sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Noite Abstêmia no Estação Gourmet


Noite abstêmia no estação gourmet

 

201211232359P3 — 19.137 D.V.

 
“War is hell.”
[William T. Sherman]

 

Deu-se hoje à noite mais uma das bebemorações periódicas do grupo de amigos da comunidade de literatura fantástica carioca e afins, congregada como de costume no espaço gastronômico da Estação Gourmet, sob pretexto de colocar as conversas em dia.

Do meu ponto de vista, a parte das bebemorações não rolou, pois já havia jantado com a Cláudia em casa, mas a parte de colocar o papo em dia foi muito boa.

*     *      *

 

Quando cheguei ao restaurante já estavam lá Ana Cristina Rodrigues, Jorge Pereira, Max Mallmann, Carlos Eugênio Patati e Luiz Felipe Vasques.

Para começar, mostrei aos amigos o livro Nós, Ciborgues, que Fátima Regis lançou na semana passada na Blooks.  Aproveitei o ensejo e mostrei também o romance de Samuel L. Clemens (mais conhecido como Mark Twain), A Connecticut Yankee in the King Arthur’s Court, que estou lendo agora.  Todos os presentes confirmaram também não terem lido o romance.  Senti alívio: a lacuna de ignorância literária não era só minha…J  Em contrapartida, Ana Cris mostrou-nos o livro O Cair da Noite, de Isaac Asimov, novela que ela traduziu para o português.  Esse livro chega ao mercado com um acabamento caprichado, capa dura e ilustração retrô, prefácio de Marcello Simão Branco e o escambau. Uma aquisição que vale a pena considerar, mesmo para quem já possui a noveleta numa coletânea ou antologia qualquer.
 
Ana Cristina Rodrigues, Max Mallmann e Jorge Pereira.

Carlos Eugênio Patati, Luiz Felipe Vasques e GL-R.


Para gáudio da Ana Cris, a narrativa do ianque Hank Morgan em Camelot e adjacências levou-nos à temática das fantasias medievais em geral e das fantasias arturianas em particular.  Confirmei-lhe que Twain realmente situa sua narrativa de história alternativa ou história oculta (como sói acontecer nesses casos, só será possível proferir o veredicto final ao fim da leitura) avant de letre no século VI, o que prova que ele estava razoavelmente bem informado para a época em que escreveu uma narrativa de viagem temporal não-tecnológica na penúltima década do século XIX, antecedendo em alguns anos a publicação de A Máquina do Tempo, de H.G. Wells.  Tenho impressão de que Twain logrou estabelecer um diálogo frutífero com outros romances medievais escritos naquele século, mas precisaria lê-los ou, em alguns casos, relê-los, para confirmar esse ponto.

Das fantasias arturianas, passamos aos romances históricos medievais propriamente ditos, com ênfase óbvia no Ivanhoé, de Sir Walter Scott, autor que chega a ser citado explicitamente em A Connecticut Yankee...  Dos romances históricos à história real da Idade Média e dali à Idade Moderna foi um pulo.  Falamos sobre questões dinásticas do ducado da Borgonha (ante o vastos conhecimentos de minha amiga, limitei-me a ouvir e aprender) e dos reinos da península ibérica, com atenção especial à sagacidade matrimonial de el-Rei Dom Manuel o Venturoso ao decidir desposar a princesa espanhola inicialmente destinada a seu filho e herdeiro no trono português.  Pois, em circunstâncias ligeiramente diversas, a estratégia do velho monarca poderia ter resultado numa Unificação Ibérica sob égide lusitana, em vez de espanhola.  Um belo exemplo histórico de uma estratégia brilhante que não deu certo...

Max, Jorge e Felipe esmiuçaram o triste caso de Macarrão no julgamento do ex-goleiro Bruno, indiciado por sequestro, cárcere privado e homicídio da ex-namorada.  Quando alguém comentou que Macarrão teria se afirmado humilhado pelos companheiros de prisão, o trio maldoso tripudiou sobre prováveis sevícias infligidas na prisão: “com aquela tatuagem, ‘Bruno e Maca, amor eterno’, o que é que ele queria?”  As agruras de Macarrão no Caso Bruno.  Também se cogitou uma variante da popular meinha com troca de juras de amor em tatuagens em vez de favores sexuais.  Ao que parece, Macarrão resolveu desistir de se imolar em prol do ex-amigo de infância e botou a boca no trombone.  Vamos ver no que vai dar...

Ana Cris comentou que não poderá comparecer à Bagunça Literária que se desenrolará lá em Sampa no próximo sábado.  Com essa ausência inopinada, minha amiga me delegou a missão de trazer de volta para o Rio uma data de biscoitos que lhe será trazida pela autora portuguesa Valentina Silva Ferreira.  Valentina já publicou diversos trabalhos deste lado do Atlântico, dentre os quais destaco — por razões óbvias — o conto “Sexo de Água, uma Mutação Tentadora”, lançado na antologia Erótica Fantástica 1, que organizei para a Draco este ano.

Não sei por que cargas d’água a conversa derivou para o alcoolismo de Ulysses S. Grant, comandante-em-chefe das forças da União na segunda metade da Guerra Civil Americana.  Destrinchamos a estratégia de Grant, o Açougueiro, e Sherman, o Flagelo de Atlanta, bem como os papéis desses generais no propósito do presidente Abraham Lincoln de aniquilar definitivamente a sociedade escravista do Velho Sul.

Comentei com Max que estamos presentemente assistindo uma espécie de maratona do seriado da Rede Globo, A Grande Família, em que ele atua como roteirista.  Andamos gravando uns sete ou oito episódios seguidos e só agora encontramos tempo para assisti-los.  Uma das atrações mais legais da temporada atual é um personagem gay cujo pai era amigo de infância do Lineu e que acabou se tornando sócio da Nenê.  Outro aspecto interessante é a inserção gradativa dos personagens do universo digital da internet, redes sociais, Facebook e outros que tais.  Quando começamos a assistir um episódio novo de A Grande Família, aqui em casa sempre apostamos se o roteiro tem ou não participação do Max Mallmann.  Sem falsa modéstia, cumpre confessar que acertamos em cerca de 90% das vezes.

Estevão Ribeiro chegou direto da redação quando eu já estava em plena sobremesa (torta suíça), após um copo de mate diet e uma coca zero.  Mesmo assim, cavamos tempo hábil para que ele detalhasse o desenvolvimento do projeto de sua graphic novel verniana Da Terra à Lua e me falasse um pouco sobre o êxito de vendas de seu livro Os Passarinhos e Outros Bichos.

Aliás, Ana e Estevão contaram que esse último foi até Itaguaí pelo O Dia, para uma matéria sobre o projeto do submarino nuclear brasileiro, que acabou não sendo publicada...

Eduardo foi outro que chegou mais tarde, numa hora em que todos já apostavam em novo forfeit, embora ele tenha chegado antes do Estevão.

A saída, lamentei um pouco do excesso de trabalho este ano na Prefeitura, mas, enfim, nada que seja novidade ou que valha a pena comentar.  O importante é que, na despedida, ao saber que lançarei a coletânea Histórias de Ficção Científica de Carla Cristina Pereira no próximo sábado na Bagunça Literária, o pessoal cobrou um lançamento carioca.  De repente, combino com o Erick Sama um evento conjunto com a Erótica Fantástica 1 lá na Blooks...

