domingo, 30 de junho de 2013

Lançamento Carioca do Pura Picaretagem



201306232041P1  —  19.343 D.V.

Em plena semana de passeatas e manifestações de rua mais ou menos pacíficas pelo Brasil afora, compareci na quinta-feira passada, 20 de junho, às 20h30, ao lançamento carioca do título de divulgação científica Pura Picaretagem (Leya, 2013), escrito a quatro mãos pelo físico carioca Daniel Bezerra e o jornalista paulista Carlos Orsi Martinho.
A noite de autógrafos deu-se na Livraria Travessa do Shopping Leblon.  Além dos autores, de conhecidos encontrei a esposa do Martinho, Renata, e o autor e antologista carioca Luiz Felipe Vasques.
*     *      *

Passei quase o tempo todo conversando com Martinho, Daniel, Felipe e outros amigos dos dois últimos que, conforme descobri, já se conheciam de longa data.  Daniel revelou que deverá organizar um projeto literário bastante interessante.  Vamos ver se a iniciativa decola.

Criadores & Criatura: Carlos Orsi e Daniel Bezerra com sua obra.

Martinho e Daniel esclareceram que a motivação principal para escrever o livro de divulgação científica foi combater as bobajadas pseudoquânticas dos Fritjofs Capras da vida.  Mais um ponto alto da cruzada heroica contra o obscurantismo e a pseudociência travada por nossos amigos.
O assunto mais interessante da noite girou em torno dos excessos provocados por consumo alcoólico.  Neste sentido, a grande sensação do evento foi a rememoração das bebedeiras mais antológicas protagonizadas por alguns dos presentes, com direito a lances escatológicos e o escambau.  Omitirei os nomes desses personagens da vida real para defletir eventuais processos de difamação.

Renata & Carlos Orsi.

Contei aos presentes de minha leitura atual da trilogia de ficção científica com cheiro de fantasia, Helliconia do Brian W. Aldiss (Helliconia Spring; Helliconia Summer; e Helliconia Winter).  Comentei com eles as semelhanças notáveis, conquanto superficiais, entre as estações gigantescas do planeta Helliconia e as do mundo concebido por Martin em seu universo ficcional mais famoso.
Por volta das 22h00 deixei a Travessa e tomei um táxi em frente ao Shopping Leblon.  Por efeito paradoxal das passeatas, o trânsito na Zona Sul estava ótimo e logrei chegar em casa em menos de cinco minutos.
Jardim Botânico, Rio de Janeiro, 23 de junho de 2013 (domingo).


Participantes:
Carlos Orsi Martinho
Daniel Bezerra
Gerson Lodi-Ribeiro
Luiz Felipe Vasques
Renata Martinho



domingo, 19 de maio de 2013

Lançamento Carioca da Crônicas de Espada e Magia


Lançamento Carioca da
Crônicas de Espada e Magia

201305140830P4  —  19.303 D.V.

Compareci na sexta-feira passada, 10 de maio, às 19h00, ao lançamento carioca da antologia Crônicas de Espada e Magia (Argonautas, 2013), organizada pelo Cesar Alcázar.  Participam da compilação seis autores estrangeiros (George R.R. Martin; Michael Moorcock; Karl Edward Wagner; Robert E. Howard; Saladin Ahmed; e Fritz Leiber) e cinco brasileiros (Carlos Orsi Martinho; Thiago Tizzot; Ana Cristina Rodrigues; Max Mallmann; e Roberto de Sousa Causo).
A noite de autógrafos deu-se na Livraria Travessa de Ipanema e contou com a presença dos autores Max Mallmann e Ana Cristina Rodrigues.  Os contos desses dois autores — “Cavalos?” do Max e “Anta das Virgens” da Ana Cris — situam-se em universos ficcionais criados por esses autores.  “Cavalos?” foi ambientado no mesmo U.F. do romance de fantasia Mundo Bizarro (Mercado Aberto, 1996) e “Anta das Virgens” se passa no U.F. Finisterra©, no qual a autora está escrevendo um romance de fantasia histórica lusitana e que já lhe rendeu, dentre outras peças de ficção curta, o conto erótico fantástico “Ilha dos Amores”, publicado na Erótica Fantástica 1 (Draco, 2012).

Max Mallmann, GL-R e Ana Cristina Rodrigues.

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Atropelando o preceito basilar da pontualidade carioca, pego de surpresa por um trânsito sem engarrafamentos, acabei chegando à livraria às sete em ponto, ou seja, coisa de quinze minutos adiantado em relação às leis de cordialidade locais e, portanto, antes dos autores.  Dos conhecidos, só estava lá a autora de literatura fantástica infantojuvenil Flávia Cortes.

Flávia Cortes & Alexandre Alencar.


Aproveitei o ensejo para comprar dois romances históricos para dar de presente de Dia das Mães.  Tenho impressão de que Flávia fez o mesmo para a mãe dela.
Pouco depois, chegava o Max.  Antes que ele piscasse, coletei seu autógrafo no exemplar da antologia que trouxera da Segunda Odisseia de Literatura Fantástica de Porto Alegre, devidamente exibida ao segurança postado à porta da livraria quando de meu ingresso no estabelecimento.  Coisa de meia hora mais tarde, chegava o casal Ana Cris & Estevão Ribeiro.  Quando pedi o autógrafo dela, Ana lembrou que já havia assinado seu conto lá na capital gaúcha.  Embora eu também me recordasse desse autógrafo anterior, intrigado, já havia percebido que meu exemplar da antologia não continha a assinatura dela.  Ana aventou a hipótese de que autografou para mim o conto dela em seu próprio exemplar, em vez do meu...

Panorama geral da noite de autógrafos.

