domingo, 15 de abril de 2012

Clinton in rio 2012



201204151055P1    18.909 D.V.

 “Passo ao seu poder as atas originais redigidas pelas mãos sagradas de nossos Pais Fundadores.”
[Presidente Eduardo Torres, entregando a documentação do CLFC ao Lord Protector Clinton Davisson]


“O CLFC espera que cada um cumpra o seu dever.”
[Capitão Mallmann, em franca inferioridade numérica, prestes a engajar contra o inimigo]



Diversos membros ativos e notórios da velha guarda da FC carioca se reuniram ontem à noite no Estação Gourmet, na esquina de Mena Barreto com Rua da Passagem em Botafogo para comemorar a primeira visita mais ou menos oficial de Clinton Davisson ao Rio após sua eleição para presidente do Clube de Leitores de Ficção Científica.

Neste sentido, o ex-presidente Eduardo Torres fez questão de guardar um lugar a seu lado para o Presidente Clinton (não o Bill), pois planejava promover a transferência oficial da documentação da instituição para as mãos do novo hierarca.

Edu Torres e Clinton Davisson - Passagem das Atas Sagradas.


Claro que a efeméride da visita desse líder carismático serviu de pretexto para mais uma noitada de revelações etílicas, algumas impublicáveis, que terei a honra de divulgar aqui.

*     *      *



Quando cheguei ao Estação Gourmet com pontualidade carioca (cinco a dez minutos de atraso em relação ao horário marcado das 19:00h), já estavam em nossa mesa tradicional Eduardo Torres e Carlos Eugênio Patati.  Conversamos por alguns minutos sobre as vicissitudes de se organizar antologias de literatura fantástica no esquema de submissão pública.

Quinze minutos mais tarde, chegaram praticamente juntos Max Mallmann, Miguel Carqueija e Raul Avelar.  Esse último chegou munido e animado com os subsídios para a palestra que deverá ministrar em breve sobre o arquifamoso Simpósio de Ficção Científica que se deu aqui no Rio em 1969, que ele assistiu integralmente, inclusive, coligindo autógrafos de diversos monstros sagrados do gênero, como Arthur C. Clarke, Poul Anderson, A.E. van Vogt, Robert A. Heinlein e outros menos cotados.  A fim de fornecer apoio de pesquisa para a palestra, emprestei a nosso decano a edição bilíngue dos anais do simpósio.  Raul nos contou que logrou adquirir seu próprio exemplar através de um sebo virtual, mas que ainda não o tem em mãos.

Em seguida, chegaram o casal Ana Cristina Rodrigues e Estevão Ribeiro e, logo depois, Sylvio Gonçalves.  Clinton Davisson assustou os clientes do restaurante ao adentrar no recinto bradando palavras de ordem e empunhando um sabre de luz de dimensões avantajadas e, ainda por cima, aceso e barulhento.  Repleta de vergonha alheia, Ana Cris cogitou se esconder sob a mesa, mas, no fim, cerrou os maxilares e resistiu condignamente como uma boa menina.  Mais tarde, vestindo uma camisa vermelha do The Big Bang Theory (Bazinga!), Max Mallmann posou para fotos brandindo o vigoroso sabre Jedi.

Sheldon Max Cooper, Cavaleiro Jedi.


Bem mais tarde apareceram Jorge Pereira, Ricardo França e Rafael “Lupo” Monteiro.

Aproveitando a presença motorizada de Clinton, vários sócios trouxeram livros e demais memorabilia para a mostra que rolará em paralelo com o lançamento da antologia Space-Opera em Macaé na próxima quarta-feira.  Sem a menor intenção de fazer trocadilho, prometi ao presidente que levaria oito Gostosas comigo para o evento.  Segundo Mr. President, o lançamento macaense seria prestigiado pela elite política local, com direito a jantar de gala em restaurante chique e presença da vice-prefeita.  Como dizem nossos amigos do fandom português, “a ver vamos”.

Desta vez, à bem de um esboço de dieta, abri mão do quase irresistível rodízio de pizzas e crepes do Estação, resistência heróica bebemorada com duas garrafas de um carmenère chileno honesto que dividi com o Edu, como parte de nossa contribuição ao boicote aos vinhos gaúchos por causa de seu projeto de lei espúrio de sobretaxar os vinhos importados — uma espécie de reserva de mercado, à semelhança daquela que prejudicou tremendamente a indústria de microcomputadores no país.  A propósito, a jovem lourinha que faz as vezes de maître no estabelecimento veio à nossa mesa e nos prometeu que a qualidade e a variedade da carta de vinhos do Estação Gourmet está prestes a sofrer uma melhora substancial.  Como diria o Ancelmo Góis, “vamos torcer, vamos cobrar”.

Muito mais tarde, à guisa de saideira, degustei duas doses de Cointreau.  Ainda convalescente de sua cirurgia, desta vez nossa heroína Ana Cris não pôde nos acompanhar em nossa aventura enoetílica.

Aproveitei a presença de meu afilhado e guru para questões cinéfilas, Sylvio Gonçalves para me aconselhar quanto às novas tecnologias de gravação e armazenamento de mídias audiovisuais, uma vez que os dois gravadores de DVD aqui de casa estão começando a dar de si e devemos visitar New York nas próximas férias.  A ideia básica é comprar um aparelho com disco rígido parrudo capaz de armazenar e editar filmes e séries.  Sylvio ficou de fazer uma pesquisa para mim.