Eu, Eduardo e Jorge saímos juntos do Estação Gourmet e tomamos táxis em frente ao estabelecimento.

No todo um bom encontro, pois eu estava realmente precisando colocar a conversa em dia com meus amigos da ficção científica carioca para desopilar um pouco.

Jardim Botânico, Rio de Janeiro, 23 de novembro de 2012 (quinta-feira).

 


Participantes:
Ana Cristina Rodrigues
Carlos Eugênio Patati
Eduardo Torres
Estevão Ribeiro
Gerson Lodi-Ribeiro
Jorge Pereira
Luiz Felipe Vasques
Max Mallmann

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Nós, Ciborgues de Fátima Regis


Lançamento de nós, ciborgues

 

201211132359P3  — 19.127 D.V.

 

Saí direto do trabalho debaixo de uma chuva fina e persistente para o lançamento do livro Nós, Ciborgues (Champagnat, 2012) de minha amiga e afilhada Fátima Regis, na livraria Blooks, situada na galeria Unibanco Artplex, na Praia de Botafogo.  Apesar de ter saído da Cidade Nova com certeza antecedência, graças a um engarrafamento no caminho até a Lapa, cheguei quase uma hora atrasado.  Em compensação, concluí a leitura do romance O Alienado (Draco, 2012) do Cirilo S. Lemos durante a jornada.

Posando de marido orgulhoso, Sylvio Gonçalves fez as honras da casa de filmadora em punho.  Enquanto a esposa autografava, Sylvio fotografava e filmava.

Aproveitei o evento para colocar o papo em dia com os amigos Marcelo Couto e Carlos Patati, além de ter conversado durante praticamente todo o evento com Luísa Gonçalves, a filha de sete anos de nossos afilhados.

*     *      *

Fátima Regis, autora de Nós, Ciborgues.

 

Ao me dirigir à mesa de autógrafos reencontrei a cunhada da Fátima (esposa de seu irmão) que eu já não via desde o casamento de nossos amigos, dezoito ou vinte anos atrás.  Aproveitei para tirar fotos com a autora e bater papo com Luísa, precoce e inteligente em seus sete anos como só a filha de Sylvio e Fátima pode ser.

Junto aos refrigerantes servidos por conta da Blooks, havia um Concha y Toro Reservado Cabernet Sauvignon e um branco que, sem óculos, não logrei identificar.  No meio para o fim do lançamento, Sylvio determinou a substituição do tinto padrão por um Casillero del Diablo Syrah, escolha correta que caiu em meu palato e trato gustativo como uma (l)uva, com perdão do trocadilho.

Marcelo Couto, Sylvio Gonçalves e GL-R.
 
Conversei com Sylvio e Marcelo sobre séries televisivas, com ênfase na animação de ficção científica Futurama e em minha recente paixão pela série criminal Dexter, sobre um serial killer especializado em matar outros serial killers...

Patati e a filhinha de seis anos Sofia chegaram um pouco mais tarde.  Não sei se ela e Luísa já se conheciam, mas, pelo jeito que brincavam, pareciam velhas amigas.  Ah, a infância...J

Nós, Ciborgues é a versão em livro da tese de doutorado que Fátima defendeu em meados de 2002.  Um texto acadêmico de ficção científica extremamente interessante, com insights significativos sobre a presença e a influência da tecnologia em nossos corpos.  Um trabalho com que travei contato já por ocasião da defesa da tese mais de uma década atrás.  Lastimo que tenha demorado tanto tempo para ser publicado, no que se pese que o texto tornou-se ainda mais atual e mais pertinente nestes dez anos.

De repente, Sofia apareceu aos prantos.  No início, imaginamos que ela houvesse se machucado nas corredias Blooks adentro.  Mas, não.  Chorando, a pequena nos alertou que o lábio inferior de Patati estava com um tremor, segundo ela, sintoma claro de hipoglicemia.  Devidamente avisados, ao constatar que nosso amigo de fato parecia meio zonzo, sentamos com ele naquele pufe circular da livraria e lhe ministramos dois valentes copos de refrigerante não dietético.  Medicação ingerida, Patati recobrou o vigor em questão de instantes.  Todos ficaram impressionados e comovidos com a ação rápida e precisa de Sofia em defesa de seu pai.

Contrariando nossas tradições, ao fim do lançamento não nos dirigimos ao Estação Gourmet, mas sim a um restaurante bem mais próximo, situado numa transversal à Praia de Botafogo, um estabelecimento simpático pelo qual eu já havia passado diversas vezes, mas que nunca havia entrado.  Além de Sylvio, Fátima e Luísa, foram comigo ao restaurante Marcelo e dois amigos do casal: Luiz e um outro, fã de HQ, cujo nome não me recordo.

Já acometido de certa pirose (maladia popularmente conhecida por “azia”), em virtude da ingestão de cinco ou seis taças de vinho de estômago vazio, uma vez aboletado no restaurante, limitei-me aos bolinhos de bacalhau regados com coca-zero.  Os outros convivas também degustaram batatas fritas e salada.  Durante boa parte da refeição, eu e Luiz nos aliamos para enfrentar Luísa no jogo da forca.  Nem é preciso falar que fomos fragorosamente massacrados na maioria das rodadas...

Quando enfim pagamos a conta e saímos do restaurante já passava da meia-noite e a chuvinha fina ainda não havia passado.

Mais um lançamento relacionado à literatura fantástica que começou na livraria Blooks, ponto tradicional para esse tipo de atividade bibliorrecreativa, terminando num restaurante próximo, para alegria dos que comungaram do momento de triunfo autoral dessa autora querida.

 

Jardim Botânico, Rio de Janeiro, 13 de novembro de 2012 (terça-feira).

 


Participantes:
 
Carlos Eugênio Patati
Elisa Ventura
Fátima Regis
Gerson Lodi-Ribeiro
Luísa Gonçalves
Luiz
Marcelo Carvalho Couto
Sofia
Sylvio Gonçalves

terça-feira, 30 de outubro de 2012

JediCon 2012 no Planetário da Gávea


Jedicon 2012 no planetário da gávea

 

201210272359P7 — 19.104 D.V.

“Star Wars é space-opera em grande escala.”
[Brian Aldiss, in Trillion Year: the History of Science Fiction]

 

Depois de um lauto almoço de sábado com tudo a que se tem direito, tomei um táxi aqui de casa e em menos de cinco minutos desembarcava no portão lateral do Planetário da Gávea, para participar da mesa-redonda “Space-Opera na Literatura Fantástica”, um dos muitos eventos da JediCon 2012, em comemoração ao trigésimo quinto aniversário do lançamento do Star Wars original.

Meus parceiros de mesa seriam Clinton Davisson, atual presidente do Clube de Leitores de Ficção Científica (CLFC) e Hugo Vera, coorganizador das antologias Space Opera I (Draco, 2011) e Space Opera II (Draco, 2012).  Por motivos de foro íntimo, Hugo não pôde comparecer ao Rio neste fim de semana, mas foi substituído condignamente pela autora e editora Ana Cristina Rodrigues que, além de falar muito bem, é consideravelmente mais bonita do que o Huguinho.

 

*     *      *

 

Pouco antes do almoço, por volta das 13h30, Clinton ligou para informar que nossa mesa-redonda teria sido antecipada do horário previsto das 17h00 para às 14h15.  Como ainda não tomara banho e tampouco almoçara, falei que devia chegar “um pouquinho” atrasado.  Felizmente, minutos mais tarde, nosso presidente voltou a ligar para corrigir: a mesa fora antecipada das 17h00 para às 16h15, mais factível, portanto.