Conversei um bom tempo com a Flávia Cortes sobre o início de nossas carreiras, a dela na literatura infantojuvenil e a minha na ficção científica, com direito a reminiscências de nossas leituras de Jules Verne, Mark Twain e H.G. Wells.  Também falamos das diferenças entre o que era considerado literatura infantil antigamente e o que é considerado assim hoje em dia.  Até então só conhecia a Flávia de uma palestra dela que assisti na Casa da Leitura de Laranjeiras no ano passado.
Estevão brindou-nos com um punhado de detalhes pitorescos da entrevista que concedeu sobre timidez no programa diário matinal Encontro com Fátima Bernardes, na Rede Globo.  Cláudia colocou para gravar aqui em casa, mas só tive oportunidade de assistir anteontem.  Apesar das alegações do entrevistado, ele não me pareceu lá muito tímido diante das câmeras.
Quando Luiz Felipe Vasques chegou, apresentou-me seu velho amigo Sergio Accioly, que eu só conhecia através de troca de e-mails, pois ele submeteu um trabalho para a antologia ainda inédita, Super-Heróis, que eu e o Felipe organizamos para a Editora Draco no ano passado.  Ele também me apresentou sua amiga Carla Molinari, editora do periódico científico do Instituto de Pesquisas do Jardim Botânico.  Conversei longamente com Carla sobre nossa paixão comum, com ênfase a nossas paisagens e animais favoritos e a remoção próxima dos invasores ilegais ora residentes na área do arboreto.
Comentei com o Max que passaria uma semana de férias em Manaus.  Ele se lembrou de nosso amigo comum da saudosa lista da Intempol, Hidemberg Alves da Frota, e indagou se eu iria enfim conhecê-lo pessoalmente.  Falei que estava em nossos planos o encontro num restaurante situado num shopping manauara.  Hide Frota foi o primeiro autor intempoliano a ter um trabalho desse universo ficcional publicado profissionalmente.  Ao ouvir os planos de minha ida a Manaus, Flávia recomendou que não deixássemos de fazer o passeio do mergulho com os botos-cor-de-rosa, pois ela fez e adorou.
Conversei com Flávia e seu marido, Alexandre Alencar, sobre os romances da saga Crônicas de Gelo & Fogo, do George R.R. Martin, com cautela, para evitar spoilers, pois Flávia só leu os três primeiros romances, dos cinco publicados, e Alexandre só acompanha a série de TV baseada nos romances, atualmente em sua terceira temporada.
Papeei com Felipe e Sergio Accioly sobre ficção científica em geral e antologias em particular, aproveitando o ensejo para atualizar meu coantologista sobre as novidades que Erick Sama, publisher da Draco, transmitiu-me ao pé do ouvido durante a Segunda Odisseia.


Luiz Felipe Vasques, Sérgio Accioly e Carla Molinari.


Os amigos Rafael “Lupo” Monteiro, Lucas Rocha e Daniel Russell Ribas só chegaram ao lançamento mais tarde e não tive oportunidade de conversar com eles.  Presentes também estiveram o autor de fantasia juvenil Marcelo Amaral e a autora e roteirista Adriana Lunardi, esposa de nosso amigo Max Mallmann.
Ao fim do certame, quando a livraria ameaçava fechar as portas, o povo do lançamento bateu em retirada para um barzinho próximo.  Em virtude da aula de italiano na manhã seguinte numa outra Livraria Travessa, situada no Shopping Leblon, julguei de bom alvitre debandar da retirada em si, despedindo-me dos amigos e tomando um táxi para casa.
Jardim Botânico, Rio de Janeiro, 14 de maio de 2013 (quarta-feira).

Participantes:
Adriana Lunardi
Alexandre Alencar
Ana Cristina Rodrigues
Carla Molinari
Daniel Russell Ribas
Estevão Ribeiro
Flávia Cortes
Gerson Lodi-Ribeiro
Lucas Rocha
Luiz Felipe Vasques
Marcelo Amaral
Max Mallmann
Rafael “Lupo” Monteiro
Sergio Accioly

sábado, 20 de abril de 2013

Segunda Odisseia de Literatura Fantástica - Porto Alegre 2013


Odisseia Fantástica de Porto Alegre 2013

DIA 1
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“A literatura infantojuvenil sempre foi discriminada no Brasil.  No entanto, as pessoas se esquecem de que, se não fosse pela literatura infantojuvenil, não haveria mercado editorial no país.” [Regina Zilberman]

“A literatura infantojuvenil brasileira julga ter problemas” [GL-R]

Cheguei hoje às 09h40 no Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre para participar da Segunda Odisseia de Literatura Fantástica, evento anual criado em 2012 pela trinca Cesar Alcázar, Christopher Kastensmidt e Duda Falcão, agora reforçada pelo apoio de Nikelen Witter e Christian David.  O evento se desenrolará no Memorial do Rio Grande do Sul, um belo prédio histórico situado no centro de Porto Alegre.  Foi a primeira vez que viajei tirando as passagens aéreas de graça pelo sistema de milhagem.

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Deixei o Rio no voo 1550 da Gol que decolou às 07:25h do Aeroporto Internacional Galeão Tom Jobim com pontualidade genuinamente britânica.  Durante a espera para o embarque e também durante a viagem de cem minutos de duração engrenei na leitura da antologia The Sex is Out of This World — Essays on the Carnal Side of Science Fiction (McFarland, 2012), organizada por Sherry Ginn & Michael G. Cornelius.
Segui de táxi do aeroporto até o Lido Hotel.  A viagem foi bem mais demorada do que no ano passado, quando cheguei à capital gaúcha num sábado.  Como havia quartos disponíveis, o pessoal da recepção me deixou fazer o check-in mais cedo e daí, às 10h30 eu já ingressava no quarto 407, surpreendendo a arrumadeira simpática que finalizava a preparação do aposento.
Testei o WiFi do hotel e liguei brevemente o celular para passar informações de chegada para casa.  Em seguida, revisei o fragmento do romance Aventuras do Vampiro de Palmares (Draco, no prelo) que lerei amanhã em minha sessão de leitura crítica.  Concluí que o texto selecionado é longo demais e resolvi ler apenas metade.
Daí segui para o Memorial do Rio Grande do Sul, sede da II Odisseia de Literatura Fantástica.  Já à porta do prédio histórico, encontrei os amigos Flávio Medeiros e Martha Argel.  Flávio falou que o Chris Kastensmidt queria me convidar para participar de um PodCast de divulgação científica da UFRGS, junto com ele próprio (Flávio) e Roberto de Sousa Causo.  O grande problema é que não sabia exatamente a data-hora em que se daria a gravação.  Papeamos no sopé da escadaria do Memorial por cerca de meia hora, até que decidimos ingressar no prédio.  Uma vez lá dentro, percorri os estandes das diversas editoras.  Neste processo, deparei-me com os amigos Daniel Dutra e Simone Saueressig.  Martha Argel aproveitou a oportunidade para apurar com a Simone quantos beijos se dá num cumprimento entre amigos em Porto Alegre.  A resposta da Simone não foi conclusiva, uma vez que dependia do estado civil daqueles que trocam cumprimentos.  Flavio, Martha e eu trocamos confidências sobre vícios em jogatinas internéticas, como Freecell e Spider, além das tergiversações facebookianas.  Neste estado confessional, acabei falando sobre minha antiga dependência do jogo de estratégia Sid Meier’s Civilization, que me levaram a desperdiçar milhares de horas em frente ao monitor do micro em disputas frenéticas que se estendiam madrugada adentro, levando-me a passar duas ou mais noites em claro.  Isto para não falar que logrei disseminar esse vício no seio da família e entre vários amigos...  Hoje me considero curado, mas, ah, que saudade!  Aproveitei o ensejo para adquirir a antologia Contos de Horror — Histórias para Não Ler à Noite (Farol Literário, 2011), organizado pela Martha Argel e pela Rosana Rios.  Também encontrei os amigos Ana Cristina Rodrigues, Estevão Ribeiro, Alicia Azevedo e Henrique de Lima nos expositores da Llyr e da Ornitorrinco, respectivamente.

