domingo, 16 de maio de 2010

Bate-papo Spaceblooks 2: Fantástico na Internet



2010.05150736P6 — 18.208 D.V.

“Ana, será que você deixaria eu concluir meu pensamento.”
[Fábio Fernandes]



Deu-se na noite da última quinta-feira, 13/05, na livraria Blooks a Spaceblooks II, uma mesa-redonda informal, ou bate-papo temático, sobre literatura fantástica em mídia virtual, com a participação dos escritores Fábio Fernandes, Ana Cristina Rodrigues e Saint-Clair Stockler. A iniciativa Spaceblooks consiste num ciclo de três mesas-redondas semanais, sempre às quintas-feiras, idealizadas por Octavio Aragão e Toínho Castro, os dois curadores responsáveis pela organização do evento.


Toínho Castro e Octavio Aragão — Curadores da Spaceblooks

 
Infelizmente, não pude estar presente na Spaceblooks I, onde Bráulio Tavares e outros participantes egrégios dividiram a mesa-redonda para debater e papear — brilhantemente, segundo ouvi falar — sobre science fiction at large.

Para compensar, saindo direto do trabalho, acabei chegando meia hora adiantado para a Spaceblooks II. A livraria Blooks situa-se na galeria do Unibanco Artplex, estabelecimento onde se deu alguns meses atrás o lançamento das célebres tirinhas Os Passarinhos, de Estevão Ribeiro.

Mal cheguei e encontrei os três futuros bate-papeadores: meu amigo Fábio Fernandes, que veio de Sampa especialmente para o evento; minha querida afilhada Ana Cris; e Saint-Clair Stockler. Também presentes antes do início do bate-papo estavam os assíduos Ricardo França e Rafael Lupo, que, segundo soube, já haviam comparecido na Spaceblooks anterior, e também o Bráulio Tavares e o Marcelo Carvalho Couto, um sócio antigo do CLFC-Rio que eu já não via há uns bons quinze anos, desde os tempos do saudoso Grupo de Interesse em Vídeo capitaneado por Sylvio Gonçalves em plena antediluviana década de 1980 no Rio de Janeiro do segundo milênio, onde assistíamos clássicos em preto e branco e séries norte-americanas inéditas em fitas VHS (sugiro aos mais novos uma “googlada” para descobrirem do que se trata). Aliás, ainda lembro das pizzas deliciosas que a mãe do Marcelo nos servia no intervalo entre a exibição de um vídeo e outro. Bons tempos...

Cumpridos os quinze minutos de tolerância regulamentar, a mesa-redonda se iniciou com pontualidade carioca às 19:15h, com nosso mestre de cerimônias Octavio — com seu new look careca — apresentando os três convidados.


O Curador, Saint-Clair Stockler, Fábio Fernandes e Ana Cristina Rodrigues


Ana Cris abriu o bate-papo falando de suas múltiplas atividades nas diversas comunidades virtuais, dentre elas a comu Ficção Científica do Orkut, a oficina literária virtual Fábrica dos Sonhos e seus projetos editoriais que estão migrando da virtualidade para o bom e velho papel impresso, dentre as quais a antologia temática Gastronomia Phantastica.

Ana passou o microfone ao Fábio que, a bem da eficiência, apenas citou que seu currículo constava de seus blogs e de diversos links em outros sítios internéticos, passando então a nos apresentar com a verve que lhe é peculiar um breve histórico do desenvolvimento da literatura fantástica brasileira no âmbito virtual — narrativa ágil que, vez por outra, se entremeou com o fantástico lusófono impresso. Fábio também nos falou um pouco dos contatos recentes que estabeleceu com autores e editores anglo-saxões do gênero e das publicações resultantes desses contatos.

Em seguida, Saint-Clair Stockler falou sobre suas atividades literárias nos âmbitos impresso e virtual, abordando, inclusive, seu processo criativo e sua parceria com o autor paulistano Tibor Moricz, que resultou, dentre outros frutos, nas antologias Imaginários I & II (Draco, 2009) e na Brinquedos Mortais, ainda em fase de elaboração.

Ao longo do bate-papo inicial do trio de autores, chegaram Carlos Eugênio Patati, Cláudia Quevedo Lodi e Max Mallmann, autor do romance histórico recentemente publicado O Centésimo em Roma (Rocco, 2010), indubitavelmente, um dos maiores tours-de-force literários dos últimos tempos.

Encerrado o bate-papo inicial, passamos à interação direta entre escritores e plateia. Muitos dos cerca de trinta presentes participaram ativamente com perguntas, comentários e opiniões que incrementaram o ambiente interativo e informal que a dupla de curadores almejara. Tão informal que Ana não se furtou de interromper a fala de Fábio em seguidas ocasiões. Das primeiras três ou quatro vezes, nosso amigo limitou-se a lançar um olhar enviesado à interlocutora. A partir da vez seguinte, estrilou e, a partir de então, começaram a se estranhar, a ponto de me fazerem lembrar as discussões entre meus pais nos almoços de domingo: assim como Ana e Fábio, meus pais se amam, mas há décadas insistem em que um nunca deixa o outro falar...

Ao longo dessa animada fase de perguntas, respostas & comentários, foram abordadas várias questões interessantes, desde a relevância do romance Os Dias da Peste de Fábio Fernandes no panorama do fantástico lusófono, até as novidades anglo-saxãs nos subgêneros da new space opera e do new weird, passando pela presença brasileira em congressos internacionais de ficção científica e pela sobrevivência e extinção dos dinossauros da FC brasileira.



Plateia participativa do Spaceblooks II

 
Por volta das 21:00h, com o encerramento da parte formal do bate-papo informal, autores e plateia levantaram-se de suas respectivas cadeiras para prosseguir com a interação de pé, enquanto um garçom simpático servia vinho, água e refrigerantes. Aproveitei o ensejo para retomar o papo com o Marcelo Couto, que me contou novidades sobre diversas séries televisivas de FC e correlatas. Enquanto isto, sentado numa mesa à entrada da livraria, Fábio autografava exemplares de Os Dias da Peste para fãs recém-conquistados ao longo da mesa-redonda.

Quando a Blooks e a própria galeria do Artplex já ameaçavam cerrar as portas, partimos em expedição a pé para bebemorar o êxito do evento no Espaço Gourmet, point tradicional da FC&F carioca. Já à saída da Blooks, para gáudio de meu ego autoral, Toínho Castro me confidenciou que teria sido a leitura da coletânea de história alternativa Outros Brasis (Mercuryo, 2006) que o inspirara, em última análise, à criação da iniciativa Spaceblooks.

A maioria dos presentes migrou da livraria para a bebemoração. No entanto, sofremos algumas defecções graves, como as de Patati, do Marcelo, do Ricardo França, que abandonou nossa comitiva no meio do caminhada, guinando rumo à estação Botafogo do Metrô, e do próprio curador Octavio Aragão, que fez forfait, alegando compromissos domésticos inadiáveis relacionados à última mamadeira noturna do filho caçula.

Durante nossa caminhada de cerca de quinze minutos da Blooks até o Espaço Gourmet, sentimo-nos um pouco preocupados, pois nosso amigo Fábio ficara duzentos ou trezentos metros para trás. Tranquilizamo-nos ao perceber que seguia devidamente escoltado por jovens fãs e, de fato, ele acabou chegando em segurança no aconchego de nosso plácido covil.

Uma vez em nosso reduto, sentamo-nos numa mesa que facultava a opção aos rodízios de pizzas e crepes. Postei-me num ponto privilegiado da mesa, com Bráulio, Ana Cris e Toínho à minha frente, Fábio à minha esquerda e Cláudia à minha direita. Eu & Cláudia optamos pela comida a quilo em detrimento dos rodízios, mas não abrimos mão de um bom tinto brasileiro, um Cabernet Sauvignon que, não obstante a longeva safra de 2001, ainda estava nos trinques.



Bráulio Tavares & Ana Cris no Espaço Gourmet


 
Conversamos sobre dezenas de livros, filmes e séries televisivas dentro e, sobretudo, fora do gênero fantástico. Bráulio nos entreteve com a descrição vívida dos roteiros que escreveu para uma série de programas de entrevistas elaborados por uma produtora sediada em Recife.

Já na fase de despedidas, em meio aos elogios extremados que prestei ao romance O Centésimo em Roma, lembrei ao Max que os antigos romanos eram particularmente avessos à prática do sexo oral, tanto do fellatio quanto do cunnilingus, não obstante as nomenclaturas latinas dessas práticas. Afinal, apesar da relativa ousadia e liberalidade dos afrescos eróticos descobertos em Pompeia e Herculano, o fato é que os romanos aceitavam até mesmo a zoofilia com menos ojeriza do que o sexo oral.


Fábio no Espaço Gourmet


 
Bem, acho que por ora é só, mas semana que vem tem mais: na próxima quinta-feira, dia 20 de maio, na Spaceblooks III, Fausto Fawcett, Alexandre Lancaster e eu dividiremos a mesa-redonda para falar de steampunk, onde abordaremos o caso das duas antologias que eram para ser uma e outras questões picantes do subgênero.



Jardim Botânico, Rio de Janeiro, 15 de maio de 2010 (sábado).



Participantes:
Ana Cristina Rodrigues
Bráulio Tavares
Carlos Eugênio Patati
Cláudia Quevedo Lodi
Estevão Ribeiro
Fábio Fernandes
Gerson Lodi-Ribeiro
Marcelo Carvalho Couto
Max Mallmann
Octavio Aragão
Rafael Lupo Monteiro
Ricardo França
Saint-Clair Stockler
Toinho Castro

domingo, 18 de abril de 2010

Lançamento d'O Centésimo em Roma
de Max Malmann




2010.04171845P6



Compareci nessa última quinta-feira no lançamento carioca do romance histórico O Centésimo em Roma de Max Mallmann na Livraria da Travessa da Visconde de Pirajá. Aguardei o evento com tanto entusiasmo que acabei comparecendo lá na livraria com um mês inteirinho de antecedência. Isto mesmo! Em mais uma de minhas hilárias e embaraçosas confusões — hilárias para os outros, embaraçosas para mim — acabei me atrapalhando ao julgar que o lançamento se daria em 15 de março e não em 15 de abril...

Como bom gato escaldado, dessa vez tomei o devido cuidado de checar os e-mails do autor nas listas de discussão para confirmar o evento. Quando cheguei na Travessa às 20:10h (o evento começara às 19:30h), Max já estava com a casa cheia. Havia um bocado de gente dentro da livraria e uma fila de cerca de quinze pessoas na mesa de autógrafos. Encontrei Eduardo Torres e Sylvio Gonçalves junto à caixa registradora. Sylvio comprava seu exemplar. Edu já comprava três, um para si próprio e outros dois para dar de presente. Entramos na fila folheando o romance, maravilhados com a robustez do volume — mais de quatrocentas páginas — a qualidade da capa e dos detalhes gráficos e de acabamento.

De copo de whisky na mão, Edu decantava a qualidade do Johnny Walker Green Label que degustava. Quando perguntei pelo vinho, explicou que também havia e do bom.

Ali da fila, vislumbramos Ana Cristina sentada numa poltrona de papo com o Luiz Filipe Vasquez. Edu esclareceu que ela havia quebrado o pé num acidente doméstico. De fato: mais tarde verifiquei que ela portava pé direito imobilizado e um par de muletas facilmente manejadas como armas.

Trata-se do quinto romance de Max e o terceiro em seguida que ele publica pela Rocco, os dois anteriores foram Síndrome de Quimera (2000) e Zigurate (2003). O intervalo maior entre o penúltimo romance e o atual deveu-se ao caudaloso trabalho de pesquisa que o autor empreendeu, lendo e digerindo quase uma centena de livros sobre Roma Antiga para se preparar para a empreitada. Consta que nossa amiga historiadora Ana Cris teria atuado como leitora crítica informal antes de Max entregar os originais do trabalho à editora.  Quando ainda residia em Porto Alegre, Max publicou o romance de ficção científica Confissão do Minotauro (Instituto Estadual do Livro, 1989) e o romance de fantasia Mundo Bizarro (Mercado Aberto, 1996).

Ainda na fila de autógrafos, fomos surpreendidos pela presença de Roberval Barcellos, que andava sumido há tempos. O autor de história alternativa prestigiou o lançamento trazendo inclusive a esposa que, segundo ele, tornou-se fã do Max após a leitura de Síndrome de Quimera. Conversa vai, conversa vem, descobrimos que Roberval teria tido uma noveleta de história alternativa aceita para publicação numa antologia de ficção científica política que, segundo consta, estaria sendo organizada por um importante hierarca da FCB para uma editora especializada no gênero.

Quando estávamos na fila deparamo-nos momentaneamente com Lucio Manfredi, só que acabamos não tendo tempo de conversar com ele, nem naquele instante e nem mais tarde.

Só quando chegamos à mesa do autor é que constatei ter esquecido minha câmera digital. Fui obrigado a pedir ao Sylvio que tirasse fotos com meu LG Cookie, traquitana que, como todos sabem, não é lá essas coisas. Max providenciou carimbos com ditos sacanas-espirituosos em latim. Meu exemplar fez jus a quatro carimbos.


Max autografando incessantemente!

Tão logo coletei meu autógrafo, lancei um olhar triunfal ao fim da fila quilométrica, vislumbrando a cabeça precocemente grisalha de Octavio Aragão que me havia dito num telefonema pela manhã que provavelmente não compareceria. Pelo visto, conseguiu se desvencilhar dos compromissos domésticos para prestigiar o lançamento do Max. Regressei à fila para bater papo com o Octavio. Ele me contou que o prefácio que o Fábio Barreto escreveu para minha noveleta “São os Deuses Crononautas”, a ser publicada na antologia Intempol 10, ficou excelente. Segundo ele, o prefácio que a Libby Ginway escreveu para a noveleta do Carlos Orsi Martinho na mesma antologia também ficou do balacobaco. Pelo visto, o relançamento da Intempol vai bombar. Periga ser o evento do ano na ficção científica brasileira.

Regressei às cercanias da mesa de autógrafos para conversar com a Ana Cris e saber detalhes do seu acidente doméstico. Estevão Ribeiro só chegaria ao fim do evento. Ambos compraram uma pilha respeitável de exemplares. Além do Luiz Filipe, Rafael “Lupo” Monteiro também prestava serviço de escolta a nossa líder semi-imobilizada. Excepcionalmente, Lupo não se fez acompanhar de sua noiva.  Patati foi outro que só chegou no finzinho, mas, pelo menos, ao contrário do que aconteceu com o Lúcio, consegui bater um papinho com ele.

Indignada com o pretenso sacrilégio de Octavio “Deus” Aragão ter assentado seu divino traseiro na mesa do autor, Ana Cris manifestou vontade extremada de aplicar uma severa muletada na divindade. De imediato, eu e Luiz Filipe posicionamos a poltrona dela de forma que ela pudesse exercer seu desígnio punitivo.

O assunto da noite foi sem dúvida a quantidade de pesquisa que Max se obrigou a executar para escrever o Centésimo. Ana declarou que tal empenho deveria ser divulgado para servir de exemplo a certos autores da nova geração da FCB que consideram a preguiça intelectual parte integrante do ofício literário.

Na categoria fofoca da FCB, comentou-se animadamente sobre os últimos arranca-rabos do Orkut e do subfandom paulistano, alguns dos quais já antecipados há tempos por nossos consultores contratados à da Confraria dos Canalhas Anônimos.

Octavio trouxe à pauta de discussão sua atividade de curadoria num ciclo de mesas-redondas semanais que se darão numa livraria situada na galeria do complexo cultural do Unibanco Artplex. Deverei assistir a segunda mesa, capitaneada por Fábio Fernandes, Ana Cristina Rodrigues e Saint-Clair Stockler. Também participarei da terceira, sobre steampunk, em companhia de Fausto Fawcett e Alexandre Lancaster. Aliás, essa será a segunda vez que participo de uma mesa-redonda com o Fawcett. A primeira foi na Campus Party de 2009, lá em Sampa e versou sobre cyberpunk.

Apesar das tratativas iniciais para sairmos da Travessa para bebemorar o êxito do lançamento na Devassa praticamente em frente, em virtude do avançado da hora, julguei por bem declinar da combinação, despedir-me dos amigos e tomar um táxi de volta para casa.

Autor, seu fã e o Centésimo.


Jardim Botânico, Rio de Janeiro, 17 de abril de 2010 (sábado).


Participantes:


Ana Cristina Rodrigues
Carlos Eugênio Patati
Eduardo Torres
Estevão Ribeiro
Gerson Lodi-Ribeiro
Lúcio Manfredi
Luiz Filipe Vasquez
Max Mallmann
Octavio Aragão
Rafael Lupo Monteiro
Roberval Barcellos
Sylvio Gonçalves

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Tinto Chileno no Verão Carioca
[Espaço Gourmet 2010-02]





2010.02052359O6 — 18.109 D.V.

“Acho que criamos um monstro!”
[Eduardo Torres, Enólogo & Presidente do CLFC]



Sob pretexto de pegar tirinhas Os Passarinhos autografadas pelo Estevão Ribeiro, Lúcio Manfredi, Eduardo Torres e Sylvio Gonçalves combinaram um encontro com o casal Ana Cris e Estevão nesta noite de sexta-feira no Espaço Gourmet. Embora tivéssemos comparecido na noite de autógrafos na livraria da galeria Unibanco Artplex na segunda-feira passada, não querendo perder esse ágape, eu e Max Mallmann também fizemos questão de comparecer.

Saí direto do trabalho e, enganado quanto à hora combinada, julgando-me dez minutos atrasado, cheguei lá vinte mais cedo.

O segundo a chegar ao Espaço Gourmet foi Lúcio Manfredi. A presença de Lúcio num evento desse tipo já é uma efeméride digna de comemoração. Ele me contou ter aproveitado a atual maré tranquila em seu ritmo de trabalho como roteirista da Globo com o fim da novela anterior, para escrever um romance fantástico que funde elementos tão díspares quanto mecânica quântica e umbanda. Ecos de Brasyl, romance complexo do Ian McDonald? Lúcio falou que deverá submeter o original nas próximas semanas a uma editora de grande porte. Aventei a possibilidade da Draco como segunda opção. Ambos concordamos que a nova editora paulistana capitaneada por Erick Santos entrou no mercado com a bola toda, cheia de gás para montar um catálogo de responsa em 2010.

Em seguida apareceu Eduardo Torres, atual presidente do Clube de Leitores de Ficção Científica. Expliquei ao Mr. President que havia escolhido uma mesa no setor de rodízio de pizza do restaurante em virtude de reclamações em ocasiões anteriores, quando fomos barrados de passar para tal setor e tive minha decisão aprovada com reservas e sobrancelha presidencial arqueada. Em seguida, resolvemos beber vinho, para o que Eduardo requisitou a carta de vinhos, velha e querida conhecida de outras noitadas. Para nossa surpresa, a carta foi cruelmente "minimalizada" para uma única página, escrita até a metade. Indignado, o presidente convocou o sommelier do estabelecimento, exigência que produziu caras de interrogação patéticas nos três garçons que se acercavam de nossa mesa apreensivos ante a fúria presidencial. Um acólito mais afoito adiantou-se para explicar que havia estoque sortido de bons tintos na adega climatizada da casa. O único problema, segundo o acólito, era que tais rótulos não apareciam na carta de vinhos. Da fúria, nosso presidente passou ao assombro: como poderíamos escolher nossos vinhos sem consultá-los na carta? O garçom solícito propôs, “o Senhor entra lá na adega e escolhe o vinho que quiser...” “Mas, e quanto o preço?”, Edu preocupou-se. “Ah, o preço, a gente combina depois.” “Depois, não. Vamos combinar na hora em que eu escolher.” Assim foi. Mr. President adentrou na adega acompanhado pelo acólito solícito. Após a leitura de uns tantos rótulos e alguns minutos de árduas negociações, nosso hierarca retornou com um Merlot chileno. De acordo com ele, embora aquele vinho custasse cerca de R$ 80,00, sairia por R$ 40,00. “Contudo”, o presidente prosseguiu, “vamos precisar estimpendiar o Fábio no fim da noite.” Determinação que acatei com entusiasmo.

Vinda direto da Biblioteca Nacional de táxi, para evitar o congestionamento que vem assolando o metrô carioca desde a fusão das linhas 1 e 2, Ana Cristina Rodrigues chegou pouco depois do Edu retornar à mesa em triunfo após sua expedição à adega.

Assim que Ana se sentou à mesa, trocamos impressões sobre o pedido de demissão de Paulo Elache do cargo de Secretário Executivo do CLFC, motivado pela criação de seu podcast dedicado à literatura fantástica, o PodEspecular. Lucubrado pelo Elache e concebido inicialmente como veículo do Clube, a criação parece ter adquirido vontade própria e seu criador empolgado desistiu de cedê-lo à entidade, preferindo se afastar do CLFC, deixando sua diretoria reduzida a dois cargos eletivos, presidente e tesoureiro.


Ana Cristina e Lúcio Manfredi.

De um tópico espinhoso para o seguinte, passamos à autópsia do bate-boca animado que assolou a lista de discussão do CLFC nos últimos dias sobre o affair Firekind, título de uma HQ publicada numa obscura revista britânica, cujo enredo teria sido plagiado por James Cameron em seu blockbuster de ficção científica Avatar. Analisando as semelhanças e diferenças entre os universos ficcionais de Firekind e Avatar, depreende-se que, se não houve plágio, houve, pelo menos, inspiração insidiosa por parte do diretor. Contudo, Firekind não foi nem de longe a única fonte de inspiração para Avatar e talvez nem tenha sido a principal. Ora, se ninguém teve faniquitos por causa das outras fontes nas quais Cameron bebeu para conceber seu filme — a citar, sem a menor pretensão de ser exaustivo: o planeta de biosfera predominantemente florestal habitado por alienígenas bonzinhos explorado pela ganância corporativa humana, devidamente escoltada por forças militares da novela O Nome do Mundo é Floresta da Ursula K. LeGuin; o protagonista paraplégico que encarna num avatar extraterrestre poderoso para explorar um planeta alienígena da noveleta “Call me Joe” do Poul Anderson; o vínculo telepático entre dragões voadores e seus cavaleiros do universo ficcional dos Dragões de Pern da Anne McCaffrey; a hipótese de Gaia de James Lovelock, que advoga a tese de uma biosfera viva; e muito, muito mais — por que diabos todo esse alvoroço por causa de Firekind?

Max Mallmann foi o próximo a chegar. Como eu, ele compareceu ao lançamento da tirinha dos Passarinhos do Estevão Ribeiro e, portanto, já adquirira seu exemplar. Max nos contou que seu romance histórico ambientado em Roma Antiga, Centésimo, deverá ser lançado pela Rocco em fins de março e que a sessão de autógrafos será no dia 08 ou 15 de abril próximo. Segundo o autor, trata-se de um livro maciço, com quatrocentas e tantas páginas. Contei que também fui obrigado a rever alguns conhecimentos da história de Roma para escrever o segundo romance da trilogia Protocolos de Etrúria, sobretudo no que dizia respeito às técnicas de combate dos gladiadores.

Aproveitamos o tema romano para discutir as diferenças entre a colonização romana das províncias da Gália, Ibéria e Lusitânia e a colonização da Bretanha. Discutimos a existência histórica e a importância das batalhas, vitórias e derrotas de Vercingetorix, Viriatus e Arminius. Falamos que a rainha bretã Boudicca é considerada atualmente uma heroína nacional na Grã-Bretanha, com direito a estátua em frente a sede do Parlamento e tudo mais. Advoguei a tese de que os veteranos das legiões romanas não conseguiram se fixar tão bem na Bretanha quanto na Gália ou na Península Ibérica, pelo fato de não terem logrado cultivar a vinha e a oliveira nas Ilhas Britânicas.

Por essa altura, Mr. President já precisava admoestar o garçom Fábio para que contivesse seu excesso de entusiasmo ao reencher nossas taças. Degustávamos o Merlot, eu, Ana Cris, Edu e Lúcio. Lá pelas tantas, já francamente arrependido com a liberdade concedida a seu aprendiz de feiticeiro, Edu concluiu à boca pequena: “Acho que criamos um monstro!”. Preocupado com as possíveis implicações financeiras dos desmandos daquele Jovem Frankenstein, retruquei como se não fosse comigo, “Criamos quem, cara-pálida?”

A chegada de Sylvio Gonçalves foi saudada por todos, pois com ele à mesa, a diretoria remanescente do CLFC estava completa. Como Sylvio é o tesoureiro do Clube, falou-se dos recursos da conta de poupança do grupo Rio, ainda sob a guarda segura de Miguel Carqueija.


Diretoria remanescente do CLFC.

Edu aproveitou a presença dos incautos para cobrar com veemência colaboração de contos e artigos para o próximo número do Somnium, o primeiro de sua gestão. Com deadline de 15 de março, fomos intimados a apresentar ensaios, resenhas, contos e artigos. No meu caso, sobrou um artigo inédito de história alternativa. Mais um desses compromissos que não vou conseguir cumprir...

Num arroubo de sinceridade, Lúcio revelou suas preferências sexo-afetivo-literárias dentro da FC brasileira. Claro que esse assunto tinha que descambar para os fãs e hierarcas derretidos por minha persona literária Carla Cristina Pereira. Para deleite dos presentes, revelei alguns nomes, sob promessas solenes de que as informações jamais sairiam daquela mesa. A grande surpresa foi que um dos nomes revelados estava sentado à mesa conosco! Enfim, pacto de silêncio é feito para ser respeitado...

Desse assunto divertido, passamos a outro mais sério, as crises de depressão que acometem vários escritores e fãs da ficção fantástica brasileira.

Encerrados os comes & bebes principais, ingressamos na arriscada, pero deliciosa fase dos licores de alto teor alcoólico. Pedi um Cointreau para mim. Voluntarioso, o garçom Fábio insistiu em servir um licor de menininha para Ana Cris, atitude pela qual foi severamente advertido por nosso presidente, afinal de contas, a situação já ameaçava sair do nosso controle... Como resultado dessa pequena crise, não só o primeiro cálice de licor da Ana ficou por conta da casa, como ainda recebemos generosos chorinhos de cálice inteiro, derramados de um metro de altura por Fábio com rigor exibicionista.


Gerson, Edu e Sylvio ao fim dos trabalhos.

Mais ou menos nessa altura, Edu tirou o time. Antes disso fechou a conta dele e a minha. Gorjetas dadas à parte para nosso aprendiz de sommelier, as duas garrafas do Merlot chileno acabaram nos saindo por inacreditáveis R$ 20,00 a garrafa!

Enfim, quando o Espaço Gourmet já fazia menção de virar as cadeiras sobre as mesas, eis que aparece Estevão Ribeiro com mais um exemplar de Os Passarinhos, pois Ana só trouxera um para o Edu e outro para o Sylvio. Porém, o item mais importante que ele trouxe foi o exemplar do Caderno “B” do Jornal do Brasil com uma crítica bastante positiva da tirinha. Com os poucos neurônios de lucidez que me restavam, recomendei que ele escaneasse aquela página e me enviasse por e-mail.

Saímos do Espaço Gourmet por volta da uma da matina no último segundo possível antes de sermos de fato expulsos do estabelecimento. Supostamente por engano, a mocinha simpática do caixa tentou me cobrar novamente diversos itens da conta. Graças à presciência do Edu, que pedira para fecharem minha conta junto com a dele, não tomei ferro na hora da dolorosa.

Dali, tomei um táxi para casa. Sylvio fez o mesmo. Quando meu veículo passou em frente à calçada cinquenta metros adiante do Espaço Gourmet, avistei o casal Ana & Estevão, Max e Lúcio caminhando juntos em busca de um barzinho ainda aberto para continuar o bate-papo. Meus amigos boêmios.


Jardim Botânico, Rio de Janeiro, 05 de fevereiro de 2010 (sexta-feira).


Participantes:


Ana Cristina Rodrigues
Eduardo Torres
Estevão Ribeiro
Gerson Lodi-Ribeiro
Lúcio Manfredi
Max Mallmann
Sylvio Gonçalves

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Jantar no Meu Cantinho, São José, SC

2010.01241927O1 — 18.097 D.V.



Na noite de sexta-feira, 22 de janeiro, por ocasião de nossa estada em Floripa para participar dos colóquios do universo ficcional Taikodom, após uma jornada árdua de trabalho no auditório da sede da Hoplon Infotainment, à noite saímos para jantar num restaurante especializado em carnes, o Meu Cantinho.

Após uma breve passada pelo Mercure, onde eu e Giseli Ramos fizemos nossos check-ins, por volta das 21:00h o casal Roctavio de Castro e Sandra passou no hotel de carro para nos buscar para jantar.

O restaurante Meu Cantinho situa-se fora da Ilha de Santa Catarina, numa cidade geminada a Florianópolis chamada São José.


Giseli Ramos e Romeu Martins

Quando chegamos no Meu Cantinho, Ivan, sua esposa Carol e Romeu Martins já nos aguardavam. Entre cumprimentos iniciais, tomamos batidas de cortesia (a minha foi de limão com canela) e nos dirigimos à nossa mesa, uma simpática távola redonda. O estabelecimento é especializado em carnes vermelhas à la carte. Após alguma hesitação ante a abundância suculenta das fotos expostas no cardápio, eu e Giseli dividimos uma picanha fatiada bem passada, ao passo que à minha esquerda Roctavio e Sandra dividiam uma costela de vaca e à minha direita, Romeu escolheu sabiamente um baby beef. Para beber pedi um Joaquim 2006 Cabernet Sauvignon-Merlot da Vila Francione, vinícola catarinense de São Joaquim onde meu ex-professor Alencar trabalha como vinicultor. Apesar do preço algo salgado, o tinto estava com um bouquet complexo e um sabor delicioso. Boa escolha! Assim fiquei conhecendo um tinto dessa vinícola-boutique. Dividi o vinho irmamente com Giseli: eu de irmão grande, ela de irmã pequena. Sandra cogitou seriamente nos acompanhar no vinho, mas acabou cedendo à pressão popular de Roctavio e Romeu e se mantendo na cerveja.


Ivan & Carol
As carnes estavam maravilhosas e os papos mais ainda. A pedido de Romeu, contei aos presentes detalhes picantes da criação de minha personagem mais célebre, meu pseudônimo feminino “Carla Cristina Pereira”. Falei-lhes também do meu hábito de escrever crônicas e penalizei todos os presentes com a narrativa do triste fim de meus cadernos de diário. Falamos também de membros ausentes do fandom (como sempre!). Roctavio considerou haver pontos pertinentes em algumas das críticas negativas escritas sobre o Taikodom: Eterno Retorno. Então me pediu para comentar sobre a parte negativa da crítica do Antônio Luiz a meu romance Xochiquetzal, uma Princesa Asteca entre os Incas, publicado na Carta Capital. Falei que, embora pertinentes, para que o trabalho citado saísse do jeito que o Antônio desejava, teria que ser maior a ponto de inviabilizar sua publicação, pelo menos na data presente.



GL-R e Roctavio de Castro, autor de Taikodom: Eterno Retorno

Durante este ágape, Mila me ligou para combinar que fizéssemos o colóquio do dia seguinte na casa dela e do Tarq, encarregando-se de avisar ao Beraldo, ao Dido e ao motorista Júlio, que nos conduziria na manhã seguinte do Mercure não mais à sede da Hoplon, mas sim para o lar do casal.

A pedido de Romeu, descrevi com algum detalhe o universo ficcional e a trama de meu romance de ficção científica hard A Guardiã da Memória, que deverá ser publicado pela Draco ainda este ano. Expliquei, inclusive, o conceito crucial de guardião da memória para a espécie dos renatos.

Conversei com Romeu sobre seu recente interesse pelo subgênero steampunk e ele confirmou que começou a se interessar quando surgiu o convite para participar da antologia homônima editada pela Tarja. Além de ter participado dessa iniciativa, ele criou um blog sobre o assunto. Aproveitei o ensejo para elogiar seu trabalho na antologia, afirmando que era um dos três melhores, ao lado dos de autoria de Roberto de Sousa Causo e Antônio Luiz da Costa. Também critiquei o trabalho do Antônio por misturar o século XVIII do Marquês de Pombal com o século XIX de Machado de Assis. Claro que o autor sempre poderá alegar que o Marquês de Pombal que se tornou vice-rei no Império dessa linha histórica alternativa não é o mesmo que coordenou a reconstrução de Lisboa como primeiro-ministro. Aliás, esse é o segundo tipo de alegação que mais se ouve nas oficinas literárias do gênero...

Um assunto que suscitou interesse inesperado, sobretudo entre Sandra e Carol, foi o de minha breve carreira militar-naval de seis anos na MB. Contei-lhes dos meus embarques e de minha experiência como gerente da Divisão de Controle de Qualidade do Centro de Eletrônica da Marinha.

Infelizmente, tudo que é bom acaba. Houve uma hora em que tivemos que pedir a conta. Não antes, contudo, de tomar uma dose de Cointreau, prazer no qual iniciei minha amiga Giseli. Quitada a conta, Roctavio & Sandra nos deram carona até o Mercure. Durante a viagem, Giseli já pegou no sono, enquanto eu, Roctavio e Sandra papeávamos sobre ficção fantástica erótica, o que culminou em minha narrativa resumida do conto “Para Agradar Amanda”, que prometi lhes mandar por e-mail.

De volta ao Mercure por volta das 02:00h da manhã de sábado, subimos aos nossos quartos pelo elevador com vista panorâmica para dormir o sono dos justos.



Florianópolis, 22 de janeiro de 2010 (sexta-feira).

domingo, 13 de dezembro de 2009

Reunião da FC Carioca 2009-12

2009.1211.2359P6 — 18.053 D.V.



Sob pretexto algo óbvio de bebemorações paranatalinas, realizamos hoje à noite, em plena sexta-feira, mais uma das reuniões semiperiódicas da comunidade carioca de FC&F. Tratou-se de mais um evento no novo estabelecimento selecionado pelos alto hierarcas cariocas para as reuniões mais ou menos formais do nosso grupo, o Espaço Gourmet. Cheguei ao restaurante às 19:10h, meros dez minutinhos após o início dos trabalhos. Quando deixei o local por volta das 00:45h, o evento ainda ia de vento em popa.

Ao chegar ao local, lá já estavam Eduardo Torres, nosso Mr. President atual, e o tecnófilo Jorge Pereira. Embora Eduardo já houvesse aberto o serviço com um chope, incentivados pelo Jorge (o.k. que não precisamos lá de tanto incentivo assim...) pedimos a carta de vinhos do estabelecimento. Inadvertidamente, o garçom de plantão em nossa mesa trouxe duas taças de vinho suave em vez da carta que lhe fora solicitada. Taças recusadas com sorrisos e a carta acabou aparecendo nas mãos de um outro personagem: um sommelier-trainee, que se apresentou como Gaúcho. Munido de beneplácito presidencial, pedi um tinto uruguaio da Bodegas Pisano da linha Cisplatino, um corte de Tannat com Merlot. O vinho combinou muito bem com os queijos, frios e o carpaccio de que me servia.

Jorge e Edu perguntaram sobre meu romance de história alternativa, Xochiquetzal: uma Princesa Asteca entre os Incas, prestes a ser lançado pela Draco. Animado, expliquei-lhes o ponto de divergência e as nuances da narrativa de Dona Xochiquetzal da Gama. Aproveitei o ensejo para esclarecer a minipolêmica sobre o anacronismo do vinho do Porto que a protagonista bebe de em vez quando (ou de vez em muito).

Max Mallmann chegou dez ou quinze minutos depois, quando já comentávamos aquilo que iria dominar o bate-papo noite adentro: a quantidade enorme de livros de literatura fantástica brasileira lançada este ano. O gozado é que um ano atrás se dizia que 2008 seria ou teria sido o annus mirabilis da FCB, mas 2009 parece ter sido melhor ainda e estou com forte impressão de que 2010 será ainda melhor.

Nós quatro concordamos que está até difícil acompanhar tudo o que as editoras estão publicando nos últimos meses. De minha parte, elogiei bastante o primeiro romance de nosso amigo Fábio Fernandes, Os Dias da Peste (Tarja, 2009), uma tacada certeira da editora de Richard Diegues e Giampaolo Celli. O romance foi construído a partir da fusão e ampliação de duas noveletas “Um Diário dos Dias da Peste” e “Interface com o Vampiro”, ambas publicadas em na coletânea Interface com o Vampiro (Writers, 2000). Pretendo resenhar esse romance em breve.

Max nos presenteou com exemplares da antologia Galeria do Sobrenatural (Terracota, 2009), organizada pelo Sílvio Alexandre, na qual ele tem um conto, “Hábito Noturno”. Até agora só li dois contos dessa antologia bem acabada, não obstante as gralhas aqui e ali: o do Max e o “A Ponte” do Miguel Carqueija. Ambos me agradaram, sobretudo o do Max, mais contundente e de final menos previsível. Em suas 156 páginas, a antologia enfeixa dezoito contos e uma mini-HQ.

Pouco tempo mais tarde, chegou o Carlos Patati, acompanhado pela esposa e a filhinha que veio dormindo no carrinho de bebê. Contudo, a grande surpresa da noite foi o aparecimento da Ana Cristina. Após ter afirmado nas listas que não iria, ela foi recebida com grande alegria pelos presentes. Ao ser questionada, explicou que, como a comemoração natalina em que se encontrava lhe pareceu tediosa, ela deu uma escapada em direção ao Espaço Gourmet. Bela decisão!

Outro assunto que veio à baila foi a discussão recente na comunidade de FC do Orkut sobre uma resenha à antologia Steampunk (Tarja, 2009) que será publicada em breve por um crítico anglo-saxão. O motivo da celeuma foi que um sujeito chamado Eduardo insistia em bater na tecla gasta de que, por não ter o português como primeiro idioma, o crítico não seria capaz de produzir uma resenha pertinente. Por isto não, porque, ao que eu saiba, a brasilianista norte-americana especializada em FC brasileira, Libby Ginway, costuma apresentar críticas mais profundas e pertinentes do que onze de cada dez críticos brasileiros que militam em nosso gênero.

Edu pediu outra garrafa do Pisano Cisplatino, idêntica à anterior, já que aprováramos a primeira.

Por essa altura chegou Miguel Carqueija que, meio adoentado, permaneceu quase calado numa das extremidades da mesa durante o pouco tempo em que ficou conosco. Mesmo assim, logrou sortear dois livros e vender outros tantos. Os sorteados foram Patati e Eduardo. Aliás, por falar em doença, Raul Avelar também não pôde comparecer, pois iria se submeter a uma cirurgia de rotina.

Comentamos pormenorizadamente as duas temporadas da minissérie Roma, que todos gostamos bastante. Jorge inclusive confessou que possuía os dois boxes de DVD. Conversa vai, conversa vem, acabou batendo uma baita vontade de assistir as duas minisséries outra vez. Aproveitando o ensejo, Max nos falou um pouco sobre seu romance histórico que se passa no Império Romano do século I A.D., que sairá pela Rocco em março de 2010.

Quando tentamos pedir nossa terceira garrafa do uruguaio, o tal Gaúcho informou-nos que não havia mais. Após breve análise da carta de vinhos, talvez para se manter fiel aos hispânicos, Mr. President selecionou um Rioja de média extração (pois que os de alta costumam vir com preços proibitivos), faturado na comanda de nosso amigo Jorge. Um bom vinho, mas não tão bom quanto o Pisano.

Passei dos queijos & carpaccios à sobremesa, com direito a torta alemã e sorvete de chocolate, pois que era noite de festa. Como não cabia insistir no vinho, pedi uma dose de Cointreau. Como Ana Cris se interessou e sou como que tutor dela para assuntos de caráter etílico, ofereci-lhe uma dose. Foi só provar e se apaixonar. Quando seu marido, Estevão Ribeiro, chegou cerca de meia hora mais tarde, ela falou que eles precisaram comprar uma garrafa do licor. Depois que expliquei ao meu companheiro de clã que esposas amimadas com licores finos costumam se comportar de forma dócil e amorosa e, mais importante, no dia seguinte acordam satisfeitas e, melhor ainda (!), não se lembram de nada do que fizeram, ele concordou entusiasmado, ao que Ana, sempre esperta, aproveitou para pedir duas novas doses para nós.

Aliás, Eduardo elogiou bastante a novela autobiográfica do Estevão, Enquanto Ele Estava Morto (A1, 2009), onde o autor nos brinda com o relato impressionante da semana em que ele passou buscando o paradeiro de seu irmão mais velho, supostamente assassinado num garimpo da Bahia. É curioso, porque Edu repetiu quase que ipsis litteris os elogios que proferi ao autor em nossa última reunião.

Por conta da filhinha, Patati e a esposa foram os primeiros a deixar nosso ágape. Pouco mais tarde, Carqueija seguiu seu exemplo. Aproveitamos que estávamos praticamente em petit committee, para colocar as fofocas em dia. Comentei sobre o evento steampunk de que participei lá em Sampa semanas atrás e do lançamento da Imaginários (Draco, 2009), e ouvi bastante sobre as intrigas internéticas relatadas por Jorge e Ana. Fofoca vai, fofoca vem, ainda mais regada a cálices de Cointreau, acabamos só saindo de lá quase uma da matina. Quer dizer, o Jorge, o Edu e eu, porque a Ana, o Estevão e o Max permaneceram firmes e fortes para defender as honras da FC&F carioca.


Participantes:


Ana Cristina Rodrigues
Carlos Eugênio Patati
Eduardo Torres
Estevão Ribeiro
Gerson Lodi-Ribeiro
Jorge Pereira
Max Mallmann
Miguel Carqueija

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Lançamento da IMAGINÁRIOS na Cultura do Market Place




Compareci no sábado passado às 16:00h na livraria Cultura do shopping Market Place em São Paulo para o lançamento da antologia Imaginários, organizada por Tibor Moricz, Eric Novello e Saint-Clair Stockler.

A Imaginários está organizada da forma seguinte:

Volume 1: “Coleira de Amor” (Gerson Lodi-Ribeiro); “Eu, a Sogra” (Giulia Moon); “Veio... novamente” (Jorge Luiz Calife); “A Encruzilhada” (Ana Lúcia Merege); “Por Toda a Eternidade” (Carlos Orsi); “Twist in my Sobriety” (Flávio Medeiros); “Um Toque do Real: Óleo sobre a Tela” (Roberto de Sousa Causo); “Alma” (Osíris Reis); “Contingência, ou Tô Pouco Ligando” (Martha Argel); “Tensão Superficial” (Davi M. Gonzáles); e “Planeta Incorruptível” (Richard Diegues).


Erick Santos e eu com as Imaginários.

Volume 2: “Se Acordar Antes de Morrer” (João Barreiros); “Às Vezes Eu os Vejo” (Saint-Clair Stockler); “Flor do Trovão” (Jorge Candeias); “O Toque Invisível” (Alexandre Heredia); “O Cheiro do Suor” (Eric Novello); “A Rosa Negra” (Sacha Ramos); “A Casa de um Homem” (Luís Filipe Silva); “Eu Te Amo, Papai” (Tibor Moricz); e “Uma Questão de Língua” (André Carneiro).

Cheguei ao Market Place às 14:00h e faminto, pois me recusei a tomar o café da manhã do Novotel Jaguará Convention Center, pelo módico preço de R$ 26,00 cobrado a parte da diária. Por isto, a primeira coisa que fiz foi rumar para a praça de alimentação mais próxima e me dirigir ao fast-food mexicano para me locupletar com um combo de burritos de pernil e fajitas. Coincidência ou não, essa refeição de lamber os beiços, incluindo as duas latas de diet-coke, custou os mesmos R$ 25,89, que paguei com prazer e um sentimento de vingança contra o Jaguará.

Da praça de alimentação segui até a filial da livraria Cultura, onde já havia lançado a Taikodom: Crônicas no primeiro semestre. Aproveitei o tempo livre para fuçar as estantes de ficção científica, horror e fantasia nacionais da livraria, sem comprar nada. Então passei as estantes de livros estrangeiros desses gêneros, com resultado idêntico. Saciado, passei no caixa e escalei um vendedor experiente para tentar encontrar o romance Os Dias da Peste, do Fábio Fernandes, recém-lançado pela Tarja Editorial. Após dez minutos de buscas infrutíferas, os últimos dos quais na presença do próprio Richard Diegues, um dos sócios da editora, eis que o livro enfim aparece não no setor de literatura fantástica, mas sim no de literatura brasileira.

Mal recebi o romance do Fábio e me deparo com Erick Santos, que acabava de chegar com a esposa Janaína. Subimos para o 2º piso da megastore e estacionamos junto à porta do auditório, ponto de encontro tácito dos autores e editores que participariam da mesa-redonda. Amigos e parentes do Erick apareceram para prestigiar o lançamento que, afinal de contas, representava o início das atividades da Editora Draco.

Ficamos papeando sobre enredos de ficção, filmes e sotaques enquanto aguardávamos a abertura das portas do auditório. Janaína nos deu a boa nova de que a Draco já fechou a distribuição de seus no Rio com a Livraria da Travessa.

Às 16:00h enfim ingressamos no auditório que, ao contrário de nossas expectativas, ainda não estava climatizado.

Ali reencontrei Antônio Luiz Costa, Martha Argel e Renata, esposa de meu amigo Carlos Orsi Martinho, que se encontra presentemente na Antártida, na base Comandante Ferraz, a convite da Marinha Brasileira. Ela já havia comprado o livro e não poderia ficar para assistir a mesa-redonda e só apareceu para me dar um abraço e pegar meu autógrafo.

No horário marcado, já com o ar-condicionado funcionando a pleno vapor e a lotação do auditório pela metade, Erick convidou os dois organizadores presentes, Tibor Moricz e Eric Novello (o terceiro organizador, o carioca Saint-Clair Stockler não compareceu), a subirem ao palco. Ao contrário do planejado inicialmente via e-mail, não subimos aos poucos, divididos em três grupos de três, mas os nove de uma vez, na seguinte ordem, da esquerda para a direita: Tibor Moricz; Eric Novello; Alexandre Heredia; Ana Lucia Merege; Richard Diegues; Gerson Lodi-Ribeiro; Martha Argel e Giulia Moon. O nono participante, Davi M. Gonzáles, não subiu ao palco, preferindo permanecer incógnito na plateia.


Erick propôs três perguntas bastante genéricas para os oito participantes da mesa-redonda versando, grosso modo, sobre: 1) estado da arte da literatura fantástica no Brasil; 2) oportunidades e dificuldades proporcionadas pela internet; e 3) influências de outras mídias na literatura. Começamos a responder a primeira pergunta da esquerda para a direita, iniciando com Tibor e terminando com a Giulia Moon. A segunda pergunta seguiu o percurso oposto e a última começou pelo meio, com Richard Diegues, seguiu para a esquerda até a Giulia e então retomou com a Ana Merege e seguiu para a direita até o Tibor. A dinâmica da mesa funcionou bem, nenhum dos participantes dominou demasiadamente o microfone e, de forma geral, rolou uma química legal entre nós oito. Os mais antigos e experientes rememoraram um pouco da história do gênero fantástico no Brasil, desde os tempos dos fanzines, das trocas de correspondência postal e dos primeiros clubes de fãs. Discutimos as diferenças e as semelhanças das formas narrativas das diferentes mídias e abordamos nossas experiências com a internet. A plateia mostrou-se ativa o tempo inteiro. Martha Argel lembrou das comunidades de fãs das antigas BBS. Giulia falou de sua inserção na literatura vampírica e de como ela e a Martha se conheceram. Ana Merege destacou a importância da literatura em geral sobre a literatura de gênero. Já eu destaquei justamente a literatura de gênero, apresentando um pequeno resumo de sua evolução recente no país. Tibor e Eric falaram um pouco sobre a organização da antologia em si. Sílvio Alexandre e Antônio Luiz fizeram pequenas intervenções pontuais ao longo do evento. Infelizmente, não houve tempo para as perguntas da plateia.




Aliás, lá pela hora da chegada do Sílvio, direto do outro lançamento da tarde, uma antologia de contos organizada pelo Roberto Causo para a Terracota, percebi que o auditório estava inteiramente repleto. De fato, ao que parece, nosso evento foi um sucesso de público. A Cultura realmente bombou!

Descemos do auditório para o andar térreo da livraria, onde se deu a sessão de autógrafos. A Draco providenciou crachás para os autores a fim de facilitar a vida dos fãs. Como só havia quatro poltronas, deixamos os assentos para a Martha, a Giulia e a Ana Lúcia. O vinho servido no coquetel patrocinado pela Cultura foi o branco Salton Volpi Chardonnay, que caiu como uma luva para a ocasião. Aliás, só se serviu vinho e água, nada de refrigerantes e muito menos salgadinhos ou canapés, atitude que considerei correta, praxe a ser copiada em próximos lançamentos. O bate-papo seguiu animado durante a sessão de autógrafos. Conversei principalmente com o Antônio Luiz, Tibor, Erick, Sílvio, Richard e o Douglas Comito, que compareceu no lançamento. Quase todos os livros que autografei foi para fãs que eu não conhecia, o que considerei um sinal excelente. Provavelmente tratavam-se de amigos e parentes dos autores paulistanos ou do editor Erick Santos.


Giulia, Martha e Ana Lúcia

Eu, Tibor, Richard e Erick trocamos experiências sobre o trabalho árduo e inglório de organizar antologias e editar livros. Foi uma espécie de sessão catártica de confidências, do tipo o outro lado do balcão, uma vez que nós quatro também somos autores de literatura fantástica, porém, como organizadores e editores já fomos obrigados a enfrentar os egos de nossos companheiros de vocação. Mais uma vez respondi à triste questão do motivo da Ano-Luz não ter dado certo.

Também na porta da Cultura, Erick finalmente distribuiu nossos exemplares da antologia e os autores ainda presentes aproveitaram para trocar autógrafos uns com os outros. Não duvido nada se alguns de nós acabaram levando para casa os livros trocados.

Após as despedidas, o casal Erick & Janaína deram carona para mim e para a Ana Lúcia Merege. Primeiro deixaríamos a Ana no Aeroporto de Congonhas e então seguiríamos para o Terminal Rodoviário Tietê. Durante a viagem para o aeroporto, descobri que a escritora de fantasia é filha do professor Policarpo, que lecionou português e literatura para a 1104, minha velha turma na antiga primeira série do segundo grau no Externato São José. Mundinho pequeno...

Deixamos a Ana no Congonhas e rumamos em direção à rodoviária. Como meu embarque se daria às 00:20h de domingo e ainda era 20:30h de sábado, o casal me convidou para jantar. Convite aceito, fomos para o Shopping Center Norte, situado em frente ao Terminal Rodoviário.


No todo, a missão dupla SteampunkImaginários à Sampa rendeu bons dividendos: conheci pessoalmente o casal de editores da Draco, estabeleci contatos produtivos com o pessoal do Conselho Steampunk, revi a Giseli Ramos e a Renata e ainda recebi dois convites para participar de projetos de divulgação do gênero fantástico no país.

Jardim Botânico, Rio de Janeiro, sábado, 28 de novembro de 2009.


Galera da Imaginários

Maratona Steampunk na Viriato Corrêa


Estive na noite e madrugada do sábado passado, 27/11, na Biblioteca Temática Viriato Corrêa (Rua Sena Madureira 298, Vila Mariana, São Paulo, SP) para participar da Fantástica Jornada Noite Adentro III, desta vez dedicada ao subgênero steampunk.

Encontrei minha amiga Giseli Ramos na estação de metrô Vila Mariana para comermos umas empadas antes de irmos para a Viriato Corrêa. Conforme prometido, as empadas eram mesmo gostosas. Pelo menos a empada de gorgonzola que comi estava deliciosa. Durante a refeição, Gi se dirigiu ao toalete para se compor a caráter para o evento performático de que participaríamos. O empenho e a preocupação dela eram tantos que comecei a ficar eu mesmo preocupado: afinal, não trouxera fantasia...

Regressando à Viriato Corrêa, encontramos o organizador Sílvio Alexandre, que nos cumprimentou efusivamente e nos colocou a par das últimas novidades do fandom paulistano.

Pouco depois chegaram Romeu Martins & Ludimila Hashimoto, Cristina Lasaitis e Camila Fernandes, ambas decididamente a caráter, e o editor da Tarja Gianpaolo Celli.

Romeu puxou um exemplar do Anno Dracula, romance emblemático de ficção alternativa recém-lançado em português numa edição primorosa da Aleph. Aproveitei para brincar com ele, afirmando que ele estava parecidíssimo com o Kim Newman, o autor do romance. Ele me perguntou sobre o lançamento de meu primeiro romance, Xochiquetzal e eu lhe falei que o livro deverá ser posto à venda ainda este ano, mas que, por questões de estratégia de mercado, a Draco decidiu só fazer o lançamento oficial em março de 2010.

Romeu questionou minha definição abrangente de steampunk, que inclui linhas históricas alternativas que abarcam avanços tecnológicos significativos a serviços de formações sociais arcaicas. Replicou que, por essa definição, minha noveleta “A Ética da Traição” também seria steampunk. Contra-argumentei que essa não era, mas que uma outra noveleta minha de história alternativa, “Assessor para Assuntos Fúnebres” podia ser enquadrada dentro do subgênero.

Após as tradicionais sessões de fotos, um must do evento graças à caracterização steampunk das meninas, entabulei um bate-papo com o Sílvio e o Gian sobre FC brasileira em geral, mas sobretudo sobre a antologia luso-brasileira Vaporpunk que estou organizando junto com o autor português Luís Filipe Silva. Adiantei que o livro sairá aqui no Brasil pela Draco e que provavelmente consistirá de oito trabalhos: cinco autores brasileiros e três portugueses. Sílvio veio com a ideia de lançarmos a antologia durante a Fantasticon 2010, que deverá se dar por volta de julho próximo.

Cristina, Mila Fernandes, Giseli, eu e Romeu Martins.

Quando eu e Gian papeávamos animados junto à mesa do café, o Sílvio convocou o público presente a ingressar no auditório para dar início a parte oficial do evento. Sentei na terceira fila. O auditório de cerca de cem poltronas estava com metade dos assentos ocupados.

Após o breve discurso de abertura bem-humorado da diretora da biblioteca pública, a atriz Cristiana Gimenes apresentou uma deliciosa leitura crítica com comentários sobre o romance vitoriano de Robert Louis Stevenson, O Estranho Caso do Dr. Jekyll e Mr. Hyde, delineando as nuances do caso de modo a iluminar as reais motivações de Henry Jekyll e tecer uma comparação, a posteriori óbvia, entre a compulsão do médico filantropo e humanitário com o vício em drogas.

Em seguida houve um desfile feminino em que as modelos (provavelmente amadoras, pois algumas possuíam corpos demasiado bonitos e nenhuma era raquítica como as profissionais) vestiam trajes vitorianos, algumas inclusive apenas de espartilhos e corpetes. Algumas das jovens armaram poses mais ou menos ousadas, enquanto outras simulavam timidez condizente ao que imaginamos para moças vitorianas. O desfile foi divertido e despertou a curiosidade do público presente.

Quando a apresentadora da leitura sobre a obra-prima de Stevenson voltou ao palco para uma nova apresentação, um jovem sentou-se ao meu lado esquerdo e se apresentou como sendo Erick Santos, o editor e publisher da Editora Draco, que está se lançando agora ao mercado e com o qual já troquei algumas centenas de e-mails, embora ainda não o conhecesse pessoalmente. Após cumprimentos efusivos de parte a parte, ele me presenteou com um exemplar de cada um dos dois volumes da antologia Imaginários, primeiro lançamento da Draco, que se dará oficialmente amanhã. Sob forma de pocket books, mas com acabamento rebuscado que inclui até orelhas, os dois volumes ficaram muito bonitos. Meu conto de FC hard “Coleira do Amor” abre o primeiro volume. Meus quatro amigos portugueses – Sacha Ramos; Jorge Candeias; Luís Filipe Silva e João Barreiros – aparecem no segundo volume.

Mais umas breves palavras da diretora da biblioteca e Sílvio Alexandre aparece no palco como moderador da mesa-redonda sobre steampunk para convocar os três participantes: eu como escritor desse subgênero e Carlos Felipe “Karl F.” e Bruno Accioly, membros do Conselho Steampunk. Contudo, como Bruno também viria do Rio e seu voo atrasou, Silvio escalou para compor a mesa Cândido Ruiz, outro membro paulistano do Conselho.

À semelhança de vários outros membros do Conselho Steampunk presentes na plateia, meus dois colegas de mesa estavam trajados a caráter.

Sob a moderação segura de Sílvio, a mesa-redonda transcorreu tranquila e animada. De minha parte, após me confessar um herege em relação aos cânones preceituados na Encyclopedia of Science Fiction, do John Clute e do Peter Nicholls, autêntica Bíblia do gênero, procurei conceituar o steampunk como subgênero da história alternativa e afirmar minha definição abrangente desse subgênero, posição que veio à luz justamente nas guidelines da Vaporpunk. Ao contrário, Caó e outros membros da plateia preferiram conceituar como steampunk trabalhos de ficção alternativa, como Anno Dracula e A Mão que Cria, de Octavio Aragão, talvez pela ambientação no todo ou em parte no século XIX ou o clima geral vitoriano. Aliás, a plateia mostrou-se bastante interessada, lançando perguntas e observações, em geral pertinentes, tanto durante as falas dos participantes da mesa quanto após o início oficial da sessão de perguntas.

Com o término da mesa-redonda, ainda ficamos batendo papo por cerca de dez minutos dentro do auditório, antes de partirmos para o coffee break lá fora. Erick Santos aproveitou o ensejo para me apresentar a esposa Janaína, que vem a ser filha do crítico de ficção científica, Antônio Luiz da Costa. Aproveitei para apresentar o casal ao Sílvio Alexandre. Eles se despediram, pois Janaína estava sonolenta, mas devemos nos encontrar amanhã.

No salão anexo ao auditório, dirigi-me ao stand de vendas improvisado no local para adquirir um exemplar da antologia Steampunk, organizada por Gian Celli pela Tarja. Um fã que se apresentou como Dalton afirmou ter lido e gostado muito da antologia Phantastica Brasiliana, que eu e Carlos Orsi Martinho organizamos em 2000 por nossa finada editora, Ano-Luz. Já leu alguns contos do Taikodom no site e perguntou pelos trabalhos inéditos publicados na Crônicas. Mostrou-se vivamente interessado em minha coletânea de história alternativa, Outros Brasis, publicada pela Mercuryo em 2006 e eu lhe expliquei porque já não é tão fácil conseguir exemplares desse livro.

Entabulei outro bate-papo com o Gian Celli e o Sílvio Alexandre, desta vez sobre evolução da linguagem narrativa por conta dos avanços tecnológicos, sobretudo o cinema e a internet. Trocamos experiências como editores com autores recalcitrantes de várias ordens e estirpes.


Herói steampunk em ação!

O táxi me trouxe de volta ao Jaraguá, onde cheguei por volta das 02:15h. Antes de dormir num ambiente climatizado em 18°C, babei as primeiras páginas do meu “Coleira do Amor” na Imaginários 1 e folheei a Steampunk da Tarja.

Hotel Jaraguá, São Paulo, sexta-feira, 27 de novembro de 2009.