Mais ou menos por essa hora, sem abandonar a temática Star Wars, nosso presidente pândego nos surpreendeu com uma máscara do Senador Palpatine, bastante realista, artifício que levou seus súditos atemorizados a aclamá-lo como Lord Protector do CLFC.  Aliás, Clinton revelou que o lançamento macaense da próxima quarta-feira contará com a presença de um grupo de fãs performáticos com fantasias de stormtroopers imperiais.

Presidente Clinton, Lord Protector do CLFC.


Ante a exibição dos clássicos autografados de Raul Avelar, lembrei de contar para meus amigos uma novidade velha de quinze anos: Stella Alves de Souza, tradutora de clássicos da ficção científica anglo-saxã publicada pela Expressão e Cultura na década de 1970 — como, por exemplo, O Enigma de Andrômeda de Michael Crichton; 2001, Odisseia no Espaço de Arthur C. Clarke; Poeira de Estrelas e Os Nove Amanhãs, ambos de Isaac Asimov — é minha clínica geral há quase um quarto de século.  Após a descrença inicial e os elogios pela qualidade das traduções, tomei um esporro dos amigos por não ter revelado o assunto há mais tempo.  Em realidade, já estava para falar disso há anos, quiçá décadas, mas sempre me esquecia...

Quando o novo presidente do CLFC aventou a possibilidade de escalar a palestra de nosso decano sobre o Simpósio de Ficção Científica ser ministrada em Rio das Ostras, uma cidadezinha simpática do interior fluminense, Edu replicou que o evento devia se dar no Rio de Janeiro.  Daí ativamos Miguel Carqueija para sondar a direção do SESC-Tijuca sob a possibilidade de fazermos a palestra lá, à semelhança de vários eventos lá realizados há coisa de dez anos, como o lançamento carioca da antologia erótica Como Era Gostosa a Minha Alienígena! e a cerimônia de entrega do Prêmio Argos 2003.  Mais tarde, depois da partida de Carqueija, Ana Cris aventou a hipótese de levar a palestra para a Casa da Leitura de Laranjeiras, um novo espaço que se abre para as tertúlias fantásticas cariocas.

Carlos Patati, Raul Avelar, Miguel Carqueija.


Edu Torres, Clinton, Ricardo França, Jorge Pereira, Max Mallmann.


Por falar em Argos, destrinchamos impiedosamente a proposta de ressuscitar a premiação pela diretoria atual do CLFC.  Os três ex-presidentes presentes à mesa foram unânimes em louvar a ideia em conteúdo e criticá-la em sua forma.  Julgamos o número de categorias excessivo, inclusive, com excrescências desnecessárias, como, por exemplo, a categoria de HQ, uma vez que o Argos — pelo menos em sua formulação original — foi concebido como premiação literária e também pela existência de outras premiações e certames que contemplam especificamente as HQ.  Alertei o presidente quanto à necessidade de combater a prática dos lobbies, sob risco de desmoralizar esta nova versão da premiação.  Já Ana Cris alertou-o para tomar cuidado com os conselheiros que ela apelidou “engenheiros de obras prontas”, sempre prontos & ávidos em apresentar centenas de sugestões aparentemente úteis, mas que, na hora de se apresentarem como voluntários para concretizá-las, são céleres em dar o celebre “passo atrás” e não tardam a correr do pau.  Ana citou os respectivos bois e vacas, cujos nomes declinarei de registrar aqui por questões óbvias.

Confirmei com a editora Ana Cris que meu romance de ficção científica Quando Deus Morreu deverá sair ainda este ano pela Llyr Editorial, provavelmente na Fantasticon 2012.  Informei oficialmente ao Edu que o protagonista é seu homônimo, deixando-o deveras preocupado com o que tramei para o adolescente terrestre em meio às beldades asteroidais.  De todo modo, prometi-lhe que seu alter ego não seria seviciado com requintes de crueldade barreirianas.

Lá pelas tantas, com o teor alcoólico médio já bastante elevado nas correntes sanguíneas dos presentes, eis que Estevão Ribeiro recebe um convite para comparecer a uma festa dançante de sexagenárias que rolava no segundo andar do Estação Gourmet.  Considerando o risco severo de assédio sexual, na ausência temporária de nosso Lord Protector — que manobrou em frenética retirada estratégica, ocultando-se no toalete — fui forçado a assumir o comando, nomeando os operativos voluntários Capitão Mallmann e Tenente Ribeiro para uma expedição autopunitiva ao segundo piso do estabelecimento.  A missão consistiu em executar um rápido reconhecimento do terreno.  Alertei-os para que evitassem atos heróicos desnecessários capazes de resultar no sacrifício de suas vidas e/ou virtudes.  Despachei também o Alferes Monteiro como observador, determinando que operasse a partir de uma posição recuada segura e que batesse em retirada imediatamente se o pior acontecesse os nossos bravos combatentes que avançaram de peito aberto e braguilhas cerradas para confrontar o desconhecido.  Lamentei muitíssimo não dispormos àquela hora fatídica das tais armaduras stormtroopers cuja aquisição fora promessa de campanha de nosso antigo presidente e atual Lord Protector.  Após um alarme falso, acabou que não sofremos baixas.  Primeiro regressou o Alferes Monteiro, reportando ter avistado nossos oficiais engajados com as forças inimigas.  Contudo, ao que parece, tudo não passou de uma sagaz manobra desviacionista empreendida pelo Capitão Mallmann, que logrou recuar para as nossas linhas em segurança e com sua honra intacta.  Mais uma missão cumprida por nossos jovens heróis, com honra e bravura acima e além do dever.