Quando cheguei ao Planetário às 16h10, até o motorista do táxi se assustou com o tamanho da fila de entrada.  Receei chegar atrasado ao auditório, porém, quando informei às mocinhas do controle de acesso que fazia parte da próxima mesa, elas me deixaram entrar direto e ainda coletaram meu quilograma de açúcar refinado, pois o ingresso para o evento era um quilo de alimento não perecível.

Subi ao segundo andar, onde Clinton e Ana Cris já aguardavam o término da mesa anterior junto à porta do Auditório Sergio Menges.  Comentei com eles que Menges fora meu professor no primeiro período do curso de graduação em Astronomia no Observatório do Valongo (UFRJ) quase trinta anos atrás.  O tempo passa...
 
Miguel e Ana Cristina Rodrigues na entrada do Planetário.

Reinava um calor intenso no Planetário e a situação não estava melhor no auditório.

Iniciamos nossa mesa-redonda mais ou menos no horário.  Após nossa apresentação à plateia pelo mestre-de-cerimônias do evento, demos início aos trabalhos.

Após um introito breve, Clinton me passou o microfone.  Daí, procurei esclarecer a origem histórica do termo “space opera” e conceituar os elementos principais que caracterizam os enredos desse subgênero da ficção científica, ou seja, trama melodramática repleta de ação e aventura, envolvendo conflitos interplanetários ou interestelares, onde o herói salva — praticamente sozinho — a galáxia ou, pelo menos, o Sistema Solar, das garras de vilões humanos ou alienígenas, preocupando-se ainda em salvar a mocinha bonita, mas em geral descerebrada.  Falei ainda que em sua, versão “puro-sangue”, o subgênero perdeu boa parte de seu encanto no início da década de 1940, quando a ficção científica literária efetuou um salto quântico de qualidade, quando seus enredos se aprimoraram e seus personagens se tornaram mais profundos e complexos.  Comentei também sobre a apropriação dos temas outrora restritos à space-opera por parte da ficção científica mais madura, citando como exemplo o emprego da temática do império galáctico por Isaac Asimov em Fundação.  Finalmente, encerrei falando um pouco do movimento new space opera que resgatou os elementos arquetípicos do subgênero original, travestindo-os com roupagens e aparatos da ficção científica hard.

Então passei a palavra à Ana Cristina que varreu as ocorrências de enredos de space-opera no cinema e na televisão, de Guerra nas Estrelas até Battlestar Galactica, passando por Inimigo Meu e V, a Vitória Final.  Discutimos a relativa raridade das adaptações cinematográficas de clássicos da space opera e, incrivelmente ou, quiçá, piedosamente, esquecemos de falar do Flash Gordon.

Clinton trouxe a bola para o mundo lusófono ao mencionar as antologias Space Opera da Draco, lembrando que a maioria dos enredos presentes nos dois volumes não constituem space-operas stricto sensu, mas antes lato sensu.  Aliás, eu me atreveria a dizer que os três ou quatro trabalhos de que mais gostei nos dois livros foram justamente aqueles que lograram transcender os limites estilísticos da space-opera.

Já na fase de bate-papo com a plateia, falamos um pouco das dificuldades de distinguir trabalhos de (new) space opera de outros que exibem alguns poucos elementos do subgênero sem constituírem space-operas legítimos.  Respondemos perguntas que versaram de zumbis ao filme Distrito 9 que, enfim, não é space-opera.  Aproveitamos o ensejo para falar da antologia Space Opera III, que se encontra presentemente com submissão aberta aos trabalhos de autores novos e veteranos.

Encerrada a mesa-redonda, saímos do auditório e encontramos os fãs do universo ficcional Taikodom, Alberto Oliveira e Glauco Morais, que já haviam comparecido no lançamento carioca da Space Opera I no ano passado na livraria Blooks.  Encontramos também Mariana Gouvin e Regina Jan, e ainda travamos contato com Sander Souza, que compareceu ao evento acompanhado da esposa e da filhinha.  Ana Cris resgatou o filho Miguel das garras dos stormtroopers de plantão (na verdade, o garoto estava dando uma canseira terrível aos valentes soldados do Império...).  Antes de nos dispersarmos, ficamos de papo por cerca de uma hora nos jardins do Planetário.  Dali, Ana Cris e Miguel foram para um aniversário infantil em Niterói, Sander e família rumaram para a Ilha do Governador, enquanto os seis remanescentes caminharam até a Praça Santos Dumont para um galeto com coca-cola de fim de tarde no Braseiro da Gávea.  Como esse estabelecimento estava literalmente botando gente calçada afora, adotamos o plano B, que, àquele continuum espaçotemporal, significava o Hipódromo Um, restaurante de características análogas situado em frente ao Braseiro.
 
Glauco Morais, Ana Cris, Alberto Oliveira e Clinton Davisson
no Jardim do Planetário da Gávea.
 
Miguel, Ana Cris, Alberto, GL-R, Clinton e Sander Souza.

Alegres por estarmos finalmente num ambiente climatizado, pedimos nossas cocas e linguiças no espeto enquanto detalhávamos os processos de seleção para as antologias Brasil Fantástico e Solarpunk, organizadas, respectivamente, pelo Clinton e por mim.  Esse assunto veio à baila naturalmente, uma vez que alguns dos presentes haviam submetido trabalhos aos projetos referidos.  Falamos de submissões que abordam ideias instigantes e originais num texto desleixado e mal escrito.  Alguns exemplos emblemáticos foram citados.  Naturalmente, os nomes dos perpetradores não serão declinados aqui.

Dali o papo descambou para estratégias de análise de material original em termos de ficção curta, eleições municipais e questões políticas e administrativas do CLFC em suas diversas gestões.

Por volta das 19h30, saímos do restaurante e cruzamos a Santos Dumont rumo ao ponto de ônibus onde nos separaríamos.  Tomei o coletivo junto com Clinton, Mariana e Regina, mas saltei em meu quarteirão dois pontos mais tarde.  Ah, as vantagens de uma convenção pertinho de casa...

Mais um evento de ficção científica que valeu como pretexto para rever os amigos e colocar os bate-papos em dia.  Não sei quanto aos outros participantes, mas eu estava precisando.J

 

Jardim Botânico, Rio de Janeiro, 27 de outubro de 2012 (sábado).

 


Participantes:

Alberto Oliveira
Ana Cristina Rodrigues
Clinton Davisson
Gerson Lodi-Ribeiro
Glauco Morais
Mariana Gouvin
Miguel Rodrigues
Regina Jan
Sander Souza


quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Fantasticon 2012 (Semana 2)


FANTASTICON 2012
(Semana 2)

 

 “Eu ficaria muito preocupado se a crítica elogiasse meu livro.” [Felipe Pena]

 

“Você é botafoguense, não é?” [Dono do pezinho-sujo simpático, lembrando de minha torcida no Botafogo 4 x 2 América Mineiro no Brasileirão da Fantasticon 2011]

 

“Quando é que vocês, homens, engenheiros, vão inventar uma cozinha totalmente automática como a dos Jetsons?” [Finisia Fideli]

 

“Como escritor, eu ainda tenho muito o que aprender.  Como contador de histórias, eu sou muito bom, porque é o que eu faço com paixão.” [André Vianco]

 
DIA 3
201209222208P    19.068 D.V.

