segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

ERÓTICA FANTÁSTICA 1 & 2 (2012)



Finda a análise de mais de cento e cinquenta submissões à antologia Erótica Fantástica e encerrada a remessa de uma porção de e-mails aos autores dos trabalhos não-selecionados, eis aqui a relação de contos e noveletas selecionados para compor a primeira antologia erótica fantástica da Editora Draco, projeto que ambicionamos tornar anual.

Doce dilema: para nossa surpresa, concluído o processo de seleção, tínhamos em mãos um volume rijo e avantajado com mais do que o dobro das dimensões em número de palavras do que nossa querida e famosa Vaporpunk (Draco 2010).  Ao que parece, quando o tema é sexo, nossos autores demonstram pendor criativo insaciável tanto em tamanho quanto, sobretudo, em qualidade.

Deste modo, apesar de se tratar de um projeto com proposta anual, em 2012, excepcionalmente, a Editora Draco lançará duas Eróticas Fantásticas para o prazer inenarrável dos nossos leitores.  Dois volumes parrudos e vigorosos que reunirão ao todo 32 trabalhos capazes de redefinir o erótico fantástico lusófono.

São vinte autores e doze autoras.

Vinte e seis brasileiros, seis portugueses.

Dezesseis trabalhos que poderíamos considerar como hardcore em termos de conteúdo sexual explícito e outros tantos softcore.  No que se pese que neste quesito cumpre ao leitor estabelecer sua própria classificação.

Diante destes números, procuramos distribuir os contos entre as duas antologias da maneira mais parelha possível: ambas reúnem dezesseis trabalhos; dez autores e seis autoras; treze brasileiros(as) e três portugueses(as); certo equilíbrio entre contos hardcore e softcore, sérios e cômicos, ficção científica vs. fantasia & horror.  À medida do possível, procuramos intercalar trabalhos hardcore e softcore, de maneira a permitir que o leitor recobre seu fôlego, preparando-se para a próxima rodada.

Segue abaixo a nossa seleção, já em ordem de batalha.  Parabéns aos nossos draconianos antigos e boas-vindas aos novos:

Erotica Fantástica 1:
“A Melhor Trepada da Cidade” [Camila Fernandes];
“Botão de Rosa” [Erick Santos Cardoso];
“Conto Pseudo-Erótico de Fantasia com Fantasias” [Felipe Castilho];
“A Cópula dos Devoradores de Mundos” [Estevan Lutz];
“A Dança de Shiva” [Rubem Cabral];
“A Ilha dos Amores” [Ana Cristina Rodrigues];
“Glicínias Suspensas” [Antonio Luiz da Costa];
“Melhor Acompanhada” [Adriana Simon];
“Memórias de Alto-Mar” [Filipe Costa];
“Mulher Imperfeita” [Daniel Dutra];
“Portal para o Paraíso do Amor e Prazer” [Sandra Pinto];
“Santíssima Magdalena” [Lidia Zuin];
“Para Agradar Amanda” [Gerson Lodi-Ribeiro];
“Robosisatva” [Cirilo S. Lemos];
“Sexo de Água, uma Mutação Tentadora” [Valentina Silva Ferreira]; e
“Fêmea Humana” [Sid Castro].

 

Erotica Fantástica 2:

“Os Escaravelhos e a Filha do Duque de Ev” [Carlos Orsi Martinho];
“Negócios são Negócios” [Georgette Silen];
“Anormal” [Cristina A. Corvo];
“A Arte Mística de Minerar Teratolítios” [Marcelo Galvão];
“Bad Moon Rising” [Lily Carroll];
“Cohiba” [Ana Cristina Luz];
“Vivian & Vanessa” [Rafael Monteiro];
“A Grande Conspiração” [Cláudio Parreira];
“Lyanna” [Marco Rigobelli];
“A Mãe de Mitsvan” [Rynaldo Papoy];
“Mentiras” [Alexandre Louzada];
“Baphomet” [Adécio Chaves];
“`Panóptica Bosônica” [Alliah];
“Submissão” [Karin Kreismann Carteri];
“Tempos Dionisíacos” [Ricardo França]; e
“Aniversário” [Jorge Candeias].


domingo, 1 de janeiro de 2012

Roctavio Castro e Paulo Elache
in RIO 2011
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“Tá com medinho, Zero-Dois?”
[Octavio Aragão a Sylvio Gonçalves,
 ao saber do motivo de seu forfait]



Deu-se anteontem, em plena noite de quinta-feira, mais uma vez no Estação Gourmet a última bebemoração do ano da comunidade carioca de literatura fantástica, desta vez sob o pretexto fortíssimo de recepcionar os amigos Roctavio de Castro e Paulo Elache, em visita à Cidade Maravilhosa neste período de limbo & interregno que separa o Natal do Ano Novo.

Nosso super-herói Paulo Elástico veio direto de São José dos Campos com a família para sua já tradicional passagem carioca de fim de ano, hábito que já mantém há coisa de vinte anos.  Por sua vez, Roctavio veio numa estada inédita para aproveitar as delícias do Rio neste reveillon repleto de turistas e vazio de cariocas.

Foi difícil combinar uma data-hora com Elache, em virtude dos impedimentos festeiros de cada um.  Porém, no fim, quase todos os interessados lograram comparecer, com a exceção notável de Carlos Eugênio Patati e Sylvio Gonçalves, esse último sob a alegação pífia de estar com receio de dirigir com o carro novo, da Barra até o Estação Gourmet, em Botafogo.  Já com Roctavio, a maior dificuldade foi que ele estava no Rio sem celular.  Pois é, algo meio que Sem Olhos em Gaza...  Felizmente, estabelecemos contato via Facebook e marcamos no ponto tradicional de reuniões da FC&F carioca.

