com as leis palmarinas, que adotaram a fé católica como religião oficial.  Tal persuasão se dá através de atos de terror contra as autoridades do Tijuco e a população do distrito.  A situação se agrava com a chegada do novo contratador, um vida-curta sagaz, oponente à altura da astúcia e experiência que Dentes Compridos acumulou ao longo de séculos de convívio com humanos de diversas etnias.
“Capitão Diabo das Geraes” foi publicada originalmente na antologia de história alternativa Phantastica Brasiliana (Ano-Luz, 2000) e será relançada no meu romance fix-up Aventuras do Vampiro de Palmares (Draco, 2013).
*     *     *

“Morcego do Mar” (abril 2003) se inspirou na segunda estrofe da música de Jimmy Webb, apelidada “Comandante”[4].
A motivação precípua para escrever essa novela foi o convite de César R.T. Silva para compor uma história alternativa mais encorpada para uma coleção de novelas que ele pretendia publicar sob a forma de livros-solo.  Infelizmente, o projeto não emplacou, mas, de todo modo, a novela foi escrita.  Com mais de 25 mil palavras, “Morcego do Mar” é de longe a maior das quatro peças literárias que compõem a Saga do Salteador.[5]
Agora a serviço da Primeira República, João Fernandes, vira-casaca e ganga branco de Palmares, é enviado para as Treze Colônias Inglesas em plena insurreição que culminaria na Guerra de Independência.  Uma vez lá, ele firma tratados para apoiar os rebeldes norte-americanos, só para descobrir que parte desse apoio consistia em embarcar na Morcego do Mar, fragata da Marinha Palmarina sob o comando de José Meia-Noite, que não é outro se não seu velho desafeto, o Capitão Diabo...
“Morcego do Mar” permanece inédita até hoje.  Será publicada em breve no Aventuras do Vampiro de Palmares (Draco, 2013).

Cenário Naval da novela "O Morcego do Mar", publicada em Aventuras do Vampiro de Palmares (Draco, 2014)

*     *     *

A inspiração para escrever “Consciência de Ébano” (maio 2006) veio da terceira estrofe de “The Highwayman”, aquela a que me refiro como “Engenheiro”[6].
Já a motivação surgiu com o convite para publicar um romance fix-up sobre as aventuras de Dentes Compridos para o selo Unicórnio Azul da editora Mercuryo, então sob comando de Fábio M. Barreto.  Embora o selo tenha publicado apenas dois títulos — a novela de ficção alternativa A Mão que Cria (Mercuryo, 2006), de Octavio Aragão, e minha coletânea de histórias alternativas Outros Brasis (idem) — embalado pelas perspectivas otimistas propaladas pela Unicórnio Azul, acabei escrevendo “Consciência de Ébano”.
Agora a ação se passa na primeira metade do século XIX.  Palmares dispõe de uma malha ferroviária extensa, seus cientistas aceitaram há décadas a Evolução pela Seleção Natural como fato concreto e seus engenheiros começam a cogitar aplicações práticas para a eletricidade.  Nesse clima de avanços científicos e tecnológicos, Dentes Compridos, ora na pele do engenheiro José Trevoso, propõe a construção da primeira represa hidroelétrica de história em pleno rio São Francisco.
No entanto, nem tudo são flores nos rincões da Primeira República.  Pois essa também é a história de João Anduro, neto de João Fernandes e membro do Círculo de Ébano, organização secreta criada pouco antes de Palmares se tornar uma república para proteger o segredo da existência de Dentes Compridos.  Anduro é um mbundo de lealdades divididas.  Por um lado, prestou juramento para defender o filho-da-noite com sua própria vida.  Por outro, julga a proteção que a pátria faculta ao monstro imortal uma abominação e considera a dependência que a República desenvolveu em relação à eficiência mortífera do protegido um sacrilégio.  Esse dilema ético atroz é a mola que propulsiona a narrativa da noveleta.
“Consciência de Ébano” foi publicada originalmente na antologia de história alternativa Vaporpunk (Draco, 2010).