Depois de uma noitada no restaurante Capitânia do Clube Naval Piraquê por conta da recepção de casamento, eu e Cláudia deitamos por volta das 03:00h deste sábado e levantamos às 04:20h para pegar o voo G3 1505 da Gol para Sampa no Santos Dumont.

Chegamos ao aeroporto com bastante folga às 05:40h e, ao fazer o check-in eletrônico, descobrimos que fôramos transferidos para outro voo, o G3 1507, que não tinha portão de embarque designado e tampouco horário para decolagem.  Mortos de sono como estávamos, não reagimos à altura, porém, felizmente, o novo voo acabou decolando às 08:30h, meros noventa minutos de atraso em relação ao original.

Dormi quase a viagem inteira.  Já no aeroporto de Congonhas, sacamos algum dinheiro no caixa eletrônico e tomamos um táxi até nosso hotel.  Chegamos às 10:20h e o check-in seria apenas ao meio-dia.  Aproveitamos o tempo livre para comprar tickets de metrô na estação Paraíso e almoçar no Esfiha Chic, um restaurante de cozinha árabe simples e simpático ao lado do Mercure Paraíso.  Além da coalhada seca e das esfihas, comemos trouxinhas de carne moída enroladas em folhas de parreira.

Regressamos ao Mercure, fizemos o check-in.  Deram-nos o mesmíssimo quarto 14 em que fiquei no fim de semana passado.

Quarto verificado, mochilas desovadas, banhos tomados e partimos de metrô para Vila Mariana.  Uma vez lá, caminhamos a pé pela Sena Madureira até a Biblioteca Municipal de Literatura Fantástica Viriato Correa, sede da Fantasticon 2012.

Chegamos bem a tempo de assistir o bate-papo “Editores sem Papas na Língua”, com Karin Thrall (Anadarco); Erick Santos (Draco); Guilherme Sucena (Orago) e Richard Diegues (Tarja).  Os quatro iniciaram os trabalhos falando brevemente sobre as iniciativas recentes de suas editoras.  Erick destacou o trabalho recente de publicação de e-books — não apenas romances e antologias, mas contos e noveletas individuais, o equivalente digital do booklet, que ele apelidou single.  Os finalistas do Argos 2012 na categoria “Ficção Curta” já estão disponibilizados como singles. — em parceria com gigantes estrangeiros como Amazon e Apple; e brasileiros, como Saraiva e Cultura.  Após essa apresentação/divulgação de iniciativas, os editores passaram o microfone à plateia a fim de saciar a curiosidade dos jovens escritores quanto à submissão de originais; princípios de ética editorial e ideais de conduta na relação autor-editor; cuidados essenciais com textos e manuscritos; apuro na escrita em termos de forma e conteúdo; e por aí vai.  Os quatro se manifestaram cépticos (Erick mais enfático) quanto à validade da publicação independente como ferramenta para alavancar a carreira do autor.  É aquela velha história: se é o autor que banca a produção do livro, o critério da qualidade literária se vê irremediavelmente comprometido: o livro será publicado com ou sem qualidade para tanto.  Se a tiragem, a distribuição e a venda ficarem a cargo do autor que já bancou a produção, o papel da editora se reduziu essencialmente ao de uma gráfica, certo?  Erick frisou ainda o papel das antologias temáticas na revelação de novos talentos.
 
 
Bate-papo: Editores sem Papas na Língua
Guilherme Sucena; Erick Santos, Karin Thrall e Richard Diegues.

Charge de Ricardo França.
 
 

Após esse bate-papo das 13 às 14:00h conversei bastante com meu amigo João Marcelo Beraldo, antigo parceiro do departamento de universo ficcional do Projeto Taikodom, da Hoplon Infotainment.
 
Hugo Vera, João Beraldo e GL-R.
 

Ainda nesse intervalo, contrariando minha convicção, Anderson Santos provou que é possível ler e-books na tela do celular.  A demonstração prática foi executada em cima da versão digital do meu romance, A Guardiã da Memória [Draco, 2012 (edição digital)], perfeitamente legível até para um dinossauro acometido por vista cansada, como eu.
 
Anderson Santos demonstra A Guardiã da Memória no celular.
 

Da biblioteca, fomos à pastelaria com os amigos Flávio Medeiros, Hugo Vera, Erick Santos, Larissa Caruso, Sid Castro e Anderson Santos.  Já devidamente forrados com o almoço no Esfiha Chic, eu e Cláudia nos limitamos a rachar um pastel de pizza, com picolés de fruta por sobremesa.  Expressei aos organizadores da Space Opera II meu entusiasmo com os trabalhos “Obliterati” de Fábio Fernandes e “No Vácuo, Você Pode Ouvir o Espaço Gritar” de Carlos Orsi Martinho.  Lembrando os melhores far futures de Greg Bear, ambos superaram em muito os cânones da new space opera; que se falar, então, da space-opera tradicional...  Ainda dentro do projeto Space Opera, Erick declarou que a Space-Opera III funcionará com submissões abertas.  Boas falas.
 
Almoço na pastelaria:
Sid Castro, Larissa Caruso, Hugo Vera, Erick Sama,
GL-R, Flávio Medeiros, João Beraldo.
 

Voltamos da pastelaria para a biblioteca a tempo de assistir a mesa-redonda “Lugar de Mulher é na Cozinha”, com as escritoras Martha Argel, Finisia Fideli e Rosana Rios.  Um bate-papo comemorativo, por assim dizer, dos doze anos da publicação da primeira edição da antologia homônima e de seu relançamento pela Draco nesta Fantasticon 2012.  Na plateia, a presença de Roberto Paes, antigo editor da Writers.  Sentamos na primeira fila para tirar fotos mais de perto.  Reparei na autora de fantasia Flávia Cortez, sentada duas ou três poltronas à nossa esquerda, mas não houve oportunidade de conversar com ela.
 
Mesa-Redonda: Lugar de Mulher é na Cozinha
Martha Argel, Finísia Fideli & Rosana Rios.
 

Martha falou um pouco da gênese da antologia publicada no longínquo ano 2000, época em que, na ausência das redes sociais, as listas de discussão reinavam supremas no panorama do fantástico lusófono.  Falou também que o título causou espécie na época, quando esse dito preconceituoso ainda despertava lembranças de cunho machista.  Várias autoras da antologia compareceram à biblioteca para o relançamento.  Rosana Rios confessou que detesta cozinhar e Finisia Fideli, num ato falho que serviu para demonstrar o quão arraigados certos conceitos estão, mesmo nas mentes de feministas esclarecidas, indagou à plateia, “quando é que vocês, homens, engenheiros, vão inventar uma cozinha automática igual à dos Jetsons?”  Até então apreciando a mesa, minha doutora em Engenharia de Telecomunicações, esboçou um sorriso irônico, mas não teceu comentários.  A mesa-redonda contou com participação intensa da plateia e constituiu, em minha opinião, o evento formal mais divertido desta tarde na Fantasticon.  A nova edição da antologia repete os mesmos contos e autoras, mas conta com dois textos de apresentação: um da brasilianista e especialista em ficção científica brasileira M. Elizabeth Ginway e o outro da Finisia Fideli.

Hugo Vera, GL-R & CQL.
 