*     *      *



Tentei chegar na hora marcada (18:00h) e desta vez quase consegui.  Ao adentrar no restaurante às 18:10h avistei Jorge Pereira, corajosamente defendendo sozinho uma mesa para dez pessoas num estabelecimento que lotava rapidamente.  Posteriormente, quando já havia seis ou oito pessoas em nossa mesa, a equipe de garçons lançou uma plaquinha de “reservado” na dita mesa para tentar alegar que ela estava reservada, alegação rechaçada sem delongas pela transferência da tal plaquinha para a mesa ao lado.

Cerca de vinte minutos mais tarde, chegaram o casal Ana Cristina Rodrigues & Estevão Ribeiro.  Logo depois, apareceu Cláudia.  Coisa de meia hora depois, veio Roctavio, acompanhado pela esposa Sandra Martins e a cunhada, Simone.  Mais tarde chegou Octavio Aragão, acompanhado por seu primogênito, Pedro.  Enfim, chegou nosso outro astro especialmente convidado, Paulo Elache.  E, finalmente, quando poucos julgavam possível, eis que nos chega Eduardo Torres, sumido dos eventos e comemorações desde junho último, no lançamento carioca da Guardiã da Memória (Draco, 2011).

Última bebemoração da FC&F Carioca em 2011.


O assunto mais badalado da noite foi sem dúvida os aftershocks da divulgação da lista dos melhores contos da ficção científica brasileira, coordenada por Luiz Brás.  O ponto mais polêmico e divertido não foi a divulgação da lista em si, cujo resultados foram mais ou menos os esperados, mas sim a divulgação dos votos de cada um dos quarenta e nove eleitores, escolhidos por Brás entre os autores, editores, acadêmicos e críticos da comunidade brasileira de literatura fantástica.  Dentre os eleitores, houve ausências notáveis, como as do autor e antologista Carlos Orsi Martinho, do crítico literário e autor Antonio Luiz M.C. Costa e da acadêmica de FC Fabiana da Câmara, só para citar três nomes de que senti falta de cara, sem precisar puxar pela memória.  No entanto, de repente, eles foram convidados e declinaram de participar da eleição...

Por incrível que pareça, houve eleitores cabotinos o bastante para votar em seus próprios trabalhos, como, por exemplo, José Carlos Neves, que votou em seu “A Capilomante” em 3º lugar; e Fernando Moretti, que sufragou seu próprio “Paula, a Estranha” em 1º lugar.  Curiosamente, os três pontos computados pelo conto de Moretti com um primeiro lugar e o ponto computado por Neves com um terceiro lugar foram os únicos faturados por tais trabalhos e autores.  Ainda não se sabe que tal pontuação em causa própria será ou não desconsiderada.  Pessoalmente, sou contrário a desconsideração desses pontos atribuídos aos trabalhos dos próprios eleitores.  Sei lá, de repente, o Fernando Moretti realmente considera que seu “Paula, a Estranha” é o melhor conto de ficção científica brasileira de todos os tempos...  De qualquer forma, ao que tudo indica, o autor da obra parece ser o único que pensa assim...J

Após a divulgação pública dos votos de todos os eleitores, nas horas que antecederam nossa bebemoração dessa última quinta-feira, houve uma enxurrada de tentativas canhestras de justificar votos espúrios.  Ah, se esses pobres eleitores soubessem que seus votos seriam tão traiçoeiramente ventilados ao grande público...  Pois é, como diziam os lanterninhas dos cinemas de antanho, “no escuro todo mundo é macho, mas basta acender as luzes que a gritaria acaba”.

De todo modo, meu voto foi:

         1º) “Questão de Sobrevivência” (2000), de Carlos Orsi Martinho;

         2º) “Aí Vem o Sol” (1988), de José dos Santos Fernandes; e

         3º) “O Molusco e o Transatlântico” (2005), de Bráulio Tavares.

Os dez contos mais votados foram:

         01º) “A Escuridão, de André Carneiro (25 pontos);

         02º) “A Ética da Traição”, de Gerson Lodi-Ribeiro (20 pontos);

         03º) “Eu Matei Paolo Rossi”, de Octavio Aragão (13 pontos);

04º) “Mestre-de-Armas”, de Bráulio Tavares (13 pontos);

         05º) “O Homem que Hipnotizava”, de André Carneiro (06 pontos);

         06º) “Pendão da Esperança”, de Flávio Medeiros Jr. (06 pontos);

         07º) “Água de Nagasáqui”, de Domingos Carvalho da Silva (05 pontos);

         08º) “Assassinando o Tempo”, de Cristina Lasaitis (05 pontos);

         09º) “Cão de Lata no Rabo”, de Bráulio Tavares (05 pontos);

         10º) “Um Braço na Quarta Dimensão”, de Jerônymo Monteiro (05 pontos);

Dos votos acima, observamos um predomínio significativo dos trabalhos mais antigos sobre os mais recentes.  A princípio, poderíamos considerar que os trabalhos escritos no século XX são de fato melhores do que os publicados nos últimos anos.  Contudo, minha impressão é que, numa perspectiva otimista, boa parte dos eleitores não quis se comprometer votando em trabalhos recentes.  Na perspectiva pessimista, muitos eleitores, experientes ou nem tanto, não deixaram de votar em trabalhos excelentes por picuinha ou, pior, ignorância do que vem sendo publicado no Brasil nos últimos anos.  Considero-me insuspeito para externar tais opiniões, pois minha “A Ética da Traição” recebeu um reconhecimento extraordinário e inesperado.

*     *      *



Outro assunto polêmico foi a divulgação dos finalistas do Concurso Hydra.  Os organizadores se comprometeram a traduzir o trabalho de ficção curta vencedor para o inglês e sugerir sua publicação numa editora parceira, a Orson Scott Card’s Intergalactic Medicine Show.  Os três trabalhos finalistas foram:

“História com Desenho e Diálogo”, de Brontops Baruq, in Portal Fundação;

“Eu, a Sogra”, de Giulia Moon, in Imaginários 1 (Draco, 2009); e

“Por um Fio”, de Flávio Medeiros, Jr., in Steampunk (Tarja, 2009).