Bate-papo no Memorial com os amigos e grandes autores, 
André Cordenonsi, Martha Argel e Simone Saueressig.

Quando encontrei o Christopher ele confirmou o convite para participar do PodCast Fronteiras da Ciência.  Afirmou que a gravação se dará amanhã por volta do meio-dia.  Ainda não sei direito a temática, mas imagino que seja para falar de ficção científica.
Do Memorial, eu, Estevão e André Cordenonsi seguimos a pé até um mercado municipal para tomar um café especial.  Porto Alegre permanece com tempo nublado inofensivo; bem diverso da frente fria anunciada nas previsões climáticas dos telejornais de ontem à noite.  Na cafeteria, zoamos e fomos zoados pela balconista e pelas garçonetes por causa de nossos sotaques e hábitos alimentares alienígenas.  Faminto pela falta do desjejum e do almoço, consumi um café Mooca, uma soda limonada com essência de Curaçao Blue e um frappé de café; gulodice que causou espécie aos dois amigos.

Estevão Ribeiro e Cesar Alcázar no Memorial.
De volta ao Memorial, encontrei o casal Alicia Azevedo e Henrique de Lima à porta.  Conversamos um bocado sobre a origem do nome da editora deles.  Pouco depois apareciam os amigos Max Mallmann e Marcelo Galvão.  Conversamos sobre séries televisivas de ficção científica de nossas infâncias, passando pela descoberta recente de DVDs do National Kid à venda em bancas de jornal do Centro do Rio, até Ultraman, Ultraseven e Changeman.  Eu e Galvão confessamos nossos vícios adolescentes na série de livros Perry Rhodan, inicialmente publicada no Brasil pela Ediouro e que atingiu centenas de números nas décadas de 1970 e 1980.

Estande da Ornitorrinco com Henrique de Lima & Alícia Azevedo.

No Memorial, adquiri três antologias no estande da Ornitorrinco:
1)    Bestiário — Outras Criaturas (2013), organizada por Ana Cristina Rodrigues e Ana Lúcia Merege;
2)   Erótica Steampunk (2013), organizada por Tatiana Ruiz; e
3)   Estranhas Invenções (2012), organizada por Ademir Pascale.

Em frente ao estande da Ornitorrinco, travei contato com Edgard Refinetti, Roberto de Souza Causo e Sílvio Alexandre.  Este último confirmou que a Fantasticon 2013 se dará num único fim de semana, em 21 e 22 de setembro próximo.  Sílvio me perguntou se eu lançaria algo na Fantasticon deste ano e eu falei que devo lançar o romance fix-up de história alternativa Aventuras do Vampiro de Palmares, pela Draco.
Por volta das 19h00 o público presente no Memorial dirigiu-se ao auditório principal da instituição para assistir a palestra de abertura da II Odisseia, proferida por Regina Zilberman.  Participação instrutiva onde aprendi um bocado sobre literatura infantojuvenil em geral e sobre a trilogia de fantasia de Philip Pullman em particular.
Finda a palestra de abertura, seguimos para um restaurante próximo ao Memorial, onde a organização do evento já havia fechado um pacote camarada para os participantes da Odisseia.  Optei pelo prato de carne, tomei quatro taças de Boscato Cabernet Sauvignon e ainda degustei uma sobremesa por menos de R$ 100,00.
No bate-papo do jantar conversamos sobre vinhos em geral e ficção científica em particular, com ênfase em autores novos que estão despontando no mercado norte-americano, oriundos de paises do Extremo Oriente, como China e Vietnã.

Jantar no Bistrô com Marcelo Galvão; Flávio Medeiros, Ana Cristina Rodrigues,
Max Mallmann, Rober Pinheiro, Bruno Schlatter & Ana Carolina Silveira.

Rober Pinheiro explicou que a antologia Mitos Modernos — na qual terei o conto “A Moça da Mão Perfeita” publicado — terá sua publicação postergada.  Será lançada na Fantasticon 2013.

Jantar no Bistrô: Rober Pinheiro, GL-R e Bruno Schlatter.

Flávio Medeiros nos brindou com narrativas escabrosas dos seus plantões num pronto-socorro de Belo Horizonte (com destaque para a moradora de rua que praticou sexo com um cachorro e decidiu capar o animal para escapar do engate post coitum com o canino, dando entrada no hospital dois dias mais tarde, com o pênis apodrecido do animal enterrado na vagina.
Quase no apagar das luzes, o casal Henrique de Lima & Alicia Azevedo pintaram no restaurante, quando o estabelecimento já estava prestes a cerrar as portas.  Vários membros corajosos de nossa comitiva seguiram dali para um pub próximo.  Combalidos, eu, Marcelo Galvão, Bruno Schlatter e Ana Carolina Silveira declinamos da proposta e seguimos para nossos respectivos hotéis.
Lido Hotel, Porto Alegre, 12 de abril de 2013 (sexta-feira).

DIA 2
201304131945P7  —  19.272 D.V.

“Onde é que está essa porra dessa frente fria que não dá as caras?”
[Fã paulistano na II Odisseia Fantástica]

“Vocês três gravarão o podcast definitivo para desbancar todos os podcasts.”
[Vaticínio de Christopher Kastensmidt]

“O gaúcho não sonha em se separar do Brasil; ele sonha em anexar o Brasil.”
[Max Mallmann]

Acordei às 07h20 e desci direto para o café da manhã no restaurante do Lido.  Nada de surpreendente, mas um desjejum honesto com café preto, pão de queijo e iogurte de morango.  Daí, retornei ao 407 para tomar banho, fazer barba e dar uma última conferida no texto que apresentaria em minha sessão de leitura crítica.  Caminhei cinco minutos a pé até o Memorial, lá encontrando os amigos Flávio Medeiros e Marcelo Galvão.  Já dentro do prédio, reencontrei os amigos Kyanja Lee, Georgette Silen e Jacques Barcia, recém-chegado de uma excursão turística à Serra Gaúcha com a esposa.
Nossa primeira parada foi no estande da Ornitorrinco, tomei emprestado uma cópia da antologia Bestiário — Outras Criaturas com Alícia para receber autógrafos dos autores presentes ao lançamento.
Em seguida, adquiri um exemplar da coletânea A Eva Mecânica e Outras Histórias de Ginoides (Literata, 2013), de Daniel Dutra, autografado pelo próprio autor.  O prefácio dessa coletânea foi um dos três que escrevi este ano.
Às 10h30 assisti a fala dos cinco organizadores no auditório.  De fato, Christopher, Cesar e Duda fizeram bem em convidar Nikelen e Christian para reforçar o time, pois a Odisseia cresceu um bocado do ano passado para cá.  Há mais estandes de venda de livros, mais editoras, mais público e mais eventos.  A Odisseia de Literatura Fantástica firmou-se como um evento de vulto, genuína Fantasticon do Sul.