A novela “Azul Cobalto e o Enigma” (maio 2012) foi inspirada na quarta e última estrofe da música de Webb, aquela em que costumo pensar como “Astronauta”[7].
Foi de longe a peça mais difícil de escrever do quarteto e por um motivo muito simples: pelo fato de se passar na época atual de uma linha histórica em que a ciência e a tecnologia se desenvolveram mais rápido do que na nossa, a narrativa praticamente abandona as sendas da história alternativa propriamente dita para ingressar na seara da ficção científica hard.  Seria, portanto, a primeira narrativa no universo ficcional dos Três Brasis com mais cara de FC do que de história alternativa e eu nutria dúvidas se uma narrativa desse gênero funcionaria na prática.  Talvez essa incerteza ajude a explicar o intervalo de seis anos entre a conclusão da terceira peça e a dessa novela.
Depois de matutar durante esse período de tempo sobre como escrever tal narrativa, senti que o momento ideal para concretizá-la havia enfim chegado quando organizava a Solarpunk.  Como antologista, desejava propor um trabalho diferente no livro que estava montando, um texto capaz de fugir um pouco à mesmice das energias alternativas e seres humanos fotossintéticos que, suspeitei, seriam onipresentes na maioria das submissões aprovadas.  Daí, veio a ideia de mandar Dentes Compridos para uma aventura final no espaço interplanetário.
Parte da motivação para escrever essa peça veio de um desafio lançado pelo fã paulistano Ivo Heinz há coisa de quinze anos, quando de nossas andanças pelos sebos da capital paulista numa manhã chuvosa de sábado.  Lá pelas tantas, ele me questionou sobre a ausência de protagonistas brasileiros nas histórias alternativas ambientadas no universo ficcional dos Três Brasis.  Sem pensar demasiado no assunto, comentei que a ideia de um protagonista brasileiro era fascinante, mas que não sabia se teria inspiração para desenvolver uma narrativa plausível a partir da mesma.  Pois bem.  Década e meia se passou até que eu lograsse produzir outro herói brasileiro viável nesta linha alternativa, que não o meu João Fernandes ficcional.  Jonas Aranha surgiu para cumprir esta nobre missão, de todo modo, mais nobre do que a de encontrar e aniquilar o último filho-da-noite.  Pois, em pleno século XXI, Dentes Compridos ainda constitui fonte de preocupações para a comunidade da inteligência militar brasileira.  Aranha é o Azul Cobalto do título: um oficial tetraplégico tornado em super-herói graças à sua armadura invencível, uma espécie de Homem-de-Ferro brasileiro alternativo.  Lógico que “Enigma” é como o Serviço de Inteligência Brasileiro designa seu pior inimigo.
Embora parte da narrativa de “Azul Cobalto e o Enigma” se passe na Terra, as cenas de ação mais intensas são ambientadas num satélite de Júpiter, num veleiro espacial e na estação orbital São Paulo.  O próprio o confronto crucial entre os dois “heróis” não ocorre em nosso planeta.  Concluída a novela, percebi que ela também se encaixaria bem na Super-Heróis, antologia que preparei para a Draco em parceria com Luiz Felipe Vasques.
Além do herói brasileiro, também fiz uso em “Azul Cobalto e o Enigma” da dupla de amigos escritores, Gilson Pellegrino e Carlos Fernandes, que já havia aparecido num conto desta linha histórica, “Gigante dos Pés de Barro” (Megalon, 59 — Dezembro 2000).  Pellê e Fernandes agora se arvoram em investigadores, correlacionando dados para tentar provar a existência de um assassino serial imortal que vem atuando contra o Brasil há séculos.
“Azul Cobalto e o Enigma” foi publicada na Solarpunk (Draco, 2012), terceiro e último volume do projeto de triantologia punk sui generis que organizei para a editora.
*     *     *

Quem sabe um dia não consigo reunir este “Quarteto do Salteador” num único volume?
Se tal acontecesse, como sonhar não custa, o ideal seria que tal coletânea fix-up fosse prefaciada pelo próprio Jimmy Webb.  Seria a glória.