Pelo menos três autores presentes em nossa bebemoração declararam jamais terem cogitado submeter trabalhos para a premiação em questão pela associação do concurso com o autor norte-americano Orson Scott Card, detentor de posições políticas homofóbicas e posturas teístas.  Enfim, no que se pese que, via de regra, o autor típico faz quase tudo para publicar uma história, somos todos adultos e cada um sabe até onde deve ir.

Embora houvesse comparecido ao evento exaustivamente preparado para discutir os enredos de Predador, Game of Thrones e outros menos cotados com os amigos nerds de seu pai, o pimpolho Pedro Aragão acabou não tendo oportunidade de esgrimir seus conhecimentos conosco pelo fato de ter sido acometido pelo desejo súbito de comer pães de queijo, um dos poucos petiscos indisponíveis do estabelecimento.


Pedro Aragão tendo a lição tomada pelo pai.


Por falar em comida, a maioria dos presentes optou pelo saboroso rodízio de pizzas do Estação Gourmet, opção perigosíssima para aqueles que pretendem manter a forma entre uma e outra festa de fim de ano, mas, enfim, caímos (de boca) em tentação.

Como não poderia deixar de ser, em virtude da proximidade da deadline (31 de dezembro de 2011 às 23:59:59) para submissão de trabalhos à antologia de contos Erotica Phantastica (Draco, 2012), outro assunto candente foi a quantidade, a qualidade e as especificidades dos trabalhos submetidos.  Impedido de entrar em detalhes e, sobretudo, citar nomes, por questão de ética editorial, comentei já ter ultrapassado uma centena de submissões e que os enredos têm se revelado os mais variados possíveis, tanto em temática quanto em qualidade literária.  Infelizmente, serei obrigado a rejeitar — palavra mais feia para um autor esperançoso, não é?  Tudo bem, serei obrigado a “deixar de aproveitar”... pronto, bem melhor assim...  O que seria de nossa qualidade de vida sem os eufemismos! — trabalhos bem escritos por falta de elementos fantásticos ou, pior, falta de “pegada”, ou seja, ausência de sexo, explícito ou implícito.  Apesar das dicas e pedidos expressos em nossas guidelines, choveram clichês de amantes vampíricos emos, escravas sexuais élficas e súcubos em geral.  Porém, nem tudo são espinhos no reino encantado da sacanagem da FCB: há um punhado de trabalhos excelentes, escritos tanto por autores veteranos quanto por iniciantes.  O número de autores permaneceu consideravelmente abaixo da quantidade de submissões, pois diversos autores submeteram várias histórias.  O recorde por enquanto foi de um autor brasileiro que submeteu cinco contos.  Desta vez tivemos uma participação recorde de submissões de autores portugueses, uma ótima pedida para quem gosta de organizar antologias de fantástico lusófono.

Mais uma vez expus minha tese da primazia em importância da obra literária sobre o ego do autor.  Afinal de contas, que nos interessa hoje se Homero e Shakespeare existiu, ante a excelência e a imortalidade de seus textos?

Aproveitamos a presença de Paulo Elástico para conversar sobre o podcasts em geral e o PodEspecular em particular.  Mais uma vez ele confirmou o oferecimento feito ao novo presidente do Clube de Leitores de Ficção Científica, Clinton Davisson, para orientar o sócio nomeado para criar o podcast do CLFC, conforme já havia feito off record durante a gravação do programa sobre o clube.

Panorâmica 1 — Jorge, Estevão, Edu Torres, Paulo Elástico e Ana Cris.

Panorâmica 2 — Elache, Ana Cris, Gerson, Roctavio, Cláudia, Jorge e Edu.


Atuante na área de proteção ambiental da Petrobrás (sim, isto existe!), Eduardo Torres nos explicou os problemas de poluição causados pelo emprego indiscriminado de detergentes biodegradáveis no caso de países, como o Brasil, onde a maior parte dos despejos de esgoto não recebem tratamento adequado.  Também explicou que o emprego de sacos de lixo de plástico não degradável não constitui crime ecológico tão grave quanto nós leigos supúnhamos.

Roctavio e Sandra estão hospedados na casa da irmã dela, Simone Martins, que atua na área de gastronomia.  Simone explicou que, embora resida na Barra com o marido (que também trabalha na Petrobrás), pensa em se mudar para a Zona Sul, porque, segundo ela, é aqui que a maior parte dos bons restaurantes está.  Daí conversamos um bocado sobre a bolha imobiliária que estamos vivendo no Rio de Janeiro em geral e na Zona Sul em particular.  Segundo os especialista no mercado imobiliário carioca, a situação só deve se normalizar em 2017, após a Copa do Mundo e a Olimpíada do Rio.


Simone, Sandra & Roctavio.


Meu antigo companheiro do saudoso departamento de universo ficcional da Hoplon Infotainment, Roctavio explicou que só logrou vir ao Rio por conta das férias coletivas concedidas pela empresa entre o Natal e o Ano Novo.

Enfim, mais um encontro agradabilíssimo com amigos cariocas e visitantes, alimentado por papos excelentes, muito bom-humor, um belo rodízio de pizzas e crepes, um vinho razoável nessa que foi a última bebemoração do ano que ora se encerra.

Jardim Botânico, Rio de Janeiro, 31 de dezembro de 2011 (sábado).