Mestres Organizadores da 2ª Odisseia: Christopher Kastensmidt;
Nikelen Witter; Cesar Alcázar; Christian  David; e Duda Falcão.

Finda a fala dos organizadores, sem levantar da poltrona, assisti a mesa-redonda “O Jardim do Vizinho é Mais Verdinho?”, moderada pelo fã e estudioso de ficção científica Edgard Refinetti, com a participação dos autores Flávio Medeiros e Jacques Barcia, e da editora Gabriela Nascimento.  A discussão girou em torno da comparação da qualidade literária dos autores brasileiros de literatura fantástica em comparação com o que se faz lá fora em nossos gêneros bem-amados.  Falou-se das diferenças de estilo entre autores estrangeiros e brasileiros, da técnica narrativa superior dos estrangeiros e da maior capacidade dos brasileiros de estruturar personagens consistentes.  Também abordou as perspectivas de inserção de trabalhos e autores brasileiros no mercado internacional (entenda-se, “anglo-saxão”) e na problemática da tradução.  Para mim esta foi a mesa-redonda mais interessante da Odisseia 2013.

"O Jardim do Vizinho é Mais Verdinho?": mesa-redonda com Jacques
Barcia; Flávio Medeiros; Edgard Refinetti; e Gabriela Nascimento.

Quando a mesa-redonda terminou, levantei para dar um abraço no amigo Erick Sama, da Editora Draco, que acabara de montar seu estande num cantinho do andar térreo do Memorial.  Ele trouxe uma mala robusta cheia de livros para vender, mas, com um catálogo de mais de cinquenta obras, só havia uns poucos exemplares de cada título.  Meus romances Xochiquetzal, uma Princesa Asteca entre os Incas e a Guardiã da Memória marcaram presença, bem como as antologias Erótica Fantástica 1, Vaporpunk e Dieselpunk.
Lançamento de Bestiário — Novas Criaturas com Jacques
Barcia e as Três Anas: Carolina; Cristina; e Lúcia. 

Quando eu estava na mesa de autógrafos da Bestiário II — antologia que, à semelhança da anterior, foi organizada por Ana Cristina Rodrigues e Ana Lúcia Merege — chegou a equipe do PodCast da UFRGS, Fronteiras da Ciência.  Gravamos nossas participações no programa num cantinho do próprio andar térreo do Memorial.  Nossos entrevistadores foram Aline Villavicencio e o físico Marco Aurélio Idiart, que confessou apreciar antes literatura policial do que ficção científica.  Falamos sobre universos ficcionais, nossas carreiras, autores favoritos, fontes de inspiração, definições de FC hard, space opera e história alternativa.  Um bate-papo bem legal que deverá estar no ar dentro em breve aqui (http://www.ufrgs.br/frontdaciencia/).

PodCast "Fronteiras da Ciência" Flávio Medeiros, GL-R e Roberto de Sousa Causo.

Concluída a gravação, saí para almoçar no mesmo bistrô próximo ao Memorial em que havíamos jantado ontem, com os amigos Flávio Medeiros, Max Mallmann, Hugo Vera, Larissa Caruso, Marcelo Galvão e Andrea Apocrypha.  Desta vez sentamos do lado de fora.  Após breve visita ao toalete, Flávio descobriu Simone Saueressig no salão do restaurante e a pescou para nossa mesa.  Comi um talharim com frango desfiado ao molho de queijo, regado por uma taça de Boscato.  Durante o almoço, por duas ou três vezes passaram caravanas de jovens em frente ao bistrô, rumando para o Memorial.  Torcemos horrores para que ingressassem no recinto, porém, até onde eu sei, nenhum dos rebanhos numerosos se atreveu a galgar as escadarias da instituição.  Falamos de ficção científica em geral e FCB em particular; de nossas profissões & atividades extraliterárias; do mercado imobiliário em geral e da vida nas grandes cidades.  Para não perder o hábito, falamos sempre bem dos presentes e mal dos ausentes.

Almoço no Bistrô: Flávio, GL-R; Max, Andréia, Galvão, Larissa e Huguinho.

De volta ao Memorial, mais um bate-papo rápido com o Erick Sama no estande da Draco e, a caminho do auditório para assistir nova mesa-redonda, adquiri um exemplar da Crônicas de Espada e Magia (Argonautas, 2013) das mãos da Ana Cristina Rodrigues, uma das participantes da antologia.  Além da Ana Cris, o livrão conta com mestres internacionais como George R.R. Martin; Michael Moorcock, Robert E. Howard; e Fritz Leiber, além dos bambas nacionais, Carlos Orsi Martinho; Max Mallmann; e Roberto de Sousa Causo.  O volume maciço foi organizado por Cesar Alcázar e já foi cognominada MMM (Mallmann-Martin-Moorcock); poderia ter sido 4M, se o Martinho não houvesse assinado apenas como “Carlos Orsi”.
Às 15h00 começou a mesa-redonda “Space Opera Brasileira”, moderada por Roberto Causo, com a participação de Mustafá Ali Kanso, Hugo Vera e Larissa Caruso.  Após as definições de praxe do subgênero e de um breve histórico do gênero na literatura anglo-saxã e de um apanhado mais breve ainda do que se escreveu de space opera no Brasil em priscas eras, Causo passou a palavra ao Hugo e à Larissa, para que a dupla falasse do Projeto Space Opera, triantologia de contos brasileiros no subgênero, que lançou seu primeiro volume em 2011 e o segundo no ano passado.  Em seguida, Causo tentou que Kanso falasse um pouco de suas próprias incursões space operísticas, porém, em minha opinião, apesar do esforço hercúleo, foi apenas parcialmente bem-sucedido nessa missão.

Space Opera Brasileira: mesa-redonda com Roberto Causo, 
Mustafá Ali Kanso, Hugo Vera e Larissa Caruso.