Gerson Lodi-Ribeiro
Maio de 2013.




[1].  Todas as datas publicadas entre parênteses no formato (mês ano) se referem à época da conclusão da peça literária em questão.
[2].  Esses trabalhos foram publicados profissionalmente no bojo das duas coletâneas que lancei em Portugal pela Editorial Caminho.  “Assessor para Assuntos Fúnebres” saiu na Outras Histórias... (1997) e “O Vampiro de Nova Holanda” saiu na coletânea homônima (1998).  Ambas as narrativas foram publicadas em nosso país na minha coletânea de história alternativa Outros Brasis (Mercuryo, 2006).
[3] Fui Salteador
Pelas estradas cavalguei
De espada e pistola à cinta
E muitas donzelas perderam seus adornos em minha lida
E muitos soldados verteram sangue em minha lâmina
Os patifes me enforcaram na primavera de ‘25
Mas eu sobrevivi.
[4]. Fui Homem do Mar
Nasci na preamar
E no mar permaneci
Velejei numa escuna à volta do Cabo Horn, até o México
Numa tormenta, subi o mastro para colher a vela-mor
E quando as vergas quebraram, disseram que morri
Porém, sobrevivi
Quiçá eu viva pra sempre...  Não sei.
[5]. “Capitão Diabo das Geraes” (12.300 palavras); “Morcego do Mar” (25.200 palavras); “Consciência de Ébano” (14.800 palavras); e “Azul Cobalto e o Enigma” (19.600 palavras).
[6]. Fui um Construtor de Represas
Sobre o rio largo e profundo
Onde aço e água se entrebatem
Num lugar chamado Boulder, no Colorado bravio
Escorreguei e despenquei dentro do betão fresco
Eles me sepultaram naquela vasta tumba silenciosa
Mas ainda estou por perto.
[7]. Voarei numa nave
Até o limite do universo
E quando eu chegar do outro lado
Descobrirei um lugar para repousar meu espírito, se puder
Talvez eu possa me tornar um salteador outra vez
Ou talvez eu possa ser apenas uma gota de chuva
Mas sobreviverei
E retornarei
De novo, de novo, de novo e de novo...

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Primeiro Encontro do Ano da Copa

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“Minha maior preocupação não é com a questão da bestialidade, mas sim com a do incesto.” (Bruno Littlemore)
 


Estive hoje à noite no restaurante Estação Gourmet no primeiro encontro de 2014 da comunidade carioca de literatura fantástica, com a presença de nosso amigo Clinton Davison, atualmente presidente do Clube de Leitores de Ficção Científica (CLFC).
Cheguei com dez minutos de atraso.  Portanto, segundo os cânones da pontualidade carioca, estava pelo menos quinze minutos adiantado.  Por isto não me surpreendi ao não encontrar ninguém no Estação.  Ante os garçons desconfiados, pedi mesa para dez pessoas e logrei resistir sozinho ao canto da sereia do magnífico rodízio de pizzas e crepes do estabelecimento.  Tentação contra a qual brandi o romance xenofílico de Benjamin Hale, The Evolution of Bruno Littlemore (Atlantic Books, 2011), leitura na tela do celular, interrompida com a chegada dos amigos Jorge Pereira, Carlos Patati com sua filha de sete anos, Sofia, e Marcos Archanjo.
*     *      *

Pouco depois chegava Clinton, com os alforjes repletos de camisas do CLFC para vender ao preço unitário de R$ 30,00.  Junto com Clinton chegava Alberto Oliveira acompanhado por um grupo de amigos que ancorou na extremidade direita de nossa mesa, por essa altura já expandida para dezesseis ou vinte lugares.
Leio ficção científica e me orgulho disso!