Participantes:

Ana Cristina Rodrigues
Cláudia Quevedo Lodi
Eduardo Torres
Estevão Ribeiro
Gerson Lodi-Ribeiro
Jorge Pereira
Octavio Aragão
Paulo Elache
Pedro Aragão
Roctavio de Castro
Sandra Martins
Simone Martins

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Martinho in RiO
2011
Lançamento de O Livro dos Milagres


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I

Deu-se na noite dessa última sexta-feira no Luna Café, no aprazível bairro do Cosme Velho o lançamento carioca do texto de divulgação céptica O Livro dos Milagres (Vieira & Lent, 2011) do jornalista científico e autor de literatura fantástica Carlos Orsi Martinho, sob o nom de plume Carlos Orsi.  O subtítulo do livro, “a ciência por trás das curas pela fé, das relíquias sagradas e dos exorcismos” já esclarece quanto à proposta de desmistificar as alegações da fé, missão dura mas cada vez mais necessária nestes tempos de obscurantismo crescente em que mergulhamos nas primeiras décadas do século XXI.

Convite do lançamento carioca.

Rumei para o bar-restaurante direto do trabalho, de metrô, por imaginar que o trânsito da cidade ainda estivesse algo tumultuado em virtude da tempestade de verão que desabara horas antes.  Tomei o metrô na estação Estácio e saltei no Largo do Machado, pegando o ônibus da integração até a porta do estabelecimento.  Tão simples, seguro e rápido que acabei chegando ao Luna Café antes da Cláudia e do próprio autor.  Assim que ela chegou sentamos à mesa reservada para o lançamento.  Haveria um show de música ao vivo mais tarde, porém, segundo o informado, quem viesse para o lançamento não precisaria pagar o couvert.  Embora o convite falasse em bossa nova, pelos ensaios, parecia que ia rolar um rock pesado.

Travamos contato com dois outros amigos do Martinho: o ornitólogo Fernando Pacheco e o físico Daniel Bezerra.  Fernando nos explicou as diferenças entre bem-te-vis (Pitangus sulphuratus) e suiriris (Tyrannus melancholicus), pássaros da mesma família que os leigos costumam confundir um com o outro.  Contou-nos que o suiriri costuma exibir comportamento mais agressivo do que o bem-te-vi, embora seu primo, mais conhecido, acabe levando a fama pelos ataques a gaviões empreendidos pelo suiriri.

Fernando Pacheco, Carlos Orsi Martinho e Raphael Vidal.

Pouco mais tarde chegava o Martinho com seu editor, Raphael Vidal.  Esse último nos falou que residia no Morro da Conceição, na bucólica Rua do Jogo da Bola, onde por tantos anos cortei caminho do Observatório do Valongo até a Praça Mauá.  Para quem não conhece, a Jogo da Bola é uma ruazinha de cidade do interior engastada em pleno centro velho do Rio de Janeiro.  Um de seus acessos principais é justamente pela Ladeira Pedro Antônio, que conduz ao Valongo.

Fernando também nos contou sobre uma descoberta recente de que o bico do tucano atua como dissipador de calor.  Contamos para Martinho que há coisa de dez ou quinze anos famílias de tucano-de-bico-preto (Ramphastos vitellinus) começaram a nidificar e habitar o Jardim Botânico do Rio de Janeiro para alegria dos visitantes em geral e observadores de pássaros em particular.

Conversamos as idiossincrasias do mercado editorial brasileiro.  Vidal afirmou costuma levar pelo menos cinquenta exemplares para qualquer lançamento da Vieira & Lent, mesmo quando tem praticamente certeza de que não venderá mais do que cinco ou seis livros.  Porque, segundo ele, é sempre melhor e, sobretudo, menos constrangedor, sobrar do que faltar exemplares.

Raphael, Octavio Aragão e Ricardo França.

Os amigos Octavio Aragão e Ricardo França chegaram pouco mais tarde.  Como a casa trabalha com sistema de comandas, ninguém se apertou em pedir o que quis, quando quis.  Pedi um caldo verde e Cláudia um canelone de carne, ambos regados por um honesto Porca de Murça.

Conversei com Martinho sobre o trabalho dele para a Erotica Phantastica.  Octavio confirmou que está escrevendo seu conto para a Erotica.  Vidal interessou-se pelo projeto e eu lhe expliquei do que se tratava, falando que estava recebendo um bocado de submissões legais, embora algumas dessas sejam quase destituídas de elementos fantásticos ou excessivamente tímidas em suas abordagens da temática sexual.  Felizmente, com a abundância de submissões — mesmo excluindo os vampiros emos, as escravas sexuais élficas e os zumbis estupradores — creio que será possível reunir um punhado de contos bem escritos e originais que deverá agradar a gregos e baianos.

Também falei um pouco das outras antologias que estou organizando para a Draco, a Super-Heróis (um trabalho de parceria com o coantologista Luiz Felipe Vasques) e a Solarpunk, sobre a exploração de energias alternativas.

Como Ivo Heinz já fizera meses atrás, Ricardo França me admoestou pelo fato de eu lhe ter revelado um site com um número quase infinito de livros digitais para download, confessando que já baixou dezenas de gigabytes de livros sensacionais, sobretudo na área de não-ficção.

Quase provoquei uma jihad ao citar uma crítica literária da Faren Miller na Locus de setembro último, onde a estudiosa — ao destrinchar A Dance With Dragons, quinto romance da Song of Ice and Fire, de George R.R. Martin — compara a saga, em termos de escopo e profundidade, aos melhores trabalhos de Shakespeare.[1]  Ante o olhar indignado de Octavio, esgrimi o argumento de que Martin escreve muito melhor do que Tolkien.  Apenas a língua ferina de Martinho me salvou da genuína saraivada de tomates e ovos podres que já se desenhava em meu horizonte imediato, ao declarar:

— Mas, pera aí, vamos combinar, Tolkien nunca escreveu tão bem assim...

Já tendo lido os cinco romances das Crônicas de Gelo e Fogo, Daniel discorreu sobre as nuances psicológicas de vários personagens, com ênfase no íntegro mas bisonho Ed Stark e no canalha honrado, Tyrion “Meio-Homem” Lannister, um dos personagens mais complexos e consistentes da literatura fantástica.  Ao contrário de mim, que considero Stark um líder acometido por ingenuidade criminosa e Tyrion um sujeito admirável, Daniel tem Stark em alta conta e julga o anão um ignóbil.

