segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Ana Carolina in Rio 2010

2010.08091350P2  — 18.294 D.V.


“A melhor capa da ficção científica brasileira!”
[Romeu Martins]




Ana Carolina, Rafael "Lupo Monteiro", Mariana "Belly" Gouvin

Deu-se na noite de sábado passado (07/08) mais uma das confraternizações semiperiódicas da ficção científica carioca, desta feita sob pretexto da breve estada da jovem escritora mineira Ana Carolina Silveira aqui no Rio, hospedada na casa da Ana Cris e do Estevão Ribeiro.

Ana Cris marcou o evento para às 19:00h no Espaço Gourmet, mas só consegui chegar lá cerca de uma hora mais tarde. Além das duas Anas, Cris e Carol, já estavam lá os amigos Max Mallmann e Rafael “Lupo” Monteiro.

Apresentações e cumprimentos, um dos primeiros comentários da noite foi a boa repercussão da capa da antologia de história alternativa que organizei com o Luís Filipe Silva para a Draco, a Vaporpunk, que será lançada na Fantasticon 2010, no fim do mês lá em Sampa. A divulgação da capa no meio da semana passada suscitou uma saraivada de comentários, em sua maioria favoráveis, não faltando formadores de opinião que, a exemplo de Romeu Martins e Tibor Moricz, afirmaram se tratar da melhor capa de livro da ficção científica brasileira até hoje. O importante é que a capa atraia atenção suficiente para fazer o leitor em potencial tirar o livro da estante ou stand para examiná-lo nas próprias mãos. Creio que a capa cumprirá esse objetivo.

Aliás, outro papo de início de noite foi descobrir quem iria à Fantasticon. Eu e Ana Cris e Carol confirmamos presença. Falarei sobre “Histórias Alternativas Lusófonas” no domingo, dia 29 de agosto, entre 11:00 e 12:00h. Eu e Ana colocamos pilha no Max para convencê-lo a comparecer.

Mineira de Viçosa, atualmente radicada em Belo Horizonte, Carol confirmou conhecer nosso amigo Flávio “Garfield” Medeiros pessoalmente.

Como o almoço de sábado aqui em casa havia sido tão lauto como de costume, limitei-me a porções de carpaccio e queijo gorgonzola, se bem que repeti o prato duas vezes.

Tomamos um Maximo Boschi Cabernet Sauvignon 2000 que, contrariando as expectativas pessimistas, estava não apenas íntegro e potável, mas saboroso, o que é de se admirar, em se tratando de um tinto gaúcho com uma década de armazenamento. Lembro que no ano passado ou retrasado, tomamos um Maximo Boschi Merlot 2001 ali e ele também estava excelente, de forma que a qualidade desse Cabernet não constituiu surpresa total. Nem é preciso dizer que persuadi minha afilhada a abandonar a tulipa de chope incontinenti em favor daquela gostosura. Tampouco precisa ser dito que aquela primeira garrafa se esvaiu em pouquíssimo tempo, obrigando-nos a pedir uma segunda, idêntica e tão boa quanto a primeira.

Tanto o atual presidente do Clube de Leitores de Ficção Científica, Eduardo Torres, quanto Mariana “Belly” Gouvin haviam confirmado presença. Fiz fé no Edu, pois quando fala que irá, não costuma faltar. Já na Belly não apostei minhas fichas, porque ela é meio furona, de vez em quando diz que vai, mas não dá as caras. No entanto, desta vez deu zebra: justo a Belly foi a próxima a chegar, bem a tempo de experimentar da segunda garrafa do Maximo Boschi. Edu em si só chegou por volta das 21:30h, só degustando uma última taça daquela segunda garrafa. Entusiasmado, resolveu pedir uma terceira em sua comanda. Infelizmente, o estoque de Maximo Boschi da casa se esgotara, forçando Mr. President a optar por um belo exemplar de tinto português da região do Douro.

Belly ficou orgulhosa e satisfeita com o exemplar autografado do Centésimo em Roma com que Max lhe presenteou. Ao longo da noitada, ela teve que defender com unhas e dentes a posse do romance contra as garras ávidas dos demais convivas.

Anunciei a aceitação da versão definitiva de minha monografia Vinho no Mundo Romano pelo Programa de Estudos Culturais e Sociais da Universidade Cândido Mendes e a consequente conclusão de meu MBA em Vinho & Cultura.

Aliás, ainda na sessão de anúncios públicos e correlatos, comentei sobre o concurso público para Fiscal de Rendas do Município do Rio de Janeiro, com edital publicado, início das provas em 24 de setembro próximo e salário inicial de R$ 11.400,00. O tema causou algum frisson na mesa, mas não muito.

As duas grandes discussões da noite foram, pela ordem, nossas escolhas de candidato na próxima eleição presidencial e o mal causado pelas religiões.

Com a iconoclastia típica da juventude, Belly e Carol insistiram em afirmar que vão votar no pândego do Plínio Arruda — atitude que me lembrou uma brincadeira com a campanha presidencial norte-americana de duas ou três eleições atrás: “Cthulhu for President: Why vote for a lesser evil?” (o site ainda está no ar: www.cthulhu.org). Houve gente boa em nossa mesa que, suspeito, pretende votar na Dilma, mas tem vergonha de admitir... Repeti que fui obrigado a trocar a Marina Silva pelo José Serra por pura falta de melhor opção, quando descobri que a candidata do PV é criacionista.




A questão do criacionismo da Marina e de boa parte da bancada evangélica do Congresso trouxe à baila o segundo grande tema da noite, as tragédias que a religião organizada proporciona para as sociedades modernas. Edu e Belly trocaram ideias a respeito na extremidade oposta da mesa, enquanto o recém-chegado Estevão Ribeiro nos mostrava o pôster safadinho Bola-Gata que elaborou para o caderno esportivo do jornal onde trabalha. Aliás, o papo do Edu com a Belly deve ter sido cabeça, pois culminou em doses de whisky e na adoção dela como afilhada de Mr. President, o que faz dela a “Primeira Afilhada” da FC Carioca.

Max (versão Mirror, Mirror), Ana Cris, Gerson, Carol & Lupo.

Houve uma hora em que as três meninas se asilaram no banheiro feminino e lá permaneceram de ti-ti-ti por coisa de vinte minutos, para gáudio par ala masculina da mesa, que passou a tecer considerações de caráter sociológico sobre o comportamento gregário das fêmeas da espécie em toaletes de restaurantes, cinemas e shoppings.

Claro que a indefectível rodada de Cointreau não podia faltar à guisa de saideira. Como Belly e Carol se mostraram curiosas, orientei-as habilmente a experimentar do cálice da Ana Cris.

Quando enfim fomos obrigados a deixar o estabelecimento por volta de uma da matina, pois os garçons já haviam virado as cadeiras sobre as outras mesas e demonstravam certa impaciência, por assim dizer, pelo fato de sermos os últimos clientes, Eduardo se despediu de nós e rumou para casa a pé, uma vez que mora a dois ou três quarteirões de distância. Todos os demais se dirigiram aos bares do início da Voluntários da Pátria para retomar de onde haviam parado. Acompanhei-os até lá, pois não havia táxi em frente ao Espaço Gourmet. Como Belly estava meio alegrinha, resolvi testar seu coeficiente etílico, simulando uma tentativa de lhe surrupiar seu Centésimo em Roma. Pelo visto, ela estava inteiramente sóbria, pois ameaçou me bater e a reação não me pareceu em absoluto simulada.


Pós-saideira (cadeiras viradas ao fundo)

Uma vez na V.P. logrei agarrar um táxi e regressar ao lar já em pleno domingo do Dia dos Pais.

Jardim Botânico, Rio de Janeiro, 09 de agosto de 2010 (segunda-feira).

Participantes:
Ana Carolina Silveira
Ana Cristina Rodrigues
Eduardo Torres
Estevão Ribeiro
Gerson Lodi-Ribeiro
Mariana Gouvin
Max Mallmann
Rafael “Lupo” Monteiro

domingo, 23 de maio de 2010

Bate-papo Spaceblooks 3: Steampunk!



2010.05210943P6 — 18.214 D.V.

“Todo Jetson tem dentro de si um Flintstone.”
[Fausto Fawcett]



Estivemos ontem à noite na livraria Blooks para a Spaceblooks III, terceira e última das mesas-redondas temáticas informais, com a missão de papear sobre o subgênero steampunk, com a participação do autor e quadrinista Alexandre Lancaster; do escritor, músico e artista multimídia Fausto Fawcett e deste vosso escriba.

A Spaceblooks foi um ciclo de três mesas-redondas que se realizou em três quintas-feiras seguidas de maio (dias 06, 13 e 20), concebidas por Octavio Aragão e Toinho Castro, os dois curadores responsáveis pela organização do evento.

Antes de chegar à Blooks, dei um pulo no Botafogo Praia Shopping vindo do trabalho à procura de um caixa eletrônico e acabei encontrando com a Ana Cristina Rodrigues, hiperconectada como sempre, em companhia de seu notebook, aboletada numa poltrona da filial da Starbucks.

Uma vez abastecido do vil metal (que de vil não tem nada), seguimos juntos até a galeria do Artplex Unibanco, onde a livraria Blooks está instalada. Quando chegamos, já estavam presentes os outros dois membros da mesa-redonda. Lancaster ficou batendo papo conosco e Fausto Fawcett se reuniu a nós quando nos aproximamos das cadeiras onde nos sentaríamos.

Ausência notada nas duas Spaceblooks anteriores, o Presidente do Clube de Leitores de Ficção Científica (CLFC) Eduardo Torres brindou-nos com sua presença, chegando direto do aeroporto Santos Dumont para assistir nossa mesa-redonda.

Pouco antes do começo da parte oficial do evento, passei às mãos do Octavio em avant-première o prefácio da antologia Vaporpunk!, cujo subtítulo deverá ser “relatos steampunks publicados sob as ordens de Suas Majestades”. Péssima ideia, pois foi difícil convencê-lo a não ler o texto ali mesmo na livraria. Como discutíamos sobre as diversas definições de steampunk, aproveitei para lhe passar também uma cópia surrada de um ensaio de história alternativa sobre o subgênero que escrevi lá por idos do remoto ano de 1997, publicado no saudoso fanzine Megalon.

Antes do começo do bate-papo, autografei um exemplar do Xochiquetzal, uma Princesa Asteca entre os Incas para o Rafael Lupo Monteiro e comentei com ele que, infelizmente, a Draco não havia mandado exemplares do romance para o evento. Mais tarde, já no fim do evento, descobri o quanto havia sido injusto: o Erick Sama de fato havia mandado os livros para a Blooks.

Cláudia chegou pouco antes do início, quando já estávamos sentados na mesa conversando os três sobre dietas e regimes. Fausto emagreceu um bocado desde janeiro de 2009, quando estivemos juntos numa mesa-redonda sobre cyberpunk na Campus Party lá em Sampa. Está parecendo bem mais jovem do que um ano e meio atrás.
Convidados da Spaceblooks 3

Como já havia feito na segunda Spaceblooks, Octavio apresentou os três participantes da mesa e em seguida me passou a palavra. Enunciei brevemente o que o cânone considera steampunk, com direito a citações de St. Peter (Nicholls) em favor de O Homem-Elefante e O Jovem Sherlock Holmes, para em seguida me confessar um herege e apresentar minha própria visão subgênero menos restritiva que a ortodoxia pregada na Encyclopedia of Science Fiction, a Bíblia do gênero. Tendo procurado seguir minha própria exegese do subgênero, tanto no âmbito da antologia que estou organizando quanto fora dela.

Em seguida, Fausto Fawcett falou sobre as interseções entre as narrativas da ciência e tecnologia do passado e a tecnologia real do presente e do futuro próximo. Lutando para se entender com seu microfone, Lancaster falou sobre as edisonades norte-americanas escritas no século XIX e sua influência na FCB escrita no subgênero pulp no século XXI.

Encerrada a primeira fala dos três convidados, iniciamos um bate-bola sobre futurismo, criatividade, ficção científica, história alternativa e até mesmo um pouco de steampunk.

Assumindo o papel de moderador, o curador Octavio interveio para solicitar que eu e Lancaster falássemos um pouco de nossa produção dentro do subgênero steampunk. Lancaster falou um pouco da HQs que está produzindo e passou exemplares da mesma pela plateia. Do meu lado, falei da antologia Vaporpunk! que estou organizando com o Luís Filipe Silva para a Draco. Estimulado por uma pergunta da Ana Cris sobre a existência de duas antologias dentro do mesmo subgênero em menos de um ano, explanei en passant sobre as diferenças de critérios e estratégias editoriais que me levaram a abrir mão da coordenação da antologia Steampunk da Tarja em prol da montagem de uma segunda antologia, com trabalhos maiores, escritos por autores de ambas as margens do Atlântico com os quais eu já atuara anteriormente, com bons resultados. Falei da ênfase no enfoque temático lusófono que, inclusive, motivou o título da obra.

Ante a citação por Lancaster da Lei de Sturgeon, segundo a qual, “90% de toda a ficção científica é lixo, mas 90% de qualquer forma de expressão artística também é lixo.”, brinquei a sério, afirmando que 90% de qualquer coisa era lixo, inclusive, nós próprios e tudo aquilo que pensamos.

Pincelamos um monte de assuntos distintos. Falamos sobre evolução humana e nosso passado de macacos carnívoros assassinos; sobre a recepção hostil que autores da terceira onda da FCB sofreram da parte de alguns dinossauros da geração anterior; sobre avanços tecnológicos precoces; a influência dos romances de Charles Dickens sobre os autores norte-americanos de steampunk; sobre a oposição entre prazeres físicos de um lado e prazeres intelectuais do outro, subdividindo esses últimos em prazeres intelectuais mais fáceis e mais difíceis.
Plateia participativa 1

Variável ao longo do evento entre vinte e trinta pessoas, a plateia participou ativamente com perguntas e comentários. Alguns jovens sentados nas duas primeiras filas de cadeiras tomavam notas e, em pelo menos um caso, esboçavam desenhos ou caricaturas. Dessa meia dúzia de três ou quatro, só um ou dois se dispôs a fazer perguntas ou comentários em voz alta.

Embora steampunk não seja exatamente a sua praia, Fausto Fawcett encantou a plateia com sua verve e argúcia habituais. O sujeito tem uma presença de palco admirável. Até seus comentários mais gerais foram pertinentes em atingir o âmago das questões.

Fausto Fawcett

No quesito humor, creio que nosso bate-papo não decepcionou o público presente. Além das tiradas inteligentes do Fausto, como a citação que abre esta crônica, eu e Lancaster também demos nossos pitacos. Após ouvir Lancaster falar mal do Will Smith umas três ou quatro vezes nos mais diversos contextos, quase no fim do evento não resisti e lhe perguntei se nutria alguma mágoa ou questão pessoal com o ator. Com um sorriso envergonhado, Lancaster negou peremptoriamente.

Carlos Patati nos lançou a pergunta da noite ao questionar se julgávamos haver diferença de qualidade entre trabalhos de história alternativa propriamente dita e a ficção alternativa do tipo escrito por Kim Newman em Anno Dracula e Octavio Aragão em A Mão que Cria. Como fã número 1 da obra-prima de Newman, respondi que, não obstante as afirmações dos patrulheiros ideológicos de plantão na história alternativa anglo-saxã, eu não via diferença de qualidade alguma. História alternativa é uma coisa e ficção alternativa é outra. Porém, se bem escritas, ambas constituem diversão garantida.
Plateia participativa 2

Ao término da parte formal de nosso bate-papo informal, Toinho Castro agradeceu a participação dos convidados e do público presente nesta e nas duas outras Spaceblooks e prometeu que a livraria proporcionará outros ciclos de eventos desse tipo.

Em meio à confraternização entre convidados, organizadores e público, foram servidas rodadas de vinho, água e refrigerantes, enquanto colocávamos em dia as últimas fofocas do fandom. Infelizmente, a maioria picante demais para que possamos transcrever aqui. Ou, quem sabe, felizmente. Pois só assim evito processos de calúnia e difamação.

Octavio aproveitou o ensejo para adquirir seu exemplar do Xochiquetzal ali na Blooks e me intimou a autografá-lo, obrigação que cumpri com prazer.

Infelizmente, desta vez não pude acompanhar meus amigos fiéis nas bebemorações de praxe que normalmente se sucedem aos nossos eventos de caráter cultural. Defecção inesperada pela qual fui severamente criticado por meus pares. Nem é preciso dizer que pretendo me redimir na próxima.

That’s all, guys! Mas da próxima vez tem mais...

Jardim Botânico, Rio de Janeiro, 21 de maio de 2010 (sexta-feira).

Participantes:
Alexandre Lancaster
Ana Cristina Rodrigues
Carlos Eugênio Patati
Cláudia Quevedo Lodi
Eduardo Torres
Fausto Fawcett
Gerson Lodi-Ribeiro
Luiz Filipe Vasquez
Marcelo Carvalho Couto
Max Mallmann
Octavio Aragão
Rafael Lupo Monteiro
Ricardo França
Toinho Castro

domingo, 16 de maio de 2010

Bate-papo Spaceblooks 2: Fantástico na Internet



2010.05150736P6 — 18.208 D.V.

“Ana, será que você deixaria eu concluir meu pensamento.”
[Fábio Fernandes]



Deu-se na noite da última quinta-feira, 13/05, na livraria Blooks a Spaceblooks II, uma mesa-redonda informal, ou bate-papo temático, sobre literatura fantástica em mídia virtual, com a participação dos escritores Fábio Fernandes, Ana Cristina Rodrigues e Saint-Clair Stockler. A iniciativa Spaceblooks consiste num ciclo de três mesas-redondas semanais, sempre às quintas-feiras, idealizadas por Octavio Aragão e Toínho Castro, os dois curadores responsáveis pela organização do evento.


Toínho Castro e Octavio Aragão — Curadores da Spaceblooks

 
Infelizmente, não pude estar presente na Spaceblooks I, onde Bráulio Tavares e outros participantes egrégios dividiram a mesa-redonda para debater e papear — brilhantemente, segundo ouvi falar — sobre science fiction at large.

Para compensar, saindo direto do trabalho, acabei chegando meia hora adiantado para a Spaceblooks II. A livraria Blooks situa-se na galeria do Unibanco Artplex, estabelecimento onde se deu alguns meses atrás o lançamento das célebres tirinhas Os Passarinhos, de Estevão Ribeiro.

Mal cheguei e encontrei os três futuros bate-papeadores: meu amigo Fábio Fernandes, que veio de Sampa especialmente para o evento; minha querida afilhada Ana Cris; e Saint-Clair Stockler. Também presentes antes do início do bate-papo estavam os assíduos Ricardo França e Rafael Lupo, que, segundo soube, já haviam comparecido na Spaceblooks anterior, e também o Bráulio Tavares e o Marcelo Carvalho Couto, um sócio antigo do CLFC-Rio que eu já não via há uns bons quinze anos, desde os tempos do saudoso Grupo de Interesse em Vídeo capitaneado por Sylvio Gonçalves em plena antediluviana década de 1980 no Rio de Janeiro do segundo milênio, onde assistíamos clássicos em preto e branco e séries norte-americanas inéditas em fitas VHS (sugiro aos mais novos uma “googlada” para descobrirem do que se trata). Aliás, ainda lembro das pizzas deliciosas que a mãe do Marcelo nos servia no intervalo entre a exibição de um vídeo e outro. Bons tempos...

Cumpridos os quinze minutos de tolerância regulamentar, a mesa-redonda se iniciou com pontualidade carioca às 19:15h, com nosso mestre de cerimônias Octavio — com seu new look careca — apresentando os três convidados.


O Curador, Saint-Clair Stockler, Fábio Fernandes e Ana Cristina Rodrigues


Ana Cris abriu o bate-papo falando de suas múltiplas atividades nas diversas comunidades virtuais, dentre elas a comu Ficção Científica do Orkut, a oficina literária virtual Fábrica dos Sonhos e seus projetos editoriais que estão migrando da virtualidade para o bom e velho papel impresso, dentre as quais a antologia temática Gastronomia Phantastica.

Ana passou o microfone ao Fábio que, a bem da eficiência, apenas citou que seu currículo constava de seus blogs e de diversos links em outros sítios internéticos, passando então a nos apresentar com a verve que lhe é peculiar um breve histórico do desenvolvimento da literatura fantástica brasileira no âmbito virtual — narrativa ágil que, vez por outra, se entremeou com o fantástico lusófono impresso. Fábio também nos falou um pouco dos contatos recentes que estabeleceu com autores e editores anglo-saxões do gênero e das publicações resultantes desses contatos.

Em seguida, Saint-Clair Stockler falou sobre suas atividades literárias nos âmbitos impresso e virtual, abordando, inclusive, seu processo criativo e sua parceria com o autor paulistano Tibor Moricz, que resultou, dentre outros frutos, nas antologias Imaginários I & II (Draco, 2009) e na Brinquedos Mortais, ainda em fase de elaboração.

Ao longo do bate-papo inicial do trio de autores, chegaram Carlos Eugênio Patati, Cláudia Quevedo Lodi e Max Mallmann, autor do romance histórico recentemente publicado O Centésimo em Roma (Rocco, 2010), indubitavelmente, um dos maiores tours-de-force literários dos últimos tempos.

Encerrado o bate-papo inicial, passamos à interação direta entre escritores e plateia. Muitos dos cerca de trinta presentes participaram ativamente com perguntas, comentários e opiniões que incrementaram o ambiente interativo e informal que a dupla de curadores almejara. Tão informal que Ana não se furtou de interromper a fala de Fábio em seguidas ocasiões. Das primeiras três ou quatro vezes, nosso amigo limitou-se a lançar um olhar enviesado à interlocutora. A partir da vez seguinte, estrilou e, a partir de então, começaram a se estranhar, a ponto de me fazerem lembrar as discussões entre meus pais nos almoços de domingo: assim como Ana e Fábio, meus pais se amam, mas há décadas insistem em que um nunca deixa o outro falar...

Ao longo dessa animada fase de perguntas, respostas & comentários, foram abordadas várias questões interessantes, desde a relevância do romance Os Dias da Peste de Fábio Fernandes no panorama do fantástico lusófono, até as novidades anglo-saxãs nos subgêneros da new space opera e do new weird, passando pela presença brasileira em congressos internacionais de ficção científica e pela sobrevivência e extinção dos dinossauros da FC brasileira.



Plateia participativa do Spaceblooks II

 
Por volta das 21:00h, com o encerramento da parte formal do bate-papo informal, autores e plateia levantaram-se de suas respectivas cadeiras para prosseguir com a interação de pé, enquanto um garçom simpático servia vinho, água e refrigerantes. Aproveitei o ensejo para retomar o papo com o Marcelo Couto, que me contou novidades sobre diversas séries televisivas de FC e correlatas. Enquanto isto, sentado numa mesa à entrada da livraria, Fábio autografava exemplares de Os Dias da Peste para fãs recém-conquistados ao longo da mesa-redonda.

Quando a Blooks e a própria galeria do Artplex já ameaçavam cerrar as portas, partimos em expedição a pé para bebemorar o êxito do evento no Espaço Gourmet, point tradicional da FC&F carioca. Já à saída da Blooks, para gáudio de meu ego autoral, Toínho Castro me confidenciou que teria sido a leitura da coletânea de história alternativa Outros Brasis (Mercuryo, 2006) que o inspirara, em última análise, à criação da iniciativa Spaceblooks.

A maioria dos presentes migrou da livraria para a bebemoração. No entanto, sofremos algumas defecções graves, como as de Patati, do Marcelo, do Ricardo França, que abandonou nossa comitiva no meio do caminhada, guinando rumo à estação Botafogo do Metrô, e do próprio curador Octavio Aragão, que fez forfait, alegando compromissos domésticos inadiáveis relacionados à última mamadeira noturna do filho caçula.

Durante nossa caminhada de cerca de quinze minutos da Blooks até o Espaço Gourmet, sentimo-nos um pouco preocupados, pois nosso amigo Fábio ficara duzentos ou trezentos metros para trás. Tranquilizamo-nos ao perceber que seguia devidamente escoltado por jovens fãs e, de fato, ele acabou chegando em segurança no aconchego de nosso plácido covil.

Uma vez em nosso reduto, sentamo-nos numa mesa que facultava a opção aos rodízios de pizzas e crepes. Postei-me num ponto privilegiado da mesa, com Bráulio, Ana Cris e Toínho à minha frente, Fábio à minha esquerda e Cláudia à minha direita. Eu & Cláudia optamos pela comida a quilo em detrimento dos rodízios, mas não abrimos mão de um bom tinto brasileiro, um Cabernet Sauvignon que, não obstante a longeva safra de 2001, ainda estava nos trinques.



Bráulio Tavares & Ana Cris no Espaço Gourmet


 
Conversamos sobre dezenas de livros, filmes e séries televisivas dentro e, sobretudo, fora do gênero fantástico. Bráulio nos entreteve com a descrição vívida dos roteiros que escreveu para uma série de programas de entrevistas elaborados por uma produtora sediada em Recife.

Já na fase de despedidas, em meio aos elogios extremados que prestei ao romance O Centésimo em Roma, lembrei ao Max que os antigos romanos eram particularmente avessos à prática do sexo oral, tanto do fellatio quanto do cunnilingus, não obstante as nomenclaturas latinas dessas práticas. Afinal, apesar da relativa ousadia e liberalidade dos afrescos eróticos descobertos em Pompeia e Herculano, o fato é que os romanos aceitavam até mesmo a zoofilia com menos ojeriza do que o sexo oral.


Fábio no Espaço Gourmet


 
Bem, acho que por ora é só, mas semana que vem tem mais: na próxima quinta-feira, dia 20 de maio, na Spaceblooks III, Fausto Fawcett, Alexandre Lancaster e eu dividiremos a mesa-redonda para falar de steampunk, onde abordaremos o caso das duas antologias que eram para ser uma e outras questões picantes do subgênero.



Jardim Botânico, Rio de Janeiro, 15 de maio de 2010 (sábado).



Participantes:
Ana Cristina Rodrigues
Bráulio Tavares
Carlos Eugênio Patati
Cláudia Quevedo Lodi
Estevão Ribeiro
Fábio Fernandes
Gerson Lodi-Ribeiro
Marcelo Carvalho Couto
Max Mallmann
Octavio Aragão
Rafael Lupo Monteiro
Ricardo França
Saint-Clair Stockler
Toinho Castro

domingo, 18 de abril de 2010

Lançamento d'O Centésimo em Roma
de Max Malmann




2010.04171845P6



Compareci nessa última quinta-feira no lançamento carioca do romance histórico O Centésimo em Roma de Max Mallmann na Livraria da Travessa da Visconde de Pirajá. Aguardei o evento com tanto entusiasmo que acabei comparecendo lá na livraria com um mês inteirinho de antecedência. Isto mesmo! Em mais uma de minhas hilárias e embaraçosas confusões — hilárias para os outros, embaraçosas para mim — acabei me atrapalhando ao julgar que o lançamento se daria em 15 de março e não em 15 de abril...

Como bom gato escaldado, dessa vez tomei o devido cuidado de checar os e-mails do autor nas listas de discussão para confirmar o evento. Quando cheguei na Travessa às 20:10h (o evento começara às 19:30h), Max já estava com a casa cheia. Havia um bocado de gente dentro da livraria e uma fila de cerca de quinze pessoas na mesa de autógrafos. Encontrei Eduardo Torres e Sylvio Gonçalves junto à caixa registradora. Sylvio comprava seu exemplar. Edu já comprava três, um para si próprio e outros dois para dar de presente. Entramos na fila folheando o romance, maravilhados com a robustez do volume — mais de quatrocentas páginas — a qualidade da capa e dos detalhes gráficos e de acabamento.

De copo de whisky na mão, Edu decantava a qualidade do Johnny Walker Green Label que degustava. Quando perguntei pelo vinho, explicou que também havia e do bom.

Ali da fila, vislumbramos Ana Cristina sentada numa poltrona de papo com o Luiz Filipe Vasquez. Edu esclareceu que ela havia quebrado o pé num acidente doméstico. De fato: mais tarde verifiquei que ela portava pé direito imobilizado e um par de muletas facilmente manejadas como armas.

Trata-se do quinto romance de Max e o terceiro em seguida que ele publica pela Rocco, os dois anteriores foram Síndrome de Quimera (2000) e Zigurate (2003). O intervalo maior entre o penúltimo romance e o atual deveu-se ao caudaloso trabalho de pesquisa que o autor empreendeu, lendo e digerindo quase uma centena de livros sobre Roma Antiga para se preparar para a empreitada. Consta que nossa amiga historiadora Ana Cris teria atuado como leitora crítica informal antes de Max entregar os originais do trabalho à editora.  Quando ainda residia em Porto Alegre, Max publicou o romance de ficção científica Confissão do Minotauro (Instituto Estadual do Livro, 1989) e o romance de fantasia Mundo Bizarro (Mercado Aberto, 1996).

Ainda na fila de autógrafos, fomos surpreendidos pela presença de Roberval Barcellos, que andava sumido há tempos. O autor de história alternativa prestigiou o lançamento trazendo inclusive a esposa que, segundo ele, tornou-se fã do Max após a leitura de Síndrome de Quimera. Conversa vai, conversa vem, descobrimos que Roberval teria tido uma noveleta de história alternativa aceita para publicação numa antologia de ficção científica política que, segundo consta, estaria sendo organizada por um importante hierarca da FCB para uma editora especializada no gênero.

Quando estávamos na fila deparamo-nos momentaneamente com Lucio Manfredi, só que acabamos não tendo tempo de conversar com ele, nem naquele instante e nem mais tarde.

Só quando chegamos à mesa do autor é que constatei ter esquecido minha câmera digital. Fui obrigado a pedir ao Sylvio que tirasse fotos com meu LG Cookie, traquitana que, como todos sabem, não é lá essas coisas. Max providenciou carimbos com ditos sacanas-espirituosos em latim. Meu exemplar fez jus a quatro carimbos.


Max autografando incessantemente!

Tão logo coletei meu autógrafo, lancei um olhar triunfal ao fim da fila quilométrica, vislumbrando a cabeça precocemente grisalha de Octavio Aragão que me havia dito num telefonema pela manhã que provavelmente não compareceria. Pelo visto, conseguiu se desvencilhar dos compromissos domésticos para prestigiar o lançamento do Max. Regressei à fila para bater papo com o Octavio. Ele me contou que o prefácio que o Fábio Barreto escreveu para minha noveleta “São os Deuses Crononautas”, a ser publicada na antologia Intempol 10, ficou excelente. Segundo ele, o prefácio que a Libby Ginway escreveu para a noveleta do Carlos Orsi Martinho na mesma antologia também ficou do balacobaco. Pelo visto, o relançamento da Intempol vai bombar. Periga ser o evento do ano na ficção científica brasileira.

Regressei às cercanias da mesa de autógrafos para conversar com a Ana Cris e saber detalhes do seu acidente doméstico. Estevão Ribeiro só chegaria ao fim do evento. Ambos compraram uma pilha respeitável de exemplares. Além do Luiz Filipe, Rafael “Lupo” Monteiro também prestava serviço de escolta a nossa líder semi-imobilizada. Excepcionalmente, Lupo não se fez acompanhar de sua noiva.  Patati foi outro que só chegou no finzinho, mas, pelo menos, ao contrário do que aconteceu com o Lúcio, consegui bater um papinho com ele.

Indignada com o pretenso sacrilégio de Octavio “Deus” Aragão ter assentado seu divino traseiro na mesa do autor, Ana Cris manifestou vontade extremada de aplicar uma severa muletada na divindade. De imediato, eu e Luiz Filipe posicionamos a poltrona dela de forma que ela pudesse exercer seu desígnio punitivo.

O assunto da noite foi sem dúvida a quantidade de pesquisa que Max se obrigou a executar para escrever o Centésimo. Ana declarou que tal empenho deveria ser divulgado para servir de exemplo a certos autores da nova geração da FCB que consideram a preguiça intelectual parte integrante do ofício literário.

Na categoria fofoca da FCB, comentou-se animadamente sobre os últimos arranca-rabos do Orkut e do subfandom paulistano, alguns dos quais já antecipados há tempos por nossos consultores contratados à da Confraria dos Canalhas Anônimos.

Octavio trouxe à pauta de discussão sua atividade de curadoria num ciclo de mesas-redondas semanais que se darão numa livraria situada na galeria do complexo cultural do Unibanco Artplex. Deverei assistir a segunda mesa, capitaneada por Fábio Fernandes, Ana Cristina Rodrigues e Saint-Clair Stockler. Também participarei da terceira, sobre steampunk, em companhia de Fausto Fawcett e Alexandre Lancaster. Aliás, essa será a segunda vez que participo de uma mesa-redonda com o Fawcett. A primeira foi na Campus Party de 2009, lá em Sampa e versou sobre cyberpunk.

Apesar das tratativas iniciais para sairmos da Travessa para bebemorar o êxito do lançamento na Devassa praticamente em frente, em virtude do avançado da hora, julguei por bem declinar da combinação, despedir-me dos amigos e tomar um táxi de volta para casa.

Autor, seu fã e o Centésimo.


Jardim Botânico, Rio de Janeiro, 17 de abril de 2010 (sábado).


Participantes:


Ana Cristina Rodrigues
Carlos Eugênio Patati
Eduardo Torres
Estevão Ribeiro
Gerson Lodi-Ribeiro
Lúcio Manfredi
Luiz Filipe Vasquez
Max Mallmann
Octavio Aragão
Rafael Lupo Monteiro
Roberval Barcellos
Sylvio Gonçalves

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Tinto Chileno no Verão Carioca
[Espaço Gourmet 2010-02]





2010.02052359O6 — 18.109 D.V.

“Acho que criamos um monstro!”
[Eduardo Torres, Enólogo & Presidente do CLFC]



Sob pretexto de pegar tirinhas Os Passarinhos autografadas pelo Estevão Ribeiro, Lúcio Manfredi, Eduardo Torres e Sylvio Gonçalves combinaram um encontro com o casal Ana Cris e Estevão nesta noite de sexta-feira no Espaço Gourmet. Embora tivéssemos comparecido na noite de autógrafos na livraria da galeria Unibanco Artplex na segunda-feira passada, não querendo perder esse ágape, eu e Max Mallmann também fizemos questão de comparecer.

Saí direto do trabalho e, enganado quanto à hora combinada, julgando-me dez minutos atrasado, cheguei lá vinte mais cedo.

O segundo a chegar ao Espaço Gourmet foi Lúcio Manfredi. A presença de Lúcio num evento desse tipo já é uma efeméride digna de comemoração. Ele me contou ter aproveitado a atual maré tranquila em seu ritmo de trabalho como roteirista da Globo com o fim da novela anterior, para escrever um romance fantástico que funde elementos tão díspares quanto mecânica quântica e umbanda. Ecos de Brasyl, romance complexo do Ian McDonald? Lúcio falou que deverá submeter o original nas próximas semanas a uma editora de grande porte. Aventei a possibilidade da Draco como segunda opção. Ambos concordamos que a nova editora paulistana capitaneada por Erick Santos entrou no mercado com a bola toda, cheia de gás para montar um catálogo de responsa em 2010.

Em seguida apareceu Eduardo Torres, atual presidente do Clube de Leitores de Ficção Científica. Expliquei ao Mr. President que havia escolhido uma mesa no setor de rodízio de pizza do restaurante em virtude de reclamações em ocasiões anteriores, quando fomos barrados de passar para tal setor e tive minha decisão aprovada com reservas e sobrancelha presidencial arqueada. Em seguida, resolvemos beber vinho, para o que Eduardo requisitou a carta de vinhos, velha e querida conhecida de outras noitadas. Para nossa surpresa, a carta foi cruelmente "minimalizada" para uma única página, escrita até a metade. Indignado, o presidente convocou o sommelier do estabelecimento, exigência que produziu caras de interrogação patéticas nos três garçons que se acercavam de nossa mesa apreensivos ante a fúria presidencial. Um acólito mais afoito adiantou-se para explicar que havia estoque sortido de bons tintos na adega climatizada da casa. O único problema, segundo o acólito, era que tais rótulos não apareciam na carta de vinhos. Da fúria, nosso presidente passou ao assombro: como poderíamos escolher nossos vinhos sem consultá-los na carta? O garçom solícito propôs, “o Senhor entra lá na adega e escolhe o vinho que quiser...” “Mas, e quanto o preço?”, Edu preocupou-se. “Ah, o preço, a gente combina depois.” “Depois, não. Vamos combinar na hora em que eu escolher.” Assim foi. Mr. President adentrou na adega acompanhado pelo acólito solícito. Após a leitura de uns tantos rótulos e alguns minutos de árduas negociações, nosso hierarca retornou com um Merlot chileno. De acordo com ele, embora aquele vinho custasse cerca de R$ 80,00, sairia por R$ 40,00. “Contudo”, o presidente prosseguiu, “vamos precisar estimpendiar o Fábio no fim da noite.” Determinação que acatei com entusiasmo.

Vinda direto da Biblioteca Nacional de táxi, para evitar o congestionamento que vem assolando o metrô carioca desde a fusão das linhas 1 e 2, Ana Cristina Rodrigues chegou pouco depois do Edu retornar à mesa em triunfo após sua expedição à adega.

Assim que Ana se sentou à mesa, trocamos impressões sobre o pedido de demissão de Paulo Elache do cargo de Secretário Executivo do CLFC, motivado pela criação de seu podcast dedicado à literatura fantástica, o PodEspecular. Lucubrado pelo Elache e concebido inicialmente como veículo do Clube, a criação parece ter adquirido vontade própria e seu criador empolgado desistiu de cedê-lo à entidade, preferindo se afastar do CLFC, deixando sua diretoria reduzida a dois cargos eletivos, presidente e tesoureiro.


Ana Cristina e Lúcio Manfredi.

De um tópico espinhoso para o seguinte, passamos à autópsia do bate-boca animado que assolou a lista de discussão do CLFC nos últimos dias sobre o affair Firekind, título de uma HQ publicada numa obscura revista britânica, cujo enredo teria sido plagiado por James Cameron em seu blockbuster de ficção científica Avatar. Analisando as semelhanças e diferenças entre os universos ficcionais de Firekind e Avatar, depreende-se que, se não houve plágio, houve, pelo menos, inspiração insidiosa por parte do diretor. Contudo, Firekind não foi nem de longe a única fonte de inspiração para Avatar e talvez nem tenha sido a principal. Ora, se ninguém teve faniquitos por causa das outras fontes nas quais Cameron bebeu para conceber seu filme — a citar, sem a menor pretensão de ser exaustivo: o planeta de biosfera predominantemente florestal habitado por alienígenas bonzinhos explorado pela ganância corporativa humana, devidamente escoltada por forças militares da novela O Nome do Mundo é Floresta da Ursula K. LeGuin; o protagonista paraplégico que encarna num avatar extraterrestre poderoso para explorar um planeta alienígena da noveleta “Call me Joe” do Poul Anderson; o vínculo telepático entre dragões voadores e seus cavaleiros do universo ficcional dos Dragões de Pern da Anne McCaffrey; a hipótese de Gaia de James Lovelock, que advoga a tese de uma biosfera viva; e muito, muito mais — por que diabos todo esse alvoroço por causa de Firekind?

Max Mallmann foi o próximo a chegar. Como eu, ele compareceu ao lançamento da tirinha dos Passarinhos do Estevão Ribeiro e, portanto, já adquirira seu exemplar. Max nos contou que seu romance histórico ambientado em Roma Antiga, Centésimo, deverá ser lançado pela Rocco em fins de março e que a sessão de autógrafos será no dia 08 ou 15 de abril próximo. Segundo o autor, trata-se de um livro maciço, com quatrocentas e tantas páginas. Contei que também fui obrigado a rever alguns conhecimentos da história de Roma para escrever o segundo romance da trilogia Protocolos de Etrúria, sobretudo no que dizia respeito às técnicas de combate dos gladiadores.

Aproveitamos o tema romano para discutir as diferenças entre a colonização romana das províncias da Gália, Ibéria e Lusitânia e a colonização da Bretanha. Discutimos a existência histórica e a importância das batalhas, vitórias e derrotas de Vercingetorix, Viriatus e Arminius. Falamos que a rainha bretã Boudicca é considerada atualmente uma heroína nacional na Grã-Bretanha, com direito a estátua em frente a sede do Parlamento e tudo mais. Advoguei a tese de que os veteranos das legiões romanas não conseguiram se fixar tão bem na Bretanha quanto na Gália ou na Península Ibérica, pelo fato de não terem logrado cultivar a vinha e a oliveira nas Ilhas Britânicas.

Por essa altura, Mr. President já precisava admoestar o garçom Fábio para que contivesse seu excesso de entusiasmo ao reencher nossas taças. Degustávamos o Merlot, eu, Ana Cris, Edu e Lúcio. Lá pelas tantas, já francamente arrependido com a liberdade concedida a seu aprendiz de feiticeiro, Edu concluiu à boca pequena: “Acho que criamos um monstro!”. Preocupado com as possíveis implicações financeiras dos desmandos daquele Jovem Frankenstein, retruquei como se não fosse comigo, “Criamos quem, cara-pálida?”

A chegada de Sylvio Gonçalves foi saudada por todos, pois com ele à mesa, a diretoria remanescente do CLFC estava completa. Como Sylvio é o tesoureiro do Clube, falou-se dos recursos da conta de poupança do grupo Rio, ainda sob a guarda segura de Miguel Carqueija.


Diretoria remanescente do CLFC.

Edu aproveitou a presença dos incautos para cobrar com veemência colaboração de contos e artigos para o próximo número do Somnium, o primeiro de sua gestão. Com deadline de 15 de março, fomos intimados a apresentar ensaios, resenhas, contos e artigos. No meu caso, sobrou um artigo inédito de história alternativa. Mais um desses compromissos que não vou conseguir cumprir...

Num arroubo de sinceridade, Lúcio revelou suas preferências sexo-afetivo-literárias dentro da FC brasileira. Claro que esse assunto tinha que descambar para os fãs e hierarcas derretidos por minha persona literária Carla Cristina Pereira. Para deleite dos presentes, revelei alguns nomes, sob promessas solenes de que as informações jamais sairiam daquela mesa. A grande surpresa foi que um dos nomes revelados estava sentado à mesa conosco! Enfim, pacto de silêncio é feito para ser respeitado...

Desse assunto divertido, passamos a outro mais sério, as crises de depressão que acometem vários escritores e fãs da ficção fantástica brasileira.

Encerrados os comes & bebes principais, ingressamos na arriscada, pero deliciosa fase dos licores de alto teor alcoólico. Pedi um Cointreau para mim. Voluntarioso, o garçom Fábio insistiu em servir um licor de menininha para Ana Cris, atitude pela qual foi severamente advertido por nosso presidente, afinal de contas, a situação já ameaçava sair do nosso controle... Como resultado dessa pequena crise, não só o primeiro cálice de licor da Ana ficou por conta da casa, como ainda recebemos generosos chorinhos de cálice inteiro, derramados de um metro de altura por Fábio com rigor exibicionista.


Gerson, Edu e Sylvio ao fim dos trabalhos.

Mais ou menos nessa altura, Edu tirou o time. Antes disso fechou a conta dele e a minha. Gorjetas dadas à parte para nosso aprendiz de sommelier, as duas garrafas do Merlot chileno acabaram nos saindo por inacreditáveis R$ 20,00 a garrafa!

Enfim, quando o Espaço Gourmet já fazia menção de virar as cadeiras sobre as mesas, eis que aparece Estevão Ribeiro com mais um exemplar de Os Passarinhos, pois Ana só trouxera um para o Edu e outro para o Sylvio. Porém, o item mais importante que ele trouxe foi o exemplar do Caderno “B” do Jornal do Brasil com uma crítica bastante positiva da tirinha. Com os poucos neurônios de lucidez que me restavam, recomendei que ele escaneasse aquela página e me enviasse por e-mail.

Saímos do Espaço Gourmet por volta da uma da matina no último segundo possível antes de sermos de fato expulsos do estabelecimento. Supostamente por engano, a mocinha simpática do caixa tentou me cobrar novamente diversos itens da conta. Graças à presciência do Edu, que pedira para fecharem minha conta junto com a dele, não tomei ferro na hora da dolorosa.

Dali, tomei um táxi para casa. Sylvio fez o mesmo. Quando meu veículo passou em frente à calçada cinquenta metros adiante do Espaço Gourmet, avistei o casal Ana & Estevão, Max e Lúcio caminhando juntos em busca de um barzinho ainda aberto para continuar o bate-papo. Meus amigos boêmios.


Jardim Botânico, Rio de Janeiro, 05 de fevereiro de 2010 (sexta-feira).


Participantes:


Ana Cristina Rodrigues
Eduardo Torres
Estevão Ribeiro
Gerson Lodi-Ribeiro
Lúcio Manfredi
Max Mallmann
Sylvio Gonçalves

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Jantar no Meu Cantinho, São José, SC

2010.01241927O1 — 18.097 D.V.



Na noite de sexta-feira, 22 de janeiro, por ocasião de nossa estada em Floripa para participar dos colóquios do universo ficcional Taikodom, após uma jornada árdua de trabalho no auditório da sede da Hoplon Infotainment, à noite saímos para jantar num restaurante especializado em carnes, o Meu Cantinho.

Após uma breve passada pelo Mercure, onde eu e Giseli Ramos fizemos nossos check-ins, por volta das 21:00h o casal Roctavio de Castro e Sandra passou no hotel de carro para nos buscar para jantar.

O restaurante Meu Cantinho situa-se fora da Ilha de Santa Catarina, numa cidade geminada a Florianópolis chamada São José.


Giseli Ramos e Romeu Martins

Quando chegamos no Meu Cantinho, Ivan, sua esposa Carol e Romeu Martins já nos aguardavam. Entre cumprimentos iniciais, tomamos batidas de cortesia (a minha foi de limão com canela) e nos dirigimos à nossa mesa, uma simpática távola redonda. O estabelecimento é especializado em carnes vermelhas à la carte. Após alguma hesitação ante a abundância suculenta das fotos expostas no cardápio, eu e Giseli dividimos uma picanha fatiada bem passada, ao passo que à minha esquerda Roctavio e Sandra dividiam uma costela de vaca e à minha direita, Romeu escolheu sabiamente um baby beef. Para beber pedi um Joaquim 2006 Cabernet Sauvignon-Merlot da Vila Francione, vinícola catarinense de São Joaquim onde meu ex-professor Alencar trabalha como vinicultor. Apesar do preço algo salgado, o tinto estava com um bouquet complexo e um sabor delicioso. Boa escolha! Assim fiquei conhecendo um tinto dessa vinícola-boutique. Dividi o vinho irmamente com Giseli: eu de irmão grande, ela de irmã pequena. Sandra cogitou seriamente nos acompanhar no vinho, mas acabou cedendo à pressão popular de Roctavio e Romeu e se mantendo na cerveja.


Ivan & Carol
As carnes estavam maravilhosas e os papos mais ainda. A pedido de Romeu, contei aos presentes detalhes picantes da criação de minha personagem mais célebre, meu pseudônimo feminino “Carla Cristina Pereira”. Falei-lhes também do meu hábito de escrever crônicas e penalizei todos os presentes com a narrativa do triste fim de meus cadernos de diário. Falamos também de membros ausentes do fandom (como sempre!). Roctavio considerou haver pontos pertinentes em algumas das críticas negativas escritas sobre o Taikodom: Eterno Retorno. Então me pediu para comentar sobre a parte negativa da crítica do Antônio Luiz a meu romance Xochiquetzal, uma Princesa Asteca entre os Incas, publicado na Carta Capital. Falei que, embora pertinentes, para que o trabalho citado saísse do jeito que o Antônio desejava, teria que ser maior a ponto de inviabilizar sua publicação, pelo menos na data presente.



GL-R e Roctavio de Castro, autor de Taikodom: Eterno Retorno

Durante este ágape, Mila me ligou para combinar que fizéssemos o colóquio do dia seguinte na casa dela e do Tarq, encarregando-se de avisar ao Beraldo, ao Dido e ao motorista Júlio, que nos conduziria na manhã seguinte do Mercure não mais à sede da Hoplon, mas sim para o lar do casal.

A pedido de Romeu, descrevi com algum detalhe o universo ficcional e a trama de meu romance de ficção científica hard A Guardiã da Memória, que deverá ser publicado pela Draco ainda este ano. Expliquei, inclusive, o conceito crucial de guardião da memória para a espécie dos renatos.

Conversei com Romeu sobre seu recente interesse pelo subgênero steampunk e ele confirmou que começou a se interessar quando surgiu o convite para participar da antologia homônima editada pela Tarja. Além de ter participado dessa iniciativa, ele criou um blog sobre o assunto. Aproveitei o ensejo para elogiar seu trabalho na antologia, afirmando que era um dos três melhores, ao lado dos de autoria de Roberto de Sousa Causo e Antônio Luiz da Costa. Também critiquei o trabalho do Antônio por misturar o século XVIII do Marquês de Pombal com o século XIX de Machado de Assis. Claro que o autor sempre poderá alegar que o Marquês de Pombal que se tornou vice-rei no Império dessa linha histórica alternativa não é o mesmo que coordenou a reconstrução de Lisboa como primeiro-ministro. Aliás, esse é o segundo tipo de alegação que mais se ouve nas oficinas literárias do gênero...

Um assunto que suscitou interesse inesperado, sobretudo entre Sandra e Carol, foi o de minha breve carreira militar-naval de seis anos na MB. Contei-lhes dos meus embarques e de minha experiência como gerente da Divisão de Controle de Qualidade do Centro de Eletrônica da Marinha.

Infelizmente, tudo que é bom acaba. Houve uma hora em que tivemos que pedir a conta. Não antes, contudo, de tomar uma dose de Cointreau, prazer no qual iniciei minha amiga Giseli. Quitada a conta, Roctavio & Sandra nos deram carona até o Mercure. Durante a viagem, Giseli já pegou no sono, enquanto eu, Roctavio e Sandra papeávamos sobre ficção fantástica erótica, o que culminou em minha narrativa resumida do conto “Para Agradar Amanda”, que prometi lhes mandar por e-mail.

De volta ao Mercure por volta das 02:00h da manhã de sábado, subimos aos nossos quartos pelo elevador com vista panorâmica para dormir o sono dos justos.



Florianópolis, 22 de janeiro de 2010 (sexta-feira).

domingo, 13 de dezembro de 2009

Reunião da FC Carioca 2009-12

2009.1211.2359P6 — 18.053 D.V.



Sob pretexto algo óbvio de bebemorações paranatalinas, realizamos hoje à noite, em plena sexta-feira, mais uma das reuniões semiperiódicas da comunidade carioca de FC&F. Tratou-se de mais um evento no novo estabelecimento selecionado pelos alto hierarcas cariocas para as reuniões mais ou menos formais do nosso grupo, o Espaço Gourmet. Cheguei ao restaurante às 19:10h, meros dez minutinhos após o início dos trabalhos. Quando deixei o local por volta das 00:45h, o evento ainda ia de vento em popa.

Ao chegar ao local, lá já estavam Eduardo Torres, nosso Mr. President atual, e o tecnófilo Jorge Pereira. Embora Eduardo já houvesse aberto o serviço com um chope, incentivados pelo Jorge (o.k. que não precisamos lá de tanto incentivo assim...) pedimos a carta de vinhos do estabelecimento. Inadvertidamente, o garçom de plantão em nossa mesa trouxe duas taças de vinho suave em vez da carta que lhe fora solicitada. Taças recusadas com sorrisos e a carta acabou aparecendo nas mãos de um outro personagem: um sommelier-trainee, que se apresentou como Gaúcho. Munido de beneplácito presidencial, pedi um tinto uruguaio da Bodegas Pisano da linha Cisplatino, um corte de Tannat com Merlot. O vinho combinou muito bem com os queijos, frios e o carpaccio de que me servia.

Jorge e Edu perguntaram sobre meu romance de história alternativa, Xochiquetzal: uma Princesa Asteca entre os Incas, prestes a ser lançado pela Draco. Animado, expliquei-lhes o ponto de divergência e as nuances da narrativa de Dona Xochiquetzal da Gama. Aproveitei o ensejo para esclarecer a minipolêmica sobre o anacronismo do vinho do Porto que a protagonista bebe de em vez quando (ou de vez em muito).

Max Mallmann chegou dez ou quinze minutos depois, quando já comentávamos aquilo que iria dominar o bate-papo noite adentro: a quantidade enorme de livros de literatura fantástica brasileira lançada este ano. O gozado é que um ano atrás se dizia que 2008 seria ou teria sido o annus mirabilis da FCB, mas 2009 parece ter sido melhor ainda e estou com forte impressão de que 2010 será ainda melhor.

Nós quatro concordamos que está até difícil acompanhar tudo o que as editoras estão publicando nos últimos meses. De minha parte, elogiei bastante o primeiro romance de nosso amigo Fábio Fernandes, Os Dias da Peste (Tarja, 2009), uma tacada certeira da editora de Richard Diegues e Giampaolo Celli. O romance foi construído a partir da fusão e ampliação de duas noveletas “Um Diário dos Dias da Peste” e “Interface com o Vampiro”, ambas publicadas em na coletânea Interface com o Vampiro (Writers, 2000). Pretendo resenhar esse romance em breve.

Max nos presenteou com exemplares da antologia Galeria do Sobrenatural (Terracota, 2009), organizada pelo Sílvio Alexandre, na qual ele tem um conto, “Hábito Noturno”. Até agora só li dois contos dessa antologia bem acabada, não obstante as gralhas aqui e ali: o do Max e o “A Ponte” do Miguel Carqueija. Ambos me agradaram, sobretudo o do Max, mais contundente e de final menos previsível. Em suas 156 páginas, a antologia enfeixa dezoito contos e uma mini-HQ.

Pouco tempo mais tarde, chegou o Carlos Patati, acompanhado pela esposa e a filhinha que veio dormindo no carrinho de bebê. Contudo, a grande surpresa da noite foi o aparecimento da Ana Cristina. Após ter afirmado nas listas que não iria, ela foi recebida com grande alegria pelos presentes. Ao ser questionada, explicou que, como a comemoração natalina em que se encontrava lhe pareceu tediosa, ela deu uma escapada em direção ao Espaço Gourmet. Bela decisão!

Outro assunto que veio à baila foi a discussão recente na comunidade de FC do Orkut sobre uma resenha à antologia Steampunk (Tarja, 2009) que será publicada em breve por um crítico anglo-saxão. O motivo da celeuma foi que um sujeito chamado Eduardo insistia em bater na tecla gasta de que, por não ter o português como primeiro idioma, o crítico não seria capaz de produzir uma resenha pertinente. Por isto não, porque, ao que eu saiba, a brasilianista norte-americana especializada em FC brasileira, Libby Ginway, costuma apresentar críticas mais profundas e pertinentes do que onze de cada dez críticos brasileiros que militam em nosso gênero.

Edu pediu outra garrafa do Pisano Cisplatino, idêntica à anterior, já que aprováramos a primeira.

Por essa altura chegou Miguel Carqueija que, meio adoentado, permaneceu quase calado numa das extremidades da mesa durante o pouco tempo em que ficou conosco. Mesmo assim, logrou sortear dois livros e vender outros tantos. Os sorteados foram Patati e Eduardo. Aliás, por falar em doença, Raul Avelar também não pôde comparecer, pois iria se submeter a uma cirurgia de rotina.

Comentamos pormenorizadamente as duas temporadas da minissérie Roma, que todos gostamos bastante. Jorge inclusive confessou que possuía os dois boxes de DVD. Conversa vai, conversa vem, acabou batendo uma baita vontade de assistir as duas minisséries outra vez. Aproveitando o ensejo, Max nos falou um pouco sobre seu romance histórico que se passa no Império Romano do século I A.D., que sairá pela Rocco em março de 2010.

Quando tentamos pedir nossa terceira garrafa do uruguaio, o tal Gaúcho informou-nos que não havia mais. Após breve análise da carta de vinhos, talvez para se manter fiel aos hispânicos, Mr. President selecionou um Rioja de média extração (pois que os de alta costumam vir com preços proibitivos), faturado na comanda de nosso amigo Jorge. Um bom vinho, mas não tão bom quanto o Pisano.

Passei dos queijos & carpaccios à sobremesa, com direito a torta alemã e sorvete de chocolate, pois que era noite de festa. Como não cabia insistir no vinho, pedi uma dose de Cointreau. Como Ana Cris se interessou e sou como que tutor dela para assuntos de caráter etílico, ofereci-lhe uma dose. Foi só provar e se apaixonar. Quando seu marido, Estevão Ribeiro, chegou cerca de meia hora mais tarde, ela falou que eles precisaram comprar uma garrafa do licor. Depois que expliquei ao meu companheiro de clã que esposas amimadas com licores finos costumam se comportar de forma dócil e amorosa e, mais importante, no dia seguinte acordam satisfeitas e, melhor ainda (!), não se lembram de nada do que fizeram, ele concordou entusiasmado, ao que Ana, sempre esperta, aproveitou para pedir duas novas doses para nós.

Aliás, Eduardo elogiou bastante a novela autobiográfica do Estevão, Enquanto Ele Estava Morto (A1, 2009), onde o autor nos brinda com o relato impressionante da semana em que ele passou buscando o paradeiro de seu irmão mais velho, supostamente assassinado num garimpo da Bahia. É curioso, porque Edu repetiu quase que ipsis litteris os elogios que proferi ao autor em nossa última reunião.

Por conta da filhinha, Patati e a esposa foram os primeiros a deixar nosso ágape. Pouco mais tarde, Carqueija seguiu seu exemplo. Aproveitamos que estávamos praticamente em petit committee, para colocar as fofocas em dia. Comentei sobre o evento steampunk de que participei lá em Sampa semanas atrás e do lançamento da Imaginários (Draco, 2009), e ouvi bastante sobre as intrigas internéticas relatadas por Jorge e Ana. Fofoca vai, fofoca vem, ainda mais regada a cálices de Cointreau, acabamos só saindo de lá quase uma da matina. Quer dizer, o Jorge, o Edu e eu, porque a Ana, o Estevão e o Max permaneceram firmes e fortes para defender as honras da FC&F carioca.


Participantes:


Ana Cristina Rodrigues
Carlos Eugênio Patati
Eduardo Torres
Estevão Ribeiro
Gerson Lodi-Ribeiro
Jorge Pereira
Max Mallmann
Miguel Carqueija