Sofia "Patatinha" a caráter, com o papai orgulhoso ao fundo.



Ocupando uma mesa anexada, logo apelidada de “A Diretoria”, Clinton iniciou a venda das camisas negras com os dizeres “EU LEIO FICÇÃO CIENTÍFICA”.  Comprei duas tamanho GG.  Após grande insistência junto ao pai, Sofia conseguiu ganhar uma camisa tamanho P que lhe assentou perfeitamente sob a forma de um vestidinho.
Max Mallmann, Osmarco Valladão, Ricardo França e Raul Avelar chegaram mais ou menos por essa hora.  Max contou ter recebido as provas do romance de continuação ao seu aclamado Centésimo em Roma.  Só que, infelizmente, o revisor implementou algumas correções erradas, de modo que o romance teve que ser descorrigido.  Mesmo assim, o lançamento parece estar assegurado ainda para este primeiro semestre.
Marcos Archanjo e Ricardo França.

Tanto Max quanto Jorge Pereira elogiaram bastante o filme de FC Gravidade, que eu ainda não assisti.  Preciso arrumar tempo para fazê-lo.
Conversei com o Jorge e o Archanjo sobre a obra de Gene Wolfe, sobretudo, o romance Soldado da Névoa (Europa-América, 1988), sobre Latro, um mercenário romano que, após lutar ao lado do Império Persa na Segunda Guerra Médica em 480 a.C., perde a memória na Batalha de Platea e acaba se tornando escravo, primeiro de um comandante ateniense e mais tarde de um general espartano.  Wolfe escreveu dois romances de continuação, transformando esse clássico numa trilogia.  Também falamos sobre a tetralogia do Novo Sol do Wolfe, escrita dentro do Urth Cycle, e eu acabei confessando ter cometido uma noveleta de FC wolfeniana, travestida de fantasia tolkieniana coisa de dez anos atrás, “Intruso em Valmar”, publicado no fanzine Somnium em 2005.


Osmarco Valladão e Jorge Pereira.


Papeei com o Osmarco e o Jorge sobre as diferenças nos enredos dos romances do ciclo Crônicas de Gelo e Fogo, do George R.R. Martin, em relação às temporadas já exibidas pela HBO.  Manifestei minhas dúvidas quanto à possibilidade de conciliação narrativa entre as duas mídias.  Contudo, como o próprio Martin está atuando como consultor da série televisiva, creio que tudo irá se acertar no fim da história.
Clinton trouxe à baila a perspectiva de se organizar uma miniconvenção de literatura fantástica no Planetário da Gávea, aproveitando a abertura proporcionada pela organização da JediCon nesse mesmo espaço cultural.
*     *      *