Aproveitei o intervalo da mesa-redonda para bater papo com os amigos e travar novos contatos.  Conversei com Kyanja Lee sobre meu pseudônimo Carla Cristina Pereira.  Ela contou que leu meu ensaio “Os Anos em que Fui Carla” e perguntou onde podia encontrar os trabalhos que publiquei sob esse pseudônimo.  Expliquei que esses contos estão espalhados por meia dúzia de antologias e coletâneas fantásticas brasileiras e portuguesas.  Se bem que, parando para pensar, a ideia de uma coletânea do tipo O Melhor de Carla Cristina Pereira não é das piores...

Conversei também com os amigos Daniel Borba, Rober Pinheiro e Ana Cristina Rodrigues.  Esta última me apresentou o autor Dennis Vinicius, de quem selecionei o divertido “A Última Aventura do Pardal Mecânico” para a antologia Super-Heróis, que organizei com Luiz Felipe Vasques para a Draco.  Também por perto e igualmente selecionado para a mesma antologia, Lucas Rocha, autor da intensa “Verdade sobre Raio Vermelho — Uma Biografia”.  Daí, não resisti a tecer uma comparação entre e o conto e a noveleta, duas narrativas fascinantes de super-heróis decadentes, uma humorística e a outra trágica.

Logrei enfim conversar com o Cândido Ruiz, que quase não reconheci fora de suas tradicionais roupagens steampunks.  Cândido confirmou o interesse na noveleta que escrevi para a antologia de piratas, marginais, anti-heróis e outros maus elementos que ele está organizando.

O último evento oficial da tarde foi o bate-papo “Autores Congelados pela Crítica e Adorados pelos Leitores”, com André Vianco e o antologista Felipe Pena.  A motivação principal do papo foi a saraivada de críticas negativas à antologia Geração Subzero (Record, 2012).  Como não podia deixar de ser, um dos temas mais saborosos do papo foi a pletora de motivos dos críticos, isto para não falar na falácia da oposição entre literatura erudita e literatura popular; a relevância das críticas literárias postadas em blogs; e das paixões, inspirações e compulsões que levam um ser humano aparentemente saudável a se meter a escritor.  De sua parte, Vianco confessou-se antes um contador de histórias do que um escritor e lembrou, emocionado, de um fã que catava latas para vender a fim de amealhar reais para comprar cada um de seus lançamentos.  Pena falou sobre o temor das críticas e sobre suas experiências como professor universitário num curso de escrita criativa em que estabeleceu um sistema de análises críticas anônimas, onde até os trabalhos do professor podem ser criticados sem consequências adversas para os alunos.  No todo, um bate-papo animado, com química excelente entre os participantes, que, no entanto, perdeu um pouco na fase das perguntas, onde, a meu ver, as respostas se estenderam demais sem esclarecerem tanto assim.
 
Bate-papo: Autores Congelados pela Crítica
André Vianco e Felipe Pena.
 

Uma vez fora do auditório, conheci pessoalmente meu revisor favorito, Eduardo Kasse, sujeito que vem realizando um trabalho de qualidade excelente nas revisões dos romances e antologias que já publiquei e ainda vou publicar pela Draco.  Conversamos sobre as nuances de alguns dos meus trabalhos publicados e por publicar, uma oportunidade rara, pois em geral, nós autores nos sentimos cheios de dedos para falar daquilo que ainda não foi impresso (digital ou em papel).  Mas, é claro que com o Eduardo, que analisou a maior parte daquilo que submeti à Draco nos últimos anos, é diferente.J  Aproveitei a presença dele, que também é autor da casa, para comprar seu romance de fantasia O Andarilho das Sombras, devidamente autografado.
 
Flávio Medeiros, GL-R, Erick Sama e Eduardo Kasse.

Cláudio Brites, GL-R, Hugo Vera, Rafael, Erick Sama, Clinton Davisson e Flávio Medeiros.
 

Steampunkers!
 

Aliás, no quesito autógrafos, assinei não apenas exemplares da Erótica Fantástica 1 e do A Guardiã da Memória, mais ou menos como esperava, mas também coisas antigas, como a antologia Outras Copas, Outros Mundos (Ano-Luz, 1998) e até o prefácio mezzo-iconoclasta que escrevi para a Space-Opera II.

Também pude conhecer pessoalmente o autor e antologista Ademir Pascale, que publicou recentemente a antologia digital Invasão Alienígena, em que participo com o conto curto “Todo o Silício do Mundo...”

O presidente do Clube de Leitores de Ficção Científica, Mr. Bill Clinton Davisson deu o ar de sua graça, semicareca como ameaçara, em virtude de um acidente sofrido enquanto cochilava inadvertidamente na poltrona de uma barbearia na localidade bucólica de Macabu, onde pouco acontecia desde o cumprimento da última sentença de morte do Império do Brasil e, agora, desse atentado cruel à outrora basta cabeleira presidencial.

Conversei com a autora Ana Lúcia Merege sobre a perspectiva de ela submeter um conto para a Erótica Fantástica 3, citando os exemplos salutares de Márcia Kupstas e Simone Saueressig, ambas autoras infantojuvenis de reconhecido sucesso, que emplacaram contos eróticos supimpas na Como Era Gostosa a Minha Alienígena! (Ano-Luz, 2002).  Senti que Ana ficou animada.  Simone, aliás, é uma boa amiga com quem não tive oportunidade de conversar melhor neste sábado.  Infelizmente, apenas um caso entre vários...

Finda a parte formal do sábado fantástico, eis que vamos ao planejamento dos comes e, sobretudo, dos bebes.  Prejudicada em seu desempenho etílico-literário (in vino veritas!), desempenho esse que a tornou em lenda-viva nos certames pós-lançamentos cariocas, Ana Cristina Rodrigues bem que tentou nos abduzir para um caraoquê paulistano, numa vigorosa expedição autopunitiva comandada pelo heroico Rober Pinheiro.  Ele nos confessou que teria preferido nos acompanhar à bebemoração no pezinho-sujo.  No entanto, por “dever de ofício”, sentiu-se compelido a acompanhar a Ana Cris no karaokê.  Poor devil...  De todo modo, alegando idade provecta, saímos pela tangente à la Leão da Montanha, rumo ao bom e velho pezinho-sujo, tradição nem tão arcana assim de várias Fantasticons do passado.  Acompanharam-nos à bebemoração, os amigos Erick Santos, Flávio Medeiros, Clinton Davisson o Semicalvo, Marcelo Galvão, Ricardo França, Sid Castro, Daniel Borba, Amanda Reznor, Christopher Kastensmidt, Anderson Santos e Zero Vieira, dentre outros.
 
Jantar de Espetos I:
Clinton Davisson, Daniel Borba, Amanda Reznor.

Jantar de Espetos II:
Ricardo França, Marcelo Galvão e Anderson Santos.
 
Jantar de Espetos III:
CQL & GL-R, Erick Sama, Christopher Kastensmidt, Clinton Davisson.
 

Os comes foram representados pelos espetos honestos do estabelecimento.  No quesito bebes, descolamos duas garrafas de Santa Helena Cabernet Sauvignon que, se por um lado, não chega a constituir um grande vinho, por outro, revelou-se adequadamente potável e casou à perfeição com os espetos de calabresa, queijo coalho e lombos suínos.