Por volta das 22:00h, quando a conversa estava realmente boa, o conjunto de rock começou seu show.  Até que as músicas eram legais, tocaram, inclusive, clássicos dos Beatles.  Só que o volume era excessivo para quem fora até ali pelo bate-papo e não pelo repertório musical.  Daí, após uns poucos minutos de resistência heróica e diálogos aos gritos, organizamos nossa retirada.  Conforme o combinado, não precisamos pagar o couvert artístico.

Na volta para casa, à falta de um táxi vazio, acabamos tomando o bom e velho 569 que nos conduziu em segurança da porta do restaurante até em casa.



II

Nossa primeira opção para o almoço de sábado com Martinho era o Fiorino, na Tijuca.  Além de massas saborosas, o restaurante possui uma das melhores cartas de vinho da cidade e a preços relativamente razoáveis.  Contudo, quando regressamos de nossa caminhada matinal pelo Jardim Botânico, ouvimos um recado de nosso amigo ao celular, falando que Daniel havia descoberto que o Fiorino não abre para almoço nos sábados.  O próprio Daniel sugeriu a galeteria estilo gaúcho, La Nona, na Conde de Bonfim, lado ímpar, no quarteirão entre Itacuruçá e Visconde de Cabo Frio.

Com a mudança de planos, acabamos chegando à galeteria um pouco atrasados.  Presentes no local já estavam Martinho, Daniel Bezerra e a esposa Ana Carina Melo.  Em termos de galeteria seguindo as tradições gaúchas, o serviço e a comida eram corretos, mas perdem quando comparados aos daquela em que estivemos no último aniversário de nosso amigo Sylvio Gonçalves em abril último.  De todo modo, optamos pelo rodízio de galeto com os acompanhamentos tradicionais, regados por um Boscato Reserva Merlot 2007 a um preço pra lá de honesto.

A conversa girou em torno das deficiências das redes de ensino pública e privada brasileiras; das perspectivas do ateísmo em geral e do movimento céptico em particular ante o avanço preocupante dos cultos evangélicos fanáticos; das bolhas de especulação imobiliárias no Rio de Janeiro e em outros estados.  Martinho falou do lançamento de um prédio de apartamentos de luxo em Jundiaí por preços exorbitantes.  Também analisamos a tendência insofismável dos abastados de tentar impedir os menos favorecidos de ingressar nos logradouros, praias, bairros e regiões que consideram seus redutos exclusivos.

Cláudia, Daniel Bezerra e Martinho.

 Daniel nos falou de um projeto de divulgação do movimento céptico, procurando uma aliança entre ateus e indiferentes.

Analisamos alguns enredos de vampirismo científico e Martinho expôs um romance que tentou explicar de forma científica o temor que os vampiros teriam da cruz.  Todos lembramos do vampiro judeu de A Dança dos Vampiros do Roman Polanski.

Após quase cinco horas de repasto e papo excelente em ritmo de slow food — ao longo das quais desabou mais um dos temporais apavorantes, tão típicos do verão carioca — enfim fechamos a conta e caminhamos até a Praça Saenz Peña, onde Daniel se despediu e nós tomamos o metrô até a estação Botafogo.  Dali, Cláudia pegou o ônibus de integração para casa, enquanto eu e Martinho caminhamos até o Estação Gourmet, onde a nata da comunidade da FC carioca nos aguardava.



III

Ao chegarmos no Estação Gourmet, já se encontravam presentes, Ana Cristina Rodrigues, Max Mallmann, Jorge Pereira, Eduardo Daniel e uma jovem que só conhecia através do twitter, @spacewoman3.

Ao longo da noitada, juntaram-se aos bons os amigos Sylvio Gonçalves, Ricardo França e Estevão Ribeiro.

Como sempre, nosso povo optou por se sentar do lado do restaurante sujeito ao maravilhoso & viciante rodízio de pizzas e crepes.  Tentação tão implacável quanto os apelos sedutores de Vênus a Tannhäuser, à qual logrei milagrosamente resistir graças ao metabolismo digestivo vagaroso e, sobretudo, ao estômago forrado no rodízio de frango do La Nona.  De todo modo, escorei-me numa porção de carpaccio com molho pesto, reforçada com lascas de lasanha de presunto e rodelas de linguiça  calabresa, porque, afinal, ninguém é de ferro...  E, por falar em ferro, como água enferruja as tripas, para harmonizar o prato, uma garrafa de Malbec de fina cepa, o Cinco Sentidos, que eu ainda não conhecia mas que, por aquele preço, já me tornei freguês.

Galera no Estação Gourmet — Ana Cris, Sylvio Gonçalves, Estevão
Ribeiro, Ricardo França, Martinho, Jorge Pereira, Max Mallmann.

Das 19:30 até uma e pouco da matina, o papo rolou animadíssimo sobre história, cinema, ficção científica e gêneros correlatos, fofocas do fandom e muito mais.

A respeito dos detalhes sórdidos & deliciosos abordados em nossos papos, discussões e debates de ontem à noite, cumpre apresentar desculpas prévias aos ausentes pela omissão proposital das partes mais picantes e divertidas desta crônica em prol da preservação de minha paz de espírito, integridade física e outros poucos atributos que pretendo manter intactos.  Portanto, antes de prosseguir com a resenha dessa noitada animada, deixo-os com a promessa de publicação póstuma do meu Memórias Contundentes do Fandom Brasileiro de FC&F (Draco, 2112) e com a velha máxima surrada dos X-Files: “Government denies knowledge.”J

Já no início dos trabalhos, @spacewoman3 detalhou de forma veemente as falhas e virtudes do bestseller de fantasia angélica do Eduardo Spohr, A Batalha do Apocalipse.