Por volta das 21h00, quando eu já pensava em tirar o time, chegou o casal Ana Cristina Rodrigues e Estevão Ribeiro, diretamente de uma renhida partida de boliche disputada nas pistas do Shopping São Gonçalo.  Trouxeram consigo meu exemplar autografado do romance Filhos do Fim do Mundo (Casa da Palavra, 2013), do amigo Fábio M. Barreto.  Embora lançado aqui no Rio em julho do ano passado, como estávamos em Manaus por ocasião do lançamento, só agora esse livro badalado me chega às mãos.  Li a primeira parte do romance na época em que o Fábio estava escrevendo, mas devo retomar a leitura desde o início, para montar a história direitinho na cabeça.
Ana Cris e Estevão também trouxeram um exemplar da edição portuguesa da revista Bang!, publicada, tanto lá quanto cá, pela Saída de Emergência.  Essa edição contém uma tira de Os Passarinhos do Estevão, usando o George R.R. Martin como personagem.
Estevão confirmou que sua graphic novel, Da Terra à Lua, sairá pela Ediouro ainda este ano.  Tive acesso aos originais, constatando que os quadrinhos em si já estão executados.  O autor está colorizando o trabalho.  A narrativa é uma fusão dos romances Da Terra à Lua de Jules Verne com Os Primeiros Homens na Lua de H.G. Wells, com uma homenagem ao pioneiro do cinema, Georges Méliès.
Lá pelas tantas, a pauta da mesa se centrou sobre o Prémio Bang! 2014, patrocinado pela editora (agora) luso-brasileira Saída de Emergência.  O prêmio é de 3.000€ e a proposta da editora é descobrir o novo Stephen King, George R.R. Martin ou Isaac Asimov do fantástico lusófono.  Embora me considere um pessimista convicto, pelo sim, pelo não, decidi conferir o regulamento da premiação para dar uma conferida sem compromisso.
Contei aos amigos da empolgação com a leitura atual do romance The Evolution of Bruno Littlemore, que narra as memórias de um chimpanzé genial que aprende a falar, apaixona-se pela primatologista que o ensina (sendo correspondido!) e acaba se tornando dramaturgo e ator shakespeariano.  Infinitamente mais bem escrito do que as tramas pueris de sexo com sasquatches ou pteranodontes que hoje abundam em e-books vendidos pela Amazon.

Max Mallmann, Clinton Davison e Raul Avelar.

Clinton, Raul Avelar, Alberto Oliveira e Ana Cristina Rodrigues.


Esta foi a primeira reunião de nossa comunidade em que Raul Avelar compareceu acompanhado de sua esposa.[1]  O motivo dessa presença simpática era triste.  Por conta de problemas de saúde, o decano da FC&F carioca não deverá mais comparecer nos próximos encontros.  Nesse clima de despedida, o presidente do CLFC presenteou nosso decano com uma camisa e Estevão Ribeiro com um de seus únicos dois exemplares da edição portuguesa da Bang!  Porém, ao término deste encontro, bolamos um esquema de voluntários para buscar e levar Raul Avelar em casa, para que ele possa continuar participando de nossas reuniões.  Além disso, ressuscitamos aquela ideia velha de uma década de gravar uma entrevista com ele sobre suas experiências durante o Simpósio de Ficção Científica.  Vamos ver se desta vez esse projeto decola.
Saí do Estação Gourmet com Ricardo França por volta das 23h20.  Dez minutos e uma viagem de táxi mais tarde, chegava em casa neste quase início de madrugada tórrida do verão carioca.

Jardim Botânico, Rio de Janeiro, 25 de janeiro de 2014 (sábado).


Participantes:
Alberto Oliveira
Ana Cristina Rodrigues
Carlos Eugênio Patati
Clinton Davison
Estevão Ribeiro
Gerson Lodi-Ribeiro
Jorge Pereira
Marcos Archanjo
Max Mallmann
Osmarco Valladão
Raul Avelar & esposa
Ricardo França
Sofia Patatinha



[1].  Raul Avelar é o único ou, pelo menos, o último remanescente do subfandom carioca que assistiu o Simpósio de Ficção Científica, que transcorreu no Rio ao fim da década de 1960, por conta do êxito comercial do clássico 2001, uma Odisseia no Espaço.  Organizado pelo crítico e tradutor José Sanz, o evento contou com a presença de Robert A. Heinlein, Arthur C. Clarke, Harlan Ellison, Philip José Farmer, dentre outros monstros sagrados da FC anglo-saxã.

domingo, 17 de novembro de 2013

Lançamento Carioca da Coletânea da Carla e
das Antologias Solarpunk & Excalibur

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Participei hoje à noite do lançamento draconiano carioca das antologias Solarpunk (2013) e Excalibur (2013), bem como da minha coletânea Histórias de Ficção Científica por Carla Cristina Pereira (2012).  O evento se desenrolou na livraria Blooks.  Situada na galeria do Itaú Arteplex (Praia de Botafogo, 316), nos últimos três anos a Blooks tem sido o point preferencial dos lançamentos cariocas da editora Draco.
A Solarpunk foi organizada por mim e lançada inicialmente sob forma de e-book nos últimos dias do ano passado e em versão impressa no fim do primeiro semestre deste ano.