No fim dessa mesa-redonda, Cesar Alcázar me convocou e conduziu a uma sala multiuso no segundo andar do edifício, onde se desenrolou o Vozes: Autores Nacionais Leem Trechos de Suas Obras.  Junto com a jovem autora carioca de fantasia, Luciane Rangel, participei do Vozes 3, que rolou de 16h00 às 17h00.  Li trechos selecionados de meu próximo romance, Aventuras do Vampiro de Palmares, focando mais na estrutura da linha histórica alternativa em si, com ênfase no confronto entre o Real Contratador dos Diamantes, João Fernandes de Oliveira e o Capitão Diabo das Geraes, do que no dito vampiro.  Em seguida, Luciane leu um trecho de seu romance infantojuvenil sobre doze jovens associados aos doze signos do zodíaco, encarregados de proteger a humanidade contra as incursões de monstros extradimensionais.  Findas as leituras, respondemos as perguntas da plateia pequena (cerca de quinze pessoas), mas interessada.  Falei sobre a gênese desse universo ficcional dos Três Brasis e apresentei brevemente o conceito de linha histórica alternativa.  Respondi questões do Max Mallmann, Sílvio Alexandre, do fã Leonardo de Albuquerque e da moderadora de nossa mesa, Olívia Barros.

Vozes 3: Luciane Rangel, GL-R e Olívia Barros.

Permaneci na sala após minha participação para assistir o Vozes 4, com a participação de Max Mallmann e André Z. Cordenonsi.  Max Mallmann leu um trecho de seu magnífico Centésimo em Roma (Rocco, 2010), justo a passagem em que Nero enfim se suicida para evitar que o protagonista, Desiderius Dolens o capturasse.  Já André leu um conto completo ambientado no mesmo universo ficcional de seu romance, Duncan Garibaldi.  Uma surpresa agradável desse U.F. é que, ao contrário do que eu pensava, não se trata de mais elfos, fadas, duendes e anões chupados em modo automático de tudo o que já se escreveu desde Tolkien na literatura anglo-saxã, mas sim da exploração dos mitos e folclores lusitanos.  Findas as leituras, fiz três perguntas ao Max e uma ao André.  De volta ao térreo, comprei meu exemplar autografado do Duncan Garibaldi e a Ordem dos Bandeirantes (Underworld, 2012).

Vozes 4: André Cordenonsi, Max Mallmann e Olívia Barros.

Daniel Dutra reclamou que não conseguiu adquirir um exemplar da minha coletânea Histórias de Ficção Científica de Carla Cristina Pereira (Draco, 2012).  Se duvidar, meu único livro da editora que o Erick Sama não trouxe para vender na Odisseia 2013.  Contudo, pelo bate-papo que tive com o Erick após o término do Vozes 4, após que a editora não pôde reclamar: vendeu bem mais da metade dos livros que levou para o evento, voltou para Sampa com a mala quase vazia!
Encerradas as atividades formais da 2ª Odisseia de Literatura Fantástica, partimos para a comemoração.  Antes, porém, eu e Hugo Vera demos uma mão ao Erick para conduzir o remanescente dos livros da Draco até o Lido Hotel.  Lá chegando, meus amigos fizeram seu check-in e subiram para o quarto.  Enquanto os aguardava, adiantei um pouco esta crônica.  Do hotel, seguimos de táxi até a churrascaria Galpão Crioulo, a mesma em que, ano passado, havíamos comemorado o encerramento da 1ª Odisseia.  Há muito tempo não comia tanto e não bebia tanto quanto neste sábado.  Erick sentou-se ao meu lado direito e o casal Bruno Schlatter e Ana Carolina da Silveira à minha frente.  As carnes, como da vez anterior, estavam saborosas.  O vinho escolhido foi nosso velho conhecido, o Boscato Reserva Merlot, uma das melhores — senão a melhor — relação custo-benefício do país.  Já o show de danças e músicas folclóricas desta vez decepcionou, pois, ao contrário do ano passado, não logramos escalar um participante da Odisseia para subir ao palco e arriscar a vida enfrentando chicotes e boleadeiras, como Rober Pinheiro fez da última vez.  Não obstante o lobby fracassado que levamos avante em prol do Hugo Vera, acabou que não escalaram ninguém das duas mesas que ocupávamos e, quando dei por mim, o show já havia acabado.
Além do bate-papo animado com Erick, Bruno, Carol e Flávio Medeiros, travei contato com Artur Vecchi, antigo amigo virtual das lides da Intempol.  Nascido carioca, Artur naturalizou-se gaúcho ao desposar uma nativa.  Conversamos um bocado sobre os desenvolvimentos originais e atuais do universo ficcional intempoliano.
Artur Vecchi e GL-R na Galpão Crioulo.

Erick Sama e GL-R felizes e algumas poucas garrafas acima...

Hugo Vera, GL-R e Flávio Medeiros.  Huguinho, último bastião da sobriedade.

Enfim, como tudo que é bom dura pouco, nosso jantar apoteótico chegou ao seu fim e nós quitamos a conta parruda em função das muitas garrafas de vinho e regressamos ao hotel.  Como, eu não sei... :-)
Lido Hotel, Porto Alegre, 13 de abril de 2013 (sábado).

DIA 3
201304142359P1  —  19.273 D.V.

Acordei cerca de 08h45 com o telefonema do Erick convidando-me para o café da manhã no restaurante do Lido.  Ao falar com ele, percebi que estava gripado e quase sem voz.  Desjejum iniciado, após a segunda xícara de café preto, comecei a me sentir razoavelmente humano outra vez.  Depois de alguns pães de queijo, a voz já estava normal a ponto de eu conseguir descrever uma ou duas cenas de ação da trilogia que estou escrevendo no mesmo universo ficcional do romance A Guardiã da Memória.
Então olhei para o relógio e percebi que já era 09h40.  Pequeno detalhe: meu voo decolaria dentro em setenta minutos do Salgado Filho.  Propus me despedir do Erick e do Hugo, visto que o voo deles para Sampa só partiria por volta do meio-dia, mas acabamos combinando seguir junto para o aeroporto.  Felizmente, neste domingo ensolarado o trânsito estava ótimo em Porto Alegre e só levamos quinze minutos do Lido até o setor de embarque do aeroporto.  Antes de me despedir dos meus bons amigos, mostrei-lhes o exemplar da antologia de ensaios The Sex is Out of This World que constituiria minha leitura na viagem de volta para o Rio.  Na chegada, ao contrário de Porto Alegre, a cidade estava chuvosa e friorenta, ocasião perfeita para me recobrar da ressaca e me preparar para o início da semana.
Enfim, mais uma Odisseia Fantástica concluída com êxito.  Os cinco organizadores, Chris, Duda, Cesar, Nikelen e David estão de parabéns!
Jardim Botânico, Rio de Janeiro, 14 de abril de 2013 (domingo).