Por volta de quinze para meia-noite deixamos o estabelecimento.  Embora algo tardio, tal hora não chega perto de nossos recordes.  Ao que parece, não somos mais os mesmos...J

Jardim Botânico, Rio de Janeiro, 15 de abril de 2012 (domingo).




Participantes:

Ana Cristina Rodrigues
Carlos Eugênio Patati
Eduardo Torres
Estevão Ribeiro
Gerson Lodi-Ribeiro
Jorge Pereira
Max Mallmann
Miguel Carqueija
Rafael “Lupo” Monteiro
Raul Avelar
Ricardo França
Sylvio Gonçalves

domingo, 25 de março de 2012

Essas mulheres e sua literatura fantástica


201203202359O3


“A mente masculina é um universo fantástico para nós.”
[Eliane Raye]


Saí do trabalho mais cedo hoje à tarde para assistir a estreia das sessões de bate-papo planejadas pela minha amiga Ana Cristina Rodrigues sob os auspícios da Biblioteca Nacional, no espaço cultural propiciado pela Casa da Leitura de Laranjeiras.

Ana Cris pretende abrir um espaço para a literatura fantástica, organizando vários eventos nos moldes desse primeiro bate-papo, que ocorreu no Auditório Clarice Lispector da instituição.

Esse primeiro bate-papo, “Essas Mulheres e sua Literatura Fantástica” foi mediado pela própria Ana Cris, contando com a participação das autoras Eliane Raye e Flávia Côrtes.

*     *      *

Eliane Raye, Ana Cristina Rodrigues e Flávia Côrtes.


O bate-papo reuniu cerca de quarenta pessoas no auditório, sendo que mais ou menos metade desse número era constituído por alunos de uma escola pública levados ao evento por professores interessados em estimular o hábito da leitura.

A mediadora apresentou primeiro Eliane Raye como uma das poucas escritoras brasileiras de ficção científica com romances publicados.  Eliane falou-nos então de seu último romance, O Portal (Vermelho Marinho, 2010), uma trama de suspense e viagens no tempo com protagonista norte-americana, mas ambientada no Brasil.



Em seguida, Ana apresentou Flávia Côrtes, uma autora de literatura infantil que começa a se aventurar na fantasia.  Flávia falou de seu romance, Senhora das Névoas (Edelbra, 2011), em que uma jovem comum descobre que descende das fadas de Avalon e precisa decidir se prossegue com sua vida de humana normal ou abandona tudo para assumir sua herança feérica.



Ainda mais interessante do que os enredos dos romances descritos pelas duas autoras foram suas considerações sobre seus respectivos processos de criação literária e as motivações que as levaram a se dedicar à escrita de ficção especulativa.  Ao longo do bate-papo, a plateia participou ativamente com comentários, perguntas e — em pelo menos uma ocasião — críticas, quando a mediadora citou en passant a baixa qualidade literária dos romances da série Crepúsculo da Stephenie Meyer.

Ao serem questionadas sobre o emprego de protagonistas femininas, Eliane e Flávia se saíram com respostas distintas.  Flávia explicou que já escreveu trabalhos com protagonistas masculino.  Eliane explicou que se sente mais à vontade trabalhando com protagonistas femininas, pela maior facilidade em estabelecer um arcabouço psicológico consistente para o personagem.  Confessou julgar o universo da mente masculina é um mistério e brincou, afirmando que o funcionamento da mente masculina é um universo fantástico para as mulheres.

Conquanto animado, o evento teve que ser encerrado por volta das 18:30h, imagino que em virtude do horário de funcionamento da instituição, pois a impressão foi que autoras e plateia ainda tinham assunto, questões e entusiasmo para várias horas de bate-papo.

Autoras e Mediadora.


Após o término do bate-papo em si, Ana Cris sorteou exemplares dos romances das duas autoras e também de sua coletânea de contos de fantasia, AnaCrônicas (Gráfica A1, 2009).

Bati algumas fotos das autoras, conversei brevemente com Flávia, que ainda não conhecia, embora ela tenha comparecido na última ou penúltima Fantasticon, e também com Lucas Rocha, adiantando-lhe meus comentários sobre sua noveleta “A Verdade sobre Raio Vermelho — Uma Biografia”, submetida à antologia Super-Heróis, que estou organizando com Luiz Felipe Vasques para a editora Draco.

Findo o evento, cumpre torcer para que esse bate-papo tenha sido apenas o primeiro de muitos organizados pela Casa da Leitura de Laranjeiras versando sobre literatura fantástica.

Jardim Botânico, Rio de Janeiro, 20 de março de 2012 (terça-feira).


quarta-feira, 7 de março de 2012

Lançamento carioca da
Sherlock Holmes


201203012359O5 — 18.864 D.V.

Capa da antologia.


Após uma soirée na Escola Naval para assistir a stand-up comedy “Hiperativo” com Paulo Gustavo, sob os auspícios da Sociedade Fênix Naval, saímos da Ilha de Villegagnon rumo à Praia de Botafogo para o lançamento carioca da antologia Sherlock Holmes — Aventuras Secretas (Draco, 2012) na Blooks, no Espaço Itaú-Unibanco Artplex.  A antologia foi organizada por Carlos Orsi Martinho e Marcelo Galvão.  Presentes à mesa de autógrafos, os autores Octavio Aragão (“A Aventura do Americano Audaz”) e Alexandre Mandarino (“A Aventura do Penhasco dos Suicidas”).