No âmbito da análise intelectualizada da narrativa dos filmes de fantasia, certa participante influente do subfandom carioca confessou-se inteiramente fissurada pelos poderes hipnóticos da virilha do personagem interpretado por David Bowie em certo filme de fantasia cujo título me foge à memória.

Em seguida nos divertimos ao analisar a mais nova ressurgência de discussões inúteis sobre a literatura fantástica brasileira, presente tanto nas listas quanto nos comentários de alguns blogues e, aparentemente, motivada por uma chamada para a polêmica da brasilidade na FCB pelo blogue do Tibor Moricz.  Daí, nova autópsia & ladainha dos mesmos velhos temas já discutidos ad nauseam na rodada de debates anterior: antropofagias anacrônicas, patrulhas ideológicas diversas, explicações para a ausência de Borges e Lems brasileiros, qualidade das antologias temáticas nacionais e muito, muito mais.

Mesma galera de outro ângulo.

Em nova rodada do embate Tolkien vs. Martin, aftershock da discussão de ontem no Luna Café, Ana Cris, somando o insulto à injúria, coloca um ponto final no assunto ao declarar que J.R.R. Tolkien não era um escritor, mas sim um filólogo.  À guisa de último prego na tampa do caixão, lembrei que os textos de Tolkien exibem certos problemas no que concerne às cenas de ação.  Problemas felizmente superados com maestria nos filmes de Peter Jackson.

Outro tópico candente da noitada no Estação Gourmet foi a plêiade de idiossincrasias de autores e editores.  Dentre tantas questões, predominou a que tenta definir o que o editor pode ou não pode alterar, sem consultar o autor.  A título de ilustração, citei os diversos equívocos quanto aos títulos nobiliárquicos em Impérios do Brasil Alternativos.  Houve também o caso patológico de um autor cujo trabalho bem escrito acabou rejeitado numa antologia da Ano-Luz pelo fato de se recusar a reescrevê-lo para eliminar um personagem-penduricalho inteiramente desnecessário à história.

A referência histórica aos impérios coloniais portugueses e brasileiros acabou trazendo à baila a questão crucial das divergências entre as nomenclaturas das práticas eróticas entre o português europeu e o português brasileiros.  Em virtude da abundância de submissões de autores portugueses à antologia Erotica Phantastica, com o auxílio involuntário de meu bom amigo Jorge Candeias, via referências do Facebook, logrei obter traduções para os termos “minete” (cunilíngua) e “broche” (felação).  Por mais que a decisão editorial possa causar ojeriza aos autores da literatura erótica fantástica portuguesa, cumpre traduzir certas expressões apimentadas do vernáculo lusitano para o português brasileiro a fim de evitar a estranheza do leitor desavisado.

Comentamos os temores juvenis externados por alguns autores inexperientes de que os editores lhes roube suas ideias geniais.  A solução definitiva para esse tipo de paranoia é registrar o trabalho no EDA da Biblioteca Nacional antes de submeter o trabalho à editora, certo?  O problema é que o autor inexperiente em geral também não sabe disso...J

Já para o fim da noite, a questão polêmica que incendiou a imaginação inebriada de alguns presentes foi a levantada por Ana Cris sobre a relativa abundância de periguetes no fandom da FC&F brasileira.  Em seguida, com o auxílio de dois autores presentes, ela exibiu uma breve análise científica descritiva dos espécimes mais vistosos dessa fauna sob os olhares lascivo-nostálgicos de certo autor, decerto lembrando-se de suas aventuras recentes — reais e/ou literárias — nas últimas convenções do fandom.

Mais uma vez, permanecemos no Estação Gourmet até sermos praticamente expulsos de lá por funcionárias sonolentas prestes a cerrar as portas.  Já nas despedidas, um Max Mallmann emocionado falou que precisávamos nos reunir mais vezes e acabou me ajudando a parar um táxi para voltar para casa, enquanto ele próprio e a maioria de nossos amigos foi esticar a noitada num barzinho.

Assim se deu a vinda de nosso amigo Carlos Orsi Martinho à mui leal cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro que, de certa maneira, acabou se confundindo com nossa comemoração de fim de ano.

Jardim Botânico, Rio de Janeiro, 18 de dezembro de 2011 (domingo).




Participantes:
Ana Carina Melo (2)
Ana Cristina Rodrigues (3)
Carlos Orsi Martinho (1) (2) (3)
Cláudia Quevedo Lodi (1) (2)
Daniel Bezerra (1) (2)
Eduardo Daniel (3)
Estevão Ribeiro (3)
Fernando Pacheco (1)
Gerson Lodi-Ribeiro (1) (2) (3)
Jorge Pereira (3)
Max Mallmann (3)
Octavio Aragão (1)
Raphael Vidal (1)
Ricardo França (1) (3)
Sylvio Gonçalves (3)
@spacewoman3 (3)


(1)     Luna Café
(2)     Galeteria La Nona
(3)     Estação Gourmet



[1].  “A recent New York Times review of Dance compared this to the combination of scope and detail in some of the great 19th century novels, but (at the risk of sounding pretentious) I’ll stand with those reviewers of past Ice and Fire novels who look further back, beyond Tolkien, Dickens, Hugo, and all the rest of them — to William Shakespeare.  Like the Bard, Martin humanizes and individualizes such archetypes as Hero, Fool, Lovers, King, and Queen, using whatever tools it takes, from low comedy to the bleakest tragedy and pretty much everything in-between.  He also has the same knack of taking quasi-historic backgrounds and finding echoes of contemporary issues, while managing to avoid any sense of a blatant message.  In some ways, of course, drama still trumps the novel format: in future centuries, literate types are a lot more likely to go around quoting from Hamlet’s ‘‘To Be’’ soliloquy than recalling either dialog or private musings from these books.  Nonetheless, the prose in A Dance with Dragons is masterful at setting scenes, as well as expressing and invoking emotions – from the blunt force of an offhand ‘‘fuck’’ to the most impassioned exchange of words.

domingo, 4 de dezembro de 2011

LaNÇAMENTO CaRIOCA
Da
DIESELPUNK
E
Para tudo se acabar na 4ª feira


201112011359O5

Deu-se hoje na livraria Blooks, espaço tradicional da literatura fantástica carioca, o lançamento conjunto da antologia Dieselpunk (Draco, 2011) e da graphic novel intempoliana Para Tudo se Acabar na 4ª Feira (Draco, 2011), com roteiro de Octavio Aragão e desenhos de Manoel Ricardo.