Participantes:
Adriano Siqueira
Alicia Azevedo
Ana Carolina Silveira
Ana Cristina Rodrigues
Ana Lucia Merege
Andre Zanki Cordenonsi
Andréa “Apocrypha” Alves
Artur Vecchi
Bruno Schlatter
Camila Fernandes
Celly Borges
Cesar Alcázar
Christian David
Christopher Kastensmidt
Daniel Dutra
Douglas Quintas Reis
Duda Falcão
Edgard “Garappa” Refinetti
Eric Novello
Erick Sama
Estevão Ribeiro
Everson Probst
Flávio Medeiros
Felipe Castilho
Fernanda Lima Kastensmidt
Gabriela Nascimento
Georgette Silen
Gerson Lodi-Ribeiro
Giulia Moon
Henrique de Lima
Hugo Vera
Humberto (Martha Argel)
Jacques Barcia
Kyanja Lee
Larissa Caruso
Leo Carrion
Leonardo de Albuquerque
Luciane Rangel
Marcelo D. Amado
Marcelo Galvão
Marcelo Paschoalin
Martha Argel
Max Mallmann
Mustafá Ali Kanso
Nikelen Witter
Regina Zilberman
Rober Pinheiro
Roberto de Sousa Causo
Rosana Rios
Sílvio Alexandre
Simone Mateus
Simone O. Marques
Simone Saueressig
Walter Tierno














quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Fim de Ano da Llyr na Casa da Leitura


Fim de ano da llyr
na
casa da Leitura
 

201212152359P6 — 19.153 D.V.

 

Noutro evento em petit committee, compareci hoje à tarde na Casa da Leitura em Laranjeiras para o evento de fim de ano da editora Llyr.

Apesar da plateia reduzida, talvez em virtude do sábado chuvoso, o evento — um misto de mesa-redonda e bate-papo — mostrou-se produtivo e divertido.

*     *      *

 

Ainda sob efeito dos excessos literários, etílicos e gastronômicos — não necessariamente nesta ordem — da noite passada aqui em casa, por ocasião da vinda do Flávio Medeiros ao Rio, almocei um risotinho de frango caseiro e parti para a empreitada da Llyr no bairro carioca das Laranjeiras.

Levei uma mochila carregada de livros.  Pois, mesmo sem muita esperança de concretizar vendas, por insistência de minha amiga, Ana Cristina Rodrigues, levei oito exemplares da antologia Como Era Gostosa a Minha Alienígena! (Ano-Luz, 2002) e da coletânea Histórias de Ficção Científica da Carla Cristina Pereira (Draco, 2012).  Minha perspectiva se revelou realista.  Ninguém se interessou pelos livrinhos.

Fui escalado para participar de uma mesa-redonda com os autores Estevão Ribeiro e Marcelo Amaral, com moderação da Ana Cris.  Como essa atividade estava prevista para começar às 16h00, cheguei coisa de meia hora antes, pegando o fim da oficina literária ministrada pela Ana para uma plateia seleta e interessada.  Os conselhos, sugestões e perguntas de costume pipocaram animadas sobre editais, preparo de originais, revisões, leitores betas e leituras críticas, expectativas, publicação paga e cuidados na relação de amor-ódio entre autores e editores.  Pelo teor e pertinências das perguntas da plateia, fiquei com a impressão de que havia mais de um autor iniciante do outro lado da mesa-redonda.  No quesito exemplos práticos, ao falar de autores que se metem na diagramação ou na confecção da capa, Ana citou o caso do próprio Marcelo Amaral, autor do romance de fantasia infantojuvenil Palladinum: Pesadelo Perpétuo (Llyr, 2011), como contraexemplo.  Marcelo não só elaborou a capa e as ilustrações internas do romance, como ainda insistiu em alterar a diagramação, pelo que entendi, com resultados positivos.

Estevão Ribeiro, Ana Cristina Rodrigues e Marcelo Amaral:
relação de amor-ódio entre autores e editores.
 
Ao longo da tarde, Ana Cris se dividiu entre os eventos da Llyr na Casa da Leitura e o acompanhamento online via tablet do processo seletivo de uma premiação literária que ela está coordenando na Fundação Biblioteca Nacional.  É que, não obstante os compromissos firmados, um dos jurados da categoria romance divulgou a lista de finalistas no Facebook.

No intervalo entre uma atividade e a outra, rolou umas torradas com coca-cola trazidas pelo Estevão de uma padaria próxima, com direito a chocotone à guisa de sobremesa.

A segunda parte do evento consistiu na mesa-redonda em si, presidida por nossa augusta editora Ana Cris, que falou dos projetos da Llyr para 2013, confirmando a publicação, dentre outros livros, do meu romance de ficção científica hard Quando Deus Morreu, que ela crê possuir uma pegada juvenil.  Espero que esteja certa.  Em minha defesa, declaro que o protagonista é um adolescente, Eduardo Torres, e a trama não possui, ao que eu me lembre cenas de sexo explícito.J

Em seguida, Ana passou a palavra ao Marcelo que falou sobre um segundo romance no universo ficcional Palladinum.

Na minha vez de falar, antes de abordar meus planos, atividades e lançamentos para 2013, falei um pouco do que fiz neste ano, com ênfase à organização de quatro antologias com submissões abertas (maratona exaustiva que me levou a analisar mais de quinhentos textos originais no total), na concretização do sonho de lançar minha coletânea Histórias de Ficção Científica de Carla Cristina Pereira (Draco, 2012) e da antologia Erótica Fantástica 1 (idem), além da conclusão do primeiro romance de uma trilogia que estou escrevendo no universo ficcional Ahapooka (A Guardiã da Memória).  Ao falar da coletânea carliana, tive que explicar o porquê de ter criado a persona feminina.  Neste ponto, Ana Cris puxou pela memória, lembrando as paixões que Carla despertou ao longo dos anos.  Daí, falei dos meus planos para 2013, com ênfase aos lançamentos de Quando Deus Morreu pela Llyr e As Aventuras do Vampiro de Palmares pela Draco.  Não cheguei a falar de minha pretensão de concluir o segundo romance da trilogia Mundo-Sem-Volta, até porque não sei se conseguirei fazê-lo.