O bate-papo não podia ter sido melhor e mais inspirado.  No quesito eleições municipais, vários de nós trocaram experiências adquiridas no cumprimento de seus deveres cívicos eleitorais, dos dois lados da urna e da mesa de apurações.  Os amigos paulistanos mostraram-se preocupados ante a perspectiva da eleição de Russomano para prefeito.  Segundo eles, o candidato representa a direita religiosa em seu pior.  Destaque para a imitação soberba do eleitor bêbado que chega cinco minutos antes do término da votação exigindo cumprir seus direitos de cidadão, interpretada por Flávio Medeiros.  Outro destaque da noitada foram os debates intermináveis nas listas de discussão em que o mesmo Flávio vem empreendendo com o vigor de uma cruzada intelectual contra infiéis de estirpe dúbia.  Também falamos de editores do passado que não honraram seus compromissos.

Erguemos três brindes nesta noitada.  O primeiro a Eduardo, filho de Erick Santos e Janaina Chervezan, que deverá nascer nessa próxima quarta-feira.  O segundo brinde, a Clinton Davisson, presidente que teve a coragem insana (neste caso, um pleonasmo vicioso) de ressuscitar o Prêmio Argos, brinde acompanhado de uma calorosa salva de palmas.  E, last but not least, nosso brinde ao Flávio Medeiros pela bela classificação do conto “Por um Fio” no Hydra 2012.  Agora sócio da prestigiosa Science Fiction Writers of America, Flávio contou de suas primeiras experiências como participante das listas de discussão da entidade.

Por volta das 21:30h, incrivelmente cedo para os nossos padrões boêmios, fechamos a conta e nos despedimos dos amigos.  Erick deu carona para nós, Flávio e Chris Kastensmidt até nossos respectivos hotéis.  Enfim em nosso quarto do Mercure, tão confortável que poderíamos morar aqui, tombamos na cama e gozamos do sono dos justos.

Mercure Paraíso, São Paulo, 22 de setembro de 2012 (sábado).

 

 
 
DIA 4
201209232258P    19.069 D.V.

Acordamos cedo para o café da manhã caprichado do Mercure Paraíso, com direito a um bacon & eggs tão saboroso que me fez sentir orgulho por desta vez não ter esquecido meu comprimido para controle de colesterol.J  De volta ao quarto 114, avancei um pouco nesta crônica enquanto Cláudia facebooquiava um pouquinho.

Check out expresso na recepção do Mercure e seguimos de metrô para a estação Vila Mariana.  Cinco minutos de caminhada já com nossas mochilas nas costas e chegamos à Viriato Correa.  Sob os olhares admirados de Flávio Medeiros, Hugo Vera e Marcelo Jacinto Ribeiro, conseguimos socar minha mochila num dos armários do guarda-volumes.  Pressão interna final após o fechamento da escotilha: superior a sete atmosferas!  No entanto, no caso da mochila da Cláudia, bem maior do que a minha, não houve mágica compressional que desse jeito: tivemos que armazená-la no depósito da biblioteca.  Mal resolvemos essa parada, Silvio Alexandre me convocou para uma entrevista para o portal da livraria Saraiva.  Gravei durante uns cinco minutos em pleno auditório, falando sobre a triantologia punk que organizei para a Draco: Vaporpunk (2010); Dieselpunk (2011); e Solarpunk (no prelo).
 
Entrevista ao portal da Saraiva.

Sílvio Alexandre e GL-R na exposição
Da Terra à Lua, de Estevão Ribeiro.
 

Após essa entrevista, eu e Cláudia fomos até o espaço temático da biblioteca, ver a exposição “Musas Fantásticas de Si”, com fotos de nus artísticos sem retoques da Nathalie Gingold.  Sinceramente?  A maioria das mulheres ali expostas me pareceu mais bonita do que as atrizes globais (que, quando você encontra na rua, constata que não são nada daquilo que você pensava...) ou as modelos de revistas masculinas.  Porque nas fotos da Nathalie você sabe que está vendo mulheres reais, sem truques de câmeras ou retoques computacionais.

Do espaço temático, seguimos para a área de vendas bater papo com os amigos.  Ricardo França se sentia frustrado, pois queria comprar o último exemplar do romance Crônicas de Atlântida: O Tabuleiro dos Deuses (Draco, 2011), do Antonio Luiz da Costa, mas o mesmo estava com algumas folhas rasgadas.  Felizmente, o publisher Erick Sama chegou a tempo de presenciar o drama e se ofereceu para enviar um exemplar para o Ricardo com o desconto especial de autor da casa (O Ricardo teve o conto “Tempos Dionisíacos” selecionado para a Erótica Fantástica 2).  Quase nessa mesma hora, autografei o prefácio da antologia Space-Opera II para um fã que ainda não conhecia pessoalmente.  Agradecido, o rapaz declarou ter lido meu livro Padrões de Contatos e gostado muito.  Sei que é difícil crer que possa haver dois escritores cariocas de ficção científica hard, mas, enfim, paciência: é verdade...  Quase respondi, “Eu também!”, mas achei melhor segurar a onda para não encabular o fã.  Em tempo: se é que alguém não sabe, para evitar uma busca desnecessária no Google, esclareço que a trilogia Padrões de Contato é de autoria de Jorge Luiz Calife.

Em seguida fomos para o auditório para a entrega do Prêmio Argos 2012.  Um grande momento para mim, pois seria agraciado com o Argos Especial, uma premiação até então entregue somente uma vez antes na história do Argos, a Gumercindo Rocha Dórea, uma unanimidade absoluta e, provavelmente, o sujeito que mais arduamente trabalhou em prol do fomento e da divulgação da ficção científica brasileira.  Asseverei diversas vezes ao longo deste segundo fim de semana da Fantasticon 2012 que, embora estivesse recebendo essa homenagem pelo conjunto da obra, não considerava minha obra completa, em absoluto.J

O presidente do CLFC, Clinton Davisson, planejou a cerimônia do Argos em grande estilo.  Contamos com a presença de cosplayers do universo ficcional Star Wars, numa encenação divertida com a participação, inclusive, de nosso performático Mr. President Clinton, no papel de Mestre Jedi sênior, à la Obi-Wan Kenobi, baixando o sarrafo em mercenários e stormtroopers imperiais.  Devidamente fardada de oficial do Império, Mary Farrah agradeceu ao CLFC pela doação de cestas básicas às crianças órfãs de uma instituição carioca, afirmando que, graças à iniciativa do clube, eles comerão melhor por um ou dois meses.  Como aquela equipe que compareceu ao lançamento da Space-Opera I em Macaé, essa que agora abrilhantou a cerimônia do Argos 2012 é formada por voluntários que atuam gratuitamente, pedindo apenas a doação de cestas básicas para instituições de caridade da escolha do doador.  Ficção científica engajada, que serve não apenas para inspirar o futuro com que muitos de nós sonhamos, mas para cuidar e ajudar a consertar o presente.  De arrepiar os pelos!
 
Argos 2012: Cosplayers Star Wars.

Lord & Lady Draco: Erick Sama & Janaína Chervezan.

Argos 2012: Cosplayers em ação!


Argos 2012: Mary Farrah anuncia doações do CLFC.
 

Inicialmente, Mr. President convidou Ana Cristina Rodrigues ao palco para a entrega do Argos Especial.  Sei que sou suspeito para opinar, mas relato que Ana proferiu um discurso emocionante, que só ela poderia fazer, para me apresentar à plateia.  Ana me elogiou tanto que cheguei a temer por minha reputação de dinossauro malvado implacável da FC brasileira.  Felizmente, Ana parou antes de chegar às lágrimas.  Pois, se tal acontecesse, apenas por questão de cavalheirismo e solidariedade, eu me veria forçado a acompanhá-la.  Embora tivesse ensaiado uma ou duas frases espirituosas, quando subi ao palco para receber o Argos Especial das mãos da Ana, elas desapareceram da minha mente.  Na cabeça, apenas a surpresa com o peso do troféu.  Não me lembro direito do que falei para a plateia, exceto pelo sentido geral, que deve ter sido, se é que não sonhei a respeito, algo girando em torno da importância da narrativa e da irrelevância do autor.  Felizmente, a emoção e o Alzheimer não me fizeram esquecer de quem de fato merece: meus pais, Cláudia e ao Presidente Clinton Davisson, por haver ressuscitado o Prêmio Argos.
 
Argos 2012: Mr. President, GL-R e Ana Cristina Rodrigues,
entrega do Argos Especial (Conjunto da Obra).
 

Assim que desci do palco logo atrás da Ana Cris e regressei à minha poltrona na primeira fila, Clinton deu prosseguimento à cerimônia, convidando ao palco Christopher Kastensmidt para entregar o Argos 2012 na categoria “Melhor Ficção Curta”.  Os nomes dos cinco trabalhos finalistas foram projetados num telão descido do alto do palco:

“Auto de Extermínio”, de Cirilo S. Lemos;
“A Esfera Dourada”, de Clinton Davisson;*
“Morgana Memphis Contra a Irmandade Gravibramânica”, de Alliah;
“Pendão da Esperança”, de Flávio Medeiros, Jr.; e
“Seu Momento de Glória”, de Marcelo Jacinto Ribeiro.
 
Argos 2012: Categoria Melhor Ficção Curta.
 

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(*) Clinton determinou à comissão organizadora do Argos 2012 que retirasse seu conto da lista de finalistas.  Rebelados, os demais membros argumentaram que não havia previsão legal para uma exclusão deste tipo nos regulamentos da premiação e que, excluir um concorrente bem votado implicaria alienar a vontade dos eleitores, sócios do Clube de Leitores de Ficção Científica, ora presidido pelo próprio Clinton.  Procedeu-se então à votação para apreciar a determinação transformada em solicitação e o presidente foi voto vencido, mantendo-se a noveleta do autor Clinton Davisson como concorrente.

 

Após certo suspense, Christopher abriu o envelope lacrado com o nome do vencedor: “Pendão da Esperança”, de Flávio Medeiros, publicado na antologia Space-Opera I (Draco, 2011), organizada por Hugo Vera e Larissa Caruso.  Visivelmente emocionado, Flávio subiu ao palco para seu discurso de agradecimento, falando também sobre a gênese dessa noveleta instigante, que sepultou de vez a famigerada “Síndrome do Comandante Barbosa”, moléstia debilitante que assombrou por décadas a ficção científica brasileira.  Foi a segunda premiação importante que Flávio abiscoitou neste ano.

Argos 2012: Flávio Medeiros vence a categoria Ficção Curta com
"Pendão da Esperança".

 
Quando Flávio e Chris desceram do palco, Clinton convidou o autor e antologista Hugo Vera para entregar o Argos 2012 na categoria “Melhor Romance”.  Os nomes dos cinco livros finalistas foram projetados no mesmo telão de antes que voltou a aparecer:

B9, de Simone Saueressig;
Filhos do Éden: Herdeiros de Atlântida, de Eduardo Spohr;
A Guardiã da Memória, de Gerson Lodi-Ribeiro;
A Ilha, de Flávio Carneiro; e
Sonhos, Sombras e Super-Heróis, de Luiz Brás.
 
Argos 2012: Categoria Melhor Romance.
 
 
Novo suspense e Hugo abriu seu envelope divulgando meu nome.

Sacudido, retornei ao palco para receber meu segundo Argos da tarde.  Azarão num certame em que competi com finalistas que, ou vendem muito mais livros do que eu, ou possuem um domínio da linguagem bem superior ao meu, confesso que não preparei o discurso de agradecimento que a ocasião exigia.  A solução foi, seguindo o exemplo brilhante do amigo Flávio Medeiros, falar um pouco da gênese do romance A Guardiã da Memória.  Tarefa relativamente simples, visto que havia preparado poucas semanas atrás um ensaio metaliterário, “Se a Borboleta Lembrasse sua Vida de Lagarta...”, sobre esse assunto para minha coluna no blog da Draco (http://blog.editoradraco.com/category/gerson-lodi-ribeiro/).
 
Argos 2012: GL-R recebe Argos na categoria Melhor Romance
pela A Guardiã da Memória.
 

Desta forma, com as premiações das duas categorias, a Draco sagrou-se vencedora absoluta do Prêmio Argos 2012.  Na saída do auditório, nova emoção quando Mary Farrah, a oficial do Império, confessou ser minha fã desde os tempos áureos do Projeto Intempol.
 
Argos 2012: Vitória da Draco!

Mary Farrah e GL-R.

"We are the Champions, my friend..."
Dois Caras, Três Argos e um Hydra!
 
 
Uma vez fora do auditório, após termos sido acusados de “Papa-Oscar” por Bráulio Tavares, eu e Flávio reunimos a turba e cogitamos comemorar uma panquequeria próxima, onde havíamos almoçado num sábado da Fantasticon 2011.  Lá poderíamos brindar nosso momento de glória com um vinho de fina estirpe.  A dificuldade é que não havia condução para todos.  Daí, da calça de veludo à bunda de fora, optamos pela velha, boa e fiel pastelaria da esquina, em mais uma orgia gastronômica pasteleira.  Literalmente fechamos o estabelecimento por estágios para uso exclusivo dos frequentadores da Fantasticon.  Primeiro, nossa mesa, com Erick & Janaína; eu & Cláudia; Flávio; Hugo Vera; Ana Lúcia Merege; Zero Vieira e seu celular esporrento; Ricardo França com seus desenhos inspiradíssimos; Sid Castro e Marcelo Jacinto.  Depois, a mesa dos retardatários de primeira ordem, que demoraram a chegar à pastelaria: Gian Celli; Lucas Rocha; Ana Cris; Dennis Vinicius; Cris Lasaitis & Alliah; Carol Chiovatto & namorado.  E, finalmente, na mesa dos hierarcas, estrategicamente posicionada sob o toldo da calçada do estabelecimento, os retardatários de segunda ordem, os últimos a comparecer, capitaneados por Sílvio Alexandre; Clinton Davisson; Chris Kastensmidt; Simone Saueressig; Daniel Borba; e Edgar “Garapa” Refinetti.  Lotamos o estabelecimento de tal forma que, quando Carlos Orsi Martinho apareceu, no início teve que permanecer de pé, pois não houve cadeira para sentar...  Desta vez consegui traçar um pastel inteiro (calabresa com catupiry), enquanto Cláudia optou por um sanduíche light.  Não dispensamos os picolés de milho verde à guisa de sobremesa.
 
Almoço na pastelaria - Mesa 1:
GL-R, Janaína, Erick, Sid Castro, Flávio Medeiros, Marcelo Jacinto Ribeiro,
Hugo Vera, Ana Merege, Ricardo França e Zero Vieira.
 
Almoço na pastelaria - Mesa 1:
GL-R & CQL e Janaína Chervezan.

Almoço na pastelaria - Mesa 2:
Gian Celli, Hugo Rocha, Ana Cris, Chris Kastensmidt,
Carol Chiovatto, Alliah & Cris Lasatis.

Almoço na pastelaria - Mesa 3 (Diretoria):
Sílvio Alexandre, Daniel Borba, Amanda Reznor, Chris
Kastensmidt, Simone Saueressig, Edgar Refinetti e Clinton Davisson.
 

Argos 2012: charge de Ricardo França.



GL-R e Carlos Orsi Martinho.
 

Eu e Cláudia caminhamos de volta à Viriato Correa em companhia do Martinho, sempre um papo excelente.  Porém, uma vez na biblioteca, o dever me chamou sob a forma de nova entrevista, agora para o podcast literário Podler (www.podler.com.br), agendada antes da cerimônia de entrega do Argos.  Ao saber da novidade da premiação da A Guardiã da Memória, a equipe do Podler pediu para trazermos os troféus para a gravação da matéria.  O assunto desta vez foi minha carreira literária.  Falei sobre os livros que publiquei, excluindo apenas, a Guardiã, por orientação da equipe, para possibilitar a pergunta final do entrevistador e, aí sim, falar desse romance de FC erótica.  Em seguida, o entrevistador pediu que eu gravasse uma entrevista curta para uma matéria que o Podler está preparando.  Entre as opções cinema de ficção científica e Isaac Asimov, escolhi o autor, falando um pouco de sua carreira literária como romancista (Fundação e O Despertar dos Deuses), escritor de ficção curta (“O Cair da Noite”) e antologista de mão cheia (Science Fiction A to Z).
 
Entrevista ao podcast PodLer.
 

Da entrevista, voltamos para o espaço comum, onde papeei um pouco com o Gian Celli, a Ana Cris e outros amigos, até a hora da última atividade formal da tarde e da Fantasticon 2012, a mesa-redonda que eu moderaria, “Quem Precisa de Antologias?”, com a participação dos escritores e antologistas, Bráulio Tavares, Eric Novello e Roberto de Sousa Causo.  Abri a mesa apresentando algumas definições básicas, como diferenças entre coletâneas e antologias, bem como uma brevíssima taxonomia exemplificada das antologias: submissões abertas e por convite; temáticas vs. tema livre; inéditas vs. republicações etc.  Finalizei com um pouco das agruras e vantagens de organizar uma antologia de submissão aberta nesta segunda década do século XXI, destacando a possibilidade concreta de revelar novos autores.  Em seguida, Bráulio discorreu sobre as antologias que organizou nos últimos tempos.  Causo fez mais ou menos o mesmo, afirmando-se preocupado em revelar velhos autores esquecidos pelas novas gerações.  Eric Novello disse estar empenhado em revelar novos talentos através dos projetos de antologias que vem alavancando junto à Draco e outras editoras.  Enfim, abrimos o microfone para as questões, comentários e apupos da plateia.  Ana Cristina Rodrigues nos brindou com uma autêntica saraivada de perguntas.  Vencido o pasmo ante tamanho blitzkrieg verbal, coordenamos nossos esforços (hercúleos!) para ripostar à altura.  Causo defendeu de forma hilária e pertinente o emprego do termo “Melhores...” nos títulos das antologias; Bráulio esgrimiu em prol do próprio conceito de antologia, enquanto eu me bati em favor dos livros de contos em geral.  A diretora da Viriato Correa comentou em favor da relevância do trabalho do antologista como implementador de um controle de qualidade mínimo da ficção curta publicada, numa crítica às antologias pagas, nas quais o autor só precisa desembolsar para publicar.  Brinquei um pouco com os conceitos de pagar para publicar em geral e da reserva de vagas em antologias pagas em particular, comparando esses conceitos ao sexo pago com as(os) profissionais do ramo.
 
Mesa-Redonda: Quem Precisa de Antologias?
GL-R, Bráulio Tavares, Roberto Sousa Causo e Eric Novello.

Sereno moderador.

Quem Precisa de Antologias?: Plateia.

Quem Precisa de Antologias?:
Saraivada de perguntas de Ana Cris Rodrigues.
 

Ao fim dessa última mesa-redonda, olhei para o relógio e constatei que já estávamos bastante atrasados em relação à hora em que havíamos planejado chegar ao Aeroporto de Congonhas para nosso voo de regresso ao Rio de Janeiro.  Meio aflitos, despedimo-nos rapidamente dos amigos mais próximos e nos dirigimos para a calçada da Viriato Correa.  Sentimo-nos um pouco estressados, pois não passava táxi vazio algum pela vizinhança.  Felizmente, Erick & Janaína, o Casal 20 do subfandom paulistano, ofereceu-se para nos dar uma carona até o aeroporto.

Foi uma carona providencial e com direito a emoções.  Pois, a meio caminho para Congonhas, um carro freou bruscamente algumas posições a frente do automóvel do casal, forçando os motoristas que vinham atrás a brecadas bruscas.  Demonstrando-se a um só tempo possuidor de reflexos afiados e preocupação paterna extremada, Erick logrou controlar a direção com a mão esquerda, brecar o veículo com rapidez e elegância (i.e., sem trancos abruptos) e estender a direita para proteger a barriga supergrávida da Janaína.  Quando demos por nós, já estávamos praguejando, de puro alívio.

Uma vez no setor de embarque, despedidas cumpridas, dirigimo-nos ao setor da Gol.  Embarcamos sem problemas no voo G3-1554, mas esse levou quase meia hora, prontinho na pista, até receber autorização para decolar.  O avião veio para o Rio apenas metade cheio.  Aproveitei a viagem curta para adiantar mais um pouquinho esta crônica.

É um prazer voltar para casa com dois troféus do Argos 2012.

Foi um dos dias mais legais da minha vida, mas confesso que a ficha ainda não caiu por completo.  Aposto que amanhã vou acordar com um sorriso de orelha a orelha, mesmo sendo a segunda-feira de mais uma semana dura de batente.

Jardim Botânico, Rio de Janeiro, 23 de setembro de 2012 (domingo).

 


Participantes:
 
Ademir Pascale
Adriano Siqueira
Alfredo Keppler
Alliah
Amanda Reznor
Ana Cristina Rodrigues
Ana Lúcia Merege
Anderson Santos
André Vianco
Andrea Alves
Antonio Luiz M.C. Costa
Bráulio Tavares
Cândido Ruiz
Carlos Orsi Martinho
Carol Chiovatto
Christopher Kastensmidt
Cláudio Brites
Clinton Davisson
Cristina Lasaitis
Daniel Borba
Dennis Vinicius
Douglas MCT
Edgar “Garapa” Refinetti
Eduardo Massami Kasse
Eric Novello
Erick Sama
Felipe Castilho
Felipe Pena
Fernando Firpo
Finisia Fideli
Flávia Cortez
Flávio Medeiros
Gerson Lodi-Ribeiro
Giampaollo Celli
Giulia Moon
Guilherme Sucena
Gumercindo Rocha Dorea
Hugo Vera
Janaína Chervezan
José Roberto Vieira (Zero)
João Marcelo Beraldo
Karin Thrall
Kyanja Lee
Larissa Caruso
Lucas Rocha
Marcelo Galvão
Marcelo Jacinto Ribeiro
Marcelo Rodrigo Pereira (Mushi)
Márcia Olivieri
Martha Argel
Mary Farah
Renato A. Azevedo
Ricardo França
Richard Diegues
Rober Pinheiro
Roberto de Sousa Causo
Roberto Paes
Rosana Rios
Sid Castro
Sílvio Alexandre
Simone Saueressig