Cheguei à livraria uma hora antes do horário marcado (19:00h), ávido para passar ao comando do garçom da livraria as duas bag-in-box, oito litros ao todo: cinco de tinto (Cabernet Sauvignon) e três de branco (Chardonnay + Malvasia + Trebbiano).  Imagino que tenha sido o lançamento com oferta mais abundante de vinho da literatura fantástica brasileira.

Para matar o tempo, saí para tomar um chocolate gelado numa lanchonete próxima.  Na fila do caixa encontrei Luiz Felipe Vasques.  Sentados numa das mesas situadas entre a livraria e a lanchonete, trocamos ideias sobre o material submetido à antologia Super-Heróis, que estamos organizando a quatro mãos.  Com a chegada do fã velha-guarda Alexandre César, o assunto mudou para os grandes atores de filmes de ficção científica, horror e fantasia.  Com a chegada da Cláudia, minutos mais tarde, de Octavio Aragão & Família, adentramos na Blooks.

Antes do início da sessão de autógrafos, travei contato com o blogueiro e roteirista Gabriel Guimarães de França, com quem falei da atual Dieselpunk e, sobretudo, das futuras Solarpunk e Super-Heróis.  Animado, Gabriel prometeu escrever uma matéria sobre o lançamento em seu blogue, Quadrinhos Pra Quem Gosta.

Octavio Aragão e eu: Autores em ação!

Mais uma vez, os lançamentos cariocas combinados da Draco na Blooks bombaram.  Estimo que 70% dos presentes lá estiveram por causa da graphic novel.  Octavio convidou bastante gente, tanto amigos quanto colegas de trabalho e muitos desses e daqueles nos honraram com suas presenças.  Da minha parte, não convidei ninguém, mas por um motivo nobre: como entrei num ritmo de lançar pelo menos uma antologia e um romance ao ano, ao contrário do que se deu no lançamento carioca do A Guardiã da Memória em junho último, desta vez resolvi dar um “descanso” à família e aos amigos extrafandom.  Afinal, sou apenas o antologista e autor de uma noveleta da Dieselpunk e não seu autor solo.

Novidade: Esgotou mais uma vez...

Mais uma vez, os livros remetidos pela editora não foram suficientes para atender a demanda.  Os trinta exemplares da Para Tudo se Acabar na 4ª Feira se esgotaram em menos de uma hora.  Infelizmente, o desenhista Manoel Ricardo não pôde estar presente para curtir esse sucesso.

Embora a Blooks tenha recebido menos exemplares da Dieselpunk do que da graphic novel, a antologia demorou mais a acabar, mas também esgotou bem antes do fim do evento.

Fila extensa na mesa de autógrafos.

Em plena fila de autógrafos, indignado com o fato de a graphic novel já ter esgotado, Carlos Patati ligou para o editor Erick Sama, da Draco, para lhe pagar, segundo suas próprias palavras, uma “bronca fraternal” pela quantidade humilde de exemplares enviadas para o lançamento.  O editor pediu o endereço do quadrinista premiado e se comprometeu a lhe enviar um exemplar, creio que a título gratuito.
Patati na Fila de Autógrafos: — Mas, como já acabou!???


Este lançamento geminado serviu para reunir velhos dinossauros do subfandom carioca, alguns deles atualmente bissextos, numa autêntica ressurreição dos mortos-vivos: Alexandre César, Bráulio Tavares e Rubenildo Python de Barros.  Esse último eu já não via desde o lançamento da antologia comemorativa do Clube de Leitores de Ficção Científica em fins de 2005.  Rubenildo confessou sua paixão atual pelos livros digitais.

Bráulio, Rubenildo e eu: Dinosaurs Rule!
Ana Cristina Rodrigues, Daniel Ribas, Josué de Oliveira e Luiz Felipe Vasques.
 
Também estiveram presentes os autores Carlos Eugênio Patati, Ana Cristina Rodrigues e Pedro Vieira; bem como, diversos professores da Escola de Comunicação da UFRJ, capitaneados pelo botafoguense roxo Amaury Fernandes; além de vários membros eméritos do subfandom, como Rafael Lupo Monteiro, Daniel Ribas e Josué de Oliveira.

Para sanar a dificuldade de Daniel Ribas em sua pugna epopeica para obter um exemplar da antologia Como Era Gostosa a Minha Alienígena! (Ano-Luz, 2002), ofertei-lhe um exemplar, aproveitando o ensejo para autografá-lo pelo meu conto e pelos contos de meus alter egos Daniel Alvarez e Carla Cristina Pereira.

Preso numa festa em casa de parentes, Max Mallmann me ligou afirmando que iria direto para a Estação Gourmet, nosso tradicional ponto de encontro pós-lançamentos literários.  Ingênuo, encarregou-me de comprar um exemplar de cada livro, mal sabendo que já haviam se esgotado há tempos.

Enquanto aguardávamos o encerramento dos trabalhos formais, tive oportunidade de conversar com Rafael Lupo Monteiro sobre a submissão dele à antologia Erotica Phantastica, uma das três que estou presentemente organizando para a Draco.

Mesa do Estação Gourmet 1.

Enfim, encerrados os trabalhos, por volta das 21:00h, eu, Cláudia, Ana Cris, Lupo, Josué de Oliveira e Alexandre César saímos da Blooks e caminhamos pela Praia de Botafogo até a Mena Barreto, onde se situa a Estação Gourmet.  Mais tarde juntaram-se à nossa mesa Bráulio Tavares e seu filho, Toínho Castro e namorada.  Desta vez, excepcionalmente, optamos pelo apetitoso rodízio de pizzas.  Bem mais tarde, chegaram Max Mallmann e Estevão Ribeiro.  O papo rolou animado por mais de três horas, versando sobre os clássicos da história alternativa, submissões recebidas, rejeitadas e aceitas em antologias passadas, presentes e futuras, participações em podcasts, com ênfase a sessão do próximo sábado do PodEspecular sobre a história e o futuro do Clube de Leitores de Ficção Científica e outras inconfidências que, infelizmente, não será possível transcrever aqui.J

Mesa do Estação Gourmet 2.

Saímos do estabelecimento cansados mas felizes por volta da meia-noite.  Fomos os primeiros a levantar da mesa e o papo continuou fervendo, imagino, até o restaurante cerrar as portas, como das vezes anteriores.

Jardim Botânico, Rio de Janeiro, 1º de dezembro de 2011 (quinta-feira).




Participantes:
Alexandre César
Amaury Fernandes
Ana Cristina Rodrigues
Bráulio Tavares
Carlos Eugênio Patati
Cláudia Quevedo Lodi
Daniel Ribas
Elisa Ventura
Estevão Ribeiro
Gabriel Guimarães de França
Gerson Lodi-Ribeiro
Josué de Oliveira
Luciana Carvalho
Luiz Felipe Vasques
Max Mallmann
Octavio Aragão
Pedro Vieira
Rafael Lupo Monteiro
Rubenildo Python de Barros
Toínho Castro

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Antologia SUPER-HERÓIS
Guidelines



O.k., nem todo mundo curte os filmes e quadrinhos de super-heróis.  Porém, se você gosta de escrever literatura fantástica e não se inclui nessa minoria, gostaríamos de convidá-lo a submeter um conto para apreciação na antologia que estamos organizando para a Editora Draco, cujo título provisório (imaginativo) é Super-Heróis.

Nossa proposta é organizar uma antologia de contos bem escritos que abordem as aventuras de super-heróis de forma criativa, original e preferencialmente com tempero lusófono.  Tanto faz se seu herói é humano ou alienígena, se possui superpoderes ou não, se é um bom sujeito ou nem tanto — embora, em princípio, prefiramos que nossos autores deixem os vilões do tipo sociopata mascarado para uma eventual Super-Heróis II: Supervilões.  Tampouco importa se você mostrará a gênese do seu herói ou se ele cairá de paraquedas no meio de uma grande aventura.  O importante é que seu(s) protagonistas sejam psicologicamente bem delineados e que suas aventuras / desventuras constituam uma leitura instigante e divertida.

Fanfiction?  No que se pese ser difícil reinventar a roda, no quesito originalidade, não desejamos receber fanfictions.  Nada contra trabalhos escritos por fãs para homenagear seus heróis favoritos no âmbito amador dos blogues e e-zines.  Contudo, no âmbito profissional, a história é outra.  Daí, no intuito de evitar a possibilidade de nos tornarmos (autores, antologistas e editores, não necessariamente neste ordem) réus em processos judiciais movidos pelos detentores legítimos dos direitos autorais sobre super-heróis criados por terceiros, incentivamos com empenho os autores que pretendem participar deste projeto a criar seus próprios heróis em vez de “tomar emprestado” personagens da Marvel, DC ou outras empresas.  Para evitar riscos desse gênero, rejeitaremos pronta e inapelavelmente sem apreciação do mérito literário qualquer trabalho que nos pareça fanfiction.

Tamanho: Desejamos apreciar trabalhos entre 3.000 e 12.000 palavras.  Isto não significa que submissões fora deste intervalo serão sumariamente rejeitadas.  Se o conto analisado possuir qualidade literária e se enquadrar na temática proposta, essa qualidade será considerada em nossa apreciação, mesmo que o texto seja menor ou maior do que o limite proposto.  No entanto, a bem da sinceridade, deixamos claro que apreciaremos com maior simpatia trabalhos dentro do intervalo referido.

Filosofia de trabalho: Analogamente, gostaríamos de receber trabalhos criativos e originais cujos enredos mostrassem heróis ou super-heróis inseridos direta ou indiretamente na cultura brasileira e/ou portuguesa, mostrando o impacto social da existência e das proezas desses personagens e de seus superpoderes nessa cultura.  Não se trata de uma exigência estrita.  Trabalhos que nada tenham a ver com o Brasil ou com Portugal serão apreciados com a atenção devida e poderão ser eventualmente aceitos.  Porém, cumpre frisar nossa predileção por contos lusófonos de corpo (i.e, escritos por autores portugueses e brasileiros) e espírito (enredo, personagens, ambientação lusófonos).

Deadline: 31 de março de 2012.

Data de lançamento (provável): Fantasticon 2012.

Eis aqui a oportunidade ímpar do autor lusófono de literatura fantástica criar seu próprio super-herói e imortalizá-lo nas páginas impressas da Super-Heróis.

As submissões devem ser enviadas apenas em versão eletrônica, formato rich text file (.RTF), para os e-mails lfvasques@gmail.com e glodir@unisys.com.br, com cópia de segurança para o e-mail ericksama@gmail.com.  Confirmaremos a recepção de todos os trabalhos recebidos.

Dúvidas?  Não hesite em contatar os seus antologistas de plantão.

Gostaria de discutir sua trama ou linha de enredo conosco?  Não se acanhe.  A casa é sua!  Estamos aqui para isto.

Aguardamos ansiosamente a submissão do seu trabalho.



Luiz Felipe Vasques & Gerson Lodi-Ribeiro (antologistas)

Erick Sama (editor).

Setembro de 2011.