Já a Excalibur foi organizada por minha amiga Ana Lúcia Merege e lançada em papel há coisa de dois meses.




A coletânea da ficção curta que publiquei na década passada sob o pseudônimo “Carla Cristina Pereira” foi lançada em versão digital e impressa em fins do ano passado.


Além dos antologistas (seguindo a boa e velha tradição editorial da literatura fantástica, tanto eu quanto a Ana Merege não nos furtamos em publicar nossos próprios trabalhos nos livros que organizamos[1]), compareceram para a noite de autógrafos os autores: pela Excalibur, Ana Cristina Rodrigues; Luiz Felipe Vasques; e André Soares da Silva, sendo que esse último também teve uma noveleta publicada na Solarpunk.
*     *      *

Cheguei à Blooks com uma hora de antecedência para verificar se estava tudo nos conformes em relação aos autores e, sobretudo, em relação ao vinho que eu deixara lá horas antes, em meu caminho para o trabalho.  Encontrei com a Cláudia assim que cheguei.  Enquanto tomava um cappuccino, chegaram o amigo Ricardo França e minha filha Ursulla.  Enquanto Cláudia levou Ursulla num restaurante da galeria para que ela comesse algo, pois ainda não havia almoçado, eu e o França conversamos sobre a disciplina e os métodos associados à vida militar naval, pois descobri que ele fez estágio de alguns meses no Instituto de Pesquisas da Marinha.

Ana Merege, GL-R, Ricardo França, Osmarco Valladão
e Daniel Russell Ribas antes do início dos trabalhos.

Ana Merege chegou vinte minutos antes do início dos trabalhos.  Poucos minutos depois chegavam Daniel Russell Ribas e Osmarco Valladão.  Antes mesmo de nos dirigirmos à mesa de autógrafos, estabelecemos um bate-papo animado sobre antologias já lançadas e por lançar.  Falei um pouco sobre minha novela “Azul Cobalto e o Enigma”, publicada na Solarpunk, avançando que, em termos de cronologia interna daquele universo ficcional, deverá ser a última história do personagem Dentes Compridos.  Aproveitei o ensejo e mostrei à Ana a boneca de meu texto não ficcional, Vinum Vita Est! que imprimi para que Cláudia leia e me ajude numa revisão final.  Minha mãe também chegou uns minutinhos antes da hora oficial de abertura do evento.

Daisy Lodi Ribeiro e Ursulla Quevedo Lodi com o menor livro da Blooks.


Às dezenove em ponto, quando avistei meu amigo da Secretaria Municipal de Fazenda, Marcelo Figueiredo e sua esposa Angélica assuntando a vitrine da Blooks, percebi que era hora de sentar à mesa de autógrafos e convidei a Ana para vir comigo.  Até então, éramos os dois únicos autores presentes.  Meu primeiro autógrafo da noite foi na coletânea da Carla para o Marcelo, que também comprou um exemplar da Excalibur.  Em seguida, autografei a coletânea para o amigo Daniel Ribas.  Logo em seguida, autografei uma coletânea e a primeira Solarpunk da noite para o Ricardo França.  Em seguida, outra Solarpunk, agora para o Pedro Dobbin, veterano de lançamentos anteriores da literatura fantástica brasileira em plagas cariocas.

Com o amigo do IPTU, Marcelo Figueiredo.


Mais ou menos por essa hora, chegou o jovem autor André Soares da Silva, responsável pela noveleta “Xibalba Sonha com o Oeste” na Solarpunk e “Cavaleiro Anônimo” na Excalibur.  Ainda não conhecia o André pessoalmente.  Veio acompanhado pela namorada Dayane Barbosa que, assim como a Cláudia, atuou brilhantemente como fotógrafa no evento.