*     *      *



Por causa do compromisso anterior, só chegamos à Blooks às 20:30h.  Além dos dois participantes citados, o lançamento contou com a presença de alguns membros eméritos da  comunidade carioca de literatura fantástica, tais como: Bráulio Tavares, Max Mallmann, Ana Cristina Rodrigues, Rafael Monteiro, Luiz Felipe Vasques, Daniel Ribas, Josué de Oliveira e Lucas Rocha.

Octavio Aragão e Alexandre Mandarino.


Aproveitei a presença do Luiz Felipe para conversar um pouco sobre a Super-Heróis, antologia que estamos organizando a quatro mãos e cuja deadline se dará no próximo dia 31.  Externamos nossas preocupações comuns quanto à baixa qualidade literária da maior parte das submissões recebidas.  Infelizmente, por questões de confidencialidade, não pudemos detalhar nossa discussão.  Fica para outra ocasião, mais reservada.


Bráulio Tavares e Luiz Felipe Vasques.


Num bate-papo com Daniel Ribas e Bráulio Tavares, inteirei-me das recentes atividades editoriais de ambos.  Daniel tornou-se antologista e editor, já tendo lançado uma antologia de contos eróticos (mainstream e não fantásticos).  Como sua editora possui uma livraria aqui no Rio, declarou-se interessado em vender algumas antologias da Draco, como a recém-lançada Sherlock Holmes e as duas Eróticas Fantásticas.  Mais do que rapidamente, passei-lhe o e-mail do Erick Sama, publisher da Draco.  Bráulio contou-nos sobre seus trabalhos recentes de tradução de clássicos da literatura fantástica, dentre os quais A Ilha do Doutor Moreau, de H.G. Wells.

Ao contrário do que ocorreu nos dois lançamentos anteriores da Draco aqui no Rio — Guardiã da Memória e Dieselpunk — desta feita a remessa de livros (trinta exemplares) foi suficiente para atender a demanda, fato que ensejou uma comemoração discreta entre os draconianos presentes.

Depois de fazer forfeit no aniversário de Ana Cris no sábado anterior —evento que muito batalhou para fomentar — Lucas Rocha compareceu lépido, fagueiro e vivo(!) ao lançamento da Sherlock Holmes, já plenamente recobrado dos suplícios inconcebíveis aos quais foi submetido por sua chefa implacável.

Mandarino, Rafael Monteiro e Ana Cris.


À mesa de autógrafos, Octavio Aragão teceu comentários à crítica detalhista e algo acerba da antologia recém-lançada posta por Antonio Luiz da Costa em seu blog, associado à CartaCapital.  Vale a pena conferir aqui:


Como de praxe, Antonio destrincha cada um dos oito contos, com direito a spoilers suprimidos e trechos, em tese representativos, desses trabalhos.

GL-R, Max Mallmann e Octavio Aragão.

Por falar em aproveitamento do personagem Sherlock Holmes por outros autores que não Arthur Conan Doyle, além do já clássico Arsène Lupin contra Herlock Sholmes, do Maurice Leblanc, cuja edição brasileira ainda se encontra disponível nos sebos virtuais da vida, lembrei do Athelstan Helms, personagem do Harry Turtledove, protagonista da novela “The Scarlet Band”, um dos trabalhos do universo ficcional dos Estados Unidos de Atlântida presentes na coletânea do autor, Atlantis and Other Places (Roc Books, 2010).  Seria interessante saber o que Antonio Luiz teria a dizer da inserção desse alter ego holmesiano numa linha histórica natural alternativa tão heterodoxa...

Atlântida de Harry Turtledove.

Como muitos dos fãs presentes ao lançamento, aproveitei o ensejo para namorar (platonicamente) diversas obras de literatura fantástica no belo acervo mantido nas prateleiras e estandes da Blooks, com ênfase à bonita capa da nova edição de A Ilha do Doutor Moreau, com tradução do Bráulio e à edição brasileira do quarto romance da saga As Crônicas de Gelo e Fogo, do George R.R. Martin.  Ao contrário do que ouvira nas listas de discussão da vida, O Festim dos Corvos saiu num único tomo e declarando que o tradutor é o autor português Jorge Candeias.  Aliás, esta última questão suscitou um breve debate entre fãs presentes sobre o pretenso protesto de tradutores brasileiros quanto a “importação” de uma tradução do outro lado do Atlântico...  Da minha parte, confirmei com o Candeias meses atrás que ele está auferindo dividendos da transposição de suas traduções dos romances dessa saga para o mercado editorial brasileiro.

Enfim, mais um lançamento carioca bem-sucedido, sem fãs insatisfeitos chupando os dedos desta vez.

Jardim Botânico, Rio de Janeiro, 1º de março de 2012 (quinta-feira).




Participantes:

Alexandre Mandarino
       Ana Cristina Rodrigues
       Bráulio Tavares
       Cláudia Quevedo Lodi
       Daniel Ribas
       Gerson Lodi-Ribeiro
       Josué de Oliveira
       Lucas Rocha
       Luiz Felipe Vasques
       Max Mallmann
       Octavio Aragão
       Rafael “Lupo” Monteiro     

segunda-feira, 5 de março de 2012

Aniversário da Ana Cris 2012



201202290950O4 — 18.863 D.V.