Por último falou Estevão Ribeiro, cujos planos para o ano vindouro foram os mais extensos ou, pelo menos, os mais detalhados, com ênfase na graphic novel verniana Da Terra à Lua, para a qual escrevi o prefácio; da série Pequenos Heróis e de mais um volume das HQs de Os Passarinhos.

Marcelo Amaral, GL-R, Estevão & Ana Cris.
 
Findas nossas falas, abrimos para as perguntas da plateia que versaram, em sua maioria, sobre a aceitação de originais pelas editoras.

Após o evento na Casa da Leitura, o pessoal estava programando sair para comer alguma coisa e prosseguir com o bate-papo num ambiente menos formal.  No início, planejei ir, mas depois, julguei melhor regressar à base para recarregar as baterias.

Neste fim de semana de atividades intensas na seara da ficção científica carioca, quase não houve tempo para escrever crônicas sobre as experiências vividas.

Jardim Botânico, Rio de Janeiro, 15 de dezembro de 2012 (sábado).


Participantes:
       Ana Cristina Rodrigues

Estevão Ribeiro
Gerson Lodi-Ribeiro
Marcelo Amaral

domingo, 16 de dezembro de 2012

Flávio Garfield Medeiros in Rio




Flávio Medeiros in rio 2012

 

201212142359P6 — 19.152 D.V.

 “Muito obrigado, Edu!  Sem a força do seu fundo de pensão, minha vinda ao Rio não seria possível...
[Flávio Medeiros em discurso de agradecimento a Eduardo Torres]

 

Aproveitando a presença inopinada de nosso amigo Flávio Medeiros Jr. na Cidade Maravilhosa para participar da cerimônia de premiação do XII Concurso de Contos Petros, patrocinado pela Petrobras, marcamos um jantar em petit committee no restaurante Risata, com direito a uma esticada aqui em casa para degustar uns vinhos legais.

*     *      *

 

Na manhã de hoje, enquanto me preparava para sair ao trabalho, recebi um torpedo do Flávio Medeiros, dando conta de que estava na cidade e, portanto, em princípio, disponível para sair com os amigos à noite, pois regressaria para Belo Horizonte apenas no sábado de manhã.  Liguei de volta e combinamos um jantar às 20h00 no Risata, um restaurantezinho especializado em risotos muito simpático que abriu há três meses em frente ao nosso prédio.  Prometi que, depois do jantar no restaurante, daríamos um pulo aqui em casa para degustar uma ou duas garrafas de um vinho de fina estirpe.

A caminho do trabalho, liguei para tentar arrebanhar os amigos Ana Cristina Rodrigues, Eduardo Torres, Max Mallmann e Octavio Aragão para o evento.  Max confirmou de bate-pronto.  Edu ficou de dar uma resposta no meio da tarde e acabou confirmando também.  Octavio estava preso num daqueles compromissos familiares inadiáveis e Ana Cris andava às voltas com a organização de um concurso ou prêmio literário por conta da Fundação Biblioteca Nacional.  Sugeri que, se fosse o caso, bypassar o jantar e aparecer só para o vinho lá em casa, mas, ao frigir dos ovos, eles não puderam vir.

Deste lado do front, Cláudia deveria comparecer numa cerimônia em homenagem à Escola Naval pela câmara de deputados em pleno Palácio Tiradentes.  O horário previsto para o início da cerimônia era às 19h00 e sem hora para acabar.

Decidi chegar ao Risata às 19h45 para garantir a mesa, mas tal não foi preciso, pois, quando ingressei no estabelecimento, só havia um cliente lá dentro: meu amigo Max Mallmann.  Boa oportunidade para colocarmos nosso papo em dia.  Ele falou sobre algumas nuances dos roteiros e da produção do seriado global A Grande Família, comentamos o filme e o seriado Mulher Invisível, em função da recente premiação desse último no Emmy.  Max também me esclareceu certas dúvidas sobre o enredo do romance de continuação ao Centésimo em Roma que ele deve lançar no segundo semestre de 2013.  Falamos um pouco sobre as repercussões do lançamento paulistano de minha coletânea carliana Histórias de Ficção Científica de Carla Cristina Pereira.
 
GL-R, Eduardo Torres, Flávio Medeiros e Max Mallmann no Risata.

Preso num engarrafamento em Botafogo, nosso convidado de honra Flávio Medeiros chegou por volta das 20h30 com uma mala repleta de livros.  Ato contínuo, explicou-nos o motivo de sua vinda-relâmpago ao Rio.  Sagrou-se finalista num concurso literário, o XII Concurso de Contos Petros, patrocinado pela Fundação Petrobras de Seguridade Social (Petros), o fundo de pensão dos funcionários da Petrobras.  Como finalista, teve suas despesas de passagem aérea, alimentação e hospedagem bancadas pelo Petros, com direito, inclusive, a acompanhantes e extensivo ao fim de semana completo na Cidade Maravilhosa — benesses que, infelizmente, não aproveitou, pois sua esposa, Luciana, não pôde vir com ele.  Coisa de meia hora mais tarde, chegou Eduardo Torres, que havia ficado igualmente retido no engarrafamento supramencionado.  Como engenheiro da Petrobras, nosso amigo Edu não logrou esconder sua preocupação com os gastos milionários de seu fundo de pensão.  Para amenizar o clima, Flávio agradeceu efusivamente pela oportunidade de vir ao Rio, rever os amigos e, melhor ainda, ser publicado, tudo às custas de Eduardo e outros milhares de pensionistas e, quem sabe (pois o futuro é incerto), futuros pensionistas.  Frisamos o lado positivo do patrocínio ao mecenas involuntário: se o Petros possui tantos recursos assim para esbanjar — algo como a caixa-forte abarrotada do Tio Patinhas, em que é preciso torrar alguns milhões de reais porque simplesmente não cabe mais numerário lá dentro... — é sinal de que sua aposentadoria está assegurada.  Claro que sempre há o lado negativo, nosso amigo matutou, lembrando que não foi o primeiro ou sequer o quinto concurso de contos, mas o décimo-segundo...
 
Flávio presenteia seu mecenas involuntário com um exemplar da antologia.
 