André Soares da Silva e os três lançamentos da noite.


Em seguida, chegou minha amiga do curso de italiano, Ivana Bragante, para quem autografei duas coletâneas, uma para a própria e outra para nossa amiga comum, Sylvia Anna, que não pôde comparecer.  Torço para que ambas gostem da leitura.J


Ursulla, Ivana e GL-R.

Luiz Felipe Vasques demorou, mas chegou, ao contrário de Daniel Bezerra, o outro coautor de “Momento Decisivo”, conto escrito a quatro mãos para a Excalibur.  Aproveitei o ensejo para coligir seu autógrafo em meu exemplar dessa antologia.  Outro autor carioca dessa antologia que fez forfait neste lançamento foi Octavio Aragão, que lançara sua noveleta Reis de Todos os Mundos Possíveis (Draco, 2013) na mesma Blooks duas semanas atrás.


Com Silas Ferreira.


Silas Ferreira, Coordenador do IPTU, foi o primeiro amigo da Secretaria Municipal de Fazenda a chegar para o lançamento.  Apresentei-o à minha mãe, à Cláudia e à Ursulla.  Pouco depois, chegou Vívian Araújo, a Fiscal de Rendas mais jovem da nossa Coordenadoria e uma de minhas assistentes na Gerência de Fiscalização.  Minha mãe conversou com o Silas sobre a época em que meu pai atuou como Fiscal na SMF e metralhou a Vívian com perguntas sobre o Cruzeiro, colégio em que a jovem terminou o primeiro grau e concluiu o segundo, por conta de meu sobrinho André Henrique, que cursa presentemente a sétima série dessa mesma instituição de ensino.  Autografei uma coletânea da Carla para o Silas.  Já a Vívian, adquiriu um exemplar da Solarpunk, pois eu já a havia presenteado com um exemplar da coletânea.

Vívian Araújo, GL-R e Silas Ferreira.


A sutileza da imagem dupla feminina/masculina na capa da coletânea Histórias de Ficção Científica por Carla Cristina Pereira (titulozinho danado de cumprido, sô!) agradou um bocado os amigos da SMF e do curso de italiano.
Ana Cristina Rodrigues chegou pouco depois.  Mal chegou e a convoquei para autografar exemplares da Excalibur, da qual também é autora.  Em contrapartida, ela exigiu que eu lhe revelasse um segredo promissor cuja existência já havia adiantado pelo Facebook.  Aproveitei o ensejo e pedi para ela autografar meu exemplar da Excalibur.

Ana Cristina Rodrigues com Solarpunk e Histórias de FC da Carla.



Meu fiel amigo Max Mallmann, dublê de roteirista da Globo e autor de literatura fantástica e romances históricos apareceu a seguir.  Como o França, Max comprou uma coletânea da Carla e uma Solarpunk, exemplares que autografei com prazer.

Com Max Mallmann.


Antologistas: GL-R e Ana Lúcia Merege.


Conversa vai, conversa vem com Ana Lúcia Merege na mesa de autógrafos e eis que surge a bela ideia de um projeto de antologia de ficção curta com contos inspirados nos trabalhos de Jules Verne e H.G. Wells.  É sem dúvida uma perspectiva promissora e, mais que isto, tentadora.  Mas não sei se terei coragem de assumir o papel de coantologista, junto com minha amiga.  Porque, após a maratona de organizar quatro antologias simultâneas para a Draco em 2012 e, consequentemente, ficar sem tempo algum para me dedicar aos meus próprios escritos, prometi a mim mesmo que não iria mais brincar disso.  Como bom oligofrênico viciado que sou, um ano depois aqui estou, de novo, envolvido com dois novos projetos de antologias temáticas.  Daí, ouço uma voz sensata dentro de mim — se duvidar, minha última fímbria de sanidade — afirmando que é loucura rematada me engajar numa terceira frente de batalha antes da conclusão dos dois projetos anteriores.  Enfim, vamos ver como fica...  Ao entreouvir o assunto sobre Verne e Wells, Osmarco Valadão afirmou que começou a ler os romances dos dois pais da ficção científica antes de saber o que era FC.  Repliquei que o mesmo se dera comigo.