                “Comparar Martin com Tolkien já perdeu a razão de ser. A partir de agora a comparação mais sensata é com a obra de William Shakespeare.”  [Faren Miller]



Nesse último sábado nos reunimos mais uma vez no Estação Gourmet, desta feita para comemorar o aniversário de Ana Cristina Rodrigues, no primeiro evento de 2012 e também a primeira reunião após a cirurgia de redução bem-sucedida da aniversariante.  Curiosamente, Lucas Rocha, um dos principais incentivadores dessa comemoração, fez forfeit.  A homenageada informou que promoverá represálias.J

*     *      *



Além dos integrantes habitués dos eventos e noitadas da ficção científica carioca, desta vez contamos com a presença do casal Raphael Draccon & Carolina Munhoz.

Raphael Draccon & Carolina Munhoz.


O principal assunto da noite, pelo menos em nossa seção da mesa, foi a seleção de contos e noveletas para a Erótica Fantástica ou, melhor dizendo, para as Eróticas Fantásticas, uma vez que, em virtude da qualidade elevada e da quantidade absurda de submissões, a Editora Draco decidiu lançar em caráter excepcional duas antologias eróticas neste ano.  Procurei distribuir entre os dois volumes, um número igual de autores (10) e autoras (6); brasileiros (13) e portugueses (3); contos hardcore (8) e softcore (8), no que se pese que, neste último quesito, a opinião final ficará a cargo dos leitores.  De todo modo, logramos reunir um timaço de feras, dentre os quais destaco Carlos Orsi Martinho, Jorge Candeias, Antonio Luiz da Costa, Cirilo Lemos e Marcelo Galvão.  Entre as moçoilas, Camila Fernandes, Adriana Simon, Ana Cristina Rodrigues, Valentina Silva Ferreira e Georgette Silen.  Isto para não falar de um punhado de novos valores que, suspeito, ainda darão o que falar.

Falando sobre submissões e análises de ficção curta com Ana Cristina e Tomaz Adour, confessei certa exaustão com a maratona de tentar organizar três antologias fantásticas ao mesmo tempo.  Por seu lado, os dois reclamaram da recepção de originais cujos autores não possuem o domínio da norma culta da língua.  Ana relatou casos de autores que não gostam de ler, mas pretendem escrever...  É difícil.  Nós três declaramos nosso repúdio e ojeriza a diálogos grafados entre aspas e sem o emprego de travessão, como se se tratasse de um texto em inglês.  Isto para não falar as inversões do binômio {substantivo} + {adjetivo}, gerando monstruosidades do tipo “grande e forte homem” ou “incondicional rendição”.

Ana se recuperou bem da cirurgia de redução de estômago e já perdeu quinze quilogramas.  Segundo ela, apenas o início do processo de retorno ao peso normal.

GL-R, Estevão Ribeiro, Ana Cris e Tomaz Adour.


Conversei um bocado com Raphael Draccon sobre nosso amigo comum Fábio Barreto, atualmente radicado na Califórnia.  Além de atuar como jornalista freelancer, Fábio está cursando cinema por lá e já possui um curta-metragem de sucesso a seu crédito.  Ademais, trabalha na conclusão de um romance pós-apocalíptico, cujo título provisório é Filhos do Fim do Mundo.  Raphael e Carolina estiveram com o Fábio em sua tour recente na Costa Oeste dos E.U.A.

Conversei animadamente com Jorge Pereira, Max Mallmann e Ana Cris sobre os enredos e os personagens do universo ficcional da Canção de Gelo e Fogo, do George R.R. Martin.  O problema de discutir essas questões de Game of Thrones numa mesa de bar é que cada participante do bate-papo leu um número diferente de romances e alguns até agora se limitaram a assistir a primeira temporada no HBO, correspondente ao primeiro romance da multissaga.  De qualquer modo, quanto mais me aprofundo nesse universo do Martin (estou no meio de O Festim dos Corvos, quarto da série), mais me convenço de que essa saga é em tudo superior à trilogia O Senhor dos Anéis, de J.R.R. Tolkien.  Felizmente, já adquiri a edição norte-americana de A Dance with Dragons, quinto romance da saga.  A tristeza será quando eu concluir a leitura desse quinto romance, uma vez que o autor só deverá entregar o sexto por volta de 2014 ou 2015...

Galera reunida.

Jardim Botânico, Rio de Janeiro, 29 de fevereiro de 2012 (quarta-feira bissexta).




Participantes:

Ana Cristina Rodrigues
       Carolina Munhoz
       Cláudia Quevedo Lodi
       Estevão Ribeiro
       Gerson Lodi-Ribeiro
       Jorge Pereira
       Max Mallmann
       Raphael Draccon
       Tomaz Adour

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

ERÓTICA FANTÁSTICA 1 & 2 (2012)



Finda a análise de mais de cento e cinquenta submissões à antologia Erótica Fantástica e encerrada a remessa de uma porção de e-mails aos autores dos trabalhos não-selecionados, eis aqui a relação de contos e noveletas selecionados para compor a primeira antologia erótica fantástica da Editora Draco, projeto que ambicionamos tornar anual.

Doce dilema: para nossa surpresa, concluído o processo de seleção, tínhamos em mãos um volume rijo e avantajado com mais do que o dobro das dimensões em número de palavras do que nossa querida e famosa Vaporpunk (Draco 2010).  Ao que parece, quando o tema é sexo, nossos autores demonstram pendor criativo insaciável tanto em tamanho quanto, sobretudo, em qualidade.

Deste modo, apesar de se tratar de um projeto com proposta anual, em 2012, excepcionalmente, a Editora Draco lançará duas Eróticas Fantásticas para o prazer inenarrável dos nossos leitores.  Dois volumes parrudos e vigorosos que reunirão ao todo 32 trabalhos capazes de redefinir o erótico fantástico lusófono.