Flávio conquistou o segundo lugar no XII Petros com o conto “Conto de Fadas”, uma atualização satírica da velha historinha “A Princesa e o Sapo”.  A escolha final — após uma comissão ter escolhido os trinta trabalhos finalistas — ficou a cargo do escritor, jornalista e tradutor, Carlos Heitor Cony.  Embora o concurso seja voltado para contos mainstream, o trabalho do Flávio em particular se enquadraria sem dificuldade numa antologia de fantasia.  É a terceira premiação de nosso amigo em 2012.  As outras duas foram o segundo lugar no Concurso Hydra com o conto de ficção alternativa “Por um Fio” e o Prêmio Argos na categoria ficção curta, com a bela noveleta de ficção científica, “Pendão da Esperança”.[1]

Com os quatro já presentes, pedimos o cardápio.  Eu, Flávio e Max escolhemos picanha (a minha, acompanhada por batata rösti), Edu, quiçá já preocupado com despesas futuras, limitou-se a um risoto.  Como iríamos tomar vinho lá em casa após o jantar no Risata, eu, Edu e Flávio nos limitamos a taças de branco argentino, para acompanhar o couvert, e tinto, para regar os pratos principais, ao passo que Max manteve-se fiel às suas Boemias.

Durante o jantar conversamos sobre as idiossincrasias do subfandom carioca e os últimos embates e novidades das redes sociais e listas de discussão.  Flávio lamentou não ter a oportunidade de conhecer pessoalmente o legendário Miguel Carqueija.

Ao fim do ágape, Cláudia chegou do Palácio Tiradentes e se sentou conosco, degustando os últimos fiapos de batata rösti do meu prato, pois não havia jantado.  Quitada a conta, atravessamos a rua, transferindo a bagunça aqui pra casa.  Para acompanhar os vinhos, servimos mousse de salame hamburguês, pasta de grão-de-bico, pão sírio e queijo provolone.  Abrimos o serviço com um tinto italiano, o Sponsà Veronese 2009, da Tenuta Sant’Antonio.  Cláudia preferiu um espumante, o Chardonnay Brut da Panizzon.  À medida que a noite avançava, liquidado o italiano, para homenagear tanto o Flávio, autor galardoado, quanto o Edu, mecenas da ficção curta, passamos ao ícone chileno, Clos Apalta 2008, da Casa Lapostolle, devidamente decantado de modo a revelar todo o seu potencial.  Enfim, quando a noite se transformou em madrugada, fechamos com chave de ouro com o excelente Sordo Barolo 2005, um tanto jovem, é certo, mas não é sempre que o Flávio vem ao Rio, então, valeu o pretexto.J

Flávio mostrou seu diploma do XII Petros e presenteou com exemplares autografados da antologia comemorativa que, este ano, homenageou o autor Marcelo Rubens Paiva.  Além das despesas pagas, ele recebeu cinquenta exemplares e uma bela bolsa do XII Petros.  Eduardo mostrou-se mais uma vez preocupado e até temeroso com o teor desta crônica.  Aproveitei o ensejo para presentear Flávio com um exemplar autografado da minha coletânea carliana.

Flávio Medeiros: premiado & diplomado mais uma vez!

Nosso convidado de honra aqui em casa.


Conforme os teores alcoólicos se elevaram em nossas bravas correntes sanguíneas, nossas línguas foram se soltando.  Daí, não me espantei tanto com os elogios rasgados do Flávio à ousadia erótica em algumas cenas de meu romance de ficção científica A Guardiã da Memória (Draco, 2011).  Confessei-me ligeiramente preocupado com a associação automática do meu nome a textos com carga erótica explosiva.  O fato é que tenho recebido ultimamente, junto com convites para participar de antologias de ficção curta, alguns toques para maneirar porque os antologistas pretendem veicular seus livros junto à rede escolar e, embora os adolescentes reprimidos de plantão pudessem até adorar o tipo de texto erótico que costumo escrever, as professoras responsáveis pela seleção de material de leitura dificilmente o aprovaria.

Bate-papo animado: colocando as fofocas em dia.
 
Brinde dos quatro heróis etílico-literários!
 
Nosso convidado de honra falou-nos de suas experiências memoráveis em Las Vegas e logrou apagar pelo menos parte de nossos preconceitos contra a meca norte-americana do jogo e da diversão.  Como jamais apreciamos a jogatina, a ponto de, vinte anos atrás, termos sobrevivido virgens e incólumes às pretensas tentações dos Cassinos de Montecarlo e Estoril, Las Vegas nunca pontuou como um de nossos sonhos de consumo turístico.  Só que Garfield nos contou sobre uma porrada de Circos de Soleil existentes na cidade, dos restaurantes cinco estrelas a preços módicos e das excursões de helicóptero ao Grand Canyon a preços mais acessíveis do que um mísero sobrevoo na Zona Sul do Rio.  Daí, para sonharmos com uma outra excursão, partindo de Las Vegas para a Cratera do Meteoro foi um pulo...  Sem dúvida, nosso amigo nos fez rever nossos conceitos!

Bate-papo animado: in vino veritas!
 
Lá pelas tantas, Flávio trouxe à baila a questão de meu boicote ao Concurso Hydra, assumido publicamente na primeira semana da Fantasticon 2012.  Expliquei que, apesar de considerar Orson Scott Card um autor extremamente talentoso de ficção científica e fantasia, bem como uma pessoa humana afável (pelo menos foi a impressão que tive quando o conheci pessoalmente no interior de São Paulo no fim da década de 1980), discordo frontalmente de sua postura política homofóbica.  Diante dessa discordância, não faz sentido participar de um certame literário patrocinado por aquele autor.

Casal anfitrião.
 
Vítimas do pelotão de fuzilamento em ordem de abate.
 
Em meio à degustação do Barolo, Flávio perpetrou a confissão da noite, declarando não possui o sentido do olfato para todo e qualquer efeito prático.  Daí, o assunto derivou para os alegados aromas sutis dos vinhos e, então, para os kits de aromas enológicos.  Foi o bastante para que minha cara-metade buscasse nosso kit e nós cinco passássemos a brincar de experimentar e tentar adivinhar os aromas dos diversos frascos do kit.  Há um ditado no mundo enológico que afirma que “degustação às cegas constitui uma lição de humildade”.  Pois bem: Eduardo foi o único a conseguir adivinhar um único aroma dos quatro ou cinco experimentados.  A exceção óbvia foi a essência de amêndoas, que nós cinco logramos acertar.

Nosso evento terminou sob protesto por volta das 02h00 de sábado.  Um encontro memorável sob dezenas de aspectos.  Pena que muito do que falamos não possa constar de uma crônica pública como esta.  A lamentar de verdade, apenas as ausências da Luciana, da Ana Cris e do Octavio.

Jardim Botânico, Rio de Janeiro, 14 de dezembro de 2012 (sexta-feira).


Participantes:


       Cláudia Quevedo Lodi
Eduardo Torres
Flávio Medeiros
Gerson Lodi-Ribeiro
Max Mallmann



[1]. O primeiro lugar do XII Petros foi para o conto enxuto e pungente “A Gaiola”, de Éber Veríssimo Rocha.