Ricardo França, Max Mallmann e Luiz Felipe Vasques.



Os vinhos servidos no lançamento foram dois de meus B.B.B. prediletos (não exatamente Big Brother Brasil, mas sim “bons, bonitos & baratos!): o Boscato Reserva Merlot 2008 e o Doña Dominga Chardonnay 2012.  Para consumo pessoal à mesa de autógrafos, limitei-me ao bom & fiel Boscato de fé, amigo mais certo nas horas incertas.
Lissandro Rocha, outro amigo da SMF, do mesmo concurso da Vívian, chegou por volta das 21h00.  Também autografei uma coletânea para ele.  Silas, Vívian e Lissandro permaneceram quase até o fim do evento, mas não encontraram o Marcelo, que saiu mais cedo para jantar com a esposa num shopping próximo ao Itaú Arteplex.  Lá para o encerramento do evento, nós quatro nos divertimos junto à mesa de autógrafos, costurando indiscrições mezzo-maliciosas, pero verídicas, sobre certo colega de trabalho muquirana cujo nome não convém mencionar.J

Com Luís Munhoz na mesa de autógrafos.

Outro retardatário estimado foi o amigo do italiano Luís Munhoz, que também não se encontrou com Ivana, que permaneceu no lançamento por cerca de uma hora, mas saiu mais cedo.  Luís comprou uma Histórias de FC da Carla e aproveitou nossa presença para combinar o dia da festa de encerramento do curso de italiano, que pretendemos fazer no heliporto da Lagoa, aproveitando que a empresa de nosso amigo atua naquele espaço privilegiado.  Luís e eu lamentamos mutuamente o sacrifício de se cursar um idioma estrangeiro do sábado, em plena melhor idade, não obstante o prazer de se aprender não só a língua, mas também um pouco dos costumes e da cultura daquele país que tanto admiramos.

Com Ricardo Lodi Ribeiro.


O último retardatário foi justo o mais querido: meu irmão Ricardo, que chegou à Blooks cerca de 21h50, meros dez minutos antes do término previsto do lançamento.  Não encontrou nossa mãe, que já havia partido de volta para a Tijuca.  Mas foi o tempo devido para comprar e coletar o autógrafo num exemplar da coletânea.  Só mais tarde lembrei que já o presenteara com outro exemplar autografado do livro da Carla.  Enfim, apesar do horário avançado, não faltou tempo para um papo gostoso com ele, pois voltamos para casa no mesmo táxi.  Ao conversarmos sobre a vida, deploramos que, apesar do êxito profissional e das realizações pessoais, não estávamos com tempo bastante para curtir a felicidade que conquistamos.
Enfim, mais um lançamento carioca, sem grandes proezas, mas satisfatório e benfeito no todo.



Jardim Botânico, Rio de Janeiro, 13 de novembro de 2013 (quarta-feira).


Participantes:
Ana Cristina Rodrigues
Ana Lúcia Merege
André Soares Silva & Dayane Barbosa
Cláudia Quevedo Lodi
Daisy Lodi Ribeiro
Daniel Russell Ribas
Gerson Lodi-Ribeiro
Ivana Bragante
Lissandro Rocha
Luís Munhoz
Luiz Felipe Vasques
Marcelo Figueiredo & Angélica
Max Mallmann
Osmarco Valladão
Pedro Dobbin
Ricardo França
Ricardo Lodi Ribeiro
Silas Ferreira
Ursulla Quevedo Lodi
Vívian Araújo





[1].  “Azul Cobalto e o Enigma” no meu caso, e “A Dama da Floresta” no caso da Ana Merege.