São vinte autores e doze autoras.

Vinte e seis brasileiros, seis portugueses.

Dezesseis trabalhos que poderíamos considerar como hardcore em termos de conteúdo sexual explícito e outros tantos softcore.  No que se pese que neste quesito cumpre ao leitor estabelecer sua própria classificação.

Diante destes números, procuramos distribuir os contos entre as duas antologias da maneira mais parelha possível: ambas reúnem dezesseis trabalhos; dez autores e seis autoras; treze brasileiros(as) e três portugueses(as); certo equilíbrio entre contos hardcore e softcore, sérios e cômicos, ficção científica vs. fantasia & horror.  À medida do possível, procuramos intercalar trabalhos hardcore e softcore, de maneira a permitir que o leitor recobre seu fôlego, preparando-se para a próxima rodada.

Segue abaixo a nossa seleção, já em ordem de batalha.  Parabéns aos nossos draconianos antigos e boas-vindas aos novos:

Erotica Fantástica 1:
“A Melhor Trepada da Cidade” [Camila Fernandes];
“Botão de Rosa” [Erick Santos Cardoso];
“Conto Pseudo-Erótico de Fantasia com Fantasias” [Felipe Castilho];
“A Cópula dos Devoradores de Mundos” [Estevan Lutz];
“A Dança de Shiva” [Rubem Cabral];
“A Ilha dos Amores” [Ana Cristina Rodrigues];
“Glicínias Suspensas” [Antonio Luiz da Costa];
“Melhor Acompanhada” [Adriana Simon];
“Memórias de Alto-Mar” [Filipe Costa];
“Mulher Imperfeita” [Daniel Dutra];
“Portal para o Paraíso do Amor e Prazer” [Sandra Pinto];
“Santíssima Magdalena” [Lidia Zuin];
“Para Agradar Amanda” [Gerson Lodi-Ribeiro];
“Robosisatva” [Cirilo S. Lemos];
“Sexo de Água, uma Mutação Tentadora” [Valentina Silva Ferreira]; e
“Fêmea Humana” [Sid Castro].

 

Erotica Fantástica 2:

“Os Escaravelhos e a Filha do Duque de Ev” [Carlos Orsi Martinho];
“Negócios são Negócios” [Georgette Silen];
“Anormal” [Cristina A. Corvo];
“A Arte Mística de Minerar Teratolítios” [Marcelo Galvão];
“Bad Moon Rising” [Lily Carroll];
“Cohiba” [Ana Cristina Luz];
“Vivian & Vanessa” [Rafael Monteiro];
“A Grande Conspiração” [Cláudio Parreira];
“Lyanna” [Marco Rigobelli];
“A Mãe de Mitsvan” [Rynaldo Papoy];
“Mentiras” [Alexandre Louzada];
“Baphomet” [Adécio Chaves];
“`Panóptica Bosônica” [Alliah];
“Submissão” [Karin Kreismann Carteri];
“Tempos Dionisíacos” [Ricardo França]; e
“Aniversário” [Jorge Candeias].


domingo, 1 de janeiro de 2012

Roctavio Castro e Paulo Elache
in RIO 2011
201112311624O7


“Tá com medinho, Zero-Dois?”
[Octavio Aragão a Sylvio Gonçalves,
 ao saber do motivo de seu forfait]



Deu-se anteontem, em plena noite de quinta-feira, mais uma vez no Estação Gourmet a última bebemoração do ano da comunidade carioca de literatura fantástica, desta vez sob o pretexto fortíssimo de recepcionar os amigos Roctavio de Castro e Paulo Elache, em visita à Cidade Maravilhosa neste período de limbo & interregno que separa o Natal do Ano Novo.

Nosso super-herói Paulo Elástico veio direto de São José dos Campos com a família para sua já tradicional passagem carioca de fim de ano, hábito que já mantém há coisa de vinte anos.  Por sua vez, Roctavio veio numa estada inédita para aproveitar as delícias do Rio neste reveillon repleto de turistas e vazio de cariocas.

Foi difícil combinar uma data-hora com Elache, em virtude dos impedimentos festeiros de cada um.  Porém, no fim, quase todos os interessados lograram comparecer, com a exceção notável de Carlos Eugênio Patati e Sylvio Gonçalves, esse último sob a alegação pífia de estar com receio de dirigir com o carro novo, da Barra até o Estação Gourmet, em Botafogo.  Já com Roctavio, a maior dificuldade foi que ele estava no Rio sem celular.  Pois é, algo meio que Sem Olhos em Gaza...  Felizmente, estabelecemos contato via Facebook e marcamos no ponto tradicional de reuniões da FC&F carioca.

*     *      *



Tentei chegar na hora marcada (18:00h) e desta vez quase consegui.  Ao adentrar no restaurante às 18:10h avistei Jorge Pereira, corajosamente defendendo sozinho uma mesa para dez pessoas num estabelecimento que lotava rapidamente.  Posteriormente, quando já havia seis ou oito pessoas em nossa mesa, a equipe de garçons lançou uma plaquinha de “reservado” na dita mesa para tentar alegar que ela estava reservada, alegação rechaçada sem delongas pela transferência da tal plaquinha para a mesa ao lado.

