domingo, 22 de abril de 2012


Mostra de ficção científica de Macaé 2012


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“Puta-que-pariu, estou acordado desde às cinco da manhã.  Ninguém me falou que eu ia ficar dirigindo até às sete da noite...”
[Rogério, malabarista do volante macaense]



No início da tarde de ontem saí da Prefeitura mais cedo num périplo estadual que me fazia chegar — muitas aventuras e alguns cabelos brancos mais tarde — à próspera cidade de Macaé para participar de mais um lançamento da antologia Space-Opera (Draco, 2011), no bojo da Primeira Mostra de Ficção Científica de Macaé, abrigada no Solar dos Melos.

*     *      *



Conforme combinado, encontrei o antologista Hugo Vera na Rodoviária Novo Rio.  Seu ônibus se atrasou quase meia hora em relação ao horário previsto das 13:00h, por conta de uma blitz da Polícia Rodoviária Federal.  A se crer em meu amigo, os agentes estavam atrás de uma remessa de armamento pesado despachado pelo Presidente Clinton em nome do Comando de Stormtroopers Imperiais.  Embora naturalmente não tivesse nada a ver com o contrabando de armas de destruição em massa de tecnologia galáctica, nosso herói Huguinho foi severa e entusiasticamente vasculhado em todos os seus orifícios por agentes ávidos por encontrar o tal armamento nos recônditos das anatomias dos passageiros.

Antes do ônibus do Hugo chegar, estabeleci contato com o motorista Rogério e as passageiras Flávia e Ana Luiza, esta última trazida de Macaé até o Rio para uma consulta com um oftalmologista.  Quando Huguinho desembarcou, fomos os cinco para a van da Prefeitura de Macaé, rumando da Novo Rio para o Aeroporto Internacional do Galeão, a fim de buscar Marcelo Jacinto Ribeiro, outro autor participante da antologia.  Ainda na rodoviária, ao perceber que Huguinho esquecera de trazer o banner da Space-Opera que esteve presente no lançamento carioca, lembrei que também esqueci os oito exemplares da antologia Como Era Gostosa a Minha Alienígena! que havia prometido ao Clinton.  Enfim... maldito alemão!

Quase chegando ao Galeão, recebi uma ligação do Clinton Davisson, organizador da mostra de FC, para informar que o voo do Marcelo iria atrasar em pelo menos uma hora.  Uma vez no aeroporto, cumpriu convencer Rogério a parar sua van no estacionamento pago.  Alegando não ter dinheiro, ele insistia em parar o veículo debaixo de um viaduto próximo.  Prevendo o desencontro quase certo que implicaria em atraso ainda maior, sobretudo porque celular não costuma ter sinal debaixo de viaduto, falei que parasse no estacionamento, comprometendo-me a pagar a despesa.  Subindo de elevador do estacionamento para o setor de desembarque, deparamo-nos com um pavilhão deserto, inteiramente desprovido de lojas, mobiliário e pessoas, com um tremendo ar de aeroporto-fantasma que nos lembrou bastante do The Langoliers, inspirado na noveleta de Stephen King.  Enfim, para alívio geral, atingimos um setor habitado do Galeão.

Com aterragem prevista para 14:43h, o voo da Azul procedente de Campinas pousou no Rio de Janeiro por volta das 16:00h.  Felizmente, Marcelo trouxe apenas bagagem de mão, de forma que não precisou aguardar a liberação das malas na esteira de bagagem.  Tal prova de vivacidade não o livrou dos apupos gerais, pela insistência em vir de avião e pelo atraso que nos impôs.  Quando descemos ao estacionamento, as duas garotas macaenses já pareciam impacientes e nosso motorista francamente desesperado.  A situação não melhorou nem um pouco quando nossa van entalou na guarita do estacionamento, lá permanecendo por cerca de quinze minutos perdida numa série de manobras infrutíferas, com Rogério mostrando seu lado General Urko, até que finalmente logramos nos evadir do aeroporto.  Conforme combinado, eu, Huguinho e Marcelo fizemos uma vaquinha para pagar o estacionamento.

Do Galeão, seguimos pela Linha Vermelha até a Ponte Rio-Niterói que, em virtude do adiantado da hora, começava a engarrafar.  Ao longo de toda a manobra de guerra da Novo Rio até Macaé, troquei coisa de trinta ligações de celular com Clinton para informar nossas posições.  As contas de nossas operadoras vão arder no mês que vem.

Cruzada a ponte, seguimos para Macaé via BR-101, com uma última parada em Manilha para pegar Alessandro Tuze e outros três membros do Império Comando Rio de Janeiro, um fã-clube uniformizado de Star Wars.  Já anoitecia quando partimos de Manilha, enfim direto para Macaé.  Esse último e mais longo trecho da viagem foi sem dúvida o mais emocionante, no mau sentido.  Inteiramente furioso com os atrasos sucessivos e, portanto, já convertido de Urko em Incrível Hulk, nosso motorista-psicopata tentava compensar o avançado da hora com barbeiragens dignas de filme de ação norte-americana.  A única coisa chata é que, por questão de orçamento, não dispúnhamos de dublês.  Essa corrida maluca atingiu seu auge quando Rogério empreendeu a ultrapassagem de um caminhão pela contramão numa curva fechada.  Quando emparelhamos com o caminhão fomos iluminados pelos faróis altos de outro caminhão que avançava a toda em sentido contrário.  Ana Luiza gritou, uma voz feminina baliu um trecho de oração lá atrás, enquanto eu me limitei a me agarrar no encosto do banco da frente com todas as minhas forças.  Nosso energúmeno ao volante freou no último instante possível e guinou como um louco para a traseira do caminhão que tentara ultrapassar um segundo antes.  Tudo se deu tão rápido que nem houve tempo de prestar atenção nas cenas de nossas vidas que passaram diante dos nossos olhos.  Rogério não se dignou a nos dirigir um pedido de desculpas e nós, de cabelos em pé, não encontramos energia para repreendê-lo.

Contudo, nem tudo foi choro, suor e ranger de dentes nesta expedição de ida a Macaé.  Ao longo das horas de viagem, falamos sobre as diversas antologias de literatura fantástica lançadas e por lançar nos próximos meses, bem como das boas e más submissões para seus respectivos projetos.  Em Manilha, Huguinho finalmente deu o braço a torcer, confessando o que todos nós já sabíamos: Letícia Velásquez, autora do conto “Temos que Cumprir a Cota”, publicado na Space-Opera, não passa de um pseudônimo seu, criado, segundo ele, para tapar o buraco deixado por um autor que desistiu à última hora, para o livro não ficar demasiadamente fino.  À guisa de desculpa adicional, acrescentou que apenas se inspirou em Carla Cristina Pereira, pseudônimo que mantive por quinze anos e que logrou faturar mais prêmios literários do que eu.

Enfim, por volta das 19:30h chegávamos milagrosamente vivos ao Solar dos Mellos, onde funciona o museu da cidade de Macaé e onde se dava a mostra de ficção científica.  Fomos recepcionados por Clinton Davisson e Osmarco Valladão, ambos com fisionomias preocupadas em função do nosso atraso de várias horas.

Hugo Vera, eu, Marcelo J. Ribeiro e Osmarco Valladão.


Mal chegamos ao prédio histórico (vide www.museusdorio.com.br), fomos levamos aos fundos da instituição, para trocar de roupa no toalete.  Clinton providenciou salgadinhos e refrigerantes.  Alessandro e seus comandados aproveitaram o ensejo para vestir seus uniformes, cuja fabricação no Brasil é autorizada pela própria Lucasfilm.  Alessandro se caracterizou como Darth Vader.  Havia ainda um Cavaleiro Jedi, uma Princesa Leia e um membro daquela raça de comerciantes-assaltantes encapuzados que habitam os desertos de Tatooine.  O público presente de cento e tantas pessoas foi ao delírio: dezenas insistiam em tirar fotos e tocar os uniformes dos cosplayers, sobretudo o do Darth Vader.  Uma vez que os dois salões disponibilizados para o evento no andar térreo do museu, bem como o vestíbulo, estavam repletos de gente, boa parte da apresentação do Império Comando Rio de Janeiro foi executada na área externa do solar.  Do ponto de vista do público presente, a apresentação dos cosplayers constituiu de longe o ponto alto da noite.


Darth Vader em Macaé.

Apresentação na área externa do Solar dos Mellos.


No salão da frente do museu (à esquerda de quem entra pelo vestíbulo) rolava a mostra de ficção científica em si, com montes de livros clássicos do gênero protegidos no interior de expositores de vidro, memorabilia do universo Star Wars e outros, com destaque para aquela máscara do Senador Palpatine com que Clinton já nos brindara na reunião carioca do sábado passado e que, aliás, no que atribuo a um dos mistérios insondáveis da fé, guarda semelhança incrível com o papa católico atual, Bento XVI.

Controvérsia da noite: Senador Palpatine ou Bento XVI?


No salão dos fundos situa-se nossa mesa de autógrafos e um telão onde eram exibidos alguns clipes com Clinton falando de seu romance de FC Hegemonia.  Nas primeiras duas horas desde nossa chegada não houve muito trabalho para os quatro autores presentes, pois quase não se vendeu livros.

O posto de venda de livros foi instalado no vestíbulo sob o comando de Grazielle de Marco e Fernanda Galheigo, essa última, esposa de nosso presidente e, portanto, primeira-dama do Clube de Leitores de Ficção Científica.  Aproveitei a relativa falta do que fazer como autor para adquirir um exemplar da antologia Imaginários 4 (Draco, 2011), já que meu amigo Erick Sama se esqueceu de mandar o que me prometera até hoje.

Área de vendas: Clinton, Fernanda Galheigo, Hugo e Gazielle de Marco.

Farto de esperar, adquiro minha Imaginários 4... ;-D



Clinton prestando reverência à Guardiã da Memória.


Huguinho & as Belas.
(Vai apanhar em casa, moleque!)


Para mim a parte mais divertida do evento foi o bom papo que pudemos desfrutar com Osmarco Valladão, sobre ficção científica, processo criativo, quadrinhos, cinema brasileiro e muitas coisas mais.  Por insistência do Huguinho, Osmarco nos confidenciou detalhes da gênese do famoso Rainha das Estrelas, segredos que, naturalmente, não será possível reproduzir no âmbito desta crônica.J  Em companhia de um poeta macaense, meu xará Gerson Dudus, Osmarco falou sobre o projeto de uma superprodução cinematográfica baseada na condenação injusta do fazendeiro macaense Manuel da Mota Coqueiro, caso que culminou na extinção da pena de morte no Império.  Como a megacaptação de recursos junto à Petrobras e à própria Prefeitura de Macaé não decolou, a ideia da superprodução foi arquivada e, em seu lugar surgiu o filme Sem Controle (2007) — dirigido por Cris D’Amato, com roteiro de meu amigo e afilhado, Sylvio Gonçalves — em que a encenação histórica caprichada foi transformada num filme contemporâneo, em que um diretor obcecado pela injustiça sofrida por Mota Coqueiro, escreve uma peça de teatro a respeito e a encena com pacientes de uma instituição psiquiátrica.

Por volta das 21:30h, deu-se um fenômeno inexplicável.  Não havíamos concedido autógrafos até aquele momento.  Então, eis que de repente começam a surgir do nada pessoas com exemplares da antologia em mãos avançando a passos decididos para a mesa dos autores.  Até agora nos perguntamos onde diabos todos aqueles leitores em potencial se esconderam até aquela hora avançada...  Dentre os adquirentes da Space-Opera estavam Ricardo Meirelles, presidente do Instituto do Patrimônio Histórico de Macaé; e Jacira Braga, jornalista que se afirma discípula do escritor de ficção científica Jorge Luiz Calife.  Estimo que tenhamos assinado cerca de dez exemplares.  Mestre renomado das promoções improváveis de grande sucesso, o inspirado Clinton Davisson sacou uma vez mais do sabre Jedi aceso e facultou a farta manipulação de sua vara de luz a todos os fãs que adquiriram um exemplar da antologia.


Vara cortada!

Autores da Space-Opera: Clinton, eu, Huguinho e Marcelo.

Autores com Jacira Braga.

Autores com Fernanda Galheigo.


Do Solar dos Mellos seguimos para jantar no Mariscos Bar, restaurante à beira-mar, em verdade situado à Avenida Atlântica, não a da Praia de Copacabana, no Rio, é claro, mas a da Praia dos Cavaleiros.  Embora o Mariscos seja especializado em frutos do mar, a maioria dos presentes optou por pratos de carne ou, no caso dos paulistas inveterados, Marcelo e Huguinho, por uma pizza.  Aproveitei para conversar com Alessandro, do Império Comando.  Ele detalhou o perfil de seu grupo de cosplayers.  Os membros desse grupo não cobram cachê para as apresentações, apenas cestas básicas, uma por participante uniformizado, mais tarde doadas para orfanatos e outras instituições de caridade.  Se todos os fãs de ficção científica se possuíssem consciência social dessa ordem, tais instituições não estariam no estado atual de desamparo.


Mariscos Bar.


Para acompanhar a picanha completa, após o sinal verde de Mr. President, — afinal, estávamos por conta da generosa municipalidade de Macaé — pedi uma garrafa do tinto australiano Matilda, que degustei com o apoio de Alessandro, Clinton e Fernanda.  Ao longo desse ágape memorável, o casal Clinton & Fernanda analisou os erros e acertos dessa primeira mostra de ficção científica, análise auxiliada por Alessandro e sua esposa, possuidores de boa cancha no que concerne a eventos multimídia capazes de congregar centenas de fãs e/ou expectadores.

Alessandro & esposa.


Mr. President & his First Lady, Fernanda.

Dois paulistas inveterados.


Ao fim de nosso lauto jantar, a van da prefeitura nos conduziu até o hotel onde eu, Huguinho e Marcelo pernoitaríamos e ao simpático grupo de cosplayers para um ponto de baldeação com outra van, que os conduzia de volta para Manilha naquela mesma noite.

Chegamos ao hotel por volta de uma da manhã, para acordar às cinco.  Como só havia dois quartos disponíveis, fiquei com um deles e meus dois amigos dividiram o outro.  O quarto não era lá essas coisas em termos de conforto, mas, àquela altura do campeonato, eu só precisava de uma cama.  Neste sentido, não direi que foi uma noite bem-dormida, mas deu pro gasto.

Às 05:10 desta quinta-feira fui acordado pelo motorista Carlos que ligou da portaria do hotel, frustrando meu firme propósito de locupletar de sono até às 06:00h.  Partimos de Macaé sem café da manhã rumo à Cidade Maravilhosa no Gol de Carlos, um motorista seguro, cordato e simpático, em tudo diferente das experiências assustadoras que sofremos durante a viagem de ida.  Durante a viagem, Marcelo e Carlos papearam sobre suas experiências de vida como residentes nos E.U.A., enquanto eu aproveitei o tempo livre para revisar os contos da antologia Erótica Fantástica 1, que estou organizando para a editora Draco.

Erótica Fantástica 1 na viagem de volta ao Rio.


Apesar do bruto engarrafamento em que mergulhamos na altura de São Gonçalo, por volta das 09:30h Carlos nos deixava em plena segurança na Rodoviária Novo Rio.  Acompanhei o amigo Hugo até o guichê da 1001, onde ele compraria a passagem de volta para Sampa e tomei um ônibus para casa.

No todo, essa experiência inusitada de participar de um evento de ficção científica no interior do estado de Rio de Janeiro se revelou extenuante, mas compensadora.

Jardim Botânico, Rio de Janeiro, 19 de abril de 2012 (quinta-feira).




Participantes:
Alessandro Tuze
Clinton Davisson
Fernanda Galheigo
Gerson Dudus
Gerson Lodi-Ribeiro
Grazielle de Marco
Hugo Vera
Jacira Braga
Marcelo Jacinto Ribeiro
Osmarco Valladão
Ricardo Meirelles

domingo, 15 de abril de 2012

Clinton in rio 2012



201204151055P1    18.909 D.V.

 “Passo ao seu poder as atas originais redigidas pelas mãos sagradas de nossos Pais Fundadores.”
[Presidente Eduardo Torres, entregando a documentação do CLFC ao Lord Protector Clinton Davisson]


“O CLFC espera que cada um cumpra o seu dever.”
[Capitão Mallmann, em franca inferioridade numérica, prestes a engajar contra o inimigo]



Diversos membros ativos e notórios da velha guarda da FC carioca se reuniram ontem à noite no Estação Gourmet, na esquina de Mena Barreto com Rua da Passagem em Botafogo para comemorar a primeira visita mais ou menos oficial de Clinton Davisson ao Rio após sua eleição para presidente do Clube de Leitores de Ficção Científica.

Neste sentido, o ex-presidente Eduardo Torres fez questão de guardar um lugar a seu lado para o Presidente Clinton (não o Bill), pois planejava promover a transferência oficial da documentação da instituição para as mãos do novo hierarca.

Edu Torres e Clinton Davisson - Passagem das Atas Sagradas.


Claro que a efeméride da visita desse líder carismático serviu de pretexto para mais uma noitada de revelações etílicas, algumas impublicáveis, que terei a honra de divulgar aqui.

*     *      *



Quando cheguei ao Estação Gourmet com pontualidade carioca (cinco a dez minutos de atraso em relação ao horário marcado das 19:00h), já estavam em nossa mesa tradicional Eduardo Torres e Carlos Eugênio Patati.  Conversamos por alguns minutos sobre as vicissitudes de se organizar antologias de literatura fantástica no esquema de submissão pública.

Quinze minutos mais tarde, chegaram praticamente juntos Max Mallmann, Miguel Carqueija e Raul Avelar.  Esse último chegou munido e animado com os subsídios para a palestra que deverá ministrar em breve sobre o arquifamoso Simpósio de Ficção Científica que se deu aqui no Rio em 1969, que ele assistiu integralmente, inclusive, coligindo autógrafos de diversos monstros sagrados do gênero, como Arthur C. Clarke, Poul Anderson, A.E. van Vogt, Robert A. Heinlein e outros menos cotados.  A fim de fornecer apoio de pesquisa para a palestra, emprestei a nosso decano a edição bilíngue dos anais do simpósio.  Raul nos contou que logrou adquirir seu próprio exemplar através de um sebo virtual, mas que ainda não o tem em mãos.

Em seguida, chegaram o casal Ana Cristina Rodrigues e Estevão Ribeiro e, logo depois, Sylvio Gonçalves.  Clinton Davisson assustou os clientes do restaurante ao adentrar no recinto bradando palavras de ordem e empunhando um sabre de luz de dimensões avantajadas e, ainda por cima, aceso e barulhento.  Repleta de vergonha alheia, Ana Cris cogitou se esconder sob a mesa, mas, no fim, cerrou os maxilares e resistiu condignamente como uma boa menina.  Mais tarde, vestindo uma camisa vermelha do The Big Bang Theory (Bazinga!), Max Mallmann posou para fotos brandindo o vigoroso sabre Jedi.

Sheldon Max Cooper, Cavaleiro Jedi.


Bem mais tarde apareceram Jorge Pereira, Ricardo França e Rafael “Lupo” Monteiro.

Aproveitando a presença motorizada de Clinton, vários sócios trouxeram livros e demais memorabilia para a mostra que rolará em paralelo com o lançamento da antologia Space-Opera em Macaé na próxima quarta-feira.  Sem a menor intenção de fazer trocadilho, prometi ao presidente que levaria oito Gostosas comigo para o evento.  Segundo Mr. President, o lançamento macaense seria prestigiado pela elite política local, com direito a jantar de gala em restaurante chique e presença da vice-prefeita.  Como dizem nossos amigos do fandom português, “a ver vamos”.

Desta vez, à bem de um esboço de dieta, abri mão do quase irresistível rodízio de pizzas e crepes do Estação, resistência heróica bebemorada com duas garrafas de um carmenère chileno honesto que dividi com o Edu, como parte de nossa contribuição ao boicote aos vinhos gaúchos por causa de seu projeto de lei espúrio de sobretaxar os vinhos importados — uma espécie de reserva de mercado, à semelhança daquela que prejudicou tremendamente a indústria de microcomputadores no país.  A propósito, a jovem lourinha que faz as vezes de maître no estabelecimento veio à nossa mesa e nos prometeu que a qualidade e a variedade da carta de vinhos do Estação Gourmet está prestes a sofrer uma melhora substancial.  Como diria o Ancelmo Góis, “vamos torcer, vamos cobrar”.

Muito mais tarde, à guisa de saideira, degustei duas doses de Cointreau.  Ainda convalescente de sua cirurgia, desta vez nossa heroína Ana Cris não pôde nos acompanhar em nossa aventura enoetílica.

Aproveitei a presença de meu afilhado e guru para questões cinéfilas, Sylvio Gonçalves para me aconselhar quanto às novas tecnologias de gravação e armazenamento de mídias audiovisuais, uma vez que os dois gravadores de DVD aqui de casa estão começando a dar de si e devemos visitar New York nas próximas férias.  A ideia básica é comprar um aparelho com disco rígido parrudo capaz de armazenar e editar filmes e séries.  Sylvio ficou de fazer uma pesquisa para mim.

Mais ou menos por essa hora, sem abandonar a temática Star Wars, nosso presidente pândego nos surpreendeu com uma máscara do Senador Palpatine, bastante realista, artifício que levou seus súditos atemorizados a aclamá-lo como Lord Protector do CLFC.  Aliás, Clinton revelou que o lançamento macaense da próxima quarta-feira contará com a presença de um grupo de fãs performáticos com fantasias de stormtroopers imperiais.

Presidente Clinton, Lord Protector do CLFC.


Ante a exibição dos clássicos autografados de Raul Avelar, lembrei de contar para meus amigos uma novidade velha de quinze anos: Stella Alves de Souza, tradutora de clássicos da ficção científica anglo-saxã publicada pela Expressão e Cultura na década de 1970 — como, por exemplo, O Enigma de Andrômeda de Michael Crichton; 2001, Odisseia no Espaço de Arthur C. Clarke; Poeira de Estrelas e Os Nove Amanhãs, ambos de Isaac Asimov — é minha clínica geral há quase um quarto de século.  Após a descrença inicial e os elogios pela qualidade das traduções, tomei um esporro dos amigos por não ter revelado o assunto há mais tempo.  Em realidade, já estava para falar disso há anos, quiçá décadas, mas sempre me esquecia...

Quando o novo presidente do CLFC aventou a possibilidade de escalar a palestra de nosso decano sobre o Simpósio de Ficção Científica ser ministrada em Rio das Ostras, uma cidadezinha simpática do interior fluminense, Edu replicou que o evento devia se dar no Rio de Janeiro.  Daí ativamos Miguel Carqueija para sondar a direção do SESC-Tijuca sob a possibilidade de fazermos a palestra lá, à semelhança de vários eventos lá realizados há coisa de dez anos, como o lançamento carioca da antologia erótica Como Era Gostosa a Minha Alienígena! e a cerimônia de entrega do Prêmio Argos 2003.  Mais tarde, depois da partida de Carqueija, Ana Cris aventou a hipótese de levar a palestra para a Casa da Leitura de Laranjeiras, um novo espaço que se abre para as tertúlias fantásticas cariocas.

Carlos Patati, Raul Avelar, Miguel Carqueija.


Edu Torres, Clinton, Ricardo França, Jorge Pereira, Max Mallmann.


Por falar em Argos, destrinchamos impiedosamente a proposta de ressuscitar a premiação pela diretoria atual do CLFC.  Os três ex-presidentes presentes à mesa foram unânimes em louvar a ideia em conteúdo e criticá-la em sua forma.  Julgamos o número de categorias excessivo, inclusive, com excrescências desnecessárias, como, por exemplo, a categoria de HQ, uma vez que o Argos — pelo menos em sua formulação original — foi concebido como premiação literária e também pela existência de outras premiações e certames que contemplam especificamente as HQ.  Alertei o presidente quanto à necessidade de combater a prática dos lobbies, sob risco de desmoralizar esta nova versão da premiação.  Já Ana Cris alertou-o para tomar cuidado com os conselheiros que ela apelidou “engenheiros de obras prontas”, sempre prontos & ávidos em apresentar centenas de sugestões aparentemente úteis, mas que, na hora de se apresentarem como voluntários para concretizá-las, são céleres em dar o celebre “passo atrás” e não tardam a correr do pau.  Ana citou os respectivos bois e vacas, cujos nomes declinarei de registrar aqui por questões óbvias.

Confirmei com a editora Ana Cris que meu romance de ficção científica Quando Deus Morreu deverá sair ainda este ano pela Llyr Editorial, provavelmente na Fantasticon 2012.  Informei oficialmente ao Edu que o protagonista é seu homônimo, deixando-o deveras preocupado com o que tramei para o adolescente terrestre em meio às beldades asteroidais.  De todo modo, prometi-lhe que seu alter ego não seria seviciado com requintes de crueldade barreirianas.

Lá pelas tantas, com o teor alcoólico médio já bastante elevado nas correntes sanguíneas dos presentes, eis que Estevão Ribeiro recebe um convite para comparecer a uma festa dançante de sexagenárias que rolava no segundo andar do Estação Gourmet.  Considerando o risco severo de assédio sexual, na ausência temporária de nosso Lord Protector — que manobrou em frenética retirada estratégica, ocultando-se no toalete — fui forçado a assumir o comando, nomeando os operativos voluntários Capitão Mallmann e Tenente Ribeiro para uma expedição autopunitiva ao segundo piso do estabelecimento.  A missão consistiu em executar um rápido reconhecimento do terreno.  Alertei-os para que evitassem atos heróicos desnecessários capazes de resultar no sacrifício de suas vidas e/ou virtudes.  Despachei também o Alferes Monteiro como observador, determinando que operasse a partir de uma posição recuada segura e que batesse em retirada imediatamente se o pior acontecesse os nossos bravos combatentes que avançaram de peito aberto e braguilhas cerradas para confrontar o desconhecido.  Lamentei muitíssimo não dispormos àquela hora fatídica das tais armaduras stormtroopers cuja aquisição fora promessa de campanha de nosso antigo presidente e atual Lord Protector.  Após um alarme falso, acabou que não sofremos baixas.  Primeiro regressou o Alferes Monteiro, reportando ter avistado nossos oficiais engajados com as forças inimigas.  Contudo, ao que parece, tudo não passou de uma sagaz manobra desviacionista empreendida pelo Capitão Mallmann, que logrou recuar para as nossas linhas em segurança e com sua honra intacta.  Mais uma missão cumprida por nossos jovens heróis, com honra e bravura acima e além do dever.

Por volta de quinze para meia-noite deixamos o estabelecimento.  Embora algo tardio, tal hora não chega perto de nossos recordes.  Ao que parece, não somos mais os mesmos...J

Jardim Botânico, Rio de Janeiro, 15 de abril de 2012 (domingo).




Participantes:

Ana Cristina Rodrigues
Carlos Eugênio Patati
Eduardo Torres
Estevão Ribeiro
Gerson Lodi-Ribeiro
Jorge Pereira
Max Mallmann
Miguel Carqueija
Rafael “Lupo” Monteiro
Raul Avelar
Ricardo França
Sylvio Gonçalves

domingo, 25 de março de 2012

Essas mulheres e sua literatura fantástica


201203202359O3


“A mente masculina é um universo fantástico para nós.”
[Eliane Raye]


Saí do trabalho mais cedo hoje à tarde para assistir a estreia das sessões de bate-papo planejadas pela minha amiga Ana Cristina Rodrigues sob os auspícios da Biblioteca Nacional, no espaço cultural propiciado pela Casa da Leitura de Laranjeiras.

Ana Cris pretende abrir um espaço para a literatura fantástica, organizando vários eventos nos moldes desse primeiro bate-papo, que ocorreu no Auditório Clarice Lispector da instituição.

Esse primeiro bate-papo, “Essas Mulheres e sua Literatura Fantástica” foi mediado pela própria Ana Cris, contando com a participação das autoras Eliane Raye e Flávia Côrtes.

*     *      *

Eliane Raye, Ana Cristina Rodrigues e Flávia Côrtes.


O bate-papo reuniu cerca de quarenta pessoas no auditório, sendo que mais ou menos metade desse número era constituído por alunos de uma escola pública levados ao evento por professores interessados em estimular o hábito da leitura.

A mediadora apresentou primeiro Eliane Raye como uma das poucas escritoras brasileiras de ficção científica com romances publicados.  Eliane falou-nos então de seu último romance, O Portal (Vermelho Marinho, 2010), uma trama de suspense e viagens no tempo com protagonista norte-americana, mas ambientada no Brasil.



Em seguida, Ana apresentou Flávia Côrtes, uma autora de literatura infantil que começa a se aventurar na fantasia.  Flávia falou de seu romance, Senhora das Névoas (Edelbra, 2011), em que uma jovem comum descobre que descende das fadas de Avalon e precisa decidir se prossegue com sua vida de humana normal ou abandona tudo para assumir sua herança feérica.



Ainda mais interessante do que os enredos dos romances descritos pelas duas autoras foram suas considerações sobre seus respectivos processos de criação literária e as motivações que as levaram a se dedicar à escrita de ficção especulativa.  Ao longo do bate-papo, a plateia participou ativamente com comentários, perguntas e — em pelo menos uma ocasião — críticas, quando a mediadora citou en passant a baixa qualidade literária dos romances da série Crepúsculo da Stephenie Meyer.

Ao serem questionadas sobre o emprego de protagonistas femininas, Eliane e Flávia se saíram com respostas distintas.  Flávia explicou que já escreveu trabalhos com protagonistas masculino.  Eliane explicou que se sente mais à vontade trabalhando com protagonistas femininas, pela maior facilidade em estabelecer um arcabouço psicológico consistente para o personagem.  Confessou julgar o universo da mente masculina é um mistério e brincou, afirmando que o funcionamento da mente masculina é um universo fantástico para as mulheres.

Conquanto animado, o evento teve que ser encerrado por volta das 18:30h, imagino que em virtude do horário de funcionamento da instituição, pois a impressão foi que autoras e plateia ainda tinham assunto, questões e entusiasmo para várias horas de bate-papo.

Autoras e Mediadora.


Após o término do bate-papo em si, Ana Cris sorteou exemplares dos romances das duas autoras e também de sua coletânea de contos de fantasia, AnaCrônicas (Gráfica A1, 2009).

Bati algumas fotos das autoras, conversei brevemente com Flávia, que ainda não conhecia, embora ela tenha comparecido na última ou penúltima Fantasticon, e também com Lucas Rocha, adiantando-lhe meus comentários sobre sua noveleta “A Verdade sobre Raio Vermelho — Uma Biografia”, submetida à antologia Super-Heróis, que estou organizando com Luiz Felipe Vasques para a editora Draco.

Findo o evento, cumpre torcer para que esse bate-papo tenha sido apenas o primeiro de muitos organizados pela Casa da Leitura de Laranjeiras versando sobre literatura fantástica.

Jardim Botânico, Rio de Janeiro, 20 de março de 2012 (terça-feira).


quarta-feira, 7 de março de 2012

Lançamento carioca da
Sherlock Holmes


201203012359O5 — 18.864 D.V.

Capa da antologia.


Após uma soirée na Escola Naval para assistir a stand-up comedy “Hiperativo” com Paulo Gustavo, sob os auspícios da Sociedade Fênix Naval, saímos da Ilha de Villegagnon rumo à Praia de Botafogo para o lançamento carioca da antologia Sherlock Holmes — Aventuras Secretas (Draco, 2012) na Blooks, no Espaço Itaú-Unibanco Artplex.  A antologia foi organizada por Carlos Orsi Martinho e Marcelo Galvão.  Presentes à mesa de autógrafos, os autores Octavio Aragão (“A Aventura do Americano Audaz”) e Alexandre Mandarino (“A Aventura do Penhasco dos Suicidas”).

*     *      *



Por causa do compromisso anterior, só chegamos à Blooks às 20:30h.  Além dos dois participantes citados, o lançamento contou com a presença de alguns membros eméritos da  comunidade carioca de literatura fantástica, tais como: Bráulio Tavares, Max Mallmann, Ana Cristina Rodrigues, Rafael Monteiro, Luiz Felipe Vasques, Daniel Ribas, Josué de Oliveira e Lucas Rocha.

Octavio Aragão e Alexandre Mandarino.


Aproveitei a presença do Luiz Felipe para conversar um pouco sobre a Super-Heróis, antologia que estamos organizando a quatro mãos e cuja deadline se dará no próximo dia 31.  Externamos nossas preocupações comuns quanto à baixa qualidade literária da maior parte das submissões recebidas.  Infelizmente, por questões de confidencialidade, não pudemos detalhar nossa discussão.  Fica para outra ocasião, mais reservada.


Bráulio Tavares e Luiz Felipe Vasques.


Num bate-papo com Daniel Ribas e Bráulio Tavares, inteirei-me das recentes atividades editoriais de ambos.  Daniel tornou-se antologista e editor, já tendo lançado uma antologia de contos eróticos (mainstream e não fantásticos).  Como sua editora possui uma livraria aqui no Rio, declarou-se interessado em vender algumas antologias da Draco, como a recém-lançada Sherlock Holmes e as duas Eróticas Fantásticas.  Mais do que rapidamente, passei-lhe o e-mail do Erick Sama, publisher da Draco.  Bráulio contou-nos sobre seus trabalhos recentes de tradução de clássicos da literatura fantástica, dentre os quais A Ilha do Doutor Moreau, de H.G. Wells.

Ao contrário do que ocorreu nos dois lançamentos anteriores da Draco aqui no Rio — Guardiã da Memória e Dieselpunk — desta feita a remessa de livros (trinta exemplares) foi suficiente para atender a demanda, fato que ensejou uma comemoração discreta entre os draconianos presentes.

Depois de fazer forfeit no aniversário de Ana Cris no sábado anterior —evento que muito batalhou para fomentar — Lucas Rocha compareceu lépido, fagueiro e vivo(!) ao lançamento da Sherlock Holmes, já plenamente recobrado dos suplícios inconcebíveis aos quais foi submetido por sua chefa implacável.

Mandarino, Rafael Monteiro e Ana Cris.


À mesa de autógrafos, Octavio Aragão teceu comentários à crítica detalhista e algo acerba da antologia recém-lançada posta por Antonio Luiz da Costa em seu blog, associado à CartaCapital.  Vale a pena conferir aqui:


Como de praxe, Antonio destrincha cada um dos oito contos, com direito a spoilers suprimidos e trechos, em tese representativos, desses trabalhos.

GL-R, Max Mallmann e Octavio Aragão.

Por falar em aproveitamento do personagem Sherlock Holmes por outros autores que não Arthur Conan Doyle, além do já clássico Arsène Lupin contra Herlock Sholmes, do Maurice Leblanc, cuja edição brasileira ainda se encontra disponível nos sebos virtuais da vida, lembrei do Athelstan Helms, personagem do Harry Turtledove, protagonista da novela “The Scarlet Band”, um dos trabalhos do universo ficcional dos Estados Unidos de Atlântida presentes na coletânea do autor, Atlantis and Other Places (Roc Books, 2010).  Seria interessante saber o que Antonio Luiz teria a dizer da inserção desse alter ego holmesiano numa linha histórica natural alternativa tão heterodoxa...

Atlântida de Harry Turtledove.

Como muitos dos fãs presentes ao lançamento, aproveitei o ensejo para namorar (platonicamente) diversas obras de literatura fantástica no belo acervo mantido nas prateleiras e estandes da Blooks, com ênfase à bonita capa da nova edição de A Ilha do Doutor Moreau, com tradução do Bráulio e à edição brasileira do quarto romance da saga As Crônicas de Gelo e Fogo, do George R.R. Martin.  Ao contrário do que ouvira nas listas de discussão da vida, O Festim dos Corvos saiu num único tomo e declarando que o tradutor é o autor português Jorge Candeias.  Aliás, esta última questão suscitou um breve debate entre fãs presentes sobre o pretenso protesto de tradutores brasileiros quanto a “importação” de uma tradução do outro lado do Atlântico...  Da minha parte, confirmei com o Candeias meses atrás que ele está auferindo dividendos da transposição de suas traduções dos romances dessa saga para o mercado editorial brasileiro.

Enfim, mais um lançamento carioca bem-sucedido, sem fãs insatisfeitos chupando os dedos desta vez.

Jardim Botânico, Rio de Janeiro, 1º de março de 2012 (quinta-feira).




Participantes:

Alexandre Mandarino
       Ana Cristina Rodrigues
       Bráulio Tavares
       Cláudia Quevedo Lodi
       Daniel Ribas
       Gerson Lodi-Ribeiro
       Josué de Oliveira
       Lucas Rocha
       Luiz Felipe Vasques
       Max Mallmann
       Octavio Aragão
       Rafael “Lupo” Monteiro     

segunda-feira, 5 de março de 2012

Aniversário da Ana Cris 2012



201202290950O4 — 18.863 D.V.



                “Comparar Martin com Tolkien já perdeu a razão de ser. A partir de agora a comparação mais sensata é com a obra de William Shakespeare.”  [Faren Miller]



Nesse último sábado nos reunimos mais uma vez no Estação Gourmet, desta feita para comemorar o aniversário de Ana Cristina Rodrigues, no primeiro evento de 2012 e também a primeira reunião após a cirurgia de redução bem-sucedida da aniversariante.  Curiosamente, Lucas Rocha, um dos principais incentivadores dessa comemoração, fez forfeit.  A homenageada informou que promoverá represálias.J

*     *      *



Além dos integrantes habitués dos eventos e noitadas da ficção científica carioca, desta vez contamos com a presença do casal Raphael Draccon & Carolina Munhoz.

Raphael Draccon & Carolina Munhoz.


O principal assunto da noite, pelo menos em nossa seção da mesa, foi a seleção de contos e noveletas para a Erótica Fantástica ou, melhor dizendo, para as Eróticas Fantásticas, uma vez que, em virtude da qualidade elevada e da quantidade absurda de submissões, a Editora Draco decidiu lançar em caráter excepcional duas antologias eróticas neste ano.  Procurei distribuir entre os dois volumes, um número igual de autores (10) e autoras (6); brasileiros (13) e portugueses (3); contos hardcore (8) e softcore (8), no que se pese que, neste último quesito, a opinião final ficará a cargo dos leitores.  De todo modo, logramos reunir um timaço de feras, dentre os quais destaco Carlos Orsi Martinho, Jorge Candeias, Antonio Luiz da Costa, Cirilo Lemos e Marcelo Galvão.  Entre as moçoilas, Camila Fernandes, Adriana Simon, Ana Cristina Rodrigues, Valentina Silva Ferreira e Georgette Silen.  Isto para não falar de um punhado de novos valores que, suspeito, ainda darão o que falar.

Falando sobre submissões e análises de ficção curta com Ana Cristina e Tomaz Adour, confessei certa exaustão com a maratona de tentar organizar três antologias fantásticas ao mesmo tempo.  Por seu lado, os dois reclamaram da recepção de originais cujos autores não possuem o domínio da norma culta da língua.  Ana relatou casos de autores que não gostam de ler, mas pretendem escrever...  É difícil.  Nós três declaramos nosso repúdio e ojeriza a diálogos grafados entre aspas e sem o emprego de travessão, como se se tratasse de um texto em inglês.  Isto para não falar as inversões do binômio {substantivo} + {adjetivo}, gerando monstruosidades do tipo “grande e forte homem” ou “incondicional rendição”.

Ana se recuperou bem da cirurgia de redução de estômago e já perdeu quinze quilogramas.  Segundo ela, apenas o início do processo de retorno ao peso normal.

GL-R, Estevão Ribeiro, Ana Cris e Tomaz Adour.


Conversei um bocado com Raphael Draccon sobre nosso amigo comum Fábio Barreto, atualmente radicado na Califórnia.  Além de atuar como jornalista freelancer, Fábio está cursando cinema por lá e já possui um curta-metragem de sucesso a seu crédito.  Ademais, trabalha na conclusão de um romance pós-apocalíptico, cujo título provisório é Filhos do Fim do Mundo.  Raphael e Carolina estiveram com o Fábio em sua tour recente na Costa Oeste dos E.U.A.

Conversei animadamente com Jorge Pereira, Max Mallmann e Ana Cris sobre os enredos e os personagens do universo ficcional da Canção de Gelo e Fogo, do George R.R. Martin.  O problema de discutir essas questões de Game of Thrones numa mesa de bar é que cada participante do bate-papo leu um número diferente de romances e alguns até agora se limitaram a assistir a primeira temporada no HBO, correspondente ao primeiro romance da multissaga.  De qualquer modo, quanto mais me aprofundo nesse universo do Martin (estou no meio de O Festim dos Corvos, quarto da série), mais me convenço de que essa saga é em tudo superior à trilogia O Senhor dos Anéis, de J.R.R. Tolkien.  Felizmente, já adquiri a edição norte-americana de A Dance with Dragons, quinto romance da saga.  A tristeza será quando eu concluir a leitura desse quinto romance, uma vez que o autor só deverá entregar o sexto por volta de 2014 ou 2015...

Galera reunida.

Jardim Botânico, Rio de Janeiro, 29 de fevereiro de 2012 (quarta-feira bissexta).




Participantes:

Ana Cristina Rodrigues
       Carolina Munhoz
       Cláudia Quevedo Lodi
       Estevão Ribeiro
       Gerson Lodi-Ribeiro
       Jorge Pereira
       Max Mallmann
       Raphael Draccon
       Tomaz Adour