Cerca de vinte minutos mais tarde, chegaram o casal Ana Cristina Rodrigues & Estevão Ribeiro.  Logo depois, apareceu Cláudia.  Coisa de meia hora depois, veio Roctavio, acompanhado pela esposa Sandra Martins e a cunhada, Simone.  Mais tarde chegou Octavio Aragão, acompanhado por seu primogênito, Pedro.  Enfim, chegou nosso outro astro especialmente convidado, Paulo Elache.  E, finalmente, quando poucos julgavam possível, eis que nos chega Eduardo Torres, sumido dos eventos e comemorações desde junho último, no lançamento carioca da Guardiã da Memória (Draco, 2011).

Última bebemoração da FC&F Carioca em 2011.


O assunto mais badalado da noite foi sem dúvida os aftershocks da divulgação da lista dos melhores contos da ficção científica brasileira, coordenada por Luiz Brás.  O ponto mais polêmico e divertido não foi a divulgação da lista em si, cujo resultados foram mais ou menos os esperados, mas sim a divulgação dos votos de cada um dos quarenta e nove eleitores, escolhidos por Brás entre os autores, editores, acadêmicos e críticos da comunidade brasileira de literatura fantástica.  Dentre os eleitores, houve ausências notáveis, como as do autor e antologista Carlos Orsi Martinho, do crítico literário e autor Antonio Luiz M.C. Costa e da acadêmica de FC Fabiana da Câmara, só para citar três nomes de que senti falta de cara, sem precisar puxar pela memória.  No entanto, de repente, eles foram convidados e declinaram de participar da eleição...

Por incrível que pareça, houve eleitores cabotinos o bastante para votar em seus próprios trabalhos, como, por exemplo, José Carlos Neves, que votou em seu “A Capilomante” em 3º lugar; e Fernando Moretti, que sufragou seu próprio “Paula, a Estranha” em 1º lugar.  Curiosamente, os três pontos computados pelo conto de Moretti com um primeiro lugar e o ponto computado por Neves com um terceiro lugar foram os únicos faturados por tais trabalhos e autores.  Ainda não se sabe que tal pontuação em causa própria será ou não desconsiderada.  Pessoalmente, sou contrário a desconsideração desses pontos atribuídos aos trabalhos dos próprios eleitores.  Sei lá, de repente, o Fernando Moretti realmente considera que seu “Paula, a Estranha” é o melhor conto de ficção científica brasileira de todos os tempos...  De qualquer forma, ao que tudo indica, o autor da obra parece ser o único que pensa assim...J

Após a divulgação pública dos votos de todos os eleitores, nas horas que antecederam nossa bebemoração dessa última quinta-feira, houve uma enxurrada de tentativas canhestras de justificar votos espúrios.  Ah, se esses pobres eleitores soubessem que seus votos seriam tão traiçoeiramente ventilados ao grande público...  Pois é, como diziam os lanterninhas dos cinemas de antanho, “no escuro todo mundo é macho, mas basta acender as luzes que a gritaria acaba”.

De todo modo, meu voto foi:

         1º) “Questão de Sobrevivência” (2000), de Carlos Orsi Martinho;

         2º) “Aí Vem o Sol” (1988), de José dos Santos Fernandes; e

         3º) “O Molusco e o Transatlântico” (2005), de Bráulio Tavares.

Os dez contos mais votados foram:

         01º) “A Escuridão, de André Carneiro (25 pontos);

         02º) “A Ética da Traição”, de Gerson Lodi-Ribeiro (20 pontos);

         03º) “Eu Matei Paolo Rossi”, de Octavio Aragão (13 pontos);

04º) “Mestre-de-Armas”, de Bráulio Tavares (13 pontos);

         05º) “O Homem que Hipnotizava”, de André Carneiro (06 pontos);

         06º) “Pendão da Esperança”, de Flávio Medeiros Jr. (06 pontos);

         07º) “Água de Nagasáqui”, de Domingos Carvalho da Silva (05 pontos);

         08º) “Assassinando o Tempo”, de Cristina Lasaitis (05 pontos);

         09º) “Cão de Lata no Rabo”, de Bráulio Tavares (05 pontos);

         10º) “Um Braço na Quarta Dimensão”, de Jerônymo Monteiro (05 pontos);

Dos votos acima, observamos um predomínio significativo dos trabalhos mais antigos sobre os mais recentes.  A princípio, poderíamos considerar que os trabalhos escritos no século XX são de fato melhores do que os publicados nos últimos anos.  Contudo, minha impressão é que, numa perspectiva otimista, boa parte dos eleitores não quis se comprometer votando em trabalhos recentes.  Na perspectiva pessimista, muitos eleitores, experientes ou nem tanto, não deixaram de votar em trabalhos excelentes por picuinha ou, pior, ignorância do que vem sendo publicado no Brasil nos últimos anos.  Considero-me insuspeito para externar tais opiniões, pois minha “A Ética da Traição” recebeu um reconhecimento extraordinário e inesperado.

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Outro assunto polêmico foi a divulgação dos finalistas do Concurso Hydra.  Os organizadores se comprometeram a traduzir o trabalho de ficção curta vencedor para o inglês e sugerir sua publicação numa editora parceira, a Orson Scott Card’s Intergalactic Medicine Show.  Os três trabalhos finalistas foram:

“História com Desenho e Diálogo”, de Brontops Baruq, in Portal Fundação;

“Eu, a Sogra”, de Giulia Moon, in Imaginários 1 (Draco, 2009); e

“Por um Fio”, de Flávio Medeiros, Jr., in Steampunk (Tarja, 2009).

Pelo menos três autores presentes em nossa bebemoração declararam jamais terem cogitado submeter trabalhos para a premiação em questão pela associação do concurso com o autor norte-americano Orson Scott Card, detentor de posições políticas homofóbicas e posturas teístas.  Enfim, no que se pese que, via de regra, o autor típico faz quase tudo para publicar uma história, somos todos adultos e cada um sabe até onde deve ir.

Embora houvesse comparecido ao evento exaustivamente preparado para discutir os enredos de Predador, Game of Thrones e outros menos cotados com os amigos nerds de seu pai, o pimpolho Pedro Aragão acabou não tendo oportunidade de esgrimir seus conhecimentos conosco pelo fato de ter sido acometido pelo desejo súbito de comer pães de queijo, um dos poucos petiscos indisponíveis do estabelecimento.


Pedro Aragão tendo a lição tomada pelo pai.


Por falar em comida, a maioria dos presentes optou pelo saboroso rodízio de pizzas do Estação Gourmet, opção perigosíssima para aqueles que pretendem manter a forma entre uma e outra festa de fim de ano, mas, enfim, caímos (de boca) em tentação.

Como não poderia deixar de ser, em virtude da proximidade da deadline (31 de dezembro de 2011 às 23:59:59) para submissão de trabalhos à antologia de contos Erotica Phantastica (Draco, 2012), outro assunto candente foi a quantidade, a qualidade e as especificidades dos trabalhos submetidos.  Impedido de entrar em detalhes e, sobretudo, citar nomes, por questão de ética editorial, comentei já ter ultrapassado uma centena de submissões e que os enredos têm se revelado os mais variados possíveis, tanto em temática quanto em qualidade literária.  Infelizmente, serei obrigado a rejeitar — palavra mais feia para um autor esperançoso, não é?  Tudo bem, serei obrigado a “deixar de aproveitar”... pronto, bem melhor assim...  O que seria de nossa qualidade de vida sem os eufemismos! — trabalhos bem escritos por falta de elementos fantásticos ou, pior, falta de “pegada”, ou seja, ausência de sexo, explícito ou implícito.  Apesar das dicas e pedidos expressos em nossas guidelines, choveram clichês de amantes vampíricos emos, escravas sexuais élficas e súcubos em geral.  Porém, nem tudo são espinhos no reino encantado da sacanagem da FCB: há um punhado de trabalhos excelentes, escritos tanto por autores veteranos quanto por iniciantes.  O número de autores permaneceu consideravelmente abaixo da quantidade de submissões, pois diversos autores submeteram várias histórias.  O recorde por enquanto foi de um autor brasileiro que submeteu cinco contos.  Desta vez tivemos uma participação recorde de submissões de autores portugueses, uma ótima pedida para quem gosta de organizar antologias de fantástico lusófono.

Mais uma vez expus minha tese da primazia em importância da obra literária sobre o ego do autor.  Afinal de contas, que nos interessa hoje se Homero e Shakespeare existiu, ante a excelência e a imortalidade de seus textos?

Aproveitamos a presença de Paulo Elástico para conversar sobre o podcasts em geral e o PodEspecular em particular.  Mais uma vez ele confirmou o oferecimento feito ao novo presidente do Clube de Leitores de Ficção Científica, Clinton Davisson, para orientar o sócio nomeado para criar o podcast do CLFC, conforme já havia feito off record durante a gravação do programa sobre o clube.

Panorâmica 1 — Jorge, Estevão, Edu Torres, Paulo Elástico e Ana Cris.

Panorâmica 2 — Elache, Ana Cris, Gerson, Roctavio, Cláudia, Jorge e Edu.


Atuante na área de proteção ambiental da Petrobrás (sim, isto existe!), Eduardo Torres nos explicou os problemas de poluição causados pelo emprego indiscriminado de detergentes biodegradáveis no caso de países, como o Brasil, onde a maior parte dos despejos de esgoto não recebem tratamento adequado.  Também explicou que o emprego de sacos de lixo de plástico não degradável não constitui crime ecológico tão grave quanto nós leigos supúnhamos.

Roctavio e Sandra estão hospedados na casa da irmã dela, Simone Martins, que atua na área de gastronomia.  Simone explicou que, embora resida na Barra com o marido (que também trabalha na Petrobrás), pensa em se mudar para a Zona Sul, porque, segundo ela, é aqui que a maior parte dos bons restaurantes está.  Daí conversamos um bocado sobre a bolha imobiliária que estamos vivendo no Rio de Janeiro em geral e na Zona Sul em particular.  Segundo os especialista no mercado imobiliário carioca, a situação só deve se normalizar em 2017, após a Copa do Mundo e a Olimpíada do Rio.


Simone, Sandra & Roctavio.


Meu antigo companheiro do saudoso departamento de universo ficcional da Hoplon Infotainment, Roctavio explicou que só logrou vir ao Rio por conta das férias coletivas concedidas pela empresa entre o Natal e o Ano Novo.

Enfim, mais um encontro agradabilíssimo com amigos cariocas e visitantes, alimentado por papos excelentes, muito bom-humor, um belo rodízio de pizzas e crepes, um vinho razoável nessa que foi a última bebemoração do ano que ora se encerra.

Jardim Botânico, Rio de Janeiro, 31 de dezembro de 2011 (sábado).




Participantes:

Ana Cristina Rodrigues
Cláudia Quevedo Lodi
Eduardo Torres
Estevão Ribeiro
Gerson Lodi-Ribeiro
Jorge Pereira
Octavio Aragão
Paulo Elache
Pedro Aragão
Roctavio de Castro
Sandra Martins